O cinema brasileiro está claramente na mó de cima, depois do sucesso de Ainda Estou Aqui o ano passado eis que novamente desde cedo um dos filmes internacionais com melhores avaliações foi entre Agente Secreto que brilhou em todos os festivais, conduzindo a nomeações históricas em categorias principais sendo o mais forte candidato ao óscar de melhor filme internacional. Em termos comerciais o filme tendo em conta a sua origem funcionou, mesmo que com limitações relacionadas com a sua origem e uma forma de comunicar rápida da língua brasileira que dificulta a comunicação.
Sobre o filme podemos dizer que se trata de um filme concetualmente bem montado que na maior parte do tempo utiliza a musica, a originalidade de alguns momentos para se diferenciar, com saltos temporais que acabam por fazer sentido no final, mas uma ideia clara que são muito boas ideias que na minha opinião nunca se conseguem juntar numa só.
E daqueles filmes que se torna detalhe, preocupação em fazer algo diferente mas que falha no mais simples, na capacidade da historia se unir para fazer o máximo de sentido e o máximo de impacto do que quer contar. Nota-se que o filme é uma montanha russo de intensidade com momentos em que prende o espetador com outros em que é claro que o filme divaga e perde-se em pontos paralelos e isso faz com que o filme nem sempre comunique bem com o espetador.
Por tudo isto surpreende-me um pouco o sucesso critico e a unanimidade em torno de um filme bem feito, duro, concetual mas que me parece estar longe de funcionar como um todo. A critica ao regime militar brasileiro tem sido um assunto bastante sublinhado no cinema atual, mas fica claramente a ideia que por vezes é necessário algo mais para o cinema ser relevante do que alguns aspetos isolados e por isso este filme foi para mim uma desilusão.
A historia segue um indivíduo que depois de um comportamento que foi contra o regime assume uma identidade diferente tentando passar indiferente ao regime. Contudo a perseguição acaba por ocorrer de uma forma clara num jogo do gato e do rato.
O argumento do filme é essencialmente confuso na sua divisão, com culpa para a realização, temos a ideia que o filme quer transmitir um thriller que se perde na divagação para aspetos colaterais e nisso fica a sensação que o filme deveria e poderia ser bem mais organizado.
Mendonça Filho e um realizador da elite brasileira que teve aqui o seu filme de maior impacto, Bem realizado com uma clara menção aos policiais dos anos 70 com tiques de series brasileiras que lhe dao uma riqueza concetual que a desorganização posterior acaba por dificultar no seu resultado final.
No cast Moura recolheu todos os louros nas suas multiplas vertentes. Eu confesso que não fiquei fascinado com o trabalho, com muita presença, ligeiro com diversas versões mas num ano forte penso que se trata de uma nomeação mais pelo crescimento do ator e do filme do que pela riqueza da interpretaçao em si.
O melhor - O estilo de abordagem de policial brasileiro dos anos 70
O pior - A desorganização do que se quer contar
Avaliação - C+

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