Thursday, December 15, 2022

My Policeman

 Numa altura em que Harry Styles tenta conquistar o cinema e tornar-se num artista todo o terreno, este foi a sua grande aposta e de grande risco, quer pelas cenas de sexo homossexual, sempre complicadas para um simbolo sexual adolescente, quer por ser um filme mais critico do que comercial, de epoca, sobre a forma como a sociedade via a homossexualidade. Este filme tradicionalista britanico acabou por nao entusiasmar a critica a qual resultou numa mediania exagerada. Do ponto de vista comercial, o filme não era claramente muito ambicioso neste particular mas serviu sempre o esterlato de Styles para fazer valer o impacto na Amazon.

Sobre o filme podemos começar por dizer que como a maioria dos filmes de homossexualidade de epoca, tem implicitos valores muitos proprios politicos que merecem o seu destaque. Do ponto de vista do desenvolvimento narrativo o filme e sofrivel principalmente pela dificuldade do impacto do passado ser assinalavel no presente do filme, alias e falta de sintonia entre momentos e os balanços acabam por tornar o filme mais previsivel do que impactante.

Alias percebe-se que o filme não é propriamente rico em conteudo quando o filme explora cenas interminaveis de intimidade entre os protagonistas masculinos que conduz a que o filme queira mais ser falado por esses momentos do que pela intriga e o impacto da sua historia. Fica apenas o detalhe historico da forma como a homossexualidade era tratada e reprimida no passado, se calhar ainda presente no presente.

Ou seja um algo pastoso drama tipico britanico, de ritmo baixo e que conta uma historia que percebemos ao primeiro minuto onde vai parar. Fica a ideia que quer aproveitar o estatudo de Styles dando-lhe versatilidade mas o filme nem ganha pela sua presença e tem mesmo algumas dificuldades com as suas ainda grandes limitações enquanto ator, ficara mais marcado pela forma como o filme nos da uma Styles diferente da estrela que está sempre presente do que por outra coisa qualquer.

O filme fala de um policia recem casado, que acaba por se envolver com um negociante de arte que acabam por assumir uma relação impossivel e proibida, mas que acaba por ser presente na relação heterossexual criada, em dois momentos distintos.

No que diz respeito ao argumento para a alem do testemunho politico e social de epoca o filme acaba por ser algo pastoso, ou mesmo muito previsivel. Nao e propriamente rico nas personagens e na intriga, tendo apenas alguns momentos mais interessantes na dinamica de casal e na forma como lidam com o conhecido desconhecido.

Na realizaçao do projeto Michael Grandaje é um tradicional realizador ingles com alguns filmes de segunda linha, sem grande mediatismo que tem aqui como maior proposito liderar Styles como ator. O filme e tradicinal ao maximo na sua roupagem, dai que a realização surja algo diluida no filme.

No cast temos o risco de Styles, mais preocupado em chocar do que propriamente em mostrar dotes como ator. A personagem nao pede mas ele nao dá, ainda para mais acompanhado por um Linus Roache, que também nao me parece o ator mais imponente do mercado. Os poucos bons momentos acabam por ser da jovem Corrin.


O melhor - A dinamica do casal

O pior - A forma como tudo se torna previsivel desde o início


Avaliação - C-



Wednesday, December 14, 2022

Weird: The Al Yancovic Story

 Al Yancovic é um icon da cultura non sense norte americana, razão pela qual foi ganhando dimensão e colecionando premios na forma como foi ligando a musica e a comedia. Aqui e sobre o seu argumento temos a sua historia de ficção sobre a sua vida, que marca a estreia da Raku em grandes produçoes de streaming, num filme que foi apenas lançado na aplicação. Este cultura sub pop da personagem fez com que o mesmo arrecadasse criticas positivas, e comercialmente, embora publicado num serviço menor acabou por chamar a si algum mediatismo.

Sobre o filme, este começa bem, na forma como de uma forme descontraida, e quase satirica e exagerada nos tras o inicio do icon, sempre intrepertado com um perfeito "boneco" (sic) por um Radcliffe que encaixa como uma luva no lado mais absurdo de toda a personagem. O filme no entanto perde-se no exagero e na sua eloquência que o faz perder muito norte daquilo que poderia ser um biopic divertido para se tornar num exagero total, sem grande consistência.

A questão do filme é que talvez o inicio ou a formula que Al conseguiu para atingir o sucesso deveria ser contada e acaba por ficar em claro segundo plano, pelo exagero, pela forma como vai introduzindo versões adaptadas de personagens conhecidas. Aqui o filme perde o sentido, e perde mesmo o carisma da personagem, na sua inocência que foi cativando. E daqueles filmes que tenta ser mais engraçado do que funcional e isso acaba por o fazer perder o encanto inicial.

Ou seja para quem conhece a obra de Al, este abordagem e a esperada, pois junta a fição e a comedia, as por outro lado se calhar um lado descontraido da sua verdadeira historia ainda com alguns picos de ficção tambem funcionaria bem, e ficariamos a conhecer bem melhor a personagem do filme. Ficam sentimentos contraditorios no fim do filme.

A historia dá-nos a alegada historia de Weird, sob a  mente de como ele gostaria que tudo tivesse acontecido. o filme começa com alguma ligação à realidade que a vai perdendo por completo ate entrar no exagero dos contactos e na formula dos mesmos na carreira do artista.

No argumento a parte real merece ser contada a forma como o filme ficciona o resto é que é completamente exagerado e absurdo. Ao inicio ate podemos considerar a abordagem como diferente, mas o que é demais irrita e o filme exagera bastante.

Na realização o trabalho a cargo de Eric Appel um realizador associado a filmes comicos e series do mesmo teor, vai de encontro ao proposito total do filme, que é chocar em algum tipo de humor exagerado. Sem grande risco ou qualquer tipo de abordagem mais artistica o filme deixa o humor que quer ter fluir.

O melhor destaque do filme vai para Radcliffe aos poucos temos uma ator versatil mas mais programado para a comedia. Encaixa fisicamente bem no boneco comico que o filme quer que ele seja. Tambem deve ser sublinhada a proximidade clara física entre Rachel Wood e a jovem Madonna.


O melhor - Radcliffe


O pior - O filme entrar num exagero total de lado absurdo


Avaliação - C+



Sunday, December 11, 2022

Armageddon Time

 Apresentado no ultimo festival de Cannes como uma obra auto briográfica de James Gray, este pequeno filme sobre a pre adolescencia, sonhos e tentativa de nos colocarmos no mundo, até conseguiu ser bem recebido no festival o que de imediato lhe colocou o selo de oscarizavel, o qual com o lançamento e com o pouco impacto comercial acabou por ir desaparecendo, sendo que apenas o seu percurso nos primeiros premios podera definir que papel ira desempenhar o filme nesta temporada.

Sobre o filme temos um drama familiar, sobre a infância, sobre os comportamentos pre adolescentes, sobre os sonhos, sobre a forma como se integra em diversos momentos. O filme não sendo no seu todo uma obra prima, tem otimos momentos, como a primeira reunião familiar, sobre o crescimento da relação de amizade com alguem de outro lado da sociedade, bem como as conclusões, isto tem um valor emocional muito mais impactante apos o conhecimento que se trata de memorias do proprio realizador.

Claro que muitos verão o filme e pensarão que e algo pequeno, algo circunscrito ao momento, mesmo que o filme esteja constantemente a colocar dados historicos para o contextualizar. A forma como o filme nas conversas entre as duas personagens infantis vai fazendo crescer os sonhos tipicos e o ponto forte de um filme que talvez necessitasse de um desenvolvimento maior da relação da personagem central com os pais e com o seu contexto.

Mesmo assim um bom filme dramatico, bem interpretado, principalmente pelos consagrados adultos que escolhe. Nem sempre é objetivo nos trajetos o que faz com que o impacto final possa ser deliberadamente menor. Nao sei se tem tamanho para premios, mas tem o lado emocional e nostálgico que muitas vezes é necessario.

A historia segue um pre adolescente que na escola publica acaba por se associar a um jovem de classe baixa, com problemas de comportamento o que conduz a que também ele acabe por replicar tal conduta o que leva a uma alteração de escola e o impacto da morte da sua figura de referência no crescimento de uma identidade.

No que diz respeito ao argumento nota-se muita intimidade do argumentista e realizador com a historia, no lado animico que acaba por associar entre as duas personagens infantis. Penso que a forma como conhece as personagens adultas dificulta o argumento em as caracterizar para alem do aqui e agora.

Gray e um realizador experiente que nunca teve um filme diferenciado que preenchesse a sua carreira a longo termo. Aqui temos um filme realizado com simplicidade deixando funcionar o cast e a historia que se nota ser proxima da sua infancia. Talvez goste mais desta simplicidade dele como realizador quando comparado com o que fez anteriormente.

No cast eu penso que a personagem mais jovem, entregue a  Banks Repeta, que ja tinhamos visto como secundarissimo em Black Phone nao funciona. O actor parece sempre debil demais para a rebeldia que quer fornecer a sua personagem. O filme salva-se pelo seu tridente de consagrados. Hathway e Strong estão a um nivel elevadissimo, e com possibilidade de nomeaçao no terreno secundario, e a presença de Hopkins da ao filme o lado sereno que o filme quer na abordagem da relaçao avo neto.

O melhor - O lado emocional e nostalgico que o filme transmite.

O pior - Algumas personagens so funcionam no aqui e agora.


Avaliação - B



Enola Holmes 2

 Enola Holmes foi talvez até ao momento o conceito de maior sucesso comercial que a netflix produziu ate ao momento, principalmente aproveitando o conceito comercial da sua protagonista. Como todas as outras produçoes normais, quando algo tem sucesso e um espaço curto de tempo ate surgir a sua sequela. Sobre a sequela os mesmos principios, e resultados semelhantes, criticamente as coisas ate correram bem, e comercialmente sera sempre um conceito com algum resultado junto dos espetadores da Netflix.

