Sunday, January 12, 2025

Bonhoeffer - Spy, Assassin, Pastor

 Numa luta cada vez maior pela Angel Studios se tornar quase a produtora das boas maneiras, eis que no final do ano surgiu um novo biopic sobre uma das figuras que tentou o ataque a Hitler num filme mais biblico. No seu estilo mais tipico o filme acabou por convencer o lado mais conservador e nao convencer a critica especializada. Do ponto de vista comercial, a estrategia da Angel de rede de compra teve resultados novamente moderados como a maioria dos seus ultimos projetos.

Sobre o filme podemos começar por dizer que efetivamente a historia de Bonhoeffer poderia ser interessante do ponto de vista teologico no sentido de nos dar um pouco a luz o risco em que vivia alguem que fosse contra os paradigmas nazis. O problema claro do filme é a sua dificuldade em conseguir em algum momento ser credivel, num esteriotipo e num filme marcado por mais de duas horas de frases feitas em que parece que nunca conseguimos encontrar a real personagem e isso e dos piores pontos que um biopic podera ter.

Do outro lado temos a montagem do filme, os saltos temporais do filme fazem muitas vezes o espetador se perder o fio ao novelo. As coisas acontecem com saltos que nunca percebemos propriamente organizar, e isso parece sempre ser falta de jeito em conjugar cenas do que algo pensado para fazer sentido, já que efetivamente tal nunca faz.

Ou seja uma boa personagem totalmente desprediçada num conteudo que nao tem qualidade em quase nenhum dos seus pontos. O filme falha num argumento limitado e pouco trabalhado, na montagem e na interpretação, quando assim é não existe historia de vida nenhuma que consiga resistir a tanta falta de capacidade.

O filme fala de Bonhoeffer e a sua forma com que se associou a igreja devido a um tragico acontecimento na sua infancia, e a forma como as suas crenças o conduziu a ser um antagonista do lado nazi alemão.

O argumento do filme é limitado a uma serie de referencias e frases feitas, efetivamente pouco para um filme com mais de duas horas de duração. Nao tem profunidade as personagens secundarias sao simples simbolos e isso leva a que o biopic seja pouco interessante.

Os realizadores aposta da Angel Studios estao longe de serem brilhantes, aqui temos Komarnicki um quase desconhecido que ja tinha tido alguns projetos noutros papeis que aqui pouco ou nada diferencia de um filme serie B. Mesmo com mais meios o estilo de abordagem da produtora limita a criatividade dos autores e aqui isso acontece.

No que diz respeito ao cast um conjunto de desconhecidos encabeçado por um Jonas Dassler que nao convence, um conjunto de feiçoes pouco realistas parecem sempre colocar a personagem fora de tom. Supreende a presença do jovem David Jonsson principalmente depois da excelente prestaçao no ultimo ALien, embora aqui a sua presença seja apenas momentanea


O melhor - A vida da personagem 

O pior - O filme nao querer saber muito dele em deterimento da doutrina da sua produtora


Avaliação - D

Friday, January 10, 2025

Heretic

 


Um dos acontecimentos cinematográficos do ano acabou por ser este filme de terror que marcava uma alteração na carreira standartizada mantida ate aos dias de hoje por Hugh Grant. Num filme de terror que obteve boas criticas o filme foi ganhando num dos géneros mais hiperativos do ano, alguma força comercial embora longe do que normalmente os filmes mais eficazes do género conseguem ter.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo é diferente na abordagem ao dar o protagonismo a duas testemunhas de uma religião, acabando por as introduzir num primeiro momento, até ao momento que a direcionam para o contacto com o antagonista principal do filme, aqui o filme tem diversos níveis com diversos resultados. Começa bem nas discussões sobre religião, e onde Grant temos os momentos em que faz a melhor intriga.

Depois na segunda parte o filme tem mais dificuldades quando tenta ser de terror, aqui pouco assuta, o twist acaba por ser expetavel, embora por momentos fique a ideia que o filme pudesse ir para outro lado, e o final acaba por não ser propriamente muito convincente, sendo que os truques de camara nos ataques acabam por ser repetitivos.

