Monday, February 09, 2026

Anaconda

 Para o final deste ano surgiu uma estranha sequela de um filme que se tornou um floop total de bilheteira e critica, mas que com o tempo tornou-se mitica pelo lado menos positivo. Sob o ponto de vista de comedia e com um elenco de primeira linha o resultado critico do filme foi dececionante pese embora os primeiros flashs fizessem antever algo mais arriscado, o resultado critico falhou. Comercialmente apostado em pleno inverno, o filme obteve resultados interessantes mas quando foi anunciado ficou a sensação que poderia valer muito mais.

Sobre o filme podemos dizer duas coisas não propriamente abonatorias sobre o mesmo, o primeiro ponto é que se trata de um filme que se torna demasiado ridiculo no humor quando sai da satira do primeiro filme e alguns apontamentos mais de industria. O humor é discutivel e nem sempre funciona bem, e mesmo a ligação de personagens está longe de ser brilhante.

Por outro lado a intriga de terror e mesmo os efeitos especiais não me pareceu nunca de um filme de primeira linha. Pode ate combinar o humor tradicional de Rudd com o humor mais fisico de Black mas o funcionamento do filme é quase sempre demasiado dependente da forma como o argumento é escrito do que propriamente na forma como o filme se encaminha para ele.

Por tudo isto um excelente trailer, que aposta no humor em que o filme é mais eficaz, mas ao mesmo tempo um filme que nos parece sempre algo perdido em termos de fio narrativo. A sensação que os cameos acabam sempre por ser a melhor parte, diz muito da falta de qualidade do restante.

A historia segue um conjunto de amigos que tem carreiras longe do sucesso que se juntam alegadamente porque tem a patente para fazer o remake ou a sequela da Anaconda, embarcando na amazonia onde percebem que o perigo e mais real do que ficção.

O argumento do filme até parte de uma premissa engraçada, mas a ideia que na maior parte do tempo o filme fica demasiado dependente desses momentos e que tudo o resto não existe acaba por ser elevada. O cinema nos dias de hoje tem que exigir mais que sketch que funcionam.

Na realizaçao temos um projeto de Tom Gormican, um realizador que principalmente no seu ultimo filme acabou por ser funcional, original, mas que aqui nunca parece conseguir utilizar de forma eficaz os meios ao seu dispor. Nota-se que trabalha melhor na rebeldia do que na coesão dos filmes.

No cast temos um elenco de atores em papeis standartizados da carreira em que acaba por ser mais do mesmo. Como novos elementos Mello e Melchior em papeis nativos mas longe do que principalmente o primeiro faz em filmes locais.


O melhor  - ALguns sketch humoristicos

O pior - A forma como na maior parte do tempo o filme falha na maior parte dos elementos


Avaliação - C-

Sunday, February 08, 2026

Hamnet

 Depois de ter vencido o oscar no ano covid, e depois de uma passagem pouco competente pelo mundo dos super herois a realizador Chloe Zhao voltou ao lado mais emocional da sua trajetória com um filme particular, baseados em estudos e num livro sobre Shakespeare e a sua famia. Estreado nos melhores festivais com criticas deslumbrantes rapidamente se colocou nos primeiros lugares na disputa de premios, embora nos pareça que surja numa segunda linha não obstante do globo de ouro para melhor filme dramatico. Um dos calcanhares de aquiles do filme foi o seu desempenho comercial, embora este nunca tenha sido pensado como um filme para o grande publico.

Sobre o filme podemos dizer que a primeira meia hora, onde a relação e o contexto familiar e criado, é algo lenta, muito pensada na forma artistica de ser captada mas esconde um pouco as personagens. A questão e que depois o filme vai para uma intensidade emocional como nunca vimos, naquilo que é a ligação familiar, pai filho, e o desespero. Não e um filme sobre o autor mas sobre a delicadeza de ser pai ou mãe e nisso poucos filmes chegaram a capacidade de comunicar emocionalmente como este.

E impossivel sair da sala de cinema indiferente, é importante sublinhar que nem sempre saimos com os melhores sentimentos ou com as prepestivas mais positivas do mundo, mas ao mesmo tempo saimos com a certeza que o cinema foi criado para isto, para nos deixar sentir de uma forma como nenhuma outra arte o consegue fazer. Pode nao ser o filme mais original ou diferente do ano, mas foi sem duvida o filme que nos fez sentir mais e isso e claramente cinema.

Por tudo Hamnet e uma experiencia de cinema de base como poucos nos ultimos anos conseguram ter. Numa conjugação de realização, interpretação e mesmo a banda sonora final impactante é um dos filmes do ano, aquele que com processos mais simples melhor chega ao espetador e isso tem que ser sempre valorizado ao maximo.

A historia fala do amor de Shakespeare ainda um aspirante a escritor de sucesso e uma estranha mulher da floresta que conduz a uma familia com filhos mas com a ausencia do pai para procurar o seu sonho, até ao momento em que a tragedia invade a familia, e o mundo de todos muda por completo.

O argumento do filme tem a qualidade de hipotizar para a forma de escrita de um dos maiores da historia, mas e na capacidade de transmitir por palavras o impacto das emoções que o filme melhor funciona. E incrivelmente trasnparente e isso faz do filme muito particular.

Na realização Zhao tem uma capacidade silenciosa de nos dar e entregar personagens como poucos conseguem fazer. Ja o tinha feito com o sucesso total em Nomadland e aqui repete. PArece-me que mesmo sem a concretização de premios e de longe o melhor trabalho da realizadora.

No cast temos uma dupla a um nivel incrivel. Se Buckley pela interpretação e pela carreira tem o oscar destinado, com total justiça, numa qualidade incrivel de interpretação e intensidade. Ao seu lado temos um Mescal que é um ator com recursos incriveis que merecia o destaque da melhor interpretação, secundaria ou não. Talvez o mais prejudicado nas nomeaçoes deste ano.


O melhor - O impacto emocional do filme.

O pior - A agonia que sentimos é cinema mas não e facil


Avaliação - A-

Saturday, February 07, 2026

The Housemaid

 Quando um dos livros mais vendidos dos ultimos anos se transforma numa produção de Hollywood com algumas das figuras mais mediaticas e comerciais da atulidade seria fácil perceber que seria um estrondoso sucesso de bilheteira, ainda para mais quando a critica, ao contrário do habitual neste tipo de adaptações teve longe de ser violenta e negativa para o filme, que conduziu a um dos maiores sucessos comerciais do final do ano.

Sobre o filme podemos dizer que temos diferentes fase, a primeira acaba por não ser a parte mais facil do filme, posiciona as personagens nos extremos se calhar preparando o que vem em seguida, mas tudo acaba por parecer muito artificial em vãrios aspetos, aqui o filme funciona na preparação do impacto, mas é o momento em que se transforma num filme de qualidade menor nos diversos elementos.

Com a revelação central, neste caso o twist vem a meio do filme e não na sua conclusão, ficamos com a sensação que o filme ganha intensidade, sendo a grande beneficiada a personagem central, que ganha força, protagonisma e carisma que conseguem levar o filme para um thirller de acção eficaz, que entertem, mesmo que caia em muitos cliches e exista personagens que na essencia não existem.

Para quem não leu o livro fica a ideia que um razoavel filme de entertenimento um thriller muito baseado em alguns filmes dos anos 90, sendo que como habitual os fieis aos livros criticam como sempre alguma falta de congruência com o texto, mas penso que isso não tira a capacidade comercial que o filme revindica.

A historia fala de uma ex presidiaria que consegue o emprego como criada de uma casa de um casal rico, em que a mulher passa por dificuldades mentais aparentes e cujo homem e o sonho de qualquer mulher, até ao momento em que a relação extra conjugal começa.

O argumento do filme baseia-se numa historia com a premissa do filme, muito centrada num twist eficaz que enquanto filme e bem preparado. No inicio demasiados cliches nas personagens tornam o filme um pouco pastilha elastica, mas recupera na parte final.

Na realizaçao Feig regressa à intensidade que tinha tido no primeiro Simple Favor, alias nota-se a preocupação do realizador em ir buscar um cultura atual na representação do espaço, formas de vida e mesmo das personagens. Nao e uma realização com muito risco, mas o experiente realizador consegue dar a intensidade que quer dar.

No cast o filme funciona principalmente no feminino, a dualidade de Sweeney que me parece muito mais do que uma simples sex symbol funciona, sendo que na parte final demonstra alguma força para ser uma atriz de ação competente. Seyfried esta numa forma muito interessante de uma atriz que demorou a assumir valencias dramaticas relevantes mas que tem conseguido, sendo o melhor do filme. Pior Sklenar, a falta de recursos principalmente dramaticos é clara, sendo que na intensidade final melhora.


O melhor  - O twist leva o filme para um patamar maior

O pior - O inicio com cliches demasiado sublinhados


Avaliação - B-

Friday, February 06, 2026

Kokuho

 Num ano onde os candidatos a melhor filme estrangeiro vinham de diversas proveniências, este filme tradicional japonês, pelo seu caracter completo e algo afastado do publico em geral nunca foi propriamente um serio candido, não obstante da critica tradicionalista ter gostado e elogiado muito o projeto. Comercialmente sendo um filme longo e muito concetual, nunca seria um filme grandes resultados universais mas na asia foi um autentico estrondo de bilheteira.

Sobre o filme podemos dividir o mesmo em dois elementos, o da aprendizagem, duro, concetual, muito marcado pela exploração artistica niponica, e um filme impactante principalmente pelo tempo que da a manifestação da arte que quer transmitir que acaba por dar ai os melhores momentos do filme e transmitir com sublinhado aquilo que é o seu ponto mais central.

O problema do filme acaba por ser na intriga das personagens. Num filme com três horas com diversos momentos fica muito tempo pausado não permitindo que a disputa a rivalidade o crescimento e a descida as trevas tenham o impacto que se pensa que o filme poderia ter, e assim fica sempre a sensação que algo fica por fazer no impacto que a narrativa central poderia ter.

Por tudo isto Kokuho tem no trabalho de cenario, caracterização e preparação dos seus interpretes momentos muito fortes, mas fica a ideia que perde na lentidão da historia que quer contar. Por vezes os japoneses no seu cinema aceleram para grande intensidade que nunca está presente, ou afasta-se depois dos primeiros dez minutos. Nao e uma obra prima, mesmo que as suas qualidades sejam vincadas.

A historia fala de um jovem filho de um membro da yakusa que depois da morte perante si do pai, e adotado por um ator japones que o torna numa figura iconica da arte interpretativa daquele pais interpretando figuras feminas com um grau de aprendizagem intenso e onde cria uma rivalidade com o filho do seu mestre.

O argumento do filme em termos de intriga poderia ter potencial, como honra, vingança, luta pelo sucesso, mas o filme tem demasiadas sequencias musicais interpretativas, acabando por adormecer o filme mesmo que esses momentos sejam os mais concetuais do filme.

Na realizaçao temos um realizador japones ainda preso aquele tipo de cinema, que tem aqui um projeto muito trabalhado, pensado ao limite nas sequencias teatrais, mas um ritmo baixo que ainda lhe prende um pouco ao estilo de cinema da sua terra natal.

No cast um excelente trabalho do trio de protagonistas, principalmente na componente interpetativa teatral. Papeis dificeis que acabam por ter em Watanebe o mestre que ele quer ser, sendo que o filme e muito melhor enquanto o veterano ator pauta o ritmo.


O melhor - A arte dentro do filme.


O pior - O ritmo quase parado


Avaliação - C

Rental Family

 Pensado há diversos anos, numa altura em que Brandon Fraser estava longe da fama pos oscar, o filme acabou por voltar a ser pensado depois da conquista do ator, num projeto japones sobre um negocio em voga na sociedade toquio, um pouco como apresentar ao mundo aquela forma de pensar. Este simpatico filme familiar conseguiu a presença em alguns festivais pre oscares, mas os resultados foram curtos, avaliações positivas mas sem entusiasmo conduziram a que o filme tivesse esperança de resultar comercialmente, o que aconteceu sem grande brilho também.

Este é um filme de apresentação cultural ao mundo, do novo mundo, numa forma onde as relações são artificiais e podem ser mesmo compradas. A forma como nos leva para um mundo diferente sob o ponto de vista de quem está perdido e quer ajudar outros a encontrar-se funciona no filme precisamente pela visão e pelo lado mais silencioso da personagem principal a procura de dar aos outros o que lhe falta a ele, e nisso o filme tem esse impacto quando segue o lado mais pausado da personagem.

Na ligação com quem a contrata o filme cai muito mais em cliches emocionais e torna-se previsivel, sem que isso tire alguns elementos que funcionem principalmente na comunicação facil com o espetador. E um filme de emoções simples, mas acaba por ser no enquadramento das personagens e da sua cultura que me parece que o filme funciona melhor nesta diade com o espetador.

Por tudo isto, não sendo um filme brilhante ou totalmente original, é um filme meritorio, na forma facil como transmite emoções. Pode ser previsivel, pode muitas vezes ter um humor pouco arriscado, mas entrar dentro de toquio profundo e a forma com que olhamos com empatia para o personagem central desolado com a sua realidade e um exercicio que o cinema deve premear.

A historia fala de um ator americano que reside em Toqui procurando emprego que não aparece, ate ao momento em que acaba por ser contratado para uma empresa de emprestimo de serviços que potencia a pessoas as necessidades familiares que não tem.

O argumento parte da ideia original do negocio, baseado em escolhas reais daquela cultura que para a maior parte de nós parece distante. O filme tem essa capacidade de escolher os elementos para tornar a disucssão intensa e com ambos os lados, mesmo que não seja muito creativo ou original, consegue comunicar bem com o espetador.

Na realizaçao temos Hikari uma realizador asiatica que tem tido bastante sucesso principalmente na televisao principallmente na direção de alguns episodios de Beef. Aqui sabe o espaço que quer ocupar a cidade grande e esse é o seu elemento mais claro. Uma boa introdução ao mundo no cinema.

No cast Fraser nao e um ator de primeira linha e aqui encaixa por ser uma fase da vida dele que representa. Nota-se que perdeu os melhores anos e que o drama e o ponto que melhor consegue transmitir. Os secundarios de base funcionam por saberem melhor o tipo de cinema oriental que o filme quer ser


O melhor - A transmissão de emoção.

O pior - Cair em demasiados cliches


Avaliação - B

Thursday, February 05, 2026

Zootopia

 Depois de nos ultimos anos a Disney ter colecionado muitos fiascos mesmo com sequelas de filmes que todos esperariam que fossem sucessos indiscutiveis, para o final do ano surgiu a sequela de Zootopia, um dos conteudos mais arriscados pela misuta de generos mas que se tornou num sucesso entre os mais pequenos. E eis que desta vez as coisas funcionaram, desde logo comercialmente onde o filme registou resultados impressionantes mesmo para o universo disney, muito por culpa de criticas favoraveis que estavam faz tempo afastadas da produtora.

Sobre o filme podemos dizer que o primeiro filme é muito do entertenimento juvenil num filme de animaçao, mas acima de tudo um filme com um mundo pensado do primeiro ao ultimo minuto e este repete a dose com a mesma confiança, com o mesmo humor, quimica entre as personagens e mais que isso com uma capacidade unica de imaginar, algo que tem faltado muito nos ultimos projetos da disney.

O imaginario de um mundo dos animais, baseado no nosso, a capacidade da intriga policial, os twist fazem de Zootopia um dos melhores projetos recentes da Disney que aqui consegue chamar ao projeto diversas celebridades para emprestar vozes a tudo o que aparece, num filme repleto de easter eggs, mas mais que tudo repleto de açao e valor comico como em termos de animaçao so a Disney sabe fazer.

Sendo obviamente um filme simples, de motivação, sem a qualidade criativa ou mensagem forte de outros filmes, é um filme competente, para todos que funciona nos diversos vetores, e que devolve a possibilidade de continuarmos a pensar em alguns filmes de animação como classicos imediatos e este e um deles, principalmente conjugado com o primeiro filme.

A historia segue a nossa dupla policial de protagonistas, com alguns problemas na relação ate que surge uma cobra que tenta roubar um dos segredos da cidade que faz com que a dupla tenha de ir buscar todos os seus argumentos para perceber o que está por tras de tal misterio.

O argumento de zootopia, assim como o primeiro parece algo adulto, pelo excesso de elementos fruto da vertente policial, certo é que funciona e deixa-nos presos ao longo de quase duas horas, tempo excessivo para os mais pequeninos. Humoristicamente as coisas também funcionam.

Na realizaçao do projeto a disney entregou o filme a dupla do primeiro filme, e isso acaba por funcionar porque o filme consegue surpreender no mesmo registo na criaçao de mundos e no detalhe. Sao dos melhores atualmente em termos da lista da disney e aqui demonstram bem isso na sua zootopia.

No cast de vozes as duas escolhas principais complementam-se bem, a ironia de Bateman mais em WIlde, mas este filme e um passeio de vozes, sublinhando-se Strathairn como vilão, e algumas pequenas homenagens como J fox.


O melhor - A capacidade de imaginar mundos dentro de si proprio

O pior - A duração e o lado policial pode o tornar dificil para os mais pequenos


Avaliação - B

Wednesday, February 04, 2026

Ella McCay

 James L Brooks é daqueles icons da escrita que de longe a longe aparece com um projeto proprio, numa especie de comedia de costumes sobre extremos de personagem que teve em Melhor e Impossivel o seu filme mais iconico, embora seja na escrita de The Simpsons que atingiu o seu valor maximo. Este ano depois de um interregno grande surgiu um novo filme com alguma expetativa, mas rapidamente a critica foi muito dura com avaliações muito negativa. Esse falhanço critico associado a um cast liderado por uma atriz pouco conhecida levou a que tambem comercialmente o filme tivesse muitas dificuldades ficando a sensação que se calhar não termos mais filmes do realizador experiente.

Sobre o filme podemos dizer que a abordagem da narradora da a sensação que teriamos um filme rebelde, original, comico, mas rapidamente percebemos que temos um melodrada onde a graça natural e mesmo induzida nunca tem grande intensidade, que apenas o limite de cada personagem e o exagero na ligaçao com a personagem consegue dar algum ritmo ao filme, e o idealismo politio perente inserido a cola pouco rubosta para um filme que tenta ser muita coisa, mas acaba por ser acima de tudo vulgar.

O tradicionalismo da abordagem faz com que o lado linear da historia não crie muitos odios, podemos considerar muitas vezes a personagem demasiado unidimensional ou escondida o que não e propriamente um atributo de excelência tendo em conta um filme com o nome da personagem. Nota-se as influencias de um genero mais do final do milenio mas nota-se que isso desatualizou nos dias de hoje.

Ou seja um filme simples, sem grande motivos de interesse, com um elenco de primeira linha que nunca é usado, no caso por exemplo de Rebeca Hall rapidamente desaparece, algo repetitivo nos ciclos das personagens e uma ideologia politica escondida num filme que nunca ter dimensão suficiente para a sublinhar. 

A historia fala de uma jovem marcada por alguns problemas na infancia e na ligaçao com os seus pais que se torna a mais jovem governadora dos EUA o que leva a uma reflexão com diversas pessoas significativas na sua vida, as quais estão longe de serem faceis.

O argumento tenta puxar muitas diades relacionais para caracterizar a personagem central. Pese embora alguns bons momentos ou dialogos fica a sensação que ou a personagem central se esconde ou a mesma não tem tanto conteudo para liderar um filme como este e acaba por surgir ai o grande problema do filme.

Na realizaçao Brooks é o tipico realizador no final da decada, nao e na capacidade de captar imagens ou na rebeldia ou criatividade que marca o seu registo mas no argumento. Aqui nota-se que pouco arrisca na abordagem estetica, sendo mais uma prova de sobrevivencia do que um filme para ser sublinhando na sua carreira.

No cast a lideração dada por Emma Mackey parece escolhida mais pela proximidade do nome do que propriamente por ter uma carreira preenchida para encabeçar um projeto com um cast desta dimensão. Sofre pela personagem ter limitaçoes e muito tempo, mas ai parece-me mais um problema do argumento do que propriamente a qualidade da interprete. No leque de secundarios existe uma preocupação de ir buscar o tipico genero das escolhas.


O melhor - E um filme simples que nao cria grande atrito.

O pior - Quando nos lembramos do melhor L Brooks esperamos sempre dialogos e personagens iconicas que nunca aparecem


Avaliação - C

Tuesday, February 03, 2026

Silent Night, Deadly Night

 Depois do sucesso comercial que o ano passado o terceiro volume de Terrifier acabou por ter, seria uma questão de tempo até as produções semelhantes verem a luz do dia, com pouco assunto, muito terror e acima de tudo um estilo de realização quase amador. Este filme lançado para matar qualquer tipo de espirito natalicio, sem grandes atores estreou longe do fulgor do filme mãe, com a critica a ficar-se pela mediania que impediu o impulso comercial que o filme poderia ter.

Este é um filme que inicialmente pensamos que será sobre uma personagem e os seus traumas pelo que observou enquanto criança, mas rapidamente percebemos que temos outro tipo de apontamentos paranormais, como um espirito que segue em espiral personagens, levando a que em pleno natal diversas pessoas acabem por ser assassinadas em face do seu comportamento anterior.

Um dos pontos que o filme perde no estilo dark total, acaba por ser a violência, que pese embora exista fica sempre um pouco aquem do exagero de Terrifier, temos muito sangue mas pouco mais. O nivel romantico que o filme quer ter soa sempre a estranho tendo em conta o tipo de filme em questão.

Por tudo isto um estranho filme de terror, num nivel amador que é um estilo em crescendo, filmes que muitas vezes iam para circuitos proprios que nos ultimos anos tem ganho alguns adeptos. Pessoalmente parece-me sempre muito pouco o que vimos neste tipo de registo, pela falta de argumento e mesmo pela facilidade de se tentar fazer as coisas mal.

O filme segue um jovem marcado pelo assassinato dos pais enquanto criança, que desde então pelo natal acaba por ter uma voz que ordena que mate diversas pessoas, numa pequena cidade para onde se desloca e onde acaba por se apaixonar.

O argumento de um filme destes nunca e propriamente muito trabalhado em termos de personagens e dialogos e este nunca o é minimamente. Um daqueles filmes que descreve mais que explica, e acaba por ser limitado ao basico.

Na realizaçao temos Mike P Neelson um realizador de terror serie b que ja tinha estado numa das sequelas de VHS que da ao filme a roupagem que este quer ter, ou seja deliberadamente mal filmado, mas pouco mais em termos de uma abordagem mais creativa.

Um cast completamente amador, recheado de puros desconhecidos num filme que nunca tenta que exista reais personagens para alem do lado psicopata das mesmas. Muito curto

O melhor - O ciclo da passagem


O pior - Nao consegue ser violento para o género que quer assumir


Avaliação - D+

Monday, February 02, 2026

Wicked: For Good

 Um ano depois do cinema ter ficado deslumbrado com a adaptação de Wicked ao cinema pela sua riqueza visual, musical e mesmo interpretativa, surge a sua conclusão, num filme que foi de forma deliberada dividida em dois filmes que deixou a conclusáo para este filme. Com agua na boca e principalmente porque a maior parte dos elementos do feiticeiro de Oz aparecia neste filme foi com alguma deceção que surgiram as primeiras criticas, muito menos entusiasmante que o primeiro. Comercialmente os resultados foram consistentes mostrando que esta foi uma aposta grande e de sucesso de estudio.

Sobre o filme podemos dizer que o que o primeiro filme tem a mais, concretamente o trabalho total nas personagens, algum humor e o efeito surpresa do nivel estetico do filme torna-se esbatido num filme que tenta ir muito rapido aos seus elementos mais impactantes e acaba por o filme perder a dimensão, a coesao e trabalhar bem esses elementos e o filme fica claramente mais vazio.

O filme continua a ser bem feito tecnicamente com uma riqueza visual que poucas vezes assistimos, momentos musicais interessantes embora na mesma linha que o primeiro filme, boas interpretaçoes, mas parece obvio que o filme é claramente inferior ao primeiro filme, porque perde o elemento surpresa e o lado da conclusao merecia um impacto que o filme não consegue ter, fica a sensação que tudo poderia funcionar melhor.

Mesmo assim como bloco completo temos um bom filme, tecnicamente um filme com muita capacidade, artisticamente de primeiro nivel. Podemos dizer que e inferior ao primeiro, mas tambem me parece que se calhar o filme nao devia ter sido separado, porque o impacto seria maior. Nao sendo um filme perfeito e uma boa utilização de meios para uma homenagem do cinema a um dos maiores musicais de sempre

A historia marca a conlusao de Wicked, concretamente a forma como a bruxa verde tenta colocar em causa os intuitos dos governadores de Oz mesmo pensando que toda a população a quer matar.

O argumento do filme é menos trabalhado do que o primeiro filme, nas personagens, no desenvolvimento o torna ao de leve alguns dos aspetos fundamentais da historia. Temos o impacto das decisoes fundamentais mas fica a sensação que poderia ser mais trabalhado.

Chu surpreendeu o cinema com a abordagem estetica do primeiro filme, e aqui volta a ter a mesma assinatura, com menos impacto ja que era uma sequela torna o filme mais espetacular, mas fica a ideia que a separação diferencia o conteudo dos dois filmes, mas isso e uma escolha produtiva mais do que realizaçao.

O cast tinha funcionado no primeiro filme e Grande volta a ser o melhor elemento, musicalmente mas tambem nos maneirismos fortes de GLinda. Erivo e musicamente forte, a nivel interpretativo nao tanto e Bailey perde claramente do primeiro para o segundo filme.


O melhor - A riqueza visual de todo projeto

O pior - Menos denso narrativamente quando aqui estava o maior conteudo~


Avaliação - B-

Sunday, February 01, 2026

Christy

 Quando este filme foi anunciado, todos perceberam que pelo timming do lançamento e principalmente pelo momento comercial da sua protagonista, era um dos candidatos a premios, principalmente na interpretação central, bem distante do tipo habitual da interprete, num tipo de personagem que normalmente a academia gosta. Nas primeiras criticas ou mesmo em algumas polemicas na produção percebeu-se que se calhar as coisas não iriam correr tão bem, o que se percebeu nas criticas medianas que o filme obteve que aniquilou possibilidades na temporada de premios. Comercialmente restava o valor de Sweeney como a atriz do momento mas também aqui o desastre foi total, sendo que em termos mundiais a figura de Christy esta longe de ser mediatica num desporto de segunda em muitos lados do mundo.

SObre o filme temos o Biopic dramatico habitual, com algum trabalho na caracterização, em situaçóes de boxe com limitações no realismo, e uma historia de vida forte, principalmente na dualidade conjugal que acaba por ser onde o filme funciona melhor com momentos de uma tensão dramatica bem trabalhada mas que ao contrario do esperado e sempre muito mais potenciada pelo papel de Foster do que pela protagonista, e aqui os planos começaram a sair errados.

O filme acaba por ser na maior parte do tempo algo repetitivo e com pouco ou mesmo nenhum risco artistico, o filme segue a tradição do drama familiar, onde tudo parece estar contra a personagem que venceu na vida. O filme ganha dimensáo principalmente nos ultimos 30 minutos fase em que o acontecimento central e impactante e bem trabalhado para funcionar.

Por tudo isto um filme que de declara demasiado ao oscar principal de interpretação e deixa muito dos outros apontamentos em piloto automatico. O filme vai ganhando intensidade muito pelo papel de Foster, sendo que a forma como Sweeney quis ser ela a fazer as sequencias de box tirou alguma espatacularidade a momentos normalmente que pautam este tipo de filme.

A historia fala-nos da ascensão de Christy Martin na forma como se tornou numa maior de todos os tempos no boxe feminino enquanto lutava numa relação abusiva com o seu treinador que acabou na forma mais dramatica possivel.

O argumento baseado na historia de vida e profissional da pugilista tem ingredientes de uma historia que tem que ser contada. O filme acaba por ir para o lado mais emotivo, se calhar deabulizando demais muitas das personagens mas isso acaba por dar o sublinhado que o filme quer ter.

No que diz respeito à realização Michod e um bom realizador a quem falta um filme de primeira linha principalmente quando passou para os EUA oriundo da Australia. Aqui nota-se o trabalho nos interpretes mas fica a sensação que o filme enquanto projeto se esconde nas interpretações.

No cast temos uma Sweeney denunciadamente candidata a algo que acabou por soar a forçado, não é fantastico e acaba por perder quase todas as cenas para Foster, naturalmente mais intenso, mais forte e isso acaba por dar protagonismo ao antagonista quando se pensou para a protagonista. Muito merito de FOster que merecia, ele sim, mas atenção no filme.


O melhor- Foster

 O pior - A forma como o filme artisticamente tem medo de arriscar


Avaliação - C+

Saturday, January 31, 2026

David

 Em pleno natal e férias religiosas a Angel, sedenta de valor financeiro que tem sido dificil de descobrir depois dos sucessos iniciais trouxe a historia de David numa animação tentando chegar aos mais pequenos com as historias religiosas universais. Este filme sob o ponto de vista de um musical ficou-se por criticas medianas, mesmo assim melhor do que habitualmente a Angel em real action consegue fazer. Do ponto de vista comercial, não sendo uma explosão foi um filme bem conseguido que confirma que os mesmos conseguiram tornar efetivo o seu plano comercial.

SObre o filme podemos dizer que temos uma produçao estetica sofrivel, com bonecos que parecem saidos de um jogo de computador do inicio do milenio, e ai denota-se muito a dificuldade de produtoras mais pequenas em chegarem ao patamas dos maiores. Do ponto de vista narrativo o sublinhado religioso, as musicas habituais e muito pouco de novo num filme para preencher um calendário claramente liturgico.

A abordagem do filme é simples, muita honra, muitas emoçoes nobres, mas muita rigidez, num filme longo, que não aproveita a espetacularidade de algumas das batalhas que trata para dar ritmo ao filme, sendo a luta mitica entre David e Golias limitada a dois minutos de pouco ou nenhum desenvolvimento, o que para um filme mais de uma hora e quarente e cinco minutos parece um disparate na organização de tempo.

Por tudo isto e mesmo tendo conhecimento que a Angel nunca procura propriamente um cinema muito denso, temos um filme que poderia principalmente do ponto de vista tecnico ser mais trabalhado. Musicalmente, uma dimensão que o filme dá importancia fica sempre a ideia de um filme que se perde um pouco na repetição da melodia.

A historia segue David, um jovem que é escolhido como sucessor do trono que a sua coragem conduz a desafiar o temivel Golias, mas que o seu povo recusa depois de perceber que ele escondeu o segredo da sua escolha.

O argumento é a historia conhecida, mas fica claramente a ideia que é um tipo de registo que pensamos ser pouco trabalhado, principalmente na importancia dos momentos mais historicos. O filme joga pouco com o humor, podendo ser demasiado aborrecido para os mais pequenos.

Na realizaçao uma dupla desconhecida que tem o problema orçamental que pesa na definiçao das imagens, existe muitos momentos em que me parece que o filme parece retirado de um videojogo medio do ano 2000 e isso e quase impossivel nos dias de hoje.

No cast de vozes nota-se a dificuldade da Angel em ir buscar vozes de atores iconicos, embora principalmente musicalmente o filme não sofra particularmente com isso, sendo que nos parece que a melodia é mais problematica do que propriamente as vozes usadas.


O melhor - A vertente religiosa fica em segundo plano.

O pior - A produçao estetica


Avaliação - D+

The Ugly Stepsister

 O cinema norueguês foi um dos grandes destaques do cinema internacional deste ano ao conseguir que dois projetos tenham conseguido em diferentes categorias nomeaçoes para os Oscars. Claro que Sentimental Value foi o mais destacado, mas este Horror Movie estreado no festival de Sundance com criticas interessantes conseguiu a nomeaçao para melhor caracterização. Em termos comercias um claro filme pequeno noruegues tem sempre dificuldade mas o impulso da nomeaçao acabou por lhe oferecer resultados competentes.

Sobre o filme temos uma adaptação escura, exagerada e satirica do conto CInderella, num filme de terror com Body Horror extremado. Não e propriamente um filme muito denso, alias a historia conhecemos todos embora este filme seja do lado da meia irmã e não tanto focada em Cinderella. Uma adaptação adulta, de um filme que por vezes é exageradamente amador, mas que nos planos da caracterização conduz o filme para o arrepio que quer proporcionar.

O filme cumpre os seus objetivos numa especie de Dark Cinderela, o filme funciona bem quando tenta ser satirico principalmente na formula de impressionar o principe e na forma como o torna humano. DIversas personagens demasiado escuras, leva o filme para o ponto do que quer ser, embora nao seja mais, nem nunca tente ser do que uma roupagem da historia de sempre.

Por tudo isto sublinha-se o trabalho da produçao, num estilo de captura de imagem muito norte europeu que pode ser estranho a quem ve um cinema mais classico, mas um filme que procura sensações menos positivas como a repulsa, mais que propriamente contar uma historia diferente ou dar uma moral diferente ao que nos conhecemos.

O argumento é a historia total de Cinderela, mas desta vez do ponto de vista de uma das meias irmas a que tinha ambições de casar com o principe e que tenta contornar o seu maus aspeto para impressionar o mesmo.

O argumento do filme não e diferente da historia que conhecemos, com alguns elementos de horror potenciados ao maximo, mas o corpo central é o conhecido. ALguns elementos satiricos ate mais de realizaçao do que de argumento acabam por nao entusiasmas a escrita do filme.

A realizaçao a cargo de Blichfeldt e o que a mesma quer que seja, impressiona o horro, o qual é o protagonista central da atenção das camaras e alguns estilos muito europeus. Nao e propriamente o registo que serve de passaporte para Holywood embora nao seja supresa se o cinema de terror de estudio apostar nela numa proxima experiencia.

No cast atores locais, com todo o destaque a ir para a Lea Myren com uma interpretação que domina o filme e que se calhar, com mais dimensao do filme poderia conduzir a um reconhecimento na temporada de premios. Uma transformaçao fisica e interpretativa interessante que pode sim ser passaporte para voos maiores.


O melhor - O body horror funciona

O pior - A historia de cinderela todos ja vimos


Avaliação - B-

Friday, January 30, 2026

Jay Kelly

 A Netflix entre Outubro e Dezembro semanalmente promoveu diversos projetos sempre com ambições a prémios, percebendo-se pelo calendário que este Jay Kelly seria uma das apostas mais fortes, por ser um filme sobre a industria, com alguns apontamentos de retrospetiva. Em termos críticos as coisas correram bem, mas sem o lado mais fulgurante dos candidatos principais. Comercialmente ao ser Netflix as apostas inicias em termos de dados de bilheteira são curtos mas fica a ideia que tambem para o registo de streaming as coisas não foram propriamente brilhantes.

Sobre o filme podemos começar por dizer que é um filme arrojado, pensado para fazer uma retrospetiva sobre a carreira de uma super estrela, entrar na sua dimensão emocional. O filme tem esse lado emocional forte, que principalmente explode na sequencia final muito bem trabalhada, embora na maior parte do tempo seja um filme que se esconda da emoçao simples, para quem sabe fazer funcionar na parte finalç.

O que me parece claro é que a personagem central é tão forte e tão iconica que quem sabe merecia um ator com mais capacidade de resposta interpretativa do que o pop star Clooney, é um filme muito vincado a personagem principal e a ideia do filme é que Clooney é sempre Clooney e mesmo no lado dramatrico fica muito aquem daquilo que o filme quer no melodrama.

Por tudo isto, e mesmo tendo um Baumbach muito mais simplista e menos arrojado na abordagem, é um filme de sentimentos simples, que funciona muito bem em quem gosta de cinema, mas e um projeto que pelo cast parece querer adquirir uma dimensão que nunca surge e por tal o filme acaba por ser pequeno para o que poderia ser, não obstante das qualidade emocionais que atrai.

O filme fala de Jay Kelly um dos maiores astros do cinema e a sua retrospetiva pelo seu passado, previamente a uma homenagem, onde faz um regresso aos seus momentos mais iconicos e escolhas mais dificeis.

O argumento do filme pese embora não seja equilibrado em toda a sua duração consegue a potencia desejada no fim. Os argumentos de Boumbach são sempre muito mais subtis mas aqui fica a ideia que o toque feminino da ao filme uma normalidade aparente que se torna por vezes dificil de associar.

Na realizaçao temos uma abordagem bonita, simples, com o final a ser o epicentro emocional que queria. Fica a sensação que é um realizador proprio, intenso, que merece destaque em filmes sobre reações de pessoas. A excentricidade é uma assinatura, mas neste filme aparece pouco.

Num cast inacreditavelmente recheado dar o protagonismo a Clooney parece claramente perigoso, porque os recursos principalmente dramaticos nunca foram os melhores. Fica a sensação do Clooney de sempre quando o filme necessitava de mais. Nos secundarios Sandler pelo lado dramatico inesperado e quem brilha mais, num filme muito dependente do interprete central


O melhor - A homenagem e analise propria ao cinema

O pior - A escolha de Clooney


Avaliação - B-

Wednesday, January 28, 2026

Five Nights At Freddy's 2

 O classico videojogo de terror que viu a sua adaptação ao cinema no ano de 2023, com resultados criticos pessimos mas com uma boa resposta comercial, viu a luz do dia sua sequela no final de 2025 com resultados muito semelhante, o terror simpático não angariou adeptos junto da critica especializada mas comercialmente, tendo em conta a dimensão de introdução ao terror acabou por ter melhores resultados comerciais, fazendo com que seja mais que expectável num futuro proximo um novo episódio.

Sobre o filme podemos dizer que temos a mesma base do primeiro filme, um terror psicologico muito baseado no lado creepy dos bonecos que se tornam poderosos, com um terror simples, sem grande violência, ou não fosse uma serie adorada pelos mais pequenos. E uma introduçao ao cinema de terror sem grande conteúdo e em termos de argumento tudo é muito simples para chegar também a mesma população e isso acaba por tornar o filme bastante básico nos procedimentos.

Parece obvio que bonecos simpáticos mecanizados para matar, é um absurdo que torna a tarefa de efetuar um filme competente algo dificil e a produçao massificada, com um ou outro Easter Egg principalmente no casting é insuficiente para tornar o franchising em termos de abordagem apelativo. E o típico filme para ganhar dinheiro, mas fica a sensação que por vezes o filme não consegue criar uma abordagem de entretenimento tão grande para fazer tudo funcionar.

Um filme particularmente comercial, que vende bem a imagem dos bonecos no lado do terror, mas o terror juvenil, num momento em que o cinema tornou-se mais cru, mais estetico acaba por passar quase sempre desprecebido. Ao lançar-se em plena epoca natalicia, preenche um espaço mas pouco mais comercial, numa saga que ficara sempre marcada por um exercicio de rebeldia dos espetador do que propriamente pela capacidade de entusiasmar quem quer que seja.

O filme segue as personagens do primeiro filme, apos o evento em questão, com a descoberta de um novo restaurante onde os personagens adquiriram vida, o risco regressa e todos tem que se juntar para ir contra a maldição dos bonecos.

Em termos de argumento, esgotado o perceito inicial o filme acaba por criar algumas alterações que não são propriamente originais ou mesmo funcionais para criar uma possibilidade de luta. Muito pouco em termos de trabalho de personagens e mesmo na intriga, mas todos apenas queriam ver os bonecos.

Na realizaçao Emma Tammi regressa ao leme, uma realizadora de terror de estúdio, que tem a capacidade de fazer os bonecos serem duais para ambos os momentos, mas o terror juvenil nao e palco para grande creatividade e o filme nunca consegue ter esses momentos.

No cast a base do primeiro filme regressa com personagens simples, ja que os protagonistas, pelo menos visuais são os bonecos mecanizados. Um ou outro ponto novo, de atores com um passado no terror juvenil, mas que fica apenas pela curiosidade.


o melhor - O filme nao tenta ser denso

O pior - A historia de base ser o minimo garantido para funcionar


Avaliação - D+

 

Sunday, January 25, 2026

Marty Supreme

 Muitos dizem que lançar um filme em cima da buzina para uma temporada de prémios nunca é a melhor opção, mas este ano existiu um filme que contrariou esta ideia pre concebida, que foi este peculiar filme sobre perseverança a um ritmo alucinante. O filme foi conquistando a um ritmo alucinante publico e critica, sempre balançado pela entrada fulgurante na corrida aos premios pelo seu protagonista. Em termos comerciais o filme entrou com tudo e isso pode conduzir a uma corrida que parecia fechada no Oscar de melhor filme.

Marty Supreme é uma viagem numa montanha russa de uma adrenalina constante nas aventuras e desventuras do seu protagonista, o filme é original, irrequieto, rebelde, bem escrito, pautado por uma banda sonora incrivel do primeiro ao ultimo minuto, que nos faz prender à cadeira duas horas e meia que passam rapidamente porque temos o que de melhor o cinema pode fazer.

Isso tem a batura de uma intrepretação incrivel de Chalamet a um ritmo elevadissimo, com uma quantidade incrivel de emoçoes e palavras por metro quadrado, numa personagem que esta sempre a pensar no momento seguinte ou pelo menos reagir. Tem momentos em que a realização se torna protagonista num caos de emoções, situações mas que sempre comunicar de uma forma facil com um espetador que consegue tirar partido de tudo que o filme lhe dá.

E um dos grandes filmes do ano, curioso que os dois filmes do ano sejam ataques excentricos de emoções e situações descontrolados onde as palavras e as situações nos conduzem a um caos continuo. A capacidade do filme sem multiplo em todas as vertentes que o filme deve ter, conduzem a que seja facilmente um dos melhores filmes do ano.

A historia segue Marty aspirante a ser o melhor jogador do mundo de Ping Pong, ou Tenis de Mesa como ele prefere, mas cuja vida pessoal é uma confusao a cada minuto impedindo que as coisas tenham alguma consequencia fruto da sua imaturidade e de apenas pensar no momento.

O argumento do filme é incrivel pelas sequencias continuadas que o filme tem, pelos dialogos completamente despropositados com um propósito claro e ate consegue ter uma mensagem embora algo subtil da necessidade de racionalizar escolhas. Um dos argumentos mais originais e impactantes do ano.

Josh Safdie agora separado do irmão notou que a irreverência de Uncut Gems é dele, fica a sensação que temos muito mais desse filme aqui do que Bernie trousxe no seu Smashing Machine. UMa realização incrivel com momentos fortes como o segmento a preto e branco em japones ou a musica que pauta todo o filme

No cast temos um espetaculo incrivel de Chalamet, pela presença, pela eletricidade pelo deambular e montanha russa de emoções, pela quantidade de palavras, fazem da sua interpretação a mais que certa vencedora de Oscar. Um ator que tem muito mediatismo mas que aqui consegue sem duvida a interpretaçao de uma carreira. Apenas perde algumas cenas para A'Zion que merecia mais destaque na temporada de premios, porque sobressair com uma interpretaçao como a quem tem junto a si, não era quase possivel.

O melhor - A montanha russa de diversão e originalidade.

O pior - Safdie ter arriscado menos na originalidade de abordagem na segunda metade do filme.


Avaliação - A-

Wake Up Dead Man

 Rian Johnson cricou uma das sagas de maior sucesso dos ultimos anos, através da criaçao de um detetive partciular, inspirado nos classicos de Agatha Christie com elencos de primeira linha que nos ultimos dois filmes foram lançados diretamente na Netflix com um sucesso total da aplicação. Comercialmente tem sido na aplicação que o filme tem conseguido melhores resultados, sendo que, tambem criticamente as coisas tem corrido bastante bem, embora sempre as portas dos premios, o que ocorreu mais uma vez sem qualquer nomeaçao.

Sobre o filme podemos dizer que quem viu os primeiros dois capitulos sabe perfeitamente o que vai encontrar, muitos personagens, um crime, diversas motivaçoes e um enredo conduzido pelo particular inspetor Blanc para a resoluçao final. Aqui temos o lado catolico e da fe como ingrediente, num filme que funciona bem em termos entertenimento pois seguimos o misterio ate ao fim, embora nos pareça que o filme e algo longo adormecendo em alguns pontos, mas acaba por ser um filme que funciona na comunicação direta com o espetador.

Um dos segredos mais particulares desta saga e o naipe de atores e o que isso permite em termos de momentos de personagens, Aqui temos mais uma vez isso, fica a sensaçao que algumas personagens ate são desaproveitadas, mas a questao do quem matou e porque funciona se o filme tiver ritmo, e outros elementos humoristicos como este acaba por ter. Em termos de surpresa final é menor principalmente comparado com o primeiro filme.

Parece ser um a saga para durar pelo impacto comercial que o filme tem para a Netflix e pela capacidade critica que o filme vai amealhado. Sem a surpresa do primeiro filme em termos de abordagem, o filme acaba por conseguir cumprir os seus objetivos, sem nunca ser um filme de primeira linha. Sera uma saga que ficara associada a decada e tudo indica que nao ficara por aqui.

O filme leva-nos a uma pequena paroquia que esconde um segredo e que apos a morte do padre cessante o Inspetor Blanc tem de descobrir o que teve por tras de tal morte e as suas motivaçoes, num espaço onde todos tinham uma razao.

Em termos de argumento nota-se a clara influcencia de Christie na forma de escrita e mesmo na revelação final, ele não esconde isso e cada filme que passa mais parece uma homenagem atual nos nossos dias ao que a autora fez em termos de literatura e mesmo no cinema.

Na realizaçao Johnson dedicou-se a esta saga o que lhe rendeu ate ao momento dinheiro e alguma fama no genero. Começou em filmes de açao, nao foi brilhante quando foi ajudar Star Wars mas reconstruiu-se numa saga tradicional mas que conquistou o publico, veremos o que faz quando sair dela.

No cast uma autentica passadeira de estrelas. Craig criou um iconico e desajeitado inspetor, mas é sempre nos secundarios que este tipo de filme funciona melhor, aqui parece-me que os grandes destaques vão para O'COnnor em ascensão, com uma interpretaçao que domina o filme e sempre a intensa CLose no balanço do filme.


O melhor - O entertenimento tradicionial ainda funcionar nos dias de hoje.

O pior - Algo longo com alguns momentos pouco produtivos


Avaliação - B-

Friday, January 23, 2026

Sisu Road to Revenge

 Três anos depois de um curioso filme de ação com muita ação, violência e poucas palavras ter surpreendido o mundo do cinema, eis que a sua natural sequela com os mesmos ingredientes viu a luz do dia, contudo com muito mais mediatismo em face do sucesso do filme original. Criticamente o estilo cru e violento foi sempre conseguindo cativar a critica mais especializada. Comercialmente este segundo filme ficou aquem do primeiro, e isso fara dele naturalmente um flop comercial.

Sobre o filme eu confesso que gostei do primeiro filme pelo lado cénico e violento como uma peça de arte, mesmo que a historia, os dialogos e as personagens nunca tenham existido, era o expoente maximo de um tipo de cinema que virou moda nos ultimos anos principalmente depois do sucesso descontrolado de John Wick. Este era mais cru, mais vazio e esteticamente mais trabalhado e aqui temos os mesmos elementos mas com muito mais exagero.

Quem gosta de ver sequencias de ação interminaveis, pensadas em termos esteticos até ao limite não tendo que se importar muito com o porquê das coisas este filme encaixa totalmente nesse genero. A violênncia, mesmo verbal, as mortes levadas ao extremo e muitas sequencias que desafiam toda a logica de principio a fim, é redutor mas é tudo que o filme se propõem fazer.

Por tudo isto Sisu é mais do mesmo, achando que exagera muito em algumas sequencias, sendo a da agua e a recuperação das peças de madeira, um exagero a nivel colossal que é dificil perceber a razão. Existe filmes que marcam o seu ponto é apenas uma forma de ganhar mais dinheiro, o que neste caso nem aconteceu. Enfim um filme para ocupar o espaço e vincar mais o que foi feito no primeiro filme.

A historia segue a personagem do primeiro filme, agora com literalmente a casa as costas para regressar a um espaço da sua Finlandia depois da ocupação sovietica. Um general começa uma batalha com muitos recursos para impedir que tal aconteça.

Assim como o primeiro filme temos um argumento muito pouco trabalhado a todos os niveis. Temos uma ideia e luta, sem dialogos, personagens ou porque. E claramente redutor, mas o filme propõem-se em exclusivo a isso cumprindo o que se propôs.

Na realizaçao Helander repete todos os papeis do primeiro filme num espaço de autor. Nota-se a preocupação por uma camara interveniente procurando o espetaculo visual extremado a cada apontamento. Funciona, com algum exagero e se calhar mais violento do que artisitico quando comparado com o primeiro filme. E o trabalho da carreira, vamos ver o que se segue.

No cast Tommila volta a ser o heroi de serviço, funcionando principalmente no lado extremo visual, ao seu lado uma aquisição mais conhecida, concretamente Lang que dá o lado pérfido que o filme quer ao vilão extremado.


O melhor - O filme cumpre os objetivos da violencia artistica

O pior - Tem muito poucos ingredientes narrativos


Avaliação - C+

Thursday, January 22, 2026

Die My Love

 Estreado no ultimo festival de Cannes com muita expetativa este drama traumatico com um par mediaticamente de alto nivel recolheu boas avaliações da critica embora o publico não te tenha conetado de imediato ao filme, se calhar pelo caracter demasiado ambiguo que Ramsay tem de contar as suas historias. Assim e pese embora algum fulgor critico inicial, principalmente nos EUA, o filme foi perdendo esse lado mais vincado desaparecendo na luta pelos premios. Comercialmente, não sendo o campo onde o filme tinha mais atributos de base o resultado ficou muito aquem, relacionado com o caracter estranho que o filme acaba por ter.

Sobre o filme podemos dizer que temos um filme forte, intenso, que do ponto de vista de rutura da personagem e bem trabalhado, bem intrepertado numa opera desesperante de uma personagem no caos. Essa sensação de caos e desespero acaba por ser muito bem trabalhado e exibido no filme, que não tem medo de se esconder na maior parte do tempo, com momentos da dois de grande interpretaçao.

Posso concordar que o filme por vezes é ambíguo, que caminha para lados que não conduzem a nada significativo numa extravagância exagerada, mas esse caos e uma tentativa de entrada na mente de uma vitima de trauma pos parto, um tema que poucos filmes abordam, mas que este conduz a uma intensidade incrivel num filme significativo.

Por tudo isto e mesmo reconhecendo que é um filme dificil, muitas vezes visceral no caos da personagem, o filme trata a mente da interprete da forma que não exista qualquer duvida do seu percurso. O desespero do seu personagem par e algo que o filme também trabalha muito bem, sendo um filme vincado no quer transmitir e como o faz. Nao sendo uma obra prima e um bom filme sobre um tema muito relevante.

A historia fala-nos de um casal e na forma como a mente da mulher acaba por entrar no caos e na depressão total após o nascimento do filho dos mesmos, conduzindo a um desregular total de todas as vertentes da sua vida.

O argumento do filme tem uma tema muito concreto que o filme aborda de uma forma intensa, exaustiva, explosiva. Entramos completamente na mente e nos desvaneios da personagem e nesse particular o filme é muito interessante. Pode-se perder em eloquencias dos pensamentos da personagem mas e parte dessa passsagem.

Ramsay e uma realizador independente com um inicio com filmes demasiado ambiguos mas que principalmente depois de Lets Talk About Kevin tornou-se mais efetiva, com temas intensos que a mesma consegue potenciar com essa intensidade. nao sendo um filme mesmo esteticamente facil é impactante e isso faz com que o filme tenha essa capacidade de comunicar.

No cast temos um dominio total de Lawrence, uma das melhores atrizes da atualidade que nao tem medo de arriscar numa personagem completamente obsessiva, extremada num caos que ela consegue transmitir com toda a competencia. Pattinson encaixa bem no balanço do desespero, num filme que tem nas duas interpretaçoes principais um dos seus melhores alicerces.


O melhor - As interpretações


O pior - Divaga muitas vezes sem nada em concreto


Avaliação - B

Tuesday, January 20, 2026

Nuremberg

 Apresentado como um épico filme de guerra, a expetativa em torno deste projeto foi grande, quer pelo tema, mas principalmente por um bom elenco e a experiência dos seus produtores. Em termos criticos o filme estreou em alguns festivais com boas criticas mas insuficientes para lançar o filme na temporada de prémios com alguns problemas associados essencialmente a algumas incongruencias historicas. Comercialmente o filme também falhou com resultados muito escassos tendo em conta o tema e a dimensão do filme.

Nuremberg e um filme competente, com um tema forte, numa visão diferente, que funciona principalmente no impacto dual que o filme tem na personagem central. O filme e um carrossel emocional e sabe jogar muito bem com isso na comunicação facil com o espetador. E um filme impactante como as sequencias incriveis dos campos de concentração, pautado por um registo de Crowe ao seu melhor nivel. Podemos dizer que é um filme de comunicação demasiado simples, mas por vezes esse é o caminho mais claro para chegar ao espetador.

Por tudo isto temos um filme competente, poderá ser uma abordagem algo tradicionalista num momento em que cada vez mais se procurar diferença e objetos nunca antes explorados. Mas e um filme que nos cria inicialmente uma prespetiva humana do outro lado para depois nos explicar que tudo não é mais do que um narcisismo puro e humano, mais do que um terror monstruoso muito alem. O filme consegue bem, na parte final ir buscar o paralelo com a vertente atual do mundo.

Por tudo isto temos um competente e emocionante filme, bem realizado, impactante, de processos simples, que merecia mais atençao. Fica a ideia que estamos sempre a procura de alguma eloquencia e rebeldia nos filmes, deixando um pouco de lado quando os procedimentos simples resultam, e aqui isso é claro. Por tudo isto fica a ideia que era um filme que merecia mais atençao ja que é um dos grandes filmes do ano.

O filme fala do pos II guerra mundial, na redençao de Hermann Goring o numero 2 de Hitler e o seu julgamento de Nuremberg, sob o ponto de vista de um medico psiquiatrica que tenta perceber a mente do mesmo bem como impedir o suicidio deste.

O argumento do filme é interessante em varios niveis, no pos guerra, na forma como entra dentro da mente e prespetiva do outro lado da historia, no impacto emocional da historia, num filme competente em varios niveis já que pauta muito bem o registo emocional que quer transmitir.

Vanderbilt e um realizador ainda pouco conhecido, sendo essencialmente um argumentista de primeira linha, que aqui tem um bom trabalho, principalmente na parte grafica reconstituindo imagens iconicas. Reconheço que tem pouco risco mas e um filme que mesmo na realizaçao merecia mais atençao.

No cast Malek e talvez o ator mais repetivio que ganhou um oscar, já que temos sempre interpretaçoes iguais ja que tem maneirismo muito proprios e a sua personagem acaba por nao ser muito bem interpretada pelo carisma ou falta deles em alguns momentos. O filme funciona melhor quando é gerido na dinamica Crowe e Shannon, claramente noutra dimensão e intensidade.


O melhor - A capacidade de transmissão emocional do filme.

O pior - A forma como o algumas incongruencias historias tiraram ao filme algum impacto que merecia ter


Avaliação - B+

Saturday, January 17, 2026

It Was Just an Accident

 Premiado com o premio maximo no festival de Cannes, algo que nos ultimos anos tem conduzido a que fosse imediatamente um serio candidato aos premios maiores, este filme iraniano sobre o regime e sobre as marcas do conflito, com um estilo leve surpreendeu a critica especializada em Cannes acabando por sair vencedor. COmercialmente o filme saiu na temporada de premios novamente pela Neon com bons resultados, mas a ideia de ter sido o vencedor da Palma de Ouro garante sempre um resultado consistente.

Sobre o filme podemos dizer que seria facil fazer um filme pesado e duro sobre o tema que o filme tem, que é a vingança pelo regime e pelos trabalhadores dos mesmos que conduziram a diversas torturas, mas o filme acaba por ser diferente, ligeiro, muito associado a conversas e situações pouco esperadas, mas fica ideia que é um filme que só nos ultimos dez minutos consegue ter a intensidade esperada para um filme como este.

E um filme curioso sem duvida, mas fica também a ideia que o filme é pequeno demais para Palma de Ouro e ainda mais para o Oscars, porque o estilo de comedia de costumes não é tão incrivel e sedutora como Anora foi o ano passado, e porque fica a sensação que o premio foi mais uma mensagem politica para a carreira do seu realizador do que propriamente observar este filme como uma obra singular.

Nao obstante desta falta de espetacularidade acaba por ser um filme curioso, simples, leve, com um tema pesado que no fim aparece. O final aberto acaba por ser onde o filme tem mais autor, quando coloca o som como protagonista e dos deixa aberto ao que vem em seguida. Podemos gostar de personagens, momentos das mesmas mas nunca é uma obra de referencia mesmo no cinema oriundo da asia.

A historia segue um conjunto de pessoas marcadas por torturas passadas, pelas sua opçoes politicas que acabam por se reunir depois de um deles raptar aquele que pensa ter sido o seu torturador, contudo sem certeza de tal identificação.

O argumento do filme tem uma historia de base simples, muito politizada, nao fosse um filme de um ativista iraniano. As personagens são interessantes, diferentes e permitem momentos insolitos, numa quimica com bons momentos. O final tem um lado misterioso interessante mas nao e um filme que seja muito diferenciado nos seus momentos.

Panahi e um ativista Iraniano que filme o seu pais e os seus conflitos como poucos. Aqui temos uma realização que esconde, que é protagonista, sem grandes cuidados artisticos mas deixando as personagens interagir uma com as outras e com as camaras. E um bom trabalho sem ser espetacular.

No cast um conjuto de atores locais que funcionam com intensidade principalmente o interprete central Mobasseri que fica perdido como a sua personagem. Nao e propriamente um filme com interpretaçoes de excelencia deixando a intensidade final dos restantes ser os melhores momentos.


O melhor - Os ultimos dez minutos

O pior - Nunca ter dialogos tão incriveis para levar a dinamica das personagens para a obra prima


Avaliação - B

Friday, January 16, 2026

Predator: Badlands

 O Universo predados nos ultimos anos tem sido muito impulsionado quer por projetos diretamente estreados na Disney +, mas também por uma mudança, tentando explicar a origem do peculiar e iconico ser. Aqui temos um filme distante da realidade da terra, futurista, com um estilo próprio, procurando um entertenimento imediato. Este projeto surpreendeu com avaliações criticas positivas e comercialmente, sendo uma aposta de produtora o resultado foi bastante positivo, tendo em conta o facto de ser um projeto que tem sido lançado em streaming alguns pontos, e a falta de uma figura de primeira linha.

Confesso que a primeira parte do filme, no planeta de base da personagem não e muito interessante, fica a ideia que temos efeitos e CGI a mais, mas muito pouco sob a forma de pensar da personagem. Quando a ação passa para o novo planeta o filme consegue ser original, não só no lado peculiar da personagem que acompanha o protagonista, mas tambem na forma como a imaginaçao de espaços permite ação de primeira linha com alguns lados de ternura sempre importante para fazer o filme funcionar.

Um dos pontos que me parece que o filme não é tão forte acaba por ser na forma como se ligam historias, principalmente ao filme de base. Tirando a forma como encontra o manto e o que isso acaba por significar para o filme original, o restante fica um bocado solto, sendo dificil ligar a personagem ao que vimos no classico.

Por tudo isto mesmo pensando que a saga tem tido alguns filmes competentes no entertenimento, não sei se existe espaço para que se torne numa saga permanente de Hollywood. O aumento da qualidade tecnica permite um risco, que um filme de estudio consegue ter, mas as ideias, que já não sao muitas tornam-se vazias e aqui resulta apenas o lado do filme de açáo com muitos efeitos especiais.

O filme fala de um jovem predador que em busca da honra e vingança e enviado para um peculiar planeta cheio de riscos, apostado em encontrar um ser procurado pela sua raça de forma a revindicar a honra do pai, mas percebe que o mundo esconde muitos segredos.

Em termos de argumento a base da historia é simples, honra, vingança e união, muitos efeitos especiais e ação interminavel. Algum humor, mas pouca novidade num filme previsivel que funciona em muitas outras dimensões.

Na realizaçao Tratchenberg assumiu a saga e ja vai no terceiro filme, o primeiro no cinema com meios. E um competente filme sci fi com muitos meios, mesmo que nao procure uma abordagem artistica de assinatura. E um competente tarefeiro e isso deu-lhe esta saga para ele tentar revitalizar e está a conseguir.

O principal protagonista do filme é o CGI e a personagem central. Em termos humanos apenas temos Fanning, uma atriz em boa forma que tem um papel duplo, demonstrando alguma capacidade como heroina de ação que pode potenciar uma carreira em ascenção principalmente no lado dramatico.


O melhor - O entertenimento simples que o filme consegue

O pior - Pouca ou quase nenhuma ligação ao original


Avaliação - C+

Thursday, January 15, 2026

Springsteen: Deliver Me from Nowhere

 Anunciado com expetativa como o biopic musical do ano, algo que tem sido tradição todos os anos, o filme foi apresentado em diversos festivais com claras ambições de prémios, contudo pese embora a boa avaliação vocal do seu protagonista a mediania da maior parte das criticas colocou de lado grandes ambições de premios. Comercialmente procurou o seu espaço com resultados medianos, mas fica a sensação que hollywood esta um pouco farta do registo.

Sobre o filme eu compreendo a tentativa de alterar o biopic tipo dos ultimos anos, com mais ou menos extravagancia e aqui não temos propriamente um biopic, porque temos muito pouco da personagem para alem dos seus pensamentos consigo proprio na construçao artistica. Pode ser um filme mais concetual, mas e claramente um filme mais lento, repetitivo e vazio, mesmo que o risco de ´ser um filme diferente deva ser sempre assinalado.

E obvio que Allen White canta bem, mesmo com ajuta do auto tune com certeza, que temos um lado de Springsteen menos conhecido que o filme tenta ir buscar como uma introspeçao da personagem que torna o filme mais vago, com pouca capacidade de dar emoçao aos espetadores mesmo os fas de springsteen, já que o filme procura sempre poucos espaços e na maior parte das vezes fica a ideia que o filme e uma repetiçao da personagem a deambular sozinha com as mãos nos bolsos.

Por tudo isto temos um filme que desilude principalmente onde os biopics nao o podem fazer que é na capacidade de transmitir sentimentos a quem gosta do autor em questão. O filme deambula sem nunca dar a personagem. Ficamos a entender a melancolia e o rigor pela sua arte mas pouco mais, ja que tudo o resto fica um pouco fora da carreira do cantor.

A historia segue toda a produçao de Nebraska um dos particulares albuns de springsteen, o mais intimo com um estilo muito próprio do autor, e a forma como convenceu todos a fazer as coisas à sua maneira dentro da sua vivencia.

O argumento do filme e curto, muitas vezes vazio, tentando deambular a personagem sozinha nos seus pensamentos. Fica a sensação que o filme e uma analise do momento mais do que uma personagem e isso e muito curto num biopic de uma figura de referencia.

Scott Cooper e um realizador cheio de expetativa que na maior parte do tempo deixa sempre algo por fazer. Tem muitos filmes, casts de primeira linha mas fica sempre a sensação que algo falta nos seus filme e aqui o mesmo se repete, principalmente no exagero de sequencias a passear do protagonista.

No cast Allen White e um dos atores do momento, mas aqui e repetitivo, funciona bem musicalmente mas o filme nunca lhe pede mais recursos e isso e claramente pouco relevante para a expetativa. Sabe a pouco. Os secundarios sao competentes sem ser brilhantes.


O melhor - MOmentos musicais

O pior - O vazio da personagem


Avaliação - C-

Monday, January 12, 2026

Belen

 A submissão argentina ao oscar de melhor filme estrangeiro com um tema politico bastante interessante acabou por entrar numa segunda linha de candidatos principalmente tendo em conta o tema politico que trás, concretamente os direitos das mulheres, mas tambem pelo facto de ser uma produçao Prime, sob a chancela da MGM. Com criticas interessantes que têm por base algumas apresentaçoes em festivais o filme comercialmente teve resultados muito modestos embora em muitos circuitos tenha sido lançado diretamente na aplicaçao Prime.

A historia acaba por ser uma historia real, baseada num processo judicial entre uma mulher e uma advogada que abraçou a sua causa e a forma como tentou ganhar direitos civis as mulheres na questao do aborto. Fica a sensaçao que batalha juridica esta longe da forma a intensidade que outros filmes tiveram, nota-se os constrangimentos economicos do filme em alguns momentos de pressao publica, mas a historia e a base politica do filme acabam por ser competentes.

E um filme pequeno de um cinema que tenta chegar proximo do que se faz de melhor na america do sul e central, nota-se os constrangimentos economicos que uma produçao argentina sem os meios principalmente espanhois. Mas a historia de vida e das que tras impacto principalmente nas populaçoes femininas pela forma como vai buscar um tema que nas sociedades ocidentais ja esta como adquirido.

UM dos problemas do filme e que para alem do imbroglio juridico da questao, quase patetico, faltando perceber se romantizado ou nao para efeitos de filme, algumas respostas nao ficam por dar e ai o filme fica um pouco incompleto. Muito mais uma historia sobre um assunto do que propriamente um filme artistico como outros que normalmente saem nesta altura e um filme que cumpre sem nunca ser brilhante.

A historia fala de uma advogada que aceita defender o caso de uma mulher presa por alegadamente ter provocado um aborto em pleno hospital a qual nunca foi alvo de uma julgamento com provas concretas e que coloca nos temas centrais do pais a discussao do direito ao aborto.

Em termos de argumento temos um filme com uma historia real, impactante principalmente pela defesa do lado anonimo da principal interveniente. O filme e um pouco adornado para o impacto politico e isso tira algumas respostas que penso que deveriam ter sido dadas.

Na realizaçao do filme temos Dolores Fonzi que tem aqui um projeto muito pessoal com trabalho nas tres vertentes principais do filme E uma atriz reconhecida no panorama do cinema sul americano que tem aqui uma realizaçao possivel, sem grandes meios deixando a historia fluir. Uma entrada razoavel de risco para mulheres.

No cast FOnzi interpreta uma advogada destemida de forma competente sem deslumbrar, acaba por ser Camila Plaate que funciona melhor numa construçao mais sofrida na personagem coraçao do filme.


O melhor - A forma como o filme aborda uma questao sempre pertinente politicamente

O pior - Muitas perguntas por responder


Avaliaçao - C+

Train Dreams

 

A Netflix entre Outubro e Novembro gastou todas as balas, ainda que com formas diferentes de potenciar o real valor de cada um dos seus filmes na temporada de prémios. Este pequeno filme, estreado com muito boas avaliações em Sundance, foi um dos filmes que entrou para o leque de candidato sem nunca ser uma aposta principal. No fim acabou por ser o filme mais bem avaliado criticamente de todos, mas fica a sensação que comercialmente foi sempre algo pequeno demais para altas ambições.

Sobre o filme temos um filme sobre uma personagem, contando como uma fábula sobre um homem comum e a sua importância para o desenvolvimento do mundo. Uma pessoa incognita marcada pela dor ao longo dos anos, parado no desenvolvimento. O filme é uma biografia do mundo rural, fora do olho de todos, mesmo que a sociedade se desenvolva e isso faz do filme bonito, que nos deixa desconfortável, que nos dá emoção e angustia de uma forma como poucos filmes o conseguiram fazer.

E um filme triste mas que nos deixa preso às aventuras, ou à escolha do protagonista de ser uma arvore morta, as metaforas do filme, a realização e a fotografia são interessantes, dão ao filme uma dimensão filosofica que por vezes até adormece o espetador no marasmo do personagem. Mas esse é o objetivo para o lado final, para a conclusão de um propósito, de um filme dificil mas impactante.

Numa altura em que o cinema tem dificuldade em contar historias para além das histórias, este filme consegue fazé-lo como poucos, na forma como conta uma historia comum de dor e de perda mas que tem por trás o desenvolvimento da humanidade às mãos dos seus obreiros apagados, um filme para nos fazer pensar e emocionar. Um dos grandes filmes do ano.

A historia fala de um trabalhador de estradas e linhas de comboio que após um trágico acontecimento decide ficar à espera de respostas enquanto o mundo totalmente à sua volta se desenvolve a um ritmo impressionante.

O argumento do filme é interessante, a forma da historia contada como se de um documento histórico se tratasse. E um filme que traça um paralelismo de contraste que funciona pela capacidade do filme emocionar como poucos, com muita capacidade de fazer sentir.

Na realizaçao Clint Bentley regressa à realização depois de alguns sucessos na escrita, principalmente em Sing Sing, temos uma realização bonita, ritmo baixo, em que o contexto é um dos interpretes do filme, Temos uma capacidade de transmitir que vai para alem das palavras e Bentley e um realizador de emoções como poucos conseguem ser.

No cast Edergton tem uma interpretação completa, leva o filme ao seu ritmo, no desaparecimento da sua personagem. Muitas vezes valoriza-se interpretações histéricas, quando outras em que se trabalha nos silencios são mais dificeis. Este ator consegue como poucos funcionar neste registo e mereceia mais atenção, pois é o coração do filme. Os secundários suportam sem serem muito brilhantes.


O melhor - A diferença de tudo entre a personagem e o mundo

O pior - O ritmo baixo pode esconder muitas virtudes


Avaliação - B+

Sunday, January 11, 2026

Sirat

 Pedro Almodovar começa a ser produtor e a tentar lançar outros autores no seu estilo de cinema que tem nesta coprodução espanhola e francesa uma aposta, depois de conseguir estrear na sempre complexa montra de Cannes com excelentes avaliações, o filme surgiu mencionado em algumas listas com um dos melhores filmes internacionais do ano, embora me pareça que seja dificil a nomeaçao ao oscar. Em termos comerciais o filme teve um bom resultado principalmente na europa onde o selo Almodovar pode ter dado essa alavanca.

Sobre o filme podemos dizer que ao inicio alimenta o misterio, custa a perceber as personagens que analisamos numa fase inicial pelo caracter deslocado, ou mais que isso pela sua forma fisica estranha. O filme depois acaba por alterar indo para alem do aspeto fisico das personagens acabando por dar o lado mais pessoal de cada um, onde o filme acaba por ser uma verdadeira cebola, que no limite chega ao que mais humano as personagens tem.

E um filme dificil, a primeira meia hora quase instrumental tecno e um espetaculo de excentricidade que não e propriamente facil de desvendar, alias o filme não tem uma intriga propriamente dita, mas sim personagens a movimentar-se pela sempre dificil africa norte, em grupo tentando fazer ligações numa luta pela sobrevivencia. Em termos de situações de panico o filme funciona e acima de tudo nas ações surpreendentes que vai tendo.

Nao sendo um filme de impacto total, quando acabamos de ver o filme, ele surpreende em momentos com ações completamente imprevisiveis, isso faz com que o filme se perca naquilo que são os fundamentos centrais da sua historia e para onde esta quer ir, mas isso não deixa de permitir que principalmente no seu desenvolvimento o filme recorra a momentos de muita intensidade.

A historia fala de um pai e um filho que se deslocam a ate uma rave no norte de africa para tentarem encontrar a filha perdida, e acabam por integrar um grupo de pessoas particulares com deformidades fisicas e da vida que os conduzem a uma road trip de sobrevivencia contra as especificidades politicas e geograficas do espaço.

O argumento e silencioso, nao tem muitos dialogos as personagens apresentam-se e unem-se nas suas ações e o filme vai-se desenvolvimento sem qualquer previsibilidade o que faz com  que seja dificil perceber a intriga central do filme, mas o seu risco é evidente.

Na realizaçao temos Olivier Laxe um jovem realizador frances que acabou por ser a aposta de Almodovar para assumir esta sua produção. O filme tem ritmo, tem conceito, tem momentos em que deixa o espetador preso ao chão. Um bom trabalho de apresentação a um nivel mais alto.

No cast e um filme onde as interpretações fisicas dominam a performance muito associadas a uma caracterização impactante. Nao tendo grandes dialogos o filme acaba por ser dominado por performances interligadas que vão de encontro ao que o filme quer.

O melhor - Os momentos impactantes de risco

O pior - O filme acaba por perder o norte do que quer transmitir pela capacidade de surpreender


Avaliação - B-

Saturday, January 10, 2026

Now You See Me: Now You Don't

 Doze anos depois de um filme sobre magicos ter sido um dos objetos de entertenimento mais interessantes de 2023 e depois de uma sequela bem mais modesta surge um novo filme, com a equipa original e um grupo de seguidores com tres atores mais novos. Criticamente as coisas nao correram bem com uma mediania que principalmente não entusiamou quem gostou do primeiro filme. Comercialmente os resultados ate foram razoaveis principalmente porque este contexto de entertenimento facil nem sempre é facil de encontrar.

Sobre o filme, um dos aspetos mais interessantes do filme original era a ilusão, o estilo e a quimica do grupo. Neste filme so temos a primeira parte, a quimica do grupo perdeu-se porque as personagens ficam centradas apenas nos elementos que funcionaram e pouco mais, sendo que são os mais novos que resgatam os melhores momentos grupais. Fica a necessidade do filme de ir buscar todos os elementos do passado mesmo que não desenvolva de forma particular nenhum deles.

Resulta melhor o lado de entertenimento de esconder para mostrar como aconteceu, embora por vezes com um exagero fora do comum principalmente comparado com a consistencia do primeiro filme, ja que no segundo esse problema ja residia, temos um grupo maior de cavaleiros mas fica a sensação que muito fica por esclarecer principalmente no que diz respeito ao porque da antagonista.

Um filme de entertenimento simples, de uma saga que pelo menos no primeiro filme se mostrou competente. Temos um bom cast, mas fica a ideia que o exagero tornou-se dominante tirando algum fulgor ao filme, ainda para mais porque o terceiro filme de uma saga deste genero quase nunca poderia trazer grande novidade.

O filme trás-nos o regresso e reunião dos cavaleiros, pelo menos a maioria deles quando são lançados por um grupo de jovens que os tenta imitar, mas o olho tem um plano maior para eles que tenta roubar o maior diamante da historia.

O argumento do filme tem o lado da ilusão em que esconde partes que até funciona em alguns momentos, mas perdeu-se o lado mais real dos truques, e a quimica dos personagens que ficaram monocordicos principalmente os mais antigos.

Na realizaçao o projeto é assinado por Fleischer um realizador com alguns sucessos na ligação da comedia com ação que assume aqui o papel na saga sem ser particularmente diferenciado. E um trabalho de tarefeiro o que é pena porque principalmente quando surgiu Zombieland deu a impressão que poderia ser mais.

No cast nota-se que os atores nao deram grandes impulsos as personagens dos primeiros filmes, principalmente Franco e e Fisher que parecem surgir apenas para cumprir calendario. Nos novos elementos Smith encaixa bem no papel que o filme lhe quer dar, Sessa tenha ganhar minutos depois de Payne o ter descoberto, mas nunca sera neste tipo de filmes que crescem como atores.


o melhor - ALgumas ilusoes

O pior - O exagero da mesma e a perda de quimica do grupo


Avaliação - C

Friday, January 09, 2026

Nouvelle Vague

 Estreado em Cannes o primeiro de dois filmes de Linklater no presente ano, este tinha um proposito muito proprio para aquele festival, homenagear o movimento de cinema exprimental que ali surgiu na rodagem de uma das suas obras de referencia. O filme teve boas criticas, como alias tem sido habitual em quase tudo que o realizador faz, mas foi um filme como o proprio filme de base, algo exprimental dai que nunca tenha surgido propriamente a serio na temporada de premios com uma ou outra nomeaçao. Comercialmente nunca foi um filme de multidoes e os resultados foram muito curtos principalmente pelo realizador em questão.

O filme começa com um formato a preto e branco que é para capturar a essencia do filme que se baseia, ou do qual quer transmitir a sua produção, é uma escolha inteligente porque leva o espetador para aquele distante espaço temporal. Em termos narrativos, parametros onde normalmente Linklater e forte penso que o filme é menos trabalhado do que outros do realizador, principalmente o recente Blue Moon, dai que mesmo sendo mais concetual penso que o resultado final é menos impactante.

A lingua francesa faz o filme também ser algo mais lento, para quem esta habituado a trabalhar noutra lingua, nota-se essa dificuldade em alguns momentos na fluencia e ritmos dos dialogos. Mas mesmo para quem ve essa epoca do cinema muito longe o filme tem a capacidade de alimentar essa curiosidade muito pela particularidade do protagonista e pela forma como se percebe que a quimica entre os intervenientes foi crescendo.

Por tudo isto mais que um filme de excelencia que penso que nunca é, fica a uma homenagem em estilo proprio a um tipo de cinema que marcou o seu tempo. Se calhar muito longinquo da maior parte das pessoas a sensação que fica é de um filme ou uma epoca onde Linklater se reve, mas penso que nos dias de hoje está algo isolado nesta forma peculiar de ver cinema.

A historia trás-nos toda a produçao de Acossado um dos filmes referentes de Jean Luc Godard desde a forma como foi empurrado para essa necessidade bem como a forma como tudo foi produzido ao seu estilo, com pouca interferencia da produçao, num processo no minino complicado.

Dizer que o argumento de um filme de Linklater até pode ser um dos parentes pobres nao e propriamente muito comum, mas é claro que neste filme esse problema acontece. Se calhar por ser um filme falado numa lingua nao nativa fica a sensação que as palavras nao saem ao ritmo habitual principalmente no dialogos entre personagens.

Linklater e mais que um excelente realizador o verdadeiro exprimentalista de Hollywood com conceitos que poucos se atrevem. Aqui sai da sua zona de confronto com a escolha numa lingua diferente e mais que isso num preto e branco onde tambem nao tinha experiencia. Esteticamente sai um filme interessante de um realizador com diversas virtudes.

No cast poucos nomes de conhecimento publico geral, com escolhas do cinema frances competente, bem caracterizadas para o efeito e a jovem Dutch a tentar uma personagem num cinema de autor depois de diversas passagens por um cinema comercial. Nao me parece ter sido um filme prodigo em interpretaçoes de referencia.


O melhor - O exprimentalismo em que LInklater baseia a sua carreira

O pior - A forma como os dialogos por vezes nao fluem


Avaliação - C+