Eu confesso que até gostei em alguns momentos do primeiro filme, mas não gostei deste segundo, já que o mesmo torna-se tão denso no que diz respeito a sua intriga e aos pontos de contacto, tentando chegar a tantos pontos que se torna confuso e mesmo pouco intenso num filme que se queria de ação mas que acaba por ser algo monotono principalmente pelo excesso de linhas narrativas que serve.

Outro dos pontos que parece que tira algum impacto e o crescimento natural da sua protagonista, que tinha aquela inocencia que ainda convencia no primeiro filme e que aqui desaparece e Brown ainda não tem esfofo para heroina de ação e o filme perde muito nestes elementos da sua personagem ja que fica a ideia que é pensada para outra imagem.

Ou seja uma sequela que tenta tornar complexo o que e simples, tenta ter diversos estilos quando acaba por em rigor nao ter nenhum, tornando-se num aborrecido filme de investigação, que não aproveita a personagem maior de Holmes, e fica sempre a ideia que não se quer levar muito a serio mas enche o saco de elementos que o querem tornar mais que um filme de consumo de pipocas.

A historia segue Enola, na sua tentativa de se tornar uma detetive independente que acaba por ter pouco sucesso, ate que integra num caso que se torna bem mais denso que a aparencia e acaba por cruzar num caso do seu irmão o que vai necessitar de uma ligação familiar para funcionar.

No que diz respeito ao argumento o filme tem uma historia complicada e mesmo confusa que acaba acrescentar elementos em excesso a um filme de ação. Isso torna o filme denso de uma forma quase incompreensivel. Muitos podem dizer que e um risco de preencher conceitos vazios mas neste caso tirou os elementos fundamentais num filme de entertenimento puro.

Na realizaçao da sequela temos Bradbeer um experiente realziador de televisão com algum sucesso que ja tinha estado ao leme do primeiro filme. O filme tem conceito, o filme tem meios mas o ritmo televisivo prejudica um filme com esta duração. Talvez esta justificação esteja no percurso do realizador pela televisao.

No cast Brown e uma atriz juvenil que ganhou fama assim e esta no momento de passagem para a idade adulta, e este papel acaba por a ver ainda da primeira forma o que nao enxaica na imagem em si. Nao e a melhor forma de passar essa terrivel etapa. Canvil acaba por ser mais do mesmo, bem como a presença de Carter.


O melhor - O filme arrisca em acrescentar elementos a historia basica que estamos habituados.

O pior - Nao funciona e torna tudo muito lento




Avaliação - C-

Friday, December 09, 2022

The Wonder

 Sebastian Lelio é um realizador chileno que chamou a atenção do seu cinema no aclamado The Perfect Woman, que acabou por o conduzir ate aos EUA, onde tem tentado manter o seu estilo de captaçao de imagens, em filme intensos, que tem sido bem recebidos pela critica, embora longe do entusiasmo do filme que o deu a conhecer. Este ano apresentado em alguns festivais e sendo mais uma das apostas da Netflix para a temporada de premios surgiu este The Wonder, que ate foi bem recebido criticamente com avaliações positivas, mas comercialmente desvaneceu-se entre outras propostas colocando-o quase fora de qualquer corrida.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo começa bem, num estudio atual, e numa dissertação sobre historias e a forma como acreditamos nelas, contudo esta originalidade de abordagem, vai-se esbatendo quando entra a intriga central num filme de epoca numa cidade pequena, com muitas crenças. O filme vai sempre jogando com o lado da realidade e das crenças, conseguindo sempre que esse balanço seja assinalavel, contudo o curtissimo ritmo do filme acaba por o fazer adormecer retirando do impacto que o filme acaba por ter nas suas escolhas.

E um filme de contexto, vai escolhendo as suas personagens algo lentamente, e algumas das quais ficam por explicar, o filme quer criar o conflito entre a personagem central e a comunidade, embora de uma forma que me pareça algo lentificada. Quando fica a ideia que o filme ter de acelerar, o mesmo nem sempre o faz, tornando-se algo repetitivo para a conclusão final, ficando a clara ideia que o filme deveria ter preenchido melhor o espaço ate aquele fim.

Por tudo isto The Wonder e mais competente do que brilhante. E um filme que tem um argumento melhor do que acaba por ser. FIca tambem a ideia que a originalidade do seu prologo e epilogo acaba por ser algo inoquo para o resultado final que nos trás e nem sempre percebemos bem o porque disso.

A historia segue uma enfermeira numa pequena cidade irlandesa, que vai observar uma jovem que alimenta a crença que podera ter poder divino ao sobreviver meses sem comer, contudo aquilo que vai sendo analisado e diferente daquilo que todos queriam que fosse a realidade.

No argumento o filme tem uma historia interessante, que analisando o seu esqueleto, acaba por ser impactante, interessante e mesmo com a capacidade de fazer pensar. Contudo o ritmo pausado e alguma forma como deixa de lado alguns personagens acabam por nao permitir que o filme tenha o seu impacto completo.

Lelio e um realizador a ganhar espaço, consegue criar uma pressao psicologica permanente nas suas imagens, mesmo quando o filme se calhar pedia outro registo. Ainda nao acentou o seu local em Hollywood embora me pareça um trajeto competente.

O cast da a Pugh o protagonismo num momento em que a atriz esta em todo o lado. Nao e a sua interpretaçao mais imponente mas fica bem no registo. Ao seu lado Burke também cumpre, embora seja a jovem Kila Lord Cassidy que tem mais em si o peso do filme, o que ela respeita mesmo perante a sua juventude e alguma inexperiencia.

O melhor - O inicio e o fim do filme

O pior - O filme perder ritmo muito rapidamente


AValiação - C+



Tuesday, December 06, 2022

Raymond And Ray

 Numa altura em que as aplicações de Streaming tem cada vez mais recursos e mais apostas eis que a Apple ainda lançada pela vitoria nos oscares do ano passado lançaram este drama/comédia familiar produzido por Cuaron, com uma dupla de atores consagrado, sendo uma abordagem pre oscares. Pese embora esse objetivo a receção critica do filme não foi brilhante, muito mediana acabou por o filme perder algum impacto tambem comercial, ficando fora da corrida mesmo antes da mesma ter começado.

Sobre o filme podemos começar por dizer que começa com o tipica comedia de costumes, sobre a morte e sobre o passado. O filme consegue criar na diferença das personagens uma boa simbiose entre a dupla de protagonistas, mas posteriormente acaba por se perder em alguma eloquência com a chegada da dupla a cidade natal e na forma como todo o ritual de funeral acontece. NEsse particular o filme perde-se um pouco, principalmente com o afastamento das duas personagens.

Mesmo assim o filme tem bons momentos, potenciados pelo insólito de alguns momentos, mas acima de tudo em alguns diálogos das personagens centrais, cujas diferenças alimentam bastante os apontamentos que o filme vai tendo. Pese embora tal situação o filme perde algum crescimento, e perde-se um pouco na sua motivação ideológica, existindo a ideia de que o filme tem medo de se levar a serio tendo todos os ingredientes para o ser.

Por tudo isto parece claro que é um filme que tem bons momentos mas que a ideia final e claramente inferior ao que inicialmente se pensa que poderia realizar. O filme vai do melhor ao menos bom, com um final aberto que fica na retina como sendo uma tentativa de abrir o futuro das personagens, mas que ao mesmo tempo não e objetivo e quando isso acontece o filme tem dificuldade em concretizar os seus intuitos, por culpa propria.

A historia segue dois meios irãos, diferentes mas unidos, que regressam a cidade natal para o funeral do progenitor, uma pessoa muito peculiar que os mesmos vivem marcado, e que neste ritual vão conhecer um pouco mais das vivencias daquele.

Em termos de argumento o filme tem bons momentos, quer em curiosidades, que são muitas mas acima de tudo em alguns dialogos entre as personagens centrais. Perde-se e divaga em excentricidades na fase final, que tira alguma objetividade a um filme que com uma linha mais moderada poderia ter outro tipo de impacto.

Rodrigo Garcia e um realizador com alguns filmes conhecidos, associados ao drama de pessoas, mas que nunca teve o impacto de uma primeira linha. Aqui a realização e simplista, deixando o argumento e o cast funcionar, o que nem sempre acontece por culpa propria. E tambem por alguma simplicidade de processos que o filme não funciona particularmente tambem na realização.

No que diz respeito ao cast Mcgregor nao esta em boa forma e o filme padece do quase piloto automatico do ator nestes dias. Hawke esta em melhor forma e beneficia de uma personagem mais risca, mas fica a ideia que as personagens poderiam valer mais do que o argumento lhes vai dando e diminuinto.

O melhor - As  conversas iniciais da dupla de irmãos.

O pior- -O filme ir perdendo o gas ao longo do seu tempo


Avaliação - C+



Sunday, December 04, 2022

Call Jane

 Numa altura em que o aborto voltou a estar na ordem do dia na discussão politica norte americana, surgiu este pequeno filme sobre o tema, num passado que se pensava longinquo. Call jane quer chamar a disucssão sob o ponto de vista do pensamento feminino, e isso acabou por ganhar a simpatia da critica num tema sempre polemico. Do ponto de vista comercial, a falta de figuras de primeira linha e acima de tudo uma distribuição pouco impactante resultou num resultado comercial quase residual.

Sobre o filme podemos começar por dizer que o tema e impactante, que o filme não se abstrai de ter opinião, o que é sempre um apontamento politico concreto. No que diz respeito ao filme, temos uma historia complexa, de avanços e recuos, com alguns momentos efetivamente marcantes, embora depois no trajeto exista algum emarenhamento exagerado em avanços e recuos que tornam o filme algo adormecido e sem a capacidade de criar impacto no espetador.