Não obstante destas dificuldades e um filme competente que consegue fazer intriga muito por culpa do que já conhecemos de Hugh Grant e a forma como o filme joga na dualidade da sua personagem. A primeira meia hora de filme e muito interessante quando o mesmo tenta fazer um terror psicológico com a crença religiosa, sendo que é sempre nestes debates que o filme acaba por ser, na maior parte do tempo, competente.

A historia fala de duas testemunhas de uma religião que acabam por se dirigir a casa de um individuo, aparentemente simpático que as conduzem num jogo do gato e do rato onde tem colocar a frente de tudo as suas crenças e a firmeza da sua convicção religiosa.

O argumento do filme é interessante, não apenas na intriga de base, mas essencialmente na discussão que acaba por fazer da religião em cada um dos personagens. O filme e menos competente na intriga de terror, sendo o atalho final um dos pontos fracos do filme.

Na realização temos uma dupla cujo filme anterior não foi propriamente um sucesso tremendo, com alguma dificuldade em ter impacto. Aqui são mais cuidadosos em todos os momentos. Alguns dos aspetos como o jogo de camara com a casa de miniatura demonstra originalidade embora o filme nem sempre jogue com isso. Uma clara melhoria comparada com o primeiro filme.

No que diz respeito ao cast Hugh Grant domina os ritmos do filme, num papel de risco mas que saiu bem, porque conseguiu ser ele próprio e ao mesmo tempo consegue levar o seu lado descontraído para um aspeto mais Creepy que o filme aproveita. As duas protagonistas, quase desconhecidas funcionam bem, principalmente Tatcher, e a sua ambiguidade.

 

Õ melhor – A primeira meia hora do filme.


O Pior – O atalho final

 

Avaliação – B-

Wednesday, January 08, 2025

Vermiglio

 Os candidatos italianos aos Oscares são sempres filmes que merecem a sua atenção, devido à riqueza, e mais que tudo a versatilidade do seu cinema. Este pequeno filme, conseguiu o primeiro objetivo, a nomeaçao para o globo de ouro de melhor filme internacional, embora pareça que a nomeaçao para o oscar seja mais dificil. Criticamente o filme foi bem recebido, com elogios a sua riqueza visual, sendo que comercialmente o filme resultou na europa, mesmo sendo rapidamente percetivel que se trata de um filme com pouca ambiçao neste particular.

Sobre o filme podemos dizer que se trata de um filme sobre uma localidade que tem um erro claro, de ter demasiadas personagens sem nunca entrar propriamente em nenhuma delas. O filme precorre diversas linhagens narrativas, sem se centrar em grande parte do tempo em nenhuma delas, tornando o filme difuso, colocando o espetador apenas atento as pequenas formas de vida daquela comunidade.

No final o filme tenta com o seu twist criar algum impacto mas o ritmo lento, tipico dos filmes de autor tradicionais italianos acaba por nao dar o impacto que o mesmo poderia ter. O espetador pode ficar ligado a algumas curtas mensagens de personagens esporadicas como as de Dino, mas o problema do filme e que quando nos pensamos que o filme vai arrancar num ponto da sua intriga, ele desaparece e cria-se outro que acaba por rapidamente ter o mesmo destino.

Não obstante destes pontos, o filme é rico visualmente, tem alguns elementos a titulo de curiosidade que vao conseguindo colocar o espetador proximo do filme, mas a narrativa, ou neste caso as narrativas são curtas e nao se desenvolvem num estilo muito proprio do cinema italiano tradicional, não obstante de ficar a clara ideia que as personagens tinham valor suficiente para fazer o filme funcionar.

A historia segue uma familia dentro de uma pequena comunidade italiana, situada na montanha após a guerra onde surge um desertor que altera por momentos a forma com que a comunidade vive.

O argumento do filme funciona melhor em termos curiosidade e pequenos pontos de que no epicentro narrativo. O filme deixa demasiadas vezes as suas

pontas desconetarem e isso acaba por ser bastante limitativo do alcance real da historia que o filme quer contar.

Na realizaçao temos Maura Delpero uma realizadora italiana ainda algo restrita aquele pais que tem um filme bonito, que pensa as cenas para estas terem um impacto claro visual, mas que nem sempre o realismo das cenas e total. Vai ter aqui o seu filme mais mediatico de uma realizadora ainda jovem que podera progredir de acordo com o cinema que quererá ter.

