Saturday, January 28, 2023

Argentina 1985

 Numa corrida aos oscares de melhor filme internacional que parecia uma disputa a dois entre a Alemanha e a India, o mundo do cinema ficou algo surpreendido quando  os Globos de Ouro entregou o prémio a este filme policito suave argentino, que de uma forma algo leve retratou o julgamento dos ditadores militares daquele pais num quente ano de 1985. Em termos criticos e apresentado em alguns festivais maiores o filme convenceu, e comercialmente sendo um filme Argentino sem grandes referencias internacionais teve um resultado moderado mas que a nomeaçao agora para o oscar da especialidade lhe pode dar outro impulso.

Sobre o filme podemos dizer que é historicamente relevante para o Argentinos o momento que o filme trás, mas mais que tudo temos um filme que acaba por abraçar o conteudo de uma forma linear, com descontração principalmente nas personagens mais jovens que acabam por dar ao filme um registo leve que tira algum peso do impacto emocional das historias que ali são contadas, sem as esconder. Este balanço emocional ao filme torna-o mais acessivel, embora nem sempre consiga dar ritmo as mais de duas horas de duração.

Por outro lado do ponto de vista do julgamento em si parece que o filme recorre a demasiados cliches tipicos de filmes de tribunais e ai perde alguma da originalidade ou descontração que tem na vivencia familiar do protagonista e no processo de seleção da equipa. Aqui o filme torna-se mais mediano, mesmo que a historia que queira contar tenha um impacto natural junto do espetador.

Por tudo isto Argentina 1985 e um dos bons filmes internacionais do ano, sem sem deslumbrante ou daqueles rasgos que muitas vezes surgem de onde menos esperamos abrindo portas a um outro tipo de cinema. Visualmente o filme tenta ser fiel a epoca, ainda para mais porque tenta colar imagens reais, o resultado e competente sem nunca ser totalmente brilhante.

A historia segue um procurador que tem entre mãos levar a tribunal o poder militar de uma ditadura acabada de sair do plano politico, e com muitas raízes ainda bem implementadas na sociedade, o qual tem de se recorrer de uma serie de jovens inexperientes para preparar o julgamento mais importante, até então da historia do pais.

Em termos de argumento para alem dos detalhes históricos que o filme tem, o filme não acrescenta muito mais, tirando alguma descontração e ingenuidade nas personagens mais novas, mas que são meramente decorativas na narrativa central do filme. Tem o lado histórico mas pouco mais.

Na realização deste projeto Santiago Mitre um ainda jovem realizador argentino que se tem dedicado a filmes políticos do seu pais, tem aqui o seu projeto mais galardoado que em face da sua idade ainda lhe poderá dar entrada para outro tipo de cinema mais global, ainda mais porque este filme e rigoroso no contexto temporal, e mais que isso o filme consegue ter esse impacto critico.

No cast o filme vai buscar atores locais sem grande visibilidade internacional, que mais que terem papeis difíceis entram bem nas parecenças físicas que o filme vai trabalhar na parte final. E um filme muito mais da historia do que dos personagens.

O melhor - O contexto histórico que o filme trás.

O pior - Perder a descontração ao longo do filme.


Avaliação - B-



Friday, January 27, 2023

The Quiet Girl

 Numa altura em que as nomeaçoes para melhor filme internacional servem de impulso para o cinema de diversos paises, este pequeno filme falado em irlandes chamou a atenção para um cinema mais nativo de uma zona do globo que lançou alguns bons atores da atualidade. Este pequeno filme acabou por conquistar a critica com a sua simplicidade com avaliações muito positivas e que resultaram na nomeaçao. Em termos comerciais e claramente um filme de pequeno alcance mas que teve o seu impacto no Reino Unido.

O filme e pequeno, de emoçoes simples, sobre familia e relações proximas entre pessoas. Não e um filme com muitos dialogos ou muito movimentos mas o filme transmite e bem a união que se vai criando e crescendo entre as personagens o que acaba por ser a boa surpresa do filme, a forma como em lume brando vai criando ligaçao entre as personagens nas pequenas coisas da vida, numa Irlanda rural que tambem acaba por ser um dos elementos mais sedutores do filme.

Claro que podemos dizer que é um filme simplista, na narrativa, no dialogo e nos personagens, embora nos pareça que o que quer transmitir merece o sublinhado sustentado numa interpretação juvenil que tira a inocencia que o filme quer tirar da forma de transmitir a sua historia. Nao e um filme surpreendente nem rebuscado mas que transmite emoçoes.

Numa altura em que o cinema europeu arrisca muito num exprimentalismo que quase torna as suas obras dificeis de perceber fica a sensação que no claro momento em que o filme consegue transmitir emoçoes simples e onde resulta junto do espetador e da critica. Nao e uma obra prima mas e um filme que consegue transmitir emoçoes de base.

A historia segue uma menina silenciosa que acaba por ser algo mal tratada na sua familia de origem, claramente destruturada e acaba por embarcar num periodo de ferias no lado rural de uns amigos da mãe com quem se vai unindo e ganhando laços de impacto, mesmo que estes guarde um segredo do seu passado.

O argumento e simples, não so na base do argumento mas acima de tudo na forma como os dialogos e a narrativa se desenvolve. Ficamos sempre com a ideia que o filme não e propriamente surpreendente mas consegue transmitir os pequenos apontamentos que se propoem.

Na realizaçao Colm Bairéad e um desconhecido jovem realizador irlandês que quis ser fiel ao lado mais rural de uma Irlanda desconhecida mais rural. Ele consegue filmar bem os contactos pequenos entre as personagens num trabalho simples, mas que lhe trouxe um reconhecimento que pode ser interessante no futuro.

No cast o destaque vai para a jovem Catherin Clinch uma total desconhecida que pode aqui ganhar algum impulso na sua carreira pela forma suave com que transparece as emoçoes. Os adultos do filme vão de encontro aos pequenos pontos que o filme quer deles, deixando a jovem brilhar.


O melhor - A simplicidade de processos

O pior - Pode ser previsivel e algo lento


Avaliação - B-



Wednesday, January 25, 2023

To Leslie

 Ate ontem poucos conheciam este pequeno filme independente que foi estreado em Março num pequeno festival americano, que conseguiu lançamento no cinema em Outubro, e depois de um percurso em ascendente, embora comercialmente tenha sido um flop total, conseguiu levar a sua protagonista a nomeaçao para melhor atriz, aproveitando uma boa critica generalizada que o filme obteve e o facto de Riseborough ter nos ultimos temos exibido uma intensidade como atriz reconhecida.

O filme tem um conceito muito próximo de muitos outros de casos de vida que ao longo dos ultimos anos tem visto a luz do dia em projetos maiores e mesmo independentes. O comum nestes filmes e uma critica positiva moderada e alguns louros para os protagonistas. Pois bem aqui não temos nada de particularmente diferente para alem de uma interpretação intensa e onde a sua protagonista assume como o possivel elevador para uma primeira linha que não tinha chegado ate agora, e isso o filme consegue porque a interpretação vale a essencia do filme.

No restante o filme sendo cru nao e propriamente inovador quer no lado negativo e social da personagem, quer nos avanços e recuos e ate mesmo a redenção segue um caminho que ja vimos por diversas vezes em muitos filmes que são mais ou menos trabalhado, nao me parecendo que nos detalhes este filme seja muito forte na realizaçao ou mesmo na riqueza dos dialogos.

Claro que no fim vem a tona aquilo que o filme quer mais potenciar que é a interpretação e a entrega da atriz. ISso sera o que o filme mais quer sublinhar e nisso o filme e efetivo. Em termos de produçao e claramente um filme independente de segunda linha que segue um caminho igual a outros e que lhe falta elementos em diferenciem o filme.

A historia segue uma mãe solteira que depois de ganhar a lotaria gasta o dinheiro todo em alcool, tornando-se uma viciada com a vida destruida, ate ao momento em que e desalojada e fica sem nada e tenta reconstruir a sua vida de um patamar muito mais baixo.

Em termos de argumento a historia e sociavelmente impactante e mais que tudo é um filme que segue os parâmetros normais para o genero. Fica a ideia que o filme quer potenciar todas as oportunidades de sofrimento a sua personagem central e tudo torna-se algo previsivel.

Na realizaçao MIchael Norris vem da televisão com algumas series reconhecidas, e aqui tem uma abordagem independente de personagem e de caso de vida. E um filme que tenta entrar no lado social e leva-nos para um lado solitario da personagem, embora o filme não consiga ser propriamente impactante.

O filme e um monologo de Riseborough que colheu o maximo fruto da dedicação a esta personagem. Podemos dizer que normalmente este tipo de papel e facil, basta a interprete deixar ir ao lado mais baixo da sua existencia. A atriz tem intensidade e mostra um bom momento de forma e o resultado podera dar o input importante a carreira. A interpretação deixa pouco espaço para os restantes.


O melhor - ANdrea Riseborough

O pior - A forma como o filme não trás particularmente nada de novo ao estilo


Avaliação - C+



 

Bardo, Falsa Crónica de Unas Quantas Verdades

 Quando foi anunciada a lista de apostas da netflix para o final de ano e por logica para a temporada de premios existiu um filme que saltou de imediato para a retina que foi este regresso de Inarritu ao cinema e mais que tudo ao seu Mexico natural. Neste regresso as origens estreado no festival de Veneza percebeu-se contudo que o filme era demasiado estranho para entrar efetivamente na corrida, um faqueles filmes que apenas se vende a uma produtora independente a uma netflix que quer ver o seu nome associado a um cineasta desta dimensão. COntudo parece que o passa palavra neste caso não deve ter ajudado o percurso comercial do filme na plataforma.