Assim, o filme acaba por ser pequeno na sua genese e no seu desenvolvimento quando fica claramente a ideia que poderia e deveria ser maior. Este e um estilo de tema que usualmente tras os filmes mais premiados ou as apostas mais certeiras na temporada de premios, ainda mais com um tema atual. O problema e que o filme nao cresce na historia para alem dela propria e em tudo o resto e sempre de segunda linha.

Ou seja um filme que vale mais pelo testemunho politico de uma historia que pauta uma discussão na ordem do dia, do que pelo filme em si, o qual e sempre monocordico limitando-se em contar acontecimentos sem fazer crescer os seus personagens.

A historia segue uma mulher que em face do perigo de poder perder a vida numa gravidez conhece uma organizaçáo de apoio ao abordo ilegal, a qual vai ser parte da sua vida.

No argumento o filme tem uma historia e uma temática intensa e interessante mas o desenvolvimento narrarivo da historia nunca consegue tirar realmente grande proveito do tema. As personagens quase ficam entregues a momentos e o ritmo algo pausado tambem nao permite grandes forças.

Na realizaçao do projeto Nagy e uma argumentista de algum sucesso principalmente pelo argumento de Carol que tem aqui um filme claramente defensor das mulheres. Mais que uma obra artistica de referencia o filme e um testemunho politico que tem sido claro na sua carreira principalmente como argumentista. Na realizaçao e apenas normal.

No cast Banks nunca foi uma atriz de primeira linha porque nao soube aproveitar algumas oportunidades que foram surgindo. Aqui nota-se que esta sem rotinas de drama e isso faz tambem que a personagem nao tenham a dimensao pensada. Melhor Weaver que tenta retomar os melhores momentos de uma carreira de altos e baixos.


O melhor - O tema

O pior - A forma com que o filme se torna algo monocordico


Avaliaçao - C



Scrooge: A Christmas Carol

 Numa altura em que a Netflix prepara a abordagem a epoca de natal sempre prodiga em termos de rendimento de serviços de Streaming eis que surge mais uma produçao de animação, com um classico de natal a ter uma nova roupagem de animaçao pela enesima vez. Talvez por isso criticamente o filme tenha ficado pela mediania de ser uma abordagem totalmente esperada. Comercialmente tem tudo para ser um conteudo muito visto, porque o espirito natalicio esta bem presente.

Sobre o filme o que podemos começar por dizer é que e um projeto obvio do primeiro ao ultimo minuto, desde o estilo classico muito colorido do inicio, ate as viagens ao passado, quer ate a sua roupagem musical acaba por ser previsivel, mas eficiente naquilo que e mais uma transmissão da historia mais conhecida de natal, com o formato netflix de animaçao tipico, sem grandes riscos.

O filme podera ser mais do mesmo para quem ao longo dos anos ja viu a historia em filmes, peças de teatro ou animaçao, e ai o filme parece pouco ou nada ambicioso. Tambem me parece que com a necessidade de conteudos constantes a aposta em formatos passados com roupa nova seja cada vez mais comum. Nao sera certamente o classico que mais ficara na retina da historia mas e competente e proximo dos mais pequenos.

Ou seja um classico de natal numa nova versão igual a todas as outra, sem risco, mas com competencia e equlibrio. Para quem gosta da historia noventa minutos bem passados, para quem esta espera de ser surpreendido podera ser facilmente concluido que nao era necessarios.

A historia e a conhecida epifania de Scooge e dos fantasmas do passado, presente e futuro, na forma como o mesmo pensa nao so a epoca de natal mas o seu relacionamento com tudo e todos que o rodeiam.

No que diz respeito ao argumento o classico de Dickens e conhecido e todos ja sabemos tudo ao maximo promenor e o filme nisso perde na capacidade de surpreender, o que nunca tenta. O filme oferece algumas musicas que encaixam no formato e pouco mais.

Na realizaçao Donnelly vem da animaçao embora ainda sem projetos relevantes e escolhe um estilo competente, nada  arriscado. As imagens sao as esperadas, no estilo musical sempre interessante. Parece um inicio interessante num genero dificil mas onde a netflix tem obtido algum reconhecimento.

No cast de vozes em virtude de ter visto a versão portuguesa, de baixa qualidade diga-se nada pode-se auferir sobre o real impacto do original.

O melhor - A historia de sempre.

O pior - A falta de originalidade esperada


Avaliação - C+



Causeaway

 Apresentado em festivais de pre oscares este drama do pos guerra acabou por ser uma das grandes apostas da Apple para a temporada de premios depois de no ano passado CODA ter saido vencedor. Este pequeno drama, acabou por obter razoaveis criticas, embora longe do entusiasmo que pudesse ser a alavanca para voos mais elevados. Em termos comerciais a aplicação da Apple ainda tem alguma dificuldade de expansão e por isso tambem este filme teve longe de grande brilhantismo.

Sobre o filme temos um pequeno drama, para quem viu a serie The Maid, muitas são as semelhanças entre as personagens perdidas a procura de algo. O filme consegue perfeitamente incutir isso numa prestaçao intensa de Lawrence a tentar redefinir uma carreira bem mais independente. O filme e um drama de vida a todos os niveis, que tem o lado descontraido na relação de amizade que a mesma acaba por fazer com o seu mecanimo mas que leva novamente ao drama. Se calhar demasiado drama para um filme so e com tao pouco tempo.

A vantagem do filme sao as interpretações e a forma como as duas personagens encaixam facilmente uma na outra, aqui o lado mais descontraido da personagem de Henry acaba por desformatar o lado duro e rigido da personagem de Lawrence, sao os momentos a dois que tira o filme do marasmo o qual nem sempre aproveita os outros apontamentos da vida de ambos, tornando-se num razoavel mas longe de ser brilhante drama.

Assim surge um drama algo pequeno no que diz respeito ao tamano e ao ritmo, pausado, mas que tem duas personagens e interpretações que merecem destaque. Nao e um filme para espantar ou para deixar todos de boca aberta, mas acaba por ser um filme competente que sabe encaixar bem as duas personagens centrais que acabam por prender o espetador para perceber onde aquela sinergia vai acabar.

A historia segue uma ex militar que apos recuperar de uma explosão tem de regressar a sua terra natal e a casa, percebendo-se que pouco a liga ali, enquanto tenta regressar acaba por encetar uma amizade com o seu mecanico cuja vida tambem foi marcada pelo lado tragico.

Em termos de argumento o excesso de drama pode ser obvio no filme, que aproveita bem as angustias e as procuras constantes dos personagens. Nao e um filme muito ritmado ou com uma intriga de primeira linha mas e um filme onde as personagens resgatam o filme e isso tem a ver com a forma como o argumento as potencia.

Na realizaçao Neugebauer e uma realizadora desconhecida a dar os primeiros passos que tem aqui o elenco e uma aposta forte. A realizaçao e simplista, tipicamente independente de iniciante. Ela consegue captar bem os momentos das personagens mas o filme e pequeno e isso tambem acaba por colocar em causa o impacto da sua realizaçao. Mas e uma boa estreia ao mais alto nivel.

No cast Lawrence esta a tentar recuperar o impacto que lhe deu o oscar ainda jovem. Depois de ter andado algo perdida na carreira muito por culpa de Mother, a atriz encontra aqui um regresso a base, ja que foi em WInters Bone que ganhou impacto, no lado dramatico que aqui novamente demonstra ser a sua praia. Maior destaque para Tyree Henry um actor versátil que demonstra bem que a geração Atlanta foi uma dadiva ao cinema, nao seria surpreendente se conseguisse nomeaçao no projeto.


O melhor - As interpretações.

O pior - O baixo ritmo num filme tao pequeno


Avaliação - B-



Saturday, December 03, 2022

Black Adam

 Numa epoca em que a guerra entre DC e Marvel se encontra ao rubro quer no que diz respeito a filmes, mas tambem nas apostas das aplicações de streaming, eis que a DC apostou em grande ao lançar um heroi secundario mas a dar o protagonismo a uma das figuras mais conceituadas e mediaticas do cinema. O resultado critico nao foi o melhor, com avaliações sofriveis, muito na onde do que tem sido a maioria do trajeto DC. Do ponto de vista comercial, o valor comercial de The Rock foi essencial para tornar o projeto rentavel.

Sobre o filme eu confesso que desconhecia por completo a origem de Black Adam ou dos herois que aqui surgem e depois de ver o filme não fiquei muito esclarecido sobre o mesmo, para alem de ter poderes impressionantes e inigualaveis, e uma historia de base extremamente confusa com muitas personagens mas com uma intriga simplista e quase rudimentar.

O filme é debil a todos os niveis narrativos, na construçao de personagens, na intriga que escolhe mas acima de tudo por ser refem o tempo todo de efeitos CGI ao limite que se encaixam no movimento de todas as personagens, mas acima de tudo na criaçao de um vilao que nada tras do seu ator de base. Tudo isto da um fogo de artificio totalmente barulhento mas num filme que pouco ou nada tem de particularmente interessante, tendo apenas o objetivo ganhar dinheiro facil.

Esta tem sido a grande dificuldade da maior parte dos projetos da DC, a forma como os filmes se limitam a efeitos especiais de primeira geração, mas como as historias ou mesmo os projetos enquanto realizaçao sao fabriqueiros sem qualquer assinatura que por isso mesmo tem muita dificuldade de ter filmes assinalaveis mas mais que tudo de juntar as historias num mundo proprio.

A historia segue a criação de Black Adam um anti heroi, protetor de uma cidade que renasce com o mesmo objetivo depois de ter sido descoberta a coroa de um rei tirano antigo, e mais que tudo estar na posse de alguem com os mesmos objetivos.

No que diz respeito ao argumento começam aqui os problemas claros do filme que começam em personagens muito basicas, pouco trabalhadas, a começar pelo heroi e pelo vilão. Em termos de desenvolvimento narrativo tudo nao e também muito simplista e previsivel, exige-se mais para o conceito DC e para o dinheiro envolvido.

Na realizaçao para este projeto a DC escolher Collet Serra um realizador oriundo de filmes de açao simples, sem grande tamanho em Hollywood muito associado a Liam Neeson que nos ultimos tempos tem estado ligado a The ROck. Exagero de efeitos num filme de estudio sem assinatura um pouco semelhante ao que fomos vendo no realizador em anos anteriores.

No cast The Rock tem o lado funcional de heroi de açao, e aqui da o que o filme quer, principalmente esteticamente. O filme tem muitos secundarios que deveriam ter relevância que o filme nunca aproveita, e um vilão totalmente inexistente para alem do efeito especial.


O melhor - Alguns apontamentos da banda sonora.


O pior - A forma como o filme se esvazia nos efeitos especiais.


Avaliação - D+



Wednesday, November 30, 2022

Stars at Noon

 Uma das apostas no ultimo festival de Cannes foi o novo filme de Claire Denis, uma conceituada e nada comum realizadora francesa que tem ganho espaço e conceito em festivais mais de autor. Este ano esta sua pequena aposta sobre um drama politico na Nicaragua, estreou em Cannes com algumas boas avaliações que a conduziu a um premio menos no festival, embora comercialmente o seu estilo de cinema não seja particularmente apelativo para grandes resultados.

Este e um filme que tem diversos pontos de funcionam de forma diversa. Desde logo a forma lenta e quase amadora com que Denis capta imagens não permite que os seus trabalhos sejam particularmente efusivos ou entusiasmantes. Nota- se a preocupação de entrar de uma forma abrangente na contingencia politica e social do filme mas pouco mais porque de resto e um filme lento e demorado para aquilo que na realidade acaba por dar ao espetador.

Muitos podem gostar do detalhe, do espaço que da aos atores para brilharem, para os espetadores submergirem no real contexto das personagens, mas no final fica a sensação que tudo é demasiado demorado, que o filme deveria ter mais ritmo, mais intriga, ou aproveitar melhor aquela que tem e que deveria dar um filme mais intenso e mais impactante.

Assim surge um filme claramente independente, demasiado concetual quando a sua narrativa e mesmo o seu conteúdo poderia valer outro tipo de registo. A aposta em jovens atores que arriscam nas suas personagens nem sempre é uma aposta ganha principalmente no lado masculino, e a relação central do filme deveria ter mais intensidade e mais quimica, e o filme sofre destes problemas.

A historia segue uma jornalista Freelancer que sem trabalha vê-se presa numa Nicaragua em guerra politica e tem de vender o corpo para aceder a alguns previlegios. Tudo se torna mais intenso quando conhece um estranho ingles, com uma agenda propria, que conduz a uma ligação intensa e complicada entre ambos.

No que diz respeito ao argumento, o filme tem uma intriga num contexto que pode ser apetecivel para um filme deste genero. O problema e o ritmo e a toada que o filme assume que acaba por ser lenta e diminuir a intensidade que a história de base poderia ter. Tambem as personagens parecem sempre ter dificuldades em crescer.

Denis e uma realizadora experiente, proxima da critica, com um estilo de cinema muito intimista. Nota-se a preocupação em entrar nos contextos, o que consegue neste filme, tornando tudo quase claustrofobico, mas perde a noçao da intensidade do filme, tipica dos cineastas mais europeus. Sera sempre o seu estilo

No cast Qualley tem ganho alguma dimensão em Hollywood e tenta demonstrar ser uma atriz versatil, arrojada e intensa, o que tem conseguido. Aqui teria um filme dificil, que com outra capacidade de comunicar com o espetador poderia ter outro impacto, ja que temos um papel interessante. Perde tambem porque o seu companheiro de cast, Alwyn não e propriamente prodigo em recursos, numa personagem que exigia mais.


O melhor - O contexto claustrofobico politico que o filme consegue criar.

O pior - Demasiado demorado e aborrecido


Avaliação - C



The Estate

 A comedia familiar é algo que muitas vezes preenche alguns realizadores mais independentes e com poucas ambiçoes num cinema com pouco impacto. Este ano num mes de Novembro calmo saiu este filme sobre partilhas e guerras familiares, numa comedia de costumes, que não agradou propriamente a critica com avaliações algo negativas, e comercialmente os resultados também foram bastante rudimentares transformando o filme num fiasco claro.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo tenta ir na onda do filme mais conceituado do realizador, Death at Funeral, e naquilo que é a ambição no meio da morte que ja tinha sido o mote para o seu filme mais conhecido que acabou mesmo por ter duas versões. Aqui o filme tenta ser engraçado, exagerado numa luta desenfriada pelo dinheiro de uma tia perto da morte. O filme é exagerado em tudo, tenta ser corrusivo, mas o maior problema que o filme efetivamente acaba por ter, é que não e engraçado e todo o esforço é em vão porque nunca consegue efetivamente provocar grandes gargalhadas no espetador.

Outro dos pontos que me parece que o filme não funciona, e ter um leque de atores muito associados a uma comedia de segunda linha, que torna que o lado ideologico do filme seja diluido no exagero de um humor muitas vezes sem grande gosto, com excesso de sexualidade, e mais que isso com personagens demasiado esteriotipados para a piada facil.

Por tudo isto The Estate ao contrario de Death at Funeral não é engraçado, não é peculiar, é exagerado, é esforçado, mas não tem graça e isso seria o unico apontamento que poderia diferenciar o filme em algum vetor, já que tudo o resto acaba por ser pobre. Mesmo as escolhas para bonecos acabam por ser algo limitados, e o filme é uma desilusão.

A historia segue duas irmãs que desesperadas por dinheiro criam um plano de ajudar uma tia rica nos últimos dias de vida de forma a serem prendadas com a eventual herança. Contudo muitos outros primos em circunstâncias semelhantes acabam por ter a mesma ideia, começando uma guerra entre eles.

A base do filme é igual a muitas outras, em termos narrativos, longe de qualquer originalidade. A conclusão de tudo acaba  por ser semelhante a muitas outras, mas acaba por ser na forma com que o filme utiliza mal o humor que as coisas funcionam pior.

Na realização Dean Craig tem este estilo caotico de personagens a procura de um objetivo que ja foi apanágio de outros filmes seus. Eles não sendo brilhantes tem a assinatura propria acabando por ser no plano do argumento que este filme tem mais dificuldades a todos os niveis.

No cast Colette costuma ser competente mas e notorio o seu desconforto no filme pela personagem se esconder. Faris Turner estão mais confortaveis no que o filme pede, ainda que isso seja pouco. E um filme que nada pede aos seus interpretes


O melhor - Os momentos de Duchovny

O pior - O humor de ma qualidade


Avaliação - D



Ticket to Paradise

 Quando determinadas estrelas maiores do cinema entram em determinada idade, algumas tem dificuldade em encontrar o espaço comum dos anos anteriores das carreiras e deambulam por projetos que possam ser menos motivantes. Nesta comedia romantica algo simplista encontramos dois pesos pesados, conhecidos um do outro novamente a conjugarem esforços. Este pequeno filme ficou por uma esperada mediania critica sendo que comercialmente as coisas até correram bem principalmente para uma comedia romantica onde me parece claro que o nome dos protagonistas e o paraiso chamado Bali foi essencial para essa projeção.

Sobre o filme temos a tipica comedia romantica do odio de muito tempo que vira amor. O filme tras dois pesos pesado, em clara baixa de forma principalmente Clooney longe do ritmo que fez dele um dos atores maiores de Hollywood. O filme é obvio, pouco coeso, com um humor físico algo inesperado mas que dificilmente funciona e acima de tudo com pouca coesão ou lógica, tenta fazer um paralelismo nas duas historias de amor, quando na realidade nenhuma das duplas tem particular quimica nas suas personagens para sustentar um filme tão dependente deste ponto.

Claro que temos uma produção elevada, a qual se percebe desde logo na forma como o filme aproveita o alegado paraiso de Bali para levar as personagens para sítios indiscritíveis, e é claro que Clooney e Roberts tem carisma, mesmo em personagens monotonas e pouco trabalhadas, que reforçam os defeitos latentes que sempre estiveram presentes na carreira de ambos. Isso da um filme obvio, e previsivel que pouco trás de novo ao cinema.

Ou seja um comedia romântica de segunda divisão a todos os niveis. Com este cast e com esta linha exigia-se mais irreverencia, e mais autoria. Fica a sensação que principalmente na utilização de um humor algo fisico nem Roberts nem Clooney necessitavam deste tipo de papeis. Claro que a fase das carreiras não é a melhor mas fica a ideia que o filme acaba mesmo assim por ser demasiado pequeno e previsivel.

A historia segue uma jovem que numa viagem de fim de curso ao Bali, se apaixona por um nativo e fica noiva. Isso vai levar a que os pais, separados e com uma guerra de longo curso unam esforços para impedir que ela cometa o erra deles e que conduziu ao seu nascimento.

E no argumento de base que residem os maiores problemas do filme quer pelo excesso de prevesibilidade mas acima de tudo pela forma como tudo o obvio e o humor nao funciona. O filme e mais do mesmo em termos de comedias romanticas de segunda linha.

Na realizaçao Ol Parker e um tradicionalista do amor em Hollywood o qual ja teve diversos filmes com alguma dimensão, mas teve sempre dificuldade em dar uma assinatura ou algo relevante nos mesmos. Aqui para alem do paraiso so espaço pouco espaço para uma assinatura de cinema, que talvez explique tantos filmes, tanto dinheiro e continuar quase desconhecido.

No cast nem Clooney nem Roberts estão no melhor momento atual. Clooney depois de alguns insucessos tenta dar o ar de gala, mas o humor fisico e totalmente disfuncional na sua prestação. Roberts, que colecionou sucesso em comedias romanticas, parece desconfortavel numa personagem tao rigida. A jovem Dever tenta ganhar espaço, mas ja a vimos a exibir mais risco nos seus papeis.


O melhor - Bali

O pior - O humor fisico que o filme tenta ter.


Avaliação - C-



Tuesday, November 29, 2022

Lyle Lyle Crocodile

 Neste final de ano existiu este filme juvenil sobre um corcodilo cantor, que tentou utilizar ao maximo o poder da estrela musical Shawn Mendes para conseguir cativar um publico juvenil. O filme, uma aposta maior de uma das maiores produtoras de hollywood não conseguiu chamar muito a atenção em termos criticos com avaliações medianas, sendo que comercialmente as coisas correram melhor com o tempo do que inicialmente se fazia esperar.

Sobre o filme podemos dizer que o conceito do animal cantor parece muito anos 90 e que atualmente penso que é dificil perceber qual e o real publico alvo de um filme que é demasiado infantil para os adultos, mas também não é engraçado ou cativador para os mais pequenos que acabam por ter muito melhores projetos e mais trabalhados do que este. Dai que seja surpreendente a forma como um filme deste, de domingo a tarde conseguiu chamar a atenção de um grande estudio.

Tambem em termos de produçao me parece que o filme é limitado, tudo começa desde logo pela forma como o filme não tem propriamente um efeito especial de excelencia na construção de Lyle, e acima de tudo como os momentos musicais são alvo distantes do teor que o filme quer ter, tornando-o num markting puro para Mendes, mais do que uma obra cinematografica propria.

Por tudo isto Lyle e um filme de domingo a tarde igual a muitos de animais falantes. Sobressai a capacidade de Bardem também ser um ator de musicais com capacidade fisica e interpretativa e pouco mais. Este sera sempre o filme de Mendes mais do que qualquer coisa, fruto de uma epoca que passará rapidamente.

A historia segue um corcodilo que se expressa a cantar e a forma como o mesmo se une a uma familia que vai viver para o andar de baixo ocupado por si, acabando por ajudar todos os elementos da familia a ultrapassar os seus problemas e unir todos nesta nova etapa.

Em termos de argumento muito pouco de original, e muito do que durante anos e anos vimos nos domingos a tarde dos canais generalistas. Personagens limitadas, valores morais obvios e muita previsibilidade. Fica a clara sensação que as letras das musicas deveriam encaixar muito mais no filme.

No que diz respeito a realizaçao uma dupla associada a comedia de estudio, sem grande relevância ou assinatura individual. O filme nem sempre utiliza os melhores recursos na construção da personagem, o que para um filme com este custo se exigia. Acaba por ser algo rudimentar para um filme com estes objetivos comerciais.

No que diz respeito ao cast, brilha Bardem do primeiro ao ultimo minuto, demonstrando vetores que até ao momento ainda não tinham sido observados. Ao seu lado WU e Mcnairy estão algo prendidos a personagens pouco trabalhados e o jovem Fegley e demasiado preso aos miudos nerds que sempre preencheram este tipo de filme.


O melhor - Bardem

O pior - A forma como o filme não consegue ser atual


Avaliação - C-



Saturday, November 26, 2022

The School for Good and Evil

 Neste Outono a aposta maior da Netflix tendo em vista uma dinamica comercial maior, foi este inicio de um franchising que acaba por ser a adaptação de um conjunto de livros de algum sucesso que mais uma vez tenta dar inicio a um franchising cinematografico. Sob a batuta de Paul Feig e Netflix surgiu esta especie de Harry Potter das historias de princesas. Este projeto arrojado acabou por falhar em longa escola na critica com avalações pessimas o que conjugado com o passa a palavra acabou por tornar este projeto no maior fiasco do ano para a produtora que continua a ter dificuldade em ter uma rendimento mais consistente nos seus projetos.

O filme tenta ir buscar a maior parte dos filmes infanto juvenis que viram a luz do dia nos ultimos anos, com a introduçao das suas personagens, as suas ligações e conduzir para o mundo das escolas. O piscar de olho a Harry Potter e claro mas o filme nunca consegue ter qualquer dinamica de sucesso, desde logo porque as personagens são desinteressantes e encarnadas por escolhas estranhas, porque não tem um vilão real de primeiro nivel, e porque o mundo onde sao encaixadas tem curiosidades como o passado familiar das personagens que são abandonadas para mais de duas horas repetitivas e previsiveis de um projeto que tinha tudo para falhar.

Outro dos pontos onde o filme nunca consegue encontrar o seu terreno e no estilo, quer ser juvenil, escuro e comico e acaba por ser nada disso, acaba por ser uma mistura de estilos sem assinatura, onde acima de tudo os efeitos não conseguem impressionar e a historia e desprovidade de grande conteúdo acabando por ser mais uma basica historia juvenil, longe de outras que ao longo do tempo foi tendo sucesso no cinema e na escrita.

Mais uma tentativa de criar um franchising que tornasse rentavel para muito tempo a Netflix uma aposta, que contudo ficou-se pelo objetivo central ja que o filme nunca consegue minimamente imprimir os pontos necessarios para isso, o que acaba por trazer mediocres atores, numa historia meciodre e numa produçao muito aquem do que se espera neste momento de uma produçao desta exigencia.

A historia segue duas amigas que tentam encaixar no perfil de princesa e bruxa dos filmes de princesas, que acabam por embarcar na escola de ambas mas trocadas, ate que percebem que a sua historia tem um proposito bem contrario aquilo que cada uma esperava.

O argumento e o patinho feito do filme a todos os niveis, desde logo na construçao de personagens, num filme que quer trazer personagens para um franchsing longo e necessario que as mesmas tenham carisma e empatia com o publico o que não acontece. Fica a sensação que com duas horas e meia de filme tudo e previsivel.

Feig e um realizador de comedia que tem tentado sair deste registo  mas tal tem sido dificil, quer em drama quer agora em fantasia. O filme tem alguns meios mas o realizador nunca consegue dotar o projeto de qualquer assinatura, ficando sempre a sensação que quando sai do seu terreno de humor as coisas ficam dificeis.

No cast e incrivel como o filme aposta num projeto tao caro duas protagonistas desconhecidas e que nao funcionam no estilo que o filme quer. Se Anne Caruso ainda consegue ter o lado mais estranho que encaixa nos dois momentos da personagem, a escolha de Wyle e claramente discutivel por falta de recursos ou mesmo nunca se sentir confortavel com qualquer vertente do papel. O despredicio de Theron e Fishburne e incompreensivel.

O melhor - O resultado comercial aniquilar alguma possibilidade de continuidade


O pior - A forma como se desprediça dinheiro e tempo num projeto como este.


Avaliação - D



Tuesday, November 22, 2022

Rosaline

 Esta pequena comedia da Hulu, que tenta dar uma nova versão do clássico de Shakespeare Romeu e Juliete sob o ponto de vista de Rosaline, a prima de Julieta e alegado primeiro amor do herói romântico e um filme que tenta ser uma sátira sem grandes objetivos do que todos conhecimentos. O lado mais arrojado do filme foi valorizado pela critica que avaliou positivamente o conceito. Do ponto de vista comercial a aplicação Disney + acabou por dar mais visibilidade que o filme acabou por inicialmente ter.

Sobre o filme temos um registo suave pouco ambicioso, num filme de epoca de poucos recursos que tenta ser mais engraçado do que realmente é. Todos podemos considerar que a abordagem e original, algo que ja outros projetos fizeram que é dar uma roupagem diferente do que todos conhecemos. Nem sempre o filme e feliz na abordagem humoristica mas fica ainda mais a perceção que nem sempre os interpretes se sentem confortavel no formato.

Por tudo isto parece-nos claro que Rosaline e mais irreverente do que a propria qualidade que acaba por ter. O filme nunca se leva a serio, e isso embora possa lhe dar aquele aspeto cool o torna algo vazio nas personagens ou mesmo no seu desenvolvimento. Fica muitas vezes a sensação que o filme quer ser ainda mais disparatado sem argumentos, o que acaba por resultar em algo particularmente estranho, mesmo num espaço onde a irreverencia de abordagens e cada vez maior.

Assim  Rosaline vale mais pela curiosidade do conceito do que pelo filme em si. Uma produçao pequena o que influencia sempre negativamente qualquer projeto de epoca, com um humor forçado que na maior parte das vezes funciona mal, mas acima de tudo um estilo que pode estar na moda mas que nao tem aqui a sua obra mais capaz.

A historia segue Rosaline, depois de ser trocado por Romeu, pela sua prima Julieta a mesma tenta influenciar o amor eterno que nos conhecemos com a ajuda de um pretendente de nome Dario e que pode alterar tudo o que sabemos da mais conhecida historia de amor de todos os tempos.

No argumento o filme não é feliz, para alem da ideia original de dar o protagonismo a uma personagem apenas referida no livro, a concretização é algo obvia, sendo que o filme quer ser deliberadamente comico, sem o conseguir na maior parte das vezes.

Na realizaçao do projeto Karen Maine é uma irreverente e jovem realizadora americana que teve algum conceito critico independente no seu filme anterior. Aqui sofre o facto de ter nas mãos um filme de epoca com poucos meios e o filme sofrer claramente desse problema, nunca esboçando qualquer tentativa de ser mais arrojado.

No cast Dever vai ganhando dimensão em Hollywood principalmente depois do sucesso na televisão. nao me parece sentir-se minimamente confortável no papel de heroina romantica de epoca. Ao seu lado Merced e teale vao tentando ganhar minutos no cinema mas não é com este tipo de abordagens que ganharão dimensãoo.


O melhor - A ideia de transformar o conceito que todos conhecemos

O pior - A concretização do projeto e uma desilusao


Avaliação - C-



Saturday, November 19, 2022

Aftersun

 Apresentado no ultimo festival de Toronto esta pequena produçao patrocinada pela BBC foi uma das surpresas criticas do festival, principalmente pela unanimidade critica que absorveu sobre a quimica e as dificuldades de uma parentalidade algo precoce. O filme conseguiu criticamente algumas das avaliações mais consistentes do ano, sendo que comercialmente, ao ser um claro filme independente, mas mais que tudo a falta de figuras de uma primeira linha de HOllywood onde Mescal ainda esta em crescimento levou a resultados pouco imponentes que poderá conduzir a que o filme se dilua na competiçao com filmes mais visiveis.

Sobre o filme temos um filme lento a todos os niveis, mas mais que isto um filme que adota um estilo independente tipico do cinema britanico, onde o contexto espacial e os silencios interpretativos jovam um papel fundamental. Isto pode fazer com que o seja dificil entrar no circulo que o filme quer que o espetador entre, mas acaba por conseguir e ai conseguimos entrar nas dinamicas de uma relação pai filha, com dificuldades, amor e muitas questões que o filme aborda bem, sem grande ruido mas com muita profundidade.

O paralelismo entre o passado e o presente da personagem central pode ser o aspeto mais arrojado do filme a todos os niveis, principalmente porque vimos quase sempre a prespetiva da criança, mas parace que para esse funcionalismo ser mais explicito e imponente deveria ser mais exposto, fica muitas respostas por dar principalmente no que diz respeito as vivencias do pai. O filme consegue dar a nostalgia tipica de momentos que quando os vivemos nao damos o real interesse, e que o filme tão bem potencia em momentos realizados com detalhe de autor.

Por tudo isto Aftersun e sem duvida um dos filme mais intimistas do ano, claro que para os amantes de filmes maiores o ritmo muito lento do filme, podera tornar o filme algo monotono, bem como o facto de esconder, e centrar-se nas vivencias a sentimentos do momento. Mas o impacto da relaçao central e os pontos de vista, funcionam muito por culpa de uma otima quimica entre personagens.

O filme fala de umas ferias na Turquia, num resort barato de um pai divorciado com uma filha de onze anos, com todas as vivencias tipicas da idade de passagem, mas acima de tudo com as dificuldades do pai de responder aquilo que vao sendo as inquietaçoes da filha.

O argumento tendo uma historia de base algo linear e com pouca interiga, acaba por no seu significado e nas suas especificidades como dialogo ser bem montado, com otimos momentos da dois pai e filha. A forma como o filme depois transforma numa reflexao de adulta tambem e feliz.

Na realizaçao Wells da ao filme a melancolia perfeita e o saudosismo, numa filmagem independente nem sempre totalmente clara, mas que tenta dar o realismo de personagens comuns, nas suas particularidades. Para estreia temos um filme com o estilo porprio com muito contexto espacial e muito sentimento transmitido nas personagens que nos deixa com alguma expetativa para o que se seguira.

No cast temos um Mescal a ganhar intensidade em Hollywood mas parece-me algo parecido de papel para papel, exigindo-se alguma maior irreverencia no que vem depois. Aqui encaixa no estilo que o filme quer, principalmente no lado mais proximo e emocional da mesma. As inquietaçoes da juventude sao muito bem interpretadas pela jovem Frankie Corio que merece destaque como uma das melhores apariçoes juvenis do ano.


O melhor - O lado nostalgico do passado que o filme transmite tão bem.

O pior - Pode ser algo monotono para tao curta duraçao


Avaliação - B



Friday, November 18, 2022

Halloween Ends

 Quando foi anunciado que David Gordon Green iria revitalizar o conceito de Halloween juntamente com Jaime Lee Curtis os saudistas dos fenómenos ficaram satisfeitos mesmo que ao longo dos anos tenham sido diversas as tentativas frustradas de o fazer, que acabava sempre no mesmo tipo de registo. Aqui a novidade era a escolha de um cineasta algo independente com algum conceito que foi alimentando expetativas que nos dois primeiros filmes se foram desmoronando. Este final da triologia acabou por sair sem grande dinâmica comercial, o que fez com que os resultados críticos e comerciais foram decrescendo e filme para filme depois de um primeiro filme que resultou em ambos os cenários.

Por tudo isto parece claro que esta forma como o filme terminou não seria o expectável para o conceito por diversas razões. Primeiro porque o grande segredo desta nova fase era o conceito retro que o filme teve, e que está na moda. Nos filmes seguintes o filme foi claramente menos feliz, primeiro porque divagava demasiado noutras personagens, e porque se limitava ao horror absoluto das mortes, tornando os filmes algo estranhos. Este cai nesse erro a primeira hora do filme é quase impossível de perceber o conceito, na forma como quase torna protagonista um personagem quase desconhecido, esquecendo todos os elementos de Halloween, sendo que posteriormente o filme não tem dimensão para conseguir ao mesmo tempo ir procurar.

O filme consegue ir buscar alguns apontamentos relativo à base dos primeiros filmes, mas pouco principalmente quando comparado com o anterior. Fica a clara ideia que o filme quer criar um discípulo de Meyers mas acaba por não ser mais que isso, porque a personagem não tem dimensão, não tem carisma e mais que isso o filme não ter novidade ficando a noção que no final, mesmo com novos elementos e uma triologia que tenta acabar com Meyers mas todos sabemos que ele vai regressar.

Assim temos tres filmes depois apenas uma homenagem, sem que exista algo de substancialmente diferente no percurso da personagem central de Halloween e naquilo que já conhecemos. E sempre nostalgico ouvir a musica e o espaço no mes de Outubro mas tendo em conta o numero de filmes do formato que já viram a luz do dia era de pensar se esta e a estrategia mais forte ou se deveria compor novos elementos com o mesmo carisma e originais.

O filme segue a saga de Meyers e Laurie, quando um jovem se torna mal visto na comunidade a apaixona-se pela neta de Laurie mas ao mesmo tempo aproxima-se das bases que criaram Meyers, e torna-se na companhia mortal do terrivel psicopata.

No argumento e mais que discutivel o enfoque central do filme. Fica a ideia que Meyers e Laurie sao secundarios no seu proprio filme sem razão alguma. A historia central e desinteressante, confusa, sem carisma das personagens e no final de uma saga como este, nao era de prever estas opções.

No que diz respeito à realização Gordon Green e um realizador que cresceu num lado mais indie quase dramtico que foi a surpreendente escolha para esta saga. O revivalismo está la mas pouco mais, num projeto que começou bem mas no qual perdeu rapidamente a originalidade das suas ideias.

No que diz respeito ao cast Curtis e a senhora da saga, bem como Patton e ai o filme segue o caminho natural. Nos jovens protagonistas fica a clara ideia que Matichak e Campbell nao tem dimensao para um projeto minimamente ambicioso ainda para mais com o peso da sua conclusao


O melhor - O revivalismo sonoro

O pior - Na conclusão mudar totalmente o foco narrativo


Avaliação - C-



 

Wednesday, November 16, 2022

Smile

 O terror é dos géneros que melhores produtos lançou em 2022. Parece que tal não se deveu apenas a qualidade intrínseca de alguns projetos, cada vez mais arrojados, mas talvez pela comparação fácil com o que se foi fazendo nos últimos anos, e cuja qualidade era extremamente duvidosa. O filme que conseguiu reunir mais gloria comercia e critica com este Smile, o qual foi potenciado com uma boa campanha de markting sustentado pelo macabro sorriso das personagens, o filme tornou-se num surpreendente sucesso de bilheteira que acabou por apanhar desprevenido os proprios produtores do filme. Criticamente o filme tambem resultou com avaliações positivas.

Sobre o filme eu confesso que o "sorriso" subjacente às personagens e o macabro que as mesmas acabam por ser acaba por ser o elemento sedutor do filme, que funciona que nos impressiona mas que tudo o resto sinceramente me desiludiu tendo em conta o que lia do filme. A historia de maldições é igual a muitas, mesmo a questão ciclica de perpetuação das ocorrências acaba por ser semelhante a quase tudo que ja vimos e o resultado final acaba por ser previsivel desde o primeiro minuto.

Em termos de terror o filme tem alguns momentos em que funciona, sempre com o mesmo elemento particular o sorriso e a forma como os interpretes, uns melhores que outros conseguiram que o mesmo fosse central e impactante ao longo de todo o filme. No final quando começa o confronto com o alegado "espirito" o filme não encontra o tom certo, ficando a ideia que apenas quer impressionar mesmo que isso seja desprovido de qualquer lógica.

Por tudo isto Smile e daqueles filmes que beneficia do elemento publicitario para se tornar maior. Num ano em que tivemos boas abordagens de terror, que esta longo de ser o meu genero preferido acabei por achar na globalidade este dos projetos mais pequenos em qualidade quando comparado com outros que brilharam principalmente na critica. Previsibilidade, sustos moderados e apenas o caracter estetico funcional de um sorriso retirado de um Joker mais tenebroso.

O filme fala-nos de uma médica de saude mental, que apos ver uma sua paciente a suicidar-se perante si, começa a ter visões concretamente de um sorriso que comunica com ela e que a conduz para um desfecho inevitavel de um ciclo de morte.

Em termos de argumento o filme e mais do mesmo a todos os niveis, na maldição, na forma como a mesma comunica, na forma como as personagens não crescer foram do ciclo e acima de tudo na previsibilidade total do final.

Na realização Parker Finn foi o grande vencedor do projeto pois conseguiu perceber a força estética do sorriso e potencia-lo ao máximo, escondendo outros elementos. O que resulta do restante e mais do mesmo que ja vimos em filmes maiores de terror, sustos efetuados da forma pre definida e pouco mais.

No cast o filme não recorre a grandes figuras optando por algumas caras ainda desconhecidas mas ja vistas em series. Eu nao fui particularmente adepto da escolha de Sosie Bacon como protagonista. Demasiado repetitiva nas expressões, e das que pior funciona no lado caustico do sorriso. O filme depende muito da sua personagem e a interpretação não e das melhores.


O melhor - O Aspeto gráfico do sorriso.

O pior - A história não é propriamente a que trás maior novidade.

Avaliação - C-

Tuesday, November 15, 2022

Luckiest Girl Alive

 A Netflix encontra-se em fase de preparação para a temporada de prémios, com apostas mais modestas. Não sei se este filme liderado por Mila Kunis seria uma dessas apostas, mas a morna receção acabou por de alguma forma tirar algum impacto critico ao filme, mesmo que comercialmente e tendo em conta o ainda poder comercial de Kunis o projeto tenha tido alguma visibilidade

Sobre o filme temos um thriller sobre o passado e a inflência das vivencias e os contextos sociais na credibilidade. O filme tem alguns apontamentos interessantes, principalmente no corpo moratorio que o filme quer ter, contudo parece claramente que o filme acaba por ter mais dificuldade na concretização dessas ideias, onde parece sempre algo difuso e mesmo confuso nos objetivos concretos que se propõem. O filme acaba por ter sempre um lume brando e principalmente a empatia com a personagem não é a maior e isso acaba por colocar em causa o impacto imediato da personagem junto do grande publico.

O que salva o filme de uma mediocridade maior é o final e o que está implícito na mensagem que quer passar. No final conseguimos perceber a estruturo de pensamento total que a personagem vai tendo, conseguimos também ter a pouca empatia que resta, e as escolhas são acertadas, mesmo que no que diga respeito ao passado e a revelação o filme acabe por ser algo previsivel.

Ou seja um filme com muitos temas de reflexão interessantes que acaba por não crescer como filme porque não e propriamente bem escrito, ficando a ideia clara que o livro deve ter outro impacto. Sendo que também nos outros elementos tudo e pautado por uma mediania que não conduz o filme para patamares de efetividade impressionantes.

A historia fala de uma aspirante a escritora, quase a casa, que tenta criar uma vida social de impacto, para conduzir a uma maior capacidade de ser credivel junto dos outros, depois de ter sido interveniente numa massacre juvenil.

O argumento e muito mais forte ideologicamente do que na sua concretização. Os aspetos que quer abordar são intensos, mas as personagens e os dialogos nem sempre aproveitam a base que o filme quer ter, e ai se calhar alguma falta de forca do crew e do argumentista pode ter conduzido a um resultado bem pior do que poderia ser.

Na realizaçao deste projeto Mike Barker tem alguns trabalhos louvados, mas acima de tudo em televisão, onde os meios sao menores. O filme acaba por ser pequeno em detalhes e em produçao, tentando que a historia, interessante resolvesse o resto da questão, o que nem sempre o faz.

Do ponto de vista do cast Kunis nao esta no melhor da carreira embora se perceba uma maior capacidade de sacrificio e de risco que nem sempre tem tido o melhor acolhimento. Ao seu lado um naipe de secundarios nem sempre relevantes fazem que tambem no elenco o filme seja apenas mediano.


O melhor - O filme trata e consegue colocar na balança valores muito assinalaveis.

O pior - Nunca sai de uma mediania redutora


Avaliação - C



Sunday, November 13, 2022

The Good Nurse

 Nos ultimos anos a Netflix tem sempre montado planos intensos tendo em vista a epoca de premios e a almejada vitoria no Oscar de melhor filme que ao longo do tempo lhe tem fugido. Outra vez temos um plano com diversos filmes lançado em diversos momentos com o objetivo de chegar aos premios. Uma das apostas mais forte foi esta adaptação ao cinema de uma historia mediatica real e que inclusivamente já tinha motivado um documentário da Netflix. A resposta critica foi positiva mas sem o entusiasmo necessário para um arranque em força para a temporada de premios. Em termos comerciais uma aposta com este cast será sempre rentável numa plataforma como a Netflix.

Sobre o filme podemos dizer que o filme tem logo um problema que lhe retira algum do impacto que o filme poderia ter, que é o facto de ser uma historia conhecida, o que leva a que suspense do porque que as coisas estão acontecer nunca surja, e que de imediato vejamos os pontos problemáticos na personagem de Charlie do que as virtudes. Este e um problema que o filme não consegue controlar, embora penso que não deveria esconder tanto tempo aquilo que esta subjacente aos acontecimentos. 

De resto temos um filme que tem a mais valia de não tentar limitar a personagem ao seu lado horrivel, acabando por o dar no lado emocional e amigável que se torna chave para tudo que se soube. Outro dos pontos em que o filme é hábil, é em não central exclusivamente tudo o que acontece, e terá sido mesmo muita coisa na otica do criminoso, mas também na otica de quem o tinha de vigiar, e acima de tudo alertar as autoridades para o que estava a acontecer. NUma critica que o filme faz bem ao lado na saude como negocio.

Sobre um filme de lume brando que no final explode, com a escolha de um cast forte, personagens que vão crescendo com uma narrativa e acontecimentos graves e impensáveis. O filme nao quer ser apenas um policial sobre um Seriall Killer mas ir a fundo na investigação, nas causas que permitiu que tanto acontecesse e mais que tudo na forma como alguém se foi ligando a uma personagem tão temível, essa gestão do filme funciona, mesmo que o filme nunca consiga arrancar para ser uma obra de referência.

O filme dá-nos o ponto de vista de um enfermeira da noite, com dificuldades economicas, a quem contratam uma ajuda, um enfermeiro com quem cria imediatamente empatia, o qual a auxilia nos seus problemas mas que esconde um segredo que aos poucos começa a ocorrer diversas mortes no hospital onde trabalha.

A historia que o filme quer contar, é impactante, politicamente imponente, e que o filme é habil em não querer tornar num policial de segunda linha. E dos maiores apontamentos do filme o seu argumento e a forma como não cai no lado facil do demonio do homicida, procurando outras respostas que a maioria dos filmes coloca de lado.

Na realizaçáo Lindhom tem aqui a estreia num projeto norte americano com uma realização silenciosa, escura, sem grandes malabarismos. Isso poderá fazer com que o filme não seja imponente, nem que o seu trabalho tenha um sublinhando especial. Mas acaba por ser a melhor escolha já que a historia e os atores eram de primeira linha.

No cast sera facil avaliar bem a prestação de Eddie Redmayne, algo que não consigo fazer. Os tiques que me irritam no ator, e que estão presentes nas mais variadas personagens, voltam a estar. E sem duvida uma interpretaçao vistosa, mas cai na parte final num overacting tipico do ator, que me fazem pessoalmente não ser um aperciador do estilo, embora esteja em clara minoria. Penso que acaba por ser Chastain sobria e com a sua competencia habitual que pauta o filme, demonstrando sem grande explosao o bom momento pelo que passa e que lhe valeu um oscar o ano passado.


O melhor - O filme nao cair no lado facil de se centrar no homicida.

O pior - O lume brando e muito claro durante a maior parte do filme.


Avaliação - B-



Saturday, November 12, 2022

My Father's Dragon

 Num ano em que ate ao momento atual não tem sido prodigo em filmes de animação bem recebidos eis que surge uma aposta mais de critica e menos de grande publico, no estilo proprio dos produtores de Wolfwakder e Secret of Kellis eis que surge o novo filme apoiado pela NEtflix com o mesmo tipo de abordagem e animação. Embora menos unanime do que os anteriores projetos, tambem este foi bem recebido pela critica, mesmo que o seu estilo de humor demasiado tradicionalista não possa imperar junto do grande publico em geral.

Sobre o filme podemos começar por dizer que ao contrarios dos filmes anteriores acima indicados o inicio e de um filme mais terra a terra, sobre uma historia familiar comum, apenas mais tarde entrando o lado mitologico tao presente. SUrpreendentemente acaba por ser na fase inicial que o filme tem maior impacto emocional junto ao espetador. Na parte dos animais e da coneção o filme e mais do mesmo, perdendo elementos diferenciadores e tornando-se mais comum, num abordagem algo previsivel.

Do lado moralista o filme tem bons fundamentos inerentes a sua historia e isso acaba por passar bem para o espetador, principalmente porque na fase central o filme acaba por ser algo simplista, estando sempre centrada na relação central, ficando no entanto a ideia que o filme tem dificuldade na originalidade da historia, acabando por ser esteticamente e por ser um quase tradicionalista 2D que chama mais a atenção.

Ou seja num estilo diferenciado fica a ideia que este estilo de produção ja ganhou um espaço proprio principalmente junto da critica. Nao e um estilo que permita o melhor contacto com, o publico, pese embora a assinatura original que acaba por ter. De todos os filmes este e o mais simplista, isso pode favorecer quem nao gostou tanto das historias demasiado mitologicas, mas o impacto e menor porque comparando com outras produçoes o impacto e menor.

A historia segue um jovem que depois das dificuldades financeiras da mae lhe terem feito perder os sonhos embarca numa viagem de forma a ajudar um dragão a cumprir o seu designio e salvar uma ilha selvagem de ir parar ao fundo do mar.

Em termos narrativos o filme tem dois pontos diferentes. No lado mais normal da vida do dia a dia o filme funciona pelos problemas que nos trás. Quando entra na ilha e no lado mais mitologico o filme segue o caminho mais facil e acaba por ser mais previsivel e longe de alguma diferenciaçao que os criadores deste filme ja trouxeram.

Na realizaçao Twomey regressa a realização como fez em Wolfwalkers numa abordagem com assinatura que funciona, principalmente pela roupagem distinta que da aos seus projetos. FIca a ideia que do ponto de vista narrativo o filme nem sempre faz o uso perfeito da sua estetica.

Em termos de vozes visionei a versão portuguesa razão pela qual e dificil perceber o impacto concreto que as escohas originais acabam por ter.


O melhor - Os primeiros dez minutos.


O pior - Na essencia e o tipico filme de animação com animais


Avaliação - C+



Mr Harrigan's Phone

 John Lee Hanckook e daqueles realizadores que numa fase inicial da carreira evidenciava poder ser um dos novos cineastas de referencia, contudo quando teve os olhos da critica sobre si não concretizou as expetativas as quais foram sendo diluidas essencialmente em projetos da Netflix. Este ano surgiu mais um novo, no genero de terror numa adaptação de um conto de Stephen  King. O resultado critico foi algo mediano o que numa altura em que todos lançam projetos para premios acabou por fazer desaparecer algum mediatismo ao filme principalmente no que diz respeito a titulos da operadora.

Este tipo de filme acaba por encaixar num terreno que não é carne nem peixe, é um filme sobre a morte, sobre a reação a morte com toques de horror. Se no primeiro ponto o filme até consegue ser competente, principalmente na construçao do jovem central, na segunda e apos o acontecimento que marca o epicentro do filme, tudo se torna mais difuso, diluido com dificuldade de fazer vincar as suas ideias, perdendo assim o filme objetividade e intensidade.

E percetivel que o filme nao quer ser terror assumido, alias o filme tem dificuldade em assumir um genero o que normalmente acaba por condicionar sempre o impacto de qualquer filme. Na fase inicial tenta ser um paralelismo entre a historia que vemos e os livros que vao sendo abordados, com o lado misterioso da personagem central e da forma como prognostica um futuro que ja vivemos. Fora essas curiosidades o filme tem alguma dificuldade em se organizar para transmitir ideias claras.

Ou seja mais uma adaptação de King, longe das melhores que ja vimos dele. Pouco terror, pouco grafica, tentando criar uma tensao implicita na personagem mas que ao mesmo tempo acaba por se diluir nos promenores da historia, e fazem o filme algo cinzento, numa altura em que principalmente nas adaptaçoes do escritos se procura intensidade.

A historia segue um jovem que apos a morte da mãe começa a comunicar com um idoso misterioso, contando-lhe historias e lendo livros, que cria um laço forte entre eles, que torna tudo mais estranho quando o idoso morre, e o jovem continuar a comunicar com ele pelo telefone que lhe colocou no bolso.

O argumento tem alguns elementos que normalmente funcionam bem no terror como a comunicação com os mortos, e o destino. As personagens criam bem o misterio em torno delas mas tem dificuldade em desenvolver e se concretizar principalmente nas narrativas..

No que diz respeito à realizção Hanckook, nunca fez dos seus filmes grandes trabalhos artisticos na sua componente e este também não o é. Foi tendo algumas boas historias que o colocou em algumas temporadas de premios, mas o seu fator nunca foi diferenciador e isso fez com que tenha terminado em filme muito medianos como este. 

No cast o Sutherland ja numa idade muito avançada da o misterio necessario e grafico a personagem, mesmo que a mesma seja repetitiva. Ao seu lado o jovem Martell parecia no inicio da sua carreira um jovem promeninente e com recursos que acabou sempre associado a este genero, com a exceção da boa composição de Knives Out. Necessita de mais risco para se assumir ja como um ator adulto.


O melhor - Os livros dentro da historia

O pior - Nao concretizar a tensão que cria


Avaliação - C



Thursday, November 10, 2022

Bros

 Numa altura em que a inclusão é cada vez mais discutida e onde o grito por espaço é cada vez mais necessário, eis que um grande estudio apostou numa comedia romantica homossexual de longo alcance que tinha como objetivo ultrapassar as barreiras do mediatismo, e tornar o tema mais universal. E se a critica ate gostou, avaliando bem este peculiar Bros, o publico nem tanto, sendo que a comedia que se queria universal tornou-se quase num hino LGBT+ apenas visto por pessoas da comunidade e pouco mais e ai a tentativa saiu frustrada.

A questão do filme é que ao querer tornar o fenomeno das relações homossexuais como universais e naturais talvez o filme devesse ser mais natural. Ficamos com a ideia que o fetichismo e a exploração sexual sem limites acaba por ter muito mais protagonismo do que duas pessoas que se apaixonam na diferença e ai penso que o filme acaba por cair nos esteriotipos exagerados que parece ainda limitar um entendimento ou aceitação mais global da homossexualidade. Ficamos com a ideia de que se é assim tudo sem barreiras então existe diferenças claras que vão muito para além da direção do amor e do desejo.

O filme tem momentos comicos talvez onde menos seria facil de encontrar. Alguns aparte em situações que não esperavamos, como o momento musical na tensão do jantar familiar. E nesse quase falta de sentido que o filme funciona mais, o que é estranho já que o filme tem uma assinatura tão forte, e um caracter ideologico tão vincado que acaba por saber a pouco ver o filme funcionar onde acaba por ser menos consequente.

Ou seja Bros apostava em ser a comedia romantica Gay universal, mas acabou por não o ser precisamente por não ser universal, e acima de tudo por ir bater nos esteriotipos todos das relações homossexuais que acabam precisamente por dificultar toda essa universalidade nos dias de hoje. E um statement politico que tem mérito mas o resultado deveria ser muito mais efetivo.

A historia fala de um locutor de radio, defensor de todas as causas LGBTQ+ e toda a sua afirmação, que com dificuldade em se apaixonar, acaba por se aproximar de um pacato indivíduo culturista com quem inicia uma relaçao inicialmente baseada no fisico mas que aos poucos se torna mais que isso.

No argumento o filme tem uma base interessante, que é nos dar um filme tipico de Hollywood mas com um casal homossexual. Nisso o filme e ambicioso, mas na concretização deixa-se afundar pelo excesso de esteriotipos associados a uma orientação sexual, onde a universalidade acaba por ficar àquele e entra muitas vezes no lado mais prevertido, independentemente da direção.

Na realizaçao Stoller e um realizador de comedias com algum sucesso que tem aqui um projeto mais politico que acaba por realizar com a simplicidade das comedias de estudio de Hollywood. Pouco aprumo ou preocupação estetica, adotando um estilo mais tradicionalista que o torna num tarefeiro do genero.

O cast ao optar por assumidamente homossexuais trás-nos Eichner como protagonista e argumentista, num papel dificil muito intenso, que fica na duvida se não é biográfico o que retira algum impacto da atuação. Ao seu lado temos MacFarlane que não é claramente um ator de recursos para um filme com este tipo de impacto.

O melhor - A ambição politica do filme


O pior - O filme cair nos esteriotipos que podia queres desconstruir


Avaliação - C-



Tuesday, November 08, 2022

See How They Run

 


Setembro é conhecido por ser um período de lançamentos onde alguns projetos mais arrojados acabam por ser lançados com o objetivo de testar audiências. Nesse cenário acabou por sair este filme de suspense, baseado e inspirado no estilo policial de Agatha Cristie e as suas adaptações. Este peculiar filme recebeu criticas moderadas, o que não lhe permitiu muitas ambições em termos de prémios. Comercialmente o filme pese embora tenha tido algum orçamento ficou aquém do esperado, sendo que a campanha de distribuição do filme também não foi a mais interessante para este percurso.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo começa bem, as ligações, a peça dentro da peça, o crime dentro do crime, acaba por criar uma confusão original que o filme podia aplicar num arrojado argumento criativo, sem nunca esquecer o detalhe artístico. E se este inicio prometia um filme arrojado, o mesmo acaba por não aproveitar a introdução de crime que lança, perdendo gas ao longo de toda a duração.

Pena e que esta introdução desapareça com a personagem que acaba por morrer. Depois acaba o filme por perder no lado de investigação e desenvolvimento de cada personagem, ser mais comum, demasiado confuso. Fica a sensação que principalmente a personagem do investigador, que tinha tudo para dominar o filme, ainda para mais com um ator de primeira linha acaba por passar ao lado do filme, sendo a sua conclusão razoável, pelos pontos de contato iniciais sem ser fantástica.

Numa altura em que este género mais classico tem visto novamente a luz do dia, motivado pelo acelerador que foi Knives Out, eis que tem existido diversas tentativas de rentabilizar novos projetos sempre com a base de sempre. Aqui temos um filme que tinha apontamentos de primeira linha, mas acaba por perder algum poder de fogo num filme que acaba por ser algo confuso e algo peculiar.

A historia segue uma peça de teatro e uma pre produção de uma adaptação de um livro de Agatha Cristie em que após um homicídio uma dupla de inspetores começa a investigar quem é o assassino tentanto reunir as peças que conduzam a descoberta da verdade.~

Do ponto de vista de argumento, a historia quase em formato bonecas russas, poderia dar aso a originalidade e competência, num filme diferenciado, mas que acaba por não o ser, melhor acaba apenas por ser nos primeiros momentos do filme, acabando por se desenvolver numa mistura de filme de investigação de media qualidade com algum humor ingles.

Na realização um cineasta associado ao cinema mais tradicional britanico, com uma carreira claramente dedicada a um tipo de filme que não é propriamente atual. O filme tem algum aprumo estético, principalmente na homenagem ao lado mais traidicionalista que o filme tem, mas tem momentos em que os truques de camara acabam por não ser os melhores.

No cas tudo indicava que as escolhas de Rockwell e Ronan para dupla de inspetores seria ótima, mas o filme aproveita melhor a segunda, com o lado mais inocente que o primeiro, que já vimos bem mais intenso e presente em outros papeis, embora tudo parecesse criado para o potenciar. Alguns momentos iniciais de Brody também tem o destaque merecido.

 

O melhor – A introdução do filme.

 

O pior – O filme não faz aproveitamento completo da originalidade do seu inicio~

 

Avaliação – C+