No que diz respeito ao cast, nao e propriamente um filme de personagens porque difunda os momentos por diversas personagens não permitindo propriamente interpretaçoes de primeira linha. Tambem nao e por aqui que o filme perde qualidade.


O melhor - A riqueza visual

O pior - O filme perder-se em diversas linhagens narrativas


Avaliação - C

Tuesday, January 07, 2025

Maria

 Podemos dizer que a estrategia montada pela Netflix para atacar esta temporada de premios acabou por ser estranha, já que lançou os seus projetos maiores na aplicação nos mercados principais, sendo que na europa acabou por lhes dar cinema, o que atrasou o impacto que os filmes acabaram por ter. Maria, aquela que marca o fim da triologia de biopic de Pablo Larrain foi um desses filmes. Apresentado em festivais de alguma dimensão as criticas foram razoaveis, sem o entusiamo de filmes anteriores. Comercialmente o estilo de lançamento do filme deixa dificuldades em perceber que tipo de impacto o filme teve nos espetadores já que chega a contagotas, numa estrategia que nao me parece a mais brilhante.

Sobre o filme podemos dizer que quem ja viu os filmes anteriores de Larrain acaba por rapidamente perceber o que vai ver, um biopic situado num momento concreto da vida das personagens, com flashbacks e acima de tudo muita personagem. O filme encontra, na minha opinião uma base muito interessante para entrar dentro da personagem, o problema parece- me mais no que vai procurar dentro da personagem, conduzindo a que conheçamos melhor a sua forma de pensar do que o seu trajeto, mas talvez essa tenha sido o propósito maior do realizador.

O filme tem uma excelente primeira parte, os momentos da entrevista, o deambular por Paris o encontro com pessoas comuns e a relação com os seus empregados, dao nos pequenos detalhes aquilo que era mais pessoal da personagem. E tambem nesses momentos que Larrain e Jolie acabam por se destacar no seu aspeto essencialmente visual. O problema acaba por ser onde o filme tinha mais impacto, que foi nas sequencias de canto, onde apenas na ultima expressão conseguimos ir a alma da protagonista, nos restantes temos um lip sync do mais sofrivel visto a este nivel, e isso acaba por contagiar negativamente a forma como o filme funciona.

Ou seja o fechar de um circulo que nos deu a conhecer um Larrain promenorizado, com capacidade artistica, mas que parece ter decaido no resultado final, talvez porque todos ja conheciamos a sua forma de trabalhar, ou acima de tudo porque principalmente no segundo segmento o filme aposta numa vertente da vida da personagem que não é propriamente factual ou na maior parte das visões pouco define sobre a mesma.

A historia segue os ultimos dias de Maria Callas, já sem a voz, e a tentar encontrar ainda a aura de outros tempos, enquanto deambula por um Paris, dá uma entrevista sobre a sua vida, e pensa sobre os momentos que manteve ao longo da sua vida, numa retrospetiva propria da sua vida.

O argumento tem algumas ideias originais, na forma como tenta organizar o filme de forma a dar o maximo que pode sobre a personagem no estilo que Larrain sempre assumiu. Podemos dizer que a obra ficou um pouco de parte em deterimento da personagem, mas isso acaba por ser uma escolha do proprio filme.

Larrain e um realizador particular, este projeto seu, deu pelo menos uma forma diferente de fazer biopic com uma assinatura muito clara, com muito primor do ponto de vista visual, embora fique sempre a ideia que algo ficou por contar. 

No que diz respeito ao cast Jolie esta imponente visualmente e nas sequencias de vida, perde um pouco pelo Lip Sync, que seria dificil mas fica a ideia que contagia negativamente uma performance pensada do primeiro ao ultimo minuto para premios. E um one woman show, mas poderia ter sido mais aperfeiçoado.


 O melhor - A abordagem do filme.