Tudo começa no filme a deixar de fazer sentido no primeiro minuto e acima de tudo quando o realizador assumiu como referênncia um particular filme de Fellini conhecido por não ter grande ligação entre as cenas. Pois bem se queremos logica no que vimos ao longo das mais de duas horas e meia não estamos no filme correto e isso e danoso na atenção que o espetador vai dando a um filme que não percebe e mais que tudo nunca e feito para ele perceber.

Claro que e inequivoco que Inarritu e um realizador de primeira linha, que tem sequencias de realização de um brilhantismo total, que o filme e bonito e iconico em todas as suas imagens, mas quando a beleza de imagem e feita de sequencias isoladas pouco ou nada relacionados ou principalmente a confusão e o sentimento que mais fica no espetador, acaba por tal conduzir a um filme muito pouco apelativa.

Este e um filme da mente de INarritu em que o mesmo deixa de lado por completo o que vai transmitir ao espetador. Chega a parecer uma burla do realizador a Netflix, esperançada na coerencia ou na forma que os filmes anteriores do realizador foram aceites por tudo e todos, mas acabou por tudo ser um exercicio total de rebeldia que poucos ou nenhum percebe mesmo.

No que diz respeito a historia passamos por diversas sequências pouco logicas de um documentarista associado a historia do mexico, residente nos EUA, e da forma como esses fragmentos nos transmitem os passos de uma vida sem grande logica ou organização.

Em termos de argumento e quase impossivel definir o filme para alem dos momentos e dialogos completamente soltos e nada ligados ao que vem depois. Ate pode ter bons momentos isolados em dialogos mas o formato não permite que as personagens e a narrativa cresça. Parece-me facil fazer este tipo de cinema.

Na realizaçao Inarritu e um realizador de primeira linha, com capacidade estetica, risco e originalidade. Tudo esta presente no filme pena e que ao serviço de uma ideia intimista, confusa e que na essencia quase ninguem entende.

Para este regresso a casa INarritu escolheu atores hispanicos, com a despesa a estar toda do lado do espanhol Daniel Gimenez Cacho que tem impacto da ao filme o lado desprendido que o filme quer mas este tipo de abordagem nao permite grandes interpretações porque nunca conhecemos o personagem


O melhor - As imagens.

O pior - Ninguem entende o que o filme quer


AValiação - C-



Tuesday, January 24, 2023

A Man Called Otto

 Depois do sucesso literario em 2012 e mesmo o sucesso do filme sueco que conseguiu nomeaçoes para os oscares eis que como não podia faltar Hollywood deu a sua roupagem a uma historia de tanto sucesso e nada melhor que Tom Hanks para liderar a personagem. Tudo parecia correr para o sucesso total, mais eis que surpreendentemente a roupagem demasiado hollywodesca nao satisfez a maior parte dos criticos, mesmo que a historia de ternura e redenção tenha tornado o filme num razoavel sucesso de bilheteira.

Começou por dizer que não li o livro, e imperdoavelmente não me recordo de tambem ter visto o filme sueco dai que a historia fosse novidade, ou dai tambem nao porque no trailer nos percebemos do primeiro ao ultimo minuto quase tudo o que vai acontecer, num filme de emoçoes a flor da pele, tipico de familia, com uma mensagem positiva e ,muitas lagrimas. No aspeto simples do cinema o filme cumpre embora fique a ideia que sem tamanho para se afastar de outros titulos semelhantes.

O problema e a expetativa de ter Tom Hanks num papel iconico, um livro de primeira linha e uma grande produçao, e mesmo Forster tem no curriculo alguns bons filmes embora longe de ser um realizador de primeira linha ja que o seu percurso tem sido pautado por muitos desiquilibrios. O problema e que o filme nunca despe em nenhum momento a roupagem de simples historia familiar, nao tendo originalidade na abordagem nem suficientemente escuro na personagem que rapidamente percebemos ser o rezingão de bom coraçao.
Por tudo isto o filme faz-nos passar duas horas a um bom ritmo, com algumas gargalhadas e muitas lagrimas e nisso o filme e habilidoso, na capacidade de enviar o espetador para uma montanha russa de emoçoes, mesmo que cinematograficamente nunca recolha elementos muito diferenciadores, e ficamos com a ideia que tudo e muito previsivel e filmado de uma forma muito pelo livro.

A historia segue um Otto resignado pela vida dedicada a regras que ficou sem solo depois da mulher morrer. No momento em planeia o seu suicidio acaba por ser perturbado por uma nova familia sua vizinha com quem se vai ligar.

Em termos de argumento não conhecendo o livro parece-me uma historia convencional de emoçoes fortes que o argumento do filme no balanço com a comedia consegue ainda mais potenciar. Principalmente na dinamica entre o duo de protagonistas o filme tem todos os ingredientes de uma historia familiar competente sem ser surpreendente.

Na realizaçao Forster e daqueles realizadores que começou com toda a força mas ao longo do tempo foi perdendo espaço tornando-se quase num segundo plano. Esta colaboração com Hanks poderia ter levado novamente a uma primeira linha mas a sua abordagem e demasiado simplista para isso e dai talvez o menor sucesso critico do filme.

Hanks e dos melhores atores de Hollywood e tirando Elvis e competente em tudo o que tenta fazer. Nao sendo o melhor dos seus anos pese embora os diversos projetos acabou por aqui demonstrar o lado rezingão pouco conhecido de um ator sempre entregue as personagens. Surpresa pela positiva para a quase desconhecida Mariana Trevino que e a grande surpresa do filme numa personagem a sua medida.


O melhor - A montanha russa emocional intensa que o filme se torna

O pior - Ja vimos isto muitas vezes


Avaliação - B-



Monday, January 23, 2023

Glass Onion: A Knives Out Story

 Três anos depois de Rian Johnson tem surpreendido meio mundo com o seu complexo cluedo em Knives Out recuperando algum do conceito que a passagem por Star Wars o tinha feito perder eis que surge a sua sequela, novamente aproveitando o detetive peculiar Benoit Blanc. COm um elenco de primeira linha o filme voltou a conquistar a critica com avaliações positivas e uma corrida aos premios. Comercialmente com a aposta da Netflix o filme teve o impacto previsivel, embora fique com a ideia que poderia resultar naturalmente com mais impacto no cinema.

Sobre o filme eu confesso que gostei mais do primeiro filme do que o segundo. Desde logo porque a metafora da cebola pode tornar o fim algo previsivel, mesmo que o filme se dedique a dar pistas e twist num filme intenso e longo que permite esses avanços e recuos nas ligações das personagens, embora nunca sem a maturidade que penso que existiu no primeiro filme. Fica a ideia que por vezes o filme se perde em detalhes que acabam por ser irrelevantes para o decurso do filme.

Claro que o suspense continuo e a revelação em camadas acaba por dar um ritmo e uma curiosidade interessante ao filme, que ele aproveita com um elenco de primeira linha, embora fique a ideia que ao contrario do primeiro filme a maioria dos personagens são mais bonecos de comedia do que propriamente do que uteis para o filme.

Mesmo assim e sendo na minha opinião inferior ao primeiro filme, temos bom entertenimento com açao, um bom espaço, bons atores e muito suspense, no regresso dos filmes de cluedo ao cinema depois de muitos anos com estilos repetitivos. Fica-se com a ideia de que o sucesso deste filme não vai deixar a personagem central ficar por aqui.

O filme volta a trazer-nos Benoit Blanc, agora numa ilha propriedade de um empresario de sucesso e as suas eloquências e um encontro com amigos com muitos conflitos emergentes, até que o homicidio ocorre e todos são suspeitos.

No que diz respeito ao argumento eu confesso que uma historia com tantos avanços e retrocessos nao e facil de criar para nenhum argumentista, e dai os elogios a Johnsson. Por sua vez parece que principalmente na elaboração de personagens temos menos força do que no primeiro filme, principalmente no excesso de "boneco" (sic) da maior parte delas.

Na realizaçao Johnson e um realizador em crescimento que teve um arranque muito rapido e teve de dar um passo atrás. Neste conceito parece ter conseguido explorar a sua capacidade narrativa com um cinema moderno eficaz embora ainda me pareça que falte alguma assinatura.

No cast Craig encaixa bem no detetive com diversos tiques, que corta a rigidez de James Bond. No restante cast o maior destaque vai para Monae com uma personagem complexa, com muitos momentos diferentes que a mesma acaba por cumprir com competência. Os restantes sofrem de personagens algo esteriotipadas


O melhor - O ritmo do filme para um projeto tao longo


O pior - Os secundários não são muito elaborados


Avaliação - B-



 

Friday, January 20, 2023

Devotion

 Depois do sucesso de Top Gun, tudo que meta aviões e guerra estava submetido a um segundo plano, mesmo que fosse o relato de uma historia real com muitos elementos, e mesmo que fosse uma mega produção com ambiçoes para premios. A piorar tudo isto temos o facto de termos um protagonista semelhante. E se comercialmente Devotion até foi bem avaliado comercialmente foi um floop total, talvez pelo facto de Top Gun ter esgotado toda a cota para avioes de guerra, quer pela falta de figuras de primeira linha.

Sobre o filme Devotion e um filme objetivo que tenta jogar com o lado de guerra de ação, embora abusando quase sempre de uns efeitos especiais digitais que nem se aproximam daquilo que Top Gun fez na realidade, quer no lado emocional da amizade e da conquista racial. O filme tem diversos temas numa historia real que são sempre ingredientes de algum impacto, o problema e quando tudo fica diminuido a esses elementos e o filme tenha alguma dificuldade em ir para alem deles.

O unico risco que o filme assume e na personagem central, percebe-se que lhe quer ser dado contacto com a realidade, caracteristicas que ate poderiam ser pouco empaticas, e que potenciam alguns recursos a Majors, mas para o filme tao basico em alguns elementos isso acaba por encaixar com dificuldade no registo do filme que talvez esperava o lado mais pessoal de ambos os protagonistas para alem dos traços gerais.

Por tudo isto Devotion e um filme mediano, sem ter atributos espetaculares em algum elemento que o fizesse brilhar, e competente na gestão emotiva, mesmo que os ultimos vinte minutos de drama puro sejam demais quando comparado com o lado mais acelerado das ações no ar. Não e um filme com muito conteudo para alem da sintese da relação e como produção para 90 milhoes tinha de ter mais espetaculo visual.

O filme fala de dois amigos, um o primeiro afro americano da força aerea norte americana e a ligação com o seu asa em plena guerra. A confiança dos amigos com personalidades diferentes e a luta do primeiro pela sua posiçao unem os dois nas batalhar contra os vilões da guerra.

O argumento tem uma historia conhecida, que o filme não vai muito para alem. Nao temos propriamente grandes dialogos ou grande trabalho mesmo nas duas personagens centrais. Fica a ideia que o filme deveria arriscar mais tambem em argumento para dar o salto para outro patamar.

Na realizaçao J D Dillard era um quase desconhecido com muitos meios na mão, mas ainda verde para explorar ou arriscar. Fica a ideia que o filme e demasiado preso ao obvio e tem pouca mão de cineasta, o que com o valor produtivo vale muito pouco. Nao sei se tera muitas oportunidades como esta para assumir o seu cinema, mas esta fica ou pouco aquem.

No cast dois atores num percurso ascendente de carreira mas que ainda não sao primeiras figuras. Majors arrisca mais, principalmente nos monologos e na entrega fisica, mas nem sempre e convincente ao maximo. Powell ainda parece preso a alguns maneirismos e mais longe do primeiro plano e com uma personagem claramente mais debil.

O melhor - A historia e interessante.

O pior - O filme e demasiado preso a extritamente necessario


Avaliação - C



Wednesday, January 18, 2023

RRR

 O cinema indiano foi durante anos dominador dentro de um cinema de massas que foi-se diluindo nas ultimas decadas do ultimo seculo. Agora tentando recuperar o seu esplandor, com apostas produtivas elevadas e com grande exploração comercial, teve neste RRR um regresso ao sucesso internacional quase incompreensivel que o tornou no filme internacional mais famoso e reconhecido do ano e tornou-o no mais que provavel vencedor do oscar da categoria, no regresso ao sucesso do cinema indiano, ainda que não seja neste caso Bollywood.

Sobre o filme eu confesso que é daqueles filmes que nos deixa sem palavras e nem sempre pelas melhores razões. Parece que o primeiro objetivo do realizador e fazer algo grandioso a todos os niveis, e se no plano do tempo o filme consegue resistir bem as tres horas de duração em termos esteticos e um exagero pensado de slow motion FF e acima de tudo muitos efeitos digitais explorados ate a exaustão mas que dão um filme pelo menos insistente neste registo que funciona.

Em termos narrativos e uma novela de baixa qualidade sendo que essa novela de baixa qualidade fica também presente na qualidade dos seus interpretes, que torna tudo tão mau, que ate parece deliberado para fazer sentir o filme como pensado para ser assim. Contudo em face do investimento parece que não seria o objetivo e isso do ponto de vista de comedia deu algum sucesso ao filme.

Por tudo isto fica a sensação que o filme e trabalhado, mas é amador, e isso tudo faz com que se possa odiar o filme, ou gostar, mas não e um filme de sensaçoes mistas mesmo que isto tudo organizado resulta num filme estranho, estapafurdio, esteticamente interessante, mas um festival de folclore de gosto discutivel.

A historia segue dois amigos que acabam por ter ambições diferentes em lados opostos da barricada em face do imperio ingles que leva a um confronto muito maior do que as ligações, numa batalha de dois super herois com convicções muito fortes.

Em termos de argumento o filme e vazio a todos os niveis. A historia e retirada de um pessimo filme de ação, os dialogos desenhados por uma criança e a previsibilidade esta patente do primeiro ao ultimo minuto.

EM termos de realizaçao Rajamouli tem imagens impactantes e demonstra empenho e caracter estetico para fazer um filme grandioso o que acaba por acontecer. Podemos gostar ou não do exagero que o filme adquire mas isso acaba por ser o elemento que melhor funciona e que levou ao reconhecimento do filme e do seu cineasta.

No cast um conjunto de atores locais com competencias musicais e de dança mas com poucas competencias dentro daquilo que se espera para um filme com tanto valor critico. CHega a existir momentos em que parece que a ma interpretação e deliberada.

O melhor  - A estetica unica do filme.

O pior - Pensarmos que muitas vezes tudo e demais


AValiação - C+



Sunday, January 15, 2023

Tar

 Mais de quinze anos desde o ultimo projeto de Todd Field o conceituado realizador voltou ao ativo depois de muitos projetos que ficaram pelo papel. Para o regresso um drama protagonizado e conduzido por Blanchet exigencia total do realizador. E depois de dois tiros certeiros nos seus anteriores filmes, Field conseguiu novamente cativar a critica com algumas das melhores avaliações do ano. Comercialmente Field não é tão cativamente e talvez por isso ficou muito aquem do esperado.

Sobre o filme podemos dizer que o inicio não é facil, muito lento, muito promenorizado na historia ou mesmo no processo artistico de um maestro que acaba por aos menos interessados na arte adormecer para uma intriga que depois ganha ritmo, e muito atual no tema mas que não consegue nunca arrancar convicto. mesmo que em termos de captura de imagens, realizaçao e interpretação esteja sempre a um nivel elevado.

Field tem uma forma de filmar, obsessiva ate ao ultimo detalhe, e neste particular fica a ideia que nos primeiros momentos, tenta nos dar quase tudo da forma de ver a arte do personagem. O problema e que provavelmente ninguem necessitava de tanto, e isso faz o filme detalhado mas pouco intesndo. Na segunda fase o filme ainda que novamente em lume brando cria uma intriga que e criada desde o inicio sem nos percebermos e que apenas percebemos quando a mesma esta a queimar.

Assim TAR tem elementos de clara qualidade, o mais vistoso de todos e a interpretação intensa e dedicada de BLanchet. A realizaçao e competente sempre com a procura do melhor plano. Por fim o argumento a historia e atual mas a abordagem talvez nao tenha sido aquela que melhor conseguiu dar o impacto ao que o filme queria contar.

A historia segue uma maestro obsessiva pelo controlo que prepara uma das suas obras enquanto tem que fazer escolhas sobre a composiçao da sua equipa e se debate com uma polemica passada que poderá colocar em causa a sua carreira.

No que diz respeito ao argumento a historia e interessante embora pareça que o ritmo baixo que o filme adquire acabe por não tirar o melhor partido dela. Muitos me dirão que e a obsessão pelo detalhe que faz Field uma assinatura, mas eu confesso que o filme merecia mais intensidade.

Na realização Field e um realizador de promenor, que a critica ama. Eu acho competente, com perfeita noção de como vai buscar os melhores lados das personagens, mas náo e imponente. A carreira criada e os poucos filmes criaram talvez um mito maior que a carreira.

No cast o filme e liderado por uma Blanchet ao mais alto nivel, intensidade, entrega, capacidade tudo se resume numa personagem pensada para triunfar. Nao sei se sera a melhor interpretação de sempre da atriz mas e uma das melhores, que provavelmente a conduzira a novo oscar, embora me pareça que o filme potencie muito esta vertente por vezes a custa de outras

O melhor - BLanchet

O pior - O ritmo demasiado pausado da primeira hora


Avaliação - C+



Saturday, January 14, 2023

The Fabelmans

 Desde o momento que foi anunciado o projeto a critica e o mundo do cinema ficou ansioso pela obra auto biográfica não assumida de Spilberg que iria ser uma viagem a sua infância ainda que com outros nomes. Devido ao impacto emocional que o realizador foi sempre dotando os seus filmes, rapidamente se percebeu que novamente ele tinha conseguido criar magia empatica, com criticas impressionantes que o colocou imediatamente como o filme a bater na corrida aos oscares. Comercialmente a falta de nomes de primeira linha impediram resultados muitos consistentes que poderão ser o maior senão do filme, mesmo assim a conquista do Globo de Ouro para melhor drama poderá ser o impulso comercial que o filme necessitava.

Sobre o filme podemos dizer que temos um regresso ao estilo de cinema que Spilberg foi criando ao longo dos anos, de emoçoes fortes, sejam elas positivas ou negativas, o certo é que o filme emprega a intensidade naquilo que quer transportar o espetador nesta visita ao passado. O filme não e propriamente um poço de originalidade mas faz tudo bem na magia da infância, na descoberta dos adultos e da paixão o filme leva-nos como poucos conseguem levar ate a infancia do realizador mais proeminente dos ultimos anos.

Por tudo isto Fabelmans leva-nos perfeitamente a fazer parte da familia, a aplaudir os louros e sofrer nos conflitos, e um filme riquissimo na tradição do cinema como correio de emoçoes. Nao e um filme de efeitos, não e um filme de abordagem diferenciada, mas pega numa historia convencional de sonhos e coloca-a de uma forma transparente perante o espetador que entre no filme e isso e um segredo que Spilberg sempre teve a capacidade.

Não sei se Fabelmans sera o melhor filme do ano, mas aposto que sera de longe o mais consensual, acho difícilimo que ao ver filme alguem não goste, tem a sabedoria de saber agradar a todos e acima de tudo aproveitar cada personagem para tirar o que de melhor consegue dela, numa visita guiada a emoçao.

Spilberg e um caso unico de um realizador que consegue se adaptar a todos os estilos, mas e na familia e no filme dramatico que penso que consegue os melhores momentos. Num regresso ao passado detalhado ao milimetro Spilberg tem aqui a sua homenagem a sua abertura ao publico o que lhe valerá com muita certeza o terceiro oscar como realizador.

No cast o filme demonstra tambem competencia algo que fugia em algumas escolhas mais recentes de SPilberg, Dano e Williams, levam o filme as costas no lado emocional, mas surpreende a escolha do jovem LaBelle que acaba por dar todo o lado descontraido, ansioso de SPilberg junior que merecia maior destaque. Ninguem ficara indiferente aos cinco minutos de luxo de Judd Hirch.


O melhor . A naturalidade da forma como transmite emoçoes

O pior - Nao e um poço de originalidade, mas sabe bem ser tradiçao


Avaliação . B+



Friday, January 13, 2023

The Menu

 Existem pequenos prazeres que o cinema nos trás sobre filme que inicialmente não querem ser tomados muito a sério mas que acabam por se tornar casos sérios pela sua originalidade da abordagem. Esta comedia negra acabou por surpreender ao ver-se intrometida no meio da temporada de premios, ainda que com pouca objetividade mas com o reconhecimento critico necerssário a configurar em algumas listas. Comercialmente o filme chamou alguma atenção, num ano de total altos e baixos o filme acabou por ser competente também no trajeto comercial

Sobre o filme é importante sublinhar que é uma misto de comedia e terror que não se leva muito a serio, mas que nos dá prazer. E dá-nos prazer porque é uma satira belissima e eloquencia de hoje em dia em muita coisa e na cozinha essencialmente. O filme é corrosivo, é engraçado, é critico e é unico num resultado diferente, original, detalhado e acima de tudo sustentado numa otima batalha interpretativa entre os dois protagonistas maiores.

O filme cedo nos introduz o que cada personagem vai dar ao filme, com exceção da central que cai de para quedas num mundo de luxuria. Quando somos introduzidos na cozinha e com a equipa rapidamente percebemos que tudo vai escalar, o que o filme faz com calma e com intensidade. Podem muitos achar que o final e algo filosófico demais, mas acaba por ser a essência moratória que o filme quer ser, e nisso o filme tem os objetivos muito bem definidos que cumpre com qualidade.

Por tudo isto parece que The Menu e uma das obras mais singulares e originais. Acaba por ser um pouco como os pratos que vão sendo servidos, estranhos, mas que dão prazer, muito por culpa de uma realização competente mas mais que tudo personagens e interpretações que nos colam ao ecrã. Não sendo um filme muito pretensioso no alcance e uma abordagem original de um formato único que junta humor negro com satira social.

A historia fala de uma serie de pessoas que pagam um balurdio para numa ilha provarem um menu exclusivo de um famoso e excentrico chef, o qual tem um plano bem diferente para aquele serão, onde apenas uma convidada de ultima hora sai do menu.

No que diz respeito ao argumento ele é detalhado, tem a satira apurada com a critica social, de uma forma forte, engraçada com personagens requintadas. Podemos achar que o final poderia ser tratado com outra objetividade e mais direcionado, mas é nesse requinte que me parece que o argumento se destaca.

Eu confesso que muitas vezes a passagem da televisão para o cinema e dificil, mas Mylod teve uma otima passagem depois de ja ter a cargo alguns dos melhores episodios das melhores series dos ultimos anos. A passagem e muito bem conseguida depois de uma experiencia pessima no passado. O filme tem detalhe, tem ritmo tem estetica e merece o destaque de uma passagem que se espera duradoura.

E no cast que o filme tem tambem um dos seus maiores brilhos. Fiennes e incrivel na sua construção. Um actor de primeira linha que por vezes parece deambular em filmes menores mas que regressa sempre ao impacto da carreira. Aqui tem um dos melhores e mais intensos papeis do ano, que é balançado por uma Taylor Joy numa forma incrivel, com carisma, com rebeldia e o balanço perfeito a um Fiennes de primeira linha. Também Leguizamo e Hoult encaixam no que o filme pede a cada um deles.

O melhor - A originalidade de todo o filme.


O pior - Podemos achar que o final merecia mais impacto


Avaliação - B+



Wednesday, January 11, 2023

Bones and All

 O provérbio em equipa que ganha não se mexe é muito usual ser repetida em formulas de cinema. Em 2022 Guadagnino e Chalamet reuniram-se para mais uma historia de amor, so que de uma aventura homossexual de verão, temos um amor em road trip de canibais. Em termos criticos as avaliações embora distantes do sucesso brutal que foi a anterior colaboração foram competentes embora sem a força para lançar o filme para altos voos. Do ponto de vista comercial o realizador italiano não e propriamente talhado para grandes explosoes comerciais sendo o resultado consistente e nada mais.

Sobre o filme podemos dizer que a historia de amor está lá, é convincente na eloquencia e singularidade das personagens e do contexto, e acompanhado por uma boa banda sonora e interessantes secundarios, mas que tudo e demasiado freak para resultar no lado emocional e impactante. Talvez seja esta mistura de emoçoes que Luca queria para o filme mas o resultado é demasiado ambiguo para ser de impacto imediato.

Não obstante disso o filme é esteticamente forte, é violento, é carnal, e isso faz com que os atores tenham espaço para brilhar, principalmente os secundarios. COnseguimos criar empatia com o casal, mesmo numa especificidade que não é propriamente a mais exuberante para o desenvolvimento de uma historia de amor. No final fica a sensação que o filme não consegue superar o peso do canibalismo, embora ficasse com a sensação que isso pudesse acontecer.

Ou seja um particular e diferente filme, bem realizador, que tem uma abordagem diferente que tenta ser original no impacto, mas cujo resultado é algo dicotómico tendo dificuldades em conciliar o lado mais bonito de uma historia de amor que é a unica esperança dos personagens com o lado completamente animalesco do canibalismo. LGuadagnino gosta de arriscar mas talvez tenha ido neste caso algo longe demais.

A historia fala de uma jovem que é abandonada pelo pai, o qual não consegue viver com o peso da sua filha ser canibal, o que a leva a um percurso pelo mundo a procura da progenitora e que a leva ao contacto com outras pessoas com o mesmo problema.

O argumento e arriscado, unindo temas que aparentemente tem muitas dificuldades em ser interligados. O filme tem bons diálogos de amor mas no final é tudo muito peculiar, principalmente porque parece totalmente impossível associar dois temas como estes e fazer que estes encaixem em algo coeso

Na realização Guadgnino é alguém que sabe tirar o melhor dos filmes com relações intensas e esta e sem sombra de duvidas a mais intensa de todas. O filme é bonito, tem impacto mas os temas também visualmente não encaixam, ainda para mais com a opção de carne viva que ele adota.

O filme tem bons atores mais são os secundários aqueles que melhor funcionam, principalmente a intensidade de Rylance, num excelente momento de forma. Ao seu lado temos um Chalamet que sabe interpretar a descontração que o realizador gosta e uma Taylor Russel a procura de um protagonismo que já lhe foi prespetivado sem nunca ser concretizado.


O melhor - Rylance

O pior - Os temas não conjugam.


Avaliação - B-



 

Tuesday, January 10, 2023

Puss in Boots: The Last Wish

 Num ano onde parece que os creativos do mundo de animação da DIsney parece terem tirado férias com uma ligeira exceção ao Turning Red do inicio do ano, a Dreamworks segunda maior patente com historia no mundo de animação não aproveitou particularmente esta brecha, acabando por fazer um ano simples, onde apostou tudo neste continuidade de um franchising conhecido. Criticamente as coisas ate correram bem, muito melhor do que a qualquer projeto da Disney, e comercialmente longe dos sucessos incomparaveis do passado o filme foi dos que melhor desempenho teve em termos de animaçao, levando a melhor no nivel anual.

Sobre o filme eu confesso que sempre gostei mais da personagem no Franchising de Shrek do que propriamente nos filmes que se seguiram, onde o paralelismo com ZOrro e banderas foi sempre por demais evidente. Este filme segue o mesmo estilo da personagem, e novamente vai buscar o lado metafisico que cada vez mais é presença constante nos filmes de animação e a qual se não for bem trabalhada acaba por tornar tudo algo estranho e aqui acontece novamente isso.

Podemos sublinhar do lado positivo alguma maior rebeldia visual, principalmente nas sequencias de combate, a aproximar-se de filmes e dos comics o que acaba por ser uma roupagem menos convencional e que funciona no espirito do filme. Em termos de mensagem o filme acaba também por ser competente, embora muito longe do que a Disney faz nos seus maiores sucessos, sendo sempre um filme mais comercial do que impacto narrativo.

Mesmo assim num ano em que tudo parecia correr mal na animaçao para crianças, este filme resiste pela simplicidade narrativa e pelo arrojo visual. COnduzira certamente a uma nomeaçao para o premio da categoria, embora com muita probabilidade o perderá para filmes mais arrojados a todos os niveis. E um filme competente sem nunca ser minimamente brilhante.

A historia segue o gato das botas, despojado de oito das suas nove vidas, decide colocar de lado a sua vida de vingador, contudo o seu passado surge novamente junto a si e vai exigir dele uma nova aventura.

Em termos de argumento a historia e simples, aproveitando o lado dos promenores que de melhor foram resultando no passado da personagem, e criando uma aventura simplista, sem grande originalidade para fazer render o peixe. No final consegue ter alguma riqueza moral, embora nada de grande dimensão.

Na realizaçao do projeto uma dupla oriunda de outros projetos da Dreamworks concretamente Croods 2. O filme é algo arrojado visualmente no que diz respeito as sequencias de luta e isso deu-lhe uma abordagem algo diferenciado. Num terreno que normalmente se limita a seguir a evolução aqui temos alguns apontamentos, ainda que curtos de creatividade estetica.

O cast de vozes e riquissimo, quer as ja conhecidas como Banderas e Hayek nas personagens que encaixam perfeitamente em ambos e nas carreiras uma serie de contratações onde sobressai Wagner Moura, como o terrivel lobo.


O melhor - O arrojo visual de algumas sequencias 

O pior - Na base não trás nada de particularmente novo


Avaliação - C+



Sunday, January 08, 2023

Lady Chatterley's Lover

 A Netflix teve um ano de hiperatividade abraçando quase todos os generos, sendo que em finais do ano surgiu este drama erotico, patrocinando uma das figuras que mais sucesso teve com uma das series da aplicação, na transposição para o cinema de um classico de H G Lawrence. Esta adaptação até conseguiu boas criticas, embora insuficientes para a lançar para a temporada de premios, sendo que comercialmente ficou um pouco aquem nos produtos maiores da aplicação.

Sobre o filme temos um tipico filme tradicionalista britanico, numa pequena vila, com a sociedade bem definida nas suas posições, com rigor, e depois temos o lado carnal do amor. E um filme que fala sobre as vertentes do amor e se calhar torna tudo muito fisico quando se calhar poderia ter outras vertentes. Apesar de tudo o filme é obvio, e cru, mas não e particularmente diferenciado, se calhar porque explora pouco a personagem do amante.

Em termos de produção e um filme de recursos simples, que tenta acima de tudo entregar a batuta ao lado mais carnal. o filme não tem medo de arriscar neste particular, mesmo que isso lhe tirasse algum valor comercial, que talvez nunca tenha sido o real objetivo do filme. Mesmo assim fica a ideia que o lado emocional e de quimica relacional central deveria ter sido mais trabalhado, principalmente para o final assumido.

Assim um mediano filme que nos tras uma adaptação literaria, que não arrisca, nem compromete, fiel ao original, com interpretaçoes satisfatorias que se entregam ao que o filme quer. Nao e propriamente um poço de originalidade ou de trabalho artistico mas permite duas horas de um cinema razoavel, que embora previsivel prefaz os requisitos minimos para o género.

A historia segue uma mulher dedicada ao seu conceituado marido ferido em guerra, contudo com as dificuldades fisicas inerentes a mesma começa a relacionar-se com um criado das terras do marido de forma a satisfazer todas as suas necessidades enquanto mulher.

Em termos de argumento a historia é parecida com muitas outras, com o lado da mulher bem sublinhado. A relação central poderia ser mais trabalhada. Isso exigiria mais tempo ou menos lado carnal o que não foi a vertente que o filme quis dispensar e a quimica central ficou pela mediania.

Na realização deste projeto da NEtflix Clermont-Tonnere é uma realizadora francesa que surpreendeu meio mundo em 2020 com o seu exercicio de estilo em Mustang. Aqui mais tradicional na abordagem arrisca nas sequencias de sexo explicito, mas isso torna o filme o que quer. Para uma realizadora ainda jovem temos margem para assumir mais destaque no futuro.

No cast eu aprecio as qualidades de Jack O'Connel que deve ser dos atores mais desaproveitados de Hollywood. Ao seu lado Corrin tem ganho mediatismo depois de The Crown em filmes ingleses mas parece uma questão de tempo a assumir outro tipo de papeis, pois tem intensidade e disponibilidade.


O melhor - A fidelidade a historia de base

O pior - A quimica do casal fica demasiado presa ao lado carnal


Avaliação - C+



The Almond and Seahorse

 Eu confesso que quando vi o trailer deste filme fiquei surpreso por ver Rebel Wilson, uma comediante de segundo plano ter um filme dramatico com Gainsbourg uma atriz dedicada ao cinema independente britanico. Rapidamente se percebe que o filme vai para o terreno da segunda numa tentativa de Wilson, agora mais magra tirar a capa de atriz de comedia e arriscar na carreira. Pese embora o esforço, o resultado ficou aquem, criticamente o filme falhou e onde nem o lançamento em cima da temporada de premios deu qualquer mediatismo e comercialmente o resultado foi péssimo.

Sobre o filme claro quem drama intenso sobre as dores de quem está à beira de um doente cerebral com problemas de memoria e sempre um filme intenso, que nos dá emoçoes fortes, mesmo que o filme tenha uma hora e meia e passe uma hora a detalhar o que de facto ocorre em cada uma das duas historias que vai contar e depois apresse o ponto de contacto na relação de escape entre as prestadoras. Isso faz com que o filme seja descritivamente aborrecido e que se torne mesmo previsivel, perdendo muito do impacto emocional que queria ter.

Alias fica a sensação que o filme tem um bom tema em mãos, mas quer ser tão detalhado para potenciar o o sofrimento das personagens que se esquece de criar realmente uma intriga para alem disso, e quando se recorda de o fazer já perdeu totalmente o ritmo do primeiro ao ultimo minuto mas acima de tudo já não tem tempo para a potenciar e tudo se torna algo chato ou mesmo repetitivo, num filme em fast foward nos minutos finais.

Por isso e que mesmo para dramas independentes e fundamental encontrar o tom que o filme quer para se fazer sentir. O filme não consegue e mais que tudo o filme torna-se previsivel depois da nebelina. Em algo tão concreto mesmo na hora inicial o filme torna-se algo difuso, repetitivo, e isso desliga o espetador, num filme sonolento e acima de tudo que da muito pouco ao espetador.

O filme fala de duas mulheres com relações distintas que vem o mundo quebrado pelas doenças cerebrais dos seus companheiros que não as deixam viver, mesmo com a ajuda medica de suporte que se preocupa pelo bem estar dos pacientes e tudo a volta.

O argumento tem uma boa premissa e honesta de ir ao sofrimento do prestador de cuidados para alem do doente, mas fica-se tão preso em descrever a dificuldade que se esquece da intriga e quando a tenta captar já não consegue.

Na realizaçao uma dupla oriunda de outras tarefas no cinema que quer dar um filme intimista, mas torna-se demasiado convencional. O filme nunca e propriamente muito ambicioso do ponto de vista estetico e isso fica patente no filme. Denota-se porque ambos fizeram carreira noutros circuitos

No cast Wilson depois de emagrecer tem tentado novos desafios, e aqui deve-se louvar o risco de sair por completo da sua zona de conforto. Contudo não nos parece ter competencias dramaticas para uma primeira ou segunda linha no genero, denota-se Gainsboug está muito mais acomodado. Sublinhar a preserverança de Jones em ir a diversos papeis no filme, onde nos parece ser mais competente e como ator.


O melhor - O tema e intenso

O pior - O filme perder dois terços a introduzir a vivencia


Avaliação - C-



Amsterdam

 Depois de um interregno de muitos anos depois de algum falhanço naquilo que foi o resultado comercial e critico de Joy, mas essencialmente depois de algumas polémicas associadas ao seu temperamento, David O. Russell regressou com aquele que talvez exibe o maior cast que existe memória num filme que tinha tudo para alimentar a expetativa de todos os fas de cinema. Logo nas primeiras exibições percebeu-se que as coisas não iam correr bem, a critica afastou-se do filme considerando-o demasiado confuso para o resultado final, e do ponto de vista comercial, nem um cast de primeira linha capturou o filme de um falhanço rotundo a todos os niveis ao qual não pode estar dissociado a pessima fama do realizador nas elites de hollywood.

O mundo do cinema altera rapidamente, e se há cerca de dez anos parecia que David O Russel tinha o toque de midas, em que tudo o que tocava se tornava imediatamente oscarizavel, a sua fama,  e acima de tudo o egocentrismo das suas abordagens acabou por conduzir a um rotundo falhanço em Joy e agora em Amsterdam. O problema esta na cabeça do criador do filme pela forma como dá uma volta rebuscada para tentar tornar o filme de uma dimensão que o mesmo nunca acaba por ser, sendo apenas um curto filme de espionagem cujas repercurssões seguintes são simples deduções, mas que nada fazem crescer um filme no minimo estranho.

Sentimos ao longo das mais de duas horas de duração que é nos pequenos apontamentos que o filme vai sobrevivendo e resgatando uma historia central sofrivel. E nas eloquências da personagem feminina, nos tiques de Burt, em alguns secundários que fornecem elementos comicos como os de Rock e Nivola, mas pouco mais, o filme tenta ser uma confusão organizada que nunca acaba por conseguir. O filme tem muitas parecenças com American Hustle com a diferença que o resultado final enquanto bloco e claramente insuficiente.

Parece-me também que não e caso para dizer que estamos perante um filme pessimo, ou mesmo fraco, pelo contrário, o filme provoca duas horas de boa realização, boa interpretação, sendo o guião e mesmo a confusa organização das imagens que torna o filme mediano. O problema e que com tanta materia prima o mediano não pode ser aceitavel.

O filme fala de três amigos que partem na investigação da morte de um ex-soldado conceituado, que poderá ter por trás um plano muito maior e que visa um dominio do globo, numa relação de três amigos ao longo de muitos anos.

E no argumento que o filme tem as suas maiores dificuldades e engraçado não ser no detalhe onde mais uma vez O Russell consegue exprimir as suas virtudes em dialogos, apontamentos e detalhes, mas no epicentro narrativo. Fica a ideia que O Russel pensou claramente que estava a escrever uma historia com maior impacto do que realmente acaba por suceder.

Na realizaçao O Russem tem risco, tem detalhe, e nisso temos de o valorizar. Não é propriamente um prodigo da estetica, mas sabe o que quer dos seus filmes, mesmo que como neste fique plasmado um ego exagerado narrativo mas que lhe da a roupagem correta nas imagens. A sua impopularidade fora do trabalho não o ajudou.

No cast, temos talvez o melhor conjunto de atores num filme que temos memoria, juntamente com Dont Look Back do ano passado. Fica a ideia que é desiquilibrado no trio de protagonistas, Bale principalmente mas também Robbie estão num nivel claramente superior a Washington Jr e isso faz com que as personagens tenham um brilho diferente. Nos secundarios os melhores momentos de Rock, igual a si proprio e um surpreendente Nivola são os detalhes maiores de um cast bem maior que o resultado.


O melhor - Os detalhes e apontamentos de algumas personagens e um bom elenco.

O pior . Ficar com a sensação que O Russel pensava que ia dar muito mais do que efetivamente resultou


Avaliação - C+



Saturday, January 07, 2023

White Noise

 Apresentado no ultimo festival de Veneza com muita expetativa principalmente depois da unanimidade critica em torno de Marriage Story do realizador e por ser a adaptação de um dos livros mais aclamados da ultima decada, marcado pela originalidade e acima de tudo pela irreverência da abordagem. Os ingredientes estavam lançados mas a critica não foi exuberante com muita dispersão, entre aqueles que entraram na toada louca do filme com aqueles que acharam tudo demais, e que negaram o filme certo é que esta disparidade mata qualquer objetivo de premios que o filme poderia ter, sendo que percebendo isso a Netflix num ano onde criticamente nao conseguiu lançar nenhum front runner aos oscares acabou por esconder um pouco esta obra de irreverência pura.

POucos ficarão indiferentes a uma abordagem tão diferente, confusa e mesmo absurda como esta. E daqueles filmes que se gosta ou que se detesta, já que o meio termo é algo que o filme do primeiro ao ultimo minuto quer fugir, e consegue. Eu confesso que o primeiro segmento do filme, de aproximadamente meia hora é demasiado confuso e sem objetivo, mas com a entrada no segundo, o filme entra num estilo que me agradou, satirico, diferente, absurdo, mas sempre filmado e interpretado de uma forma original e artistica que me foi integrando no filme, que conseguiu ir transmitindo cada vez melhores sensações, até um produto final de primeira linha.

E claramente um filme do menos ao mais, e que acaba num dos melhores momentos de simbiose entre cinema e musica com LCD Soud System, que é o epilogo ideal de um filme com muitos apontamentos satiricos sobre a forma de estar e mais que tudo sobre a forma de viver. E daqueles filmes que por vezes adota o caminho do absurdo extremo mas e a assinatura que Baumbach encontra para assinar o filme, e no meu plano consegue-o fazer.

Por tudo isto e mesmo tendo em conta a primeira meia hora que me deixou totalmente perdido terminei com a sensação que vi um dos melhores e mais originais produtos do ultimo ano, um grito contra o marasmo da simplicidade dos biopics e historias lineares ou efeitos especiais de primeira linha. Os dois ultimos capitulos são originais, com mensagem, satirico e absurdos numa forma muito unica de transmitir que a mim me agradou.

A historia segue uma familia americana irreverente, com muitas particularidades que com receio da morte, recebe a visita de uma nuvem toxica que coloca tudo em causa na sobrevivencia de todos, e acima de tudo nas dinamicas nada funcionais familiares.

A historia de base é estranha que Baumbach ainda torna mais estranha, mais absurda, mas mais creativa. As criticas os apontamentos a diferença das personagens está la. Claro que muita gente não vai gostar com justiça do ruido, das falas desconcertadas, mas se conseguir colocar o ruido de lado o filme tem mensagem, tem historia, tem critica e personagens.

Acho que e na realizaçao que Baumbach diferencia o seu dificil filme, pela cor, pela procura sempre da conjugação da historia com imagens singulares desempenha aqui um trabalho meritorio, rebelde, muito de encontro ao que foi fazendo ao longo da sua carreira com mais metodos e mais risco. Nao e o mais unanime de uma carreira ja de si bipolar mas e o mais artistico.

No cast o filme tambem funciona, Driver dá um recital de interpretação de comedia, de drama, de intensidade, com diversos momentos que fazem dele um dos atores com mais recursos nos dias de hoje. Fica a ideia que carrega um pouco o filme as costas em interpretaçao, surgindo apenas alguns apontamentos de Gerwing no final, embora seja claro que esta seja melhor realizadora do que atriz


O melhor - Um conjunto de realiação e interpretação de Driver.


O pior - a primeira meia hora pode-nos fazer desistir de tudo e com razão, sorte dos que sobreviveram.


Avaliação - B+



Friday, January 06, 2023

Emancipation

 A grande aposta da Apple + para esta temporada de premios era algo arriscada, desde logo tentar muito cedo a redenção de um Will Smith depois da polemica da sua ultima conquista e tudo que o seu comportamento acabou por suscitar. Outro ponto é que Fuqua foi sempre um realizador de ação mais do que um realizador de obras primas, longe da critica. Isso levou a que o risco não corresse bem, desde logo porque criticamente o filme falhou com avaliações medianas. No que diz respeito ao valor comercial, mesmo já com um óscar na bagagem ainda não é uma plataforma de nivel total, e isso faz com que ainda não tenha um alcance comercial elevado.

Emancipation era uma aposta de risco e podemos dizer que visualmente o filme cumpre, numa otima execução de cor, de balanço entre o preto e branco numa fotografia de eleição que juntamente com a exigencia fisica e dos limites da sobrevivencia num filme cru são os elementos sedutores do filme que funcionam do primeiro ao ultimo minuto, num filme que no plano visual cumpre por inteiro.

O grande problema do filme é ao nivel narrativo e o vazio das mais de duas horas de duração de uma corrida do gato e do rato com muitos obstaculos, muito sangue, muita violência mas pouco ou nenhum conteudo. Passamos o tempo sem perceber o que realmente e a personagem central para alem da suas vivencias, do lado do vilão igual, e por fim uma guerra apressada sem grande sentido.

Por tudo isto Emancipation e um objeto cru, visualmente bem realizado com imagens fortes mas um argumento pouco complexo, simplista e vazio que não permite que o filme consiga elevar a sua formula narrativa para grandes patamares, e isso leva a que seja um filme menor com pouco impacto junto do espetador, ainda para mais pensado para uma plataforma de streaming.

O filme segue um escravo na luta pela sobrevivencia a qualquer custo e pela liberdade em fuga pelo mato com a perseguição de um caçador de escravos letal.

E no argumento que o filme falha em toda a linha pelo seu vazio, por apostar essencialmente que o filme vendia-se pela estetica e pelo que exige fisicamente dos seus espetadores, mas isso nos dias de hoje e curto principalmente tendo em conta que já muitos filmes conseguem associar ambos os aspetos.

Fuqua e um realizador de filmes de ação que tem aqui o seu projeto maior depois de Training Day. Visualmente o filme é conseguido, e demonstra que ele sabe e que arrisca cada vez mais nos seus filmes, não conseguiu e imperar o seu estilo em historias minimanente competentes.

*Por fim no cast Smith tem um papel interessante, intenso e fisico num ator que caiu na desgraça depois da gloria, mas que aqui demonstra o bom momento de forma que supera as polemicas. Ao seu lado um Foster sempre muito intenso e com todas as virtudes que fez dele um dos mais competentes atores da geraçao.


O melhor - O lado visual

O pior - O lado narrativo


Avaliação - C



 

Tuesday, January 03, 2023

Guillermo del Toro's Pinocchio

 A grande aposta de animação da Netflix para este ano de 2022 não podia ser mais poderosa, ao unir a conhecida historia de Pinoquio que nos ultimos anos reuniu muita atenção de diversos estudios com um dos realizadores em melhor forma e com algumas colaborações com a produtora como Guillermo Del Toro. Em termos criticos o projeto funcionou com avaliações muito positivas o que conciliando com um ano onde a Disney falhou em grande parece ter conduzido o filme ao favoritismo natural no oscar de melhor animaçao. Comercialmente e com o carimbo netflix tera sempre maior probabilidade de obter o reconhecimento tido como necessário ao sucesso.

Sobre o filme podemos desde logo ficar fascinados pelo estilo de animação extremamente original e bonita que Del Toro consegue fazer do seu pinoqui, da sua aldeia mas acima de tudo uma assinatura peculiar e original que da o lado afetuoso que o filme quer ter com o lado mais adulto que quer diferenciar da historia convencional que ao longo dos anos foi sendo lançado, sendo um filme brilhante do ponto de vista produtivo.

Sobre a abordagem temos muitas diferenças sobre o que ja vimos da historia principalmente quando comparado com a historia da Disney, sobra muito pouco, talvez o grilo e a forma como o filme se apresenta onde o filme tem os melhores momentos. Quando se distancia e tenta ser politicamente contextualizado o filme parece perder algum encanto e beleza natural necessária ao cinema mais de animação para toda a familia para ser mais ideologico.

Mesmo assim talvez a melhor abordagem do Pinoquio para alem do original da Disney, um filme que não trazendo bonecos particularmente bonitos e não imiscuindo da vertente social acaba por ser adulto, maduro, bonito e com a historia epica que conhecemos, algo que so está ao alcance dos melhores e Del Toro e neste momento um dos melhores que Hollywood tem.

A historia e a conhecida de Pinoquio o boneco de madeira efetuado por um caripinteiro e a forma como vai ganhando consciencia de vida com a vontade de se tornar um menino de verdade.

O argumento e muito diferente da historia normal, de quem apenas vai buscar a base. Sendo um defensor da força da historia conhecida pela sua riqueza moral e social, esta nova abordagem perde alguns pontos da historia de base no lado metaforico. A nova roupagem é competente mas pior que a original.

Del Toro e dos melhores realizadores e cineastas que Hollywood atualmente tem, aqui demonstra mais uma vez todas estas suas virtudes pela competencia estetica e originalidade que o filme emprega. Em terrenos diversos nunca coloca de lado o seu plano estetico e provavelmente conduzira a um novo oscar.

No que diz respeito ao cast de vozes, nota-se que existiu uma vontade de Del Toro ir buscar vozes cujos atores sao parecidos com os personagens por si criados, e funciona. Nota-se um naipe de atores de primeira linha que fortalece e torna o projeto maior.


O melhor - A primeira hora de filme

O pior - Complica quando se distancia da base


Avaliação - B



She Said

 Era uma questão de tempo até o proprio cinema lançar um filme sobre o escandalo mais marcante dos ultimos anos na industria, o que deu origem ao movimento Mee Too e que teve em Harvey Weinstein o seu maior protagonista. Num elenco recheado de mulheres acompanhadas no argumento e na realização este She Said foi uma das apostas para a temporada de premios. Parece no entanto que mesmo com criticas interessantes ainda está longe o tempo de colocar de lado todos os intervenientes e o filme passou um pouco ao lado da temporada de premios. Por sua vez de um ponto de vista comercial os resultados até foram razoaveis principalmente tendo em conta ser um filme algo independente e mais que tudo sem grandes figuras de primeira linha.

O caso Weinstein foi um dos mais controversos que abalou a industria do cinema de uma ponta a outra. O filme tenta entrar nessa fortaleza e nem sempre consegue acabando por ir pelo lado que foi a peça jornalistas de personagens menores menos refugiadas no sucesso. O filme é detalhado, tem diversas peças que acaba por manobrar bem no lado de filme de jornalismo mais do que propriamente um filme sobre o que realmente aconteceu. Existe um nome muito badalado como Paltrow que todos associamos ao escandalo e que nunca percebemos muito bem onde ele acabou por ir e o filme lança o isco sem o concretizar.

O filme consegue primeiro reunir e transmitir bem a personalidade e os esforço da dupla de jornalistas que teve na genese da investigação. A forma como seguiram os passos e a rede de fontes. O filme e promenorizado em todo o processo do novelo, e mesmo na forma como nos da um Weinstein senhor do mundo. Talvez o filme nao tenha a coragem de completa de dar a imagem de todos da industria que sabiam e aceitavam a forma de algo tão cultural, e nisso o filme fica pela personagem central e pouco mais.

Ou seja um filme que marca a primeira abordagem ao escandalo, tocando essencialmente numa unica figura, abrindo quem sabe espaço a um filme maior que torne toda a dimensão do problema como protagonista. E um filme maduro, bem interpretado, com muita ligação ao sucesso de Spotlight e isso torna-o algo previsivel, ainda mais porque todos conhecemos como o filme acaba.

A historia segue a equipa de jornalistas do New York Times apostada em perceber a dimensão do comportamento abusivo de Weinstein para com as mulheres na industria do cinema e da Miramax, numa corrida contra o poder e contra as clausulas de confidencialidade.

O argumento do filme e detalhado do ponto de vista da peça do jornalismo e como a mesma foi criada. E um filme que também tem a mais valia de fazer crescer bem as duas personagens centrais por tras da peça, tornando-as mais que o trabalho. O filme e algo simplista na abordagem mas acima de tudo e competente na forma como transmite.

Na realizaçao Schrader vem da televisao e do sucesso de Unothodox e tem aqui uma estreia num tema polemico, feminino. Nota-se que copia alguns elementos do que fez Mccarthy em Spotlight na cor, e no estilo e isso tira alguma assinatura numa realizadora ainda pequena neste estilo de cinema. O filme vinca-se mais pela sua mensagem do que pela realização em si.

No cast Kazdan e uma escolha pouco natural que funciona pelo seu lado discreto, e pelo balanço que faz com a personagem de Mulligan mais vistosa e que acaba por equilibrar bem entre si, ja que se nota uma quimica clara entre as atrizes talvez pela ligação que as une fora do ecra.


O melhor - O inicio da abordagem do cinema a um tema tão forte

O pior - ALgo previsivel


Avaliação - B



Saturday, December 31, 2022

Till

 A questão racial é sempre um dos aspetos muitos presente em todas as corridas a premios, principalmente lembrando todos de historias marcante do passados, nas mãos de realizadores habitualmente associados também a causas politicas. Este ano surgiu esta abordagem a historia chocante de Emmet Till, numa america dividida na questão. Estreado em festivais americanos o filme reuniu boas criticas que o colocaram nas listas para os premios principalmente para a sua protagonista, uma quase desconhecida Danielle Deadwiller. Comercialmente fruto de ter integrado algumas listas potenciou bons resultados muitos superiores ao que o filme esperava no inicio do seu percurso.

Sobre o filme podemos começar por dizer que a historia real é impactante, dramatica e acima de tudo muito intensa naquilo que são as politicas raciais mas acima de tudo humana. O filme consegue bem dois pontos, gerir todo o drama e força da personagem central, elavancada por uma excelente interpretaçao da protagonista, e o lado mediatico e politico inerente as opções pos mortum que o filme da prevalência na segunda fase do filme,num balanço que me parece muito interessante do filme.

Till e um filme politico, e um filme biografico mas é acima um filme que nos faz pensar sobre a dignidade humana, acabando por ser neste ponto que o filme melhor funciona na forma como vai buscar o sofrimento, as escolhas, os debates, num filme que toma uma posição clara, o filme ainda com simplicidade assume o testunho politico que o faz num dos filmes interessantes do ano,.

Por tudo isto Till e um filme a ver, talvez demasiado simplista para grandes premios ou sublinhados, principalmente na abordagem de telefilme, mas a historia relatada, o impacto, e acima de tudo a forma como o filme nos da uma interpretação de primeira linha merece este sublinhado especial.

A historia segue uma mãe que depois do seu filho ser morto por uma questão racial no Mississipi acaba por levar a cabo uma estrategia de publicitar o sucedido em beneficio dos direitos dos negros.

A historia de base é das mais chocantes da luta, pela futilidade dos motivos, pela agressividade impregue e pela idade da vitima. O filme sabe jogar muito bem com tudo isso num intensificador de emoçoes, e acima de tudo numa otima construção de uma personagem central de primeira linha.

Na realizaçao do projeto Chukwu e uma realizadora afro americana que tem apostado em filmes sobre a aquisição dos direitos civis e as perdas que resultaram. Isso faz com os filmes valam mais pela historia do que pela simplista abordagem que ja tinha tido em CLemency, percebe-se sim que tem um programa politico meritorio nos seus filmes.

E no cast que o filme tem o maior destaque na excelente interpretaçao e criação de Danielle Deadwyler, uma jovem quase desconhecida atriz que tem aqui uma das mais ricas e intensas interpretações do ano com claro carimbo de possivel nomeaçao. A partir de determinada altura o filme é um concerto a solo, com o ritmo certo e o espaço para o impacto.

o melhor - A interpretaçao de Deadwyler

O pior - Na realização e tudo muito simplista


Avaliação - B



Thursday, December 29, 2022

The Eternal Daughter

 Existem atores que definem muitas vezes a sua carreira pelo risco de quase patrocinarem as abordagens exprimentalistas de alguns criadores. Tilda Swinton aceitou o repto de Joanna Hogg para protagonizar nos dois vertices este indepedente e intimista filme. Apresentado em alguns festivais como Veneza o filme obteve boas criticas principalmente do lado mais exprimentalista dos criticos. Comercialmente é claramente um filme de minorias com resultados quase inexistentes.

Eu confesso que gosto de risco, e de algumas abordagens independentes que o cinema de autor permite, mas quando as historias terminam em filmes quase impercetíveis, e monocórdicos extremamente dependentes de uma interpretação virtuosa com alguns bons momentos, embora tudo se torne demasiado percétivel do primeiro ao ultimo minuto, o filme acaba por se tornar monocordico e quase sempre aborrecido, onde nada acontece e tudo é rapidamente percebido nos primeiros minutos de filme.

Por tudo isto podemos gostar da ligação intima que o filme poderá ter com a sua autora, de alguns bons momentos de Swinton mas acima de tudo é dificil gostar do filme como obra individualizada, porque nada acontece, porque tem um ritmo lento e sonolento e principalmente porque a revelação que quer esconder é facilmente percebida pelo espetador nos primeiros minutos. Podemos gostar do espaço, do ambiente, que poderia ser o contexto ideal para um filme de terror, mas ele nunca aparece, onde a irritação da personagem é com barulhos normais e pouco mais.

Por tudo isto The Eternal Daughter acaba por ser um monocórdico e algo aborrecido filme independente, igual a muitos que são lançados em festivais e temporadas de prémios para críticos com gostos mais particulares e com prazer por abordagens mais diferentes. Mas é um cinema demasiado diferente e fora da normalidade para causar grande impacto na maioria de nós.

O filme fala de uma escritora/realizadora que vai para um estranho hotel isolado com a sua mãe de forma a tentar recordarem o passado desta ultima, quando a primeira começa a ver a sua capacidade de escrita influenciada pelos barulhos estranhos do espaço.

O argumento é curto, uma ideia, muita divagação, pouco ritmo, pouco personagem. A ideia é fácil de perceber qual é, e depois diálogos que parecem sempre significar muito mais para quem escreveu o filme e muito menos para o espetador.

Hogg é uma realizadora próximo da critica, que já no seu Souvenir conseguiu um reconhecimento critico muito superior ao valor do filme, que motivou inclusivamente uma sequela e que agora tem um filme parecido no mesmo estilo monocordico com boas imagens mas pouco conteudo.

Nao e necessario estes tipo de projeto para todos percebermos o valor de Swinton. Neste monologo com duas personagens, temos a sua qualidade reconhecida e que Hogg coloca todas as despesas do filme. E a que melhor sai deste exprimentalismo exagerado que ela também gosta de participar.

O melhor  - O espaço fisico do hotel


O pior - O unico apontamento relevante ser previsivel


Avaliação - D+



Violent Night

 O espirito natalicio é algo omnipresente no mundo do cinema, que já teve todas as suas abordagens na maior parte de estilos e feitios. Este ano surgiu mais um desses filmes concretamente um que marca a ligação entre um pai natal ranger e justiceiro com um grupo de criminosos num palacio de uma familia abastada. Em termos criticos esta curiosa abordagem foi recebida com mediania. Comercialmente o projeto conseguiu resultados consistentes principalmente tendo em conta algum non sense que o filme acaba por ser.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo é o John Wick mas que esta personagem acaba por ser o pai natal. Soa a estranho e o filme é mesmo isso um exercicio de rebeldia simples pouco elaborada, com muita violência e sangue sem grande aprumo narrativo que resulta num projeto demasiado obvio para o seu resultado, que fica pelo non sense e pelo arrojo da proposta, mas que na realidade trás nada de novo ao cinema.

Um dos problemas do filme é que nos leva para um passado da personagem central que depois tem medo de arriscar, e isso faz com que tenhamos muitas perguntas para fazer. O sucesso comercial e o vazio das explicações poderão conduzir a que no futuro surjam muitas novas abordagens e sequelas sem grande impacto de forma a render um peixe que comercialmente acabou por escoar.

Assim surgiu uma rebelde historia de natal ou uma roupagem diferente do pai natal, que tenta ainda que de forma subtil dar os apontamentos de rebeldia e alguns toques de espirito natalicio em termos morais, mas que nada tem a ver com o espirito em questão. Podemos achar diferente, se gostamos ou não do produto final isso é mais ambiguo.

A historia segue um pai natal desiludido com as pessoas que se vê sozinho numa mansão onde uma familia é atacada por grupos criminosos e no qual vai se tornar o heroi daquela noite, sendo o surpreendente guerreiro que vai colocar fim àquela organização.

O argumento do filme tem uma base rebelde e original que acaba por ser algo exagerada do primeiro ao ultimo minuto, na caracterização da personagem central, no argumento tipico de John Wick demasiado vazio. Sobra os momentos e os apontamentos dos filmes mais tradicionais de natal e acima de tudo a diferença de uma historia diferente.

Na realizaçao do projeto Wirkola é um realizador de filmes de terror de segundo nivel que aqui acabou por dar uma roupagem algo comica ao conceito de ação/terror. O filme não e propriamente prodigo em grandes apontamentos artisticos que demonstram um realizador a subir de forma mas ainda com diversas deficiencias

No cast o pai natal de Harbour dá o lado fisico e agressivo e ternurento que o ator da na sua personagem mais conhecida na serie Stranger Things. Fica a ideia que os secundarios poderiam ter atores mais competentes mas a escassez de dimensão das personagens acabava por impedir grandes riscos.


O melhos - Os apontamentos de humor de outros filme.

O pior - E diferente mas absurdo


Avaliação - C



Monday, December 26, 2022

Strange World

 Em algo que já é habitual ao longo do tempo a Disney acabou por lançar como proposta de Natal um filme sobre familia, exploradores e novos mundos. O filme estregou com toda a circunstancia tipica da produtora, com criticas moderadas, mas rapidamente se percebeu que o filme não tinha conquistado o espetador em geral reunindo algumas das piores criticas em termos de avaliaçoes de users. Comercialmente as coisas foram um desastre, principalmente danificado pelo pessimo registo do passa a palavra, dai que a estrategia tenha passado por levar o filme rapidamente para a aplicação de streaming.

Sobre o filme podemos começar por dizer que se trata na base do tipico filme da Disney de novos mundos, iguais a outros que nos ultimos vinte anos foram sendo lançados. A questão e que o filme é aborrecido e repetitivo, quer no conflito geracional que o filme lança, sendo ai semelhante a tudo o que ja foi feito neste quadrante, mesmo o lado explorador, de onde pesa o facto do novo mundo como e caracterizado nunca ser completamente interessante e empatico para o espetador, onde o twist final da alguma frescura a todo o filme.

Outro dos debates e a necessidade da Disney tentar quebrar algumas barreiras, com o lançamento de personagens LGBT+. Se isso me parece interessante por outro lado o filme poderia ser mais disso a todos os niveis, poderia explorar todas estas questões do que a circunscrever a dois apontamentos de dialogo e nada mais, e ai parece que a Disney ainda não se encontra minimamente confortavel com o tema lançando apenas como forma de preencher esse estatuto.

Por tudo isto e facil perceber que o filme não resulta, fechando o ciclo de um ano completamente desastrado para  Pixar e Disney que colecionaram falhanços criticos e principalmente junto do espetador, na forma como tentaram lançar os produtos originais. Esperemos que nos proximos anos regresse a glorio que nos habituou porque este ano e este filme e concreto foi um pleno desastre.

Sobre o filme este fala de uma familia de exploradores, em três gerações com formas diferentes de estar que embarcam numa expidição de forma a tentar sair fora das fronteiras da aldeia o que os leva a um mundo no minimo muito estranho.

No argumento o filme e repetitivo em quase todos os seus elementos e os novos quase nada servem para resgatar alguma coisa. As personagens também não sao empaticas e so twist final e a sua revelação dao alguma frescura a historia em si.

Na realizaçao eu confesso que sempre fiquei impressionado por esta dupla de realizadores na capacidade de atualizar a Disney, mas neste particular o filme falhou. Em termos de tecnologia e a de ponta que ja conhecimentos apenas com um outro apontamento de assinatura, embora fique com a ideia que no guião que os problemas maiores surgem.

No que diz respeito ao cast, com alguns atores conhecimentos ele funciona com Gyllenhall a encaixar na personagem central. Nao e propriamente um filme que dependa muito das vozes mas o resultado funciona.


O melhor - O twist final

O pios - Um argumento repetitivo


Avaliação - C-



Saturday, December 24, 2022

Spirited

 A grande aposta comercial da Apple + para esta epoca de natal foi esta comedia musical baseado no Conto de Natal de Charles Dickens eis que surge este filme com dois dos melhores atores e mais conceituados em termos comicos do momento, num filme visual. Em termos criticos o filme ficou pela mediania tipica de uma comedia de grande estudio. Do ponto de vista comercial este e o tipico filme que aproveitando ao espirito natalicio podera potenciar algum valor comercial.

Sobre o filme podemos dizer que o paralelismo de mundos e algo confuso, principalmente na dinamica do mundo dos fantasmas, onde o filme é algo confuso no proposito para um filme familiar. O filme vai sendo resgatado por um ou outro momento de humor que funciona, muito por culpa da personagem de Ferrell sempre mais confortavel no registo do que Reynolds.

Com o desenvolvimento e com o filme em termos concetuais e morais a aproximar-se mais daquilo que e conto de Dickens o filme acaba por ser mais simplista, na quimica das duas personagens, sendo os momentos musiciais sempre mais comicos do que visuais, mesmo que o filme nunca descuide este ponto, acabando por ser um filme agradavel de ver sem grandes sublinhados, aproveitando acima de tudo o humor facil e algum espirito natalicio.

Spirited e assim um filme que funciona na maioria dos seus objetivos, falta-lhe elementos para se tornar no mais vincado ou entrar na biblioteca tipica de natal, talvez devido ao humor algo non sense que adquire, mas aproveita no momento o espirito e o humor, e acima de tudo o insolito de ver alguns atores em musicais quando não sao minimanente talhados para esse registo.

A historia segue o fantasma do presente, com um passado atribulado que tem a tarefa de levar a redenção de um publicista famosos, desprovido de ligações mas que vai perceber que este projeto não e so do seu alvo.

No argumento o filme não e facil de compreender para um filme de toda a familia, a primeira hora e confusa nos elementos e no exagero de personagens que não conhecemos bem o seu proposito. Na segunda fase e depois de se organizar o filme funciona melhor principalmente a transmitir os valores do conto de DIckens.

Na realizaçao Anders e o tipico realizador de comedia de estudio que tem aqui um projeto maior, um musical visual. Tem alguns momentos de muita cor, embora sem grande detalhe artistico, notando-se que o filme funciona muito melhor no lado comico do que no visual, e que define a carreira ate ao momento do realizador.

No cast dois atores de primeira linha da comedia, onde Ferrell talvez pelo paralelismo tipico com a sua personagem em Elf sente-se mais confortavel e pauta o filme mais no seu estilo de humor. Reynolds esta num bom momento comercial, embora fique a ideia que a sua personagem e algo presa para o seu estilo de comedia.

O melhor - A forma como o filme funciona nos valores e humor depois de se organizar na primeira hora.


O pior - A primeira hora e muito confusa


Avaliação - C+