O pior - O Lip Sync


Avaliação - B

Sunday, January 05, 2025

Spellbound

 Se existe estilo onde a netflix tem sempre alguma dimensão ao longo dos anos acaba por ser a animação, desde logo porque corre maior risco em algumas abordagens e porque com os lançamentos ao longo do ano acaba por lhe permitir nao definir os objetivos imediatos do filme. Spellbound e uma megaproduçao de animação da SKydance que apostou em atores muito reconhecidos para dar a voz as suas personagens centrais. Comercialmente as coisas nao foram brilhantes, acabando a Netflix por rapidamente abandonar alguma propaganda ao filme, que por sua vez do ponto de vista critico tambem ficou por uma mediania que fez a Netflix apostar fichas noutro filme, mais natalicio de animaçao lançado no mesmo periodo.

Sobre o filme podemos dizer que temos um filme com uma produçao elevada que se nota não apenas nas escolhas de vozes, mas na cor do filme, que demonstra bem que o filme tem muita atenção a riqueza visual. O grande problema que esse é o unico grande sublinhado do filme, ja que o resto temos um monotono filme musical, com uma duração demasiado elevada que torna o filme demasiado aborrecido, mesmo para os mais pequenos.

As razões para o filme ser algo monotono começa com uma intriga, que ate no final tem um tema diferente e interessante mas que aparece apenas na ultima meia hora de filme e ao de leve, sendo o tema central do filme, deveria ser mais trabalhado, ter mais atenção e acima de tudo conseguir que o filme consiga pensar e ir mais a fundo no tema e no seu lado positivo, ja que se percebe que esse e o fundamento central do filme.

Por tudo isto temos um monocordico filme de animaçao musical, onde as musicas são demasiado normais para se destacarem e tambem do ponto de vista humoristico o filme nunca consegue tentar sequer ser engraçado. Esses sao elementos que podem alimentar filmes mais curtos em termos de narrativa e este filme nao usa nenhum desses trunfos tornando-se demasiado cinzento para o estilo.

A historia segue uma princesa que segue viagem com os seus pais, virados monstros na tentativa de contornar o feitiço que tornou os pais em estranhos seres que acabam por destruir tudo a sua volta.

O argumento do filme é na sua essencia limitado. No final percebe-se que o mesmo tem uma tematica diferente mas que o filme nao aborda. Fica a sensação que o filme com este tema poderia ser algo diferente, tocar num tema sensivel, mas acaba por apenas o alinhavar para algo sem graça e acima de tudo monocordico.

Na realizaçao o projeto foi assinado por Vicky Jensen a realizadora de Shrek que desapareceu depois do insucesso de Gang dos Tubarões, que renasce muitos anos depois, num filme com cor, arriscado, de estudio que nao e no plano tecnico que tem a sua maior dificuldade. Pode ser um regresso de alguem que nao conseguiu concretizar o seu bom inicio de carreira na realização de filmes de animaçao.

No cast de vozes apenas ouvi as versões musicais originais, ja que o restante do filme foi numa adaptação. Zegler canta bem e todos os musicais com ela terão a ser favor este ponto.


O melhor - A cor do filme.

O pior - A falta de graça ou a repetiçao monotona dos seus pontos maiores


Avaliação - C-

The Best Christmas Pageant Ever

 2024 foi um ano em o espirito natalicio esteve muito presente em estreias não so nos serviços de streaming mas tambem em alguns projetos pequenos que tiveram lançamentos nos mercados globais, como esta comedia juvenil. Esta comedia familiar estreou silenciosamente mas as criticas razoaveis acabaram por impulsionar o filme comercialmente, aproveitando o espirito natalicio mais tradicional levando a resultados de bilheteira nos EUA bem competentes.

Sobre o filme podemos dizer que temos a tipica comedia juvenil, passada numa pequena comunidade e na organizaçao da festa de natal. O filme e tradicional na forma como cria a intriga, com as crianças mal comportadas e a sua redenção. O filme nao e propriamente arrojado em termos de comedia, sendo sempre um filme mais generalista do que arriscado.

Nao deixa de ser surpreendente como um filme com premissa tão basica acabe por ter este sucesso. Foi notorio que comercialmente o publico encontrava-se com o espirito natalicio bem em niveis elevados e talvez por isso o resultado tenha sido este comercialmente, ja que em termos de procedimentos temos um filme com uma base que nos parece pensada para um direto para aluguer ou para preencher as matines de um canal generalista.

Por tudo isto temos um filme com o objetivo basico de ter algum espirito natalicio em familia, com pouco risco, com piadas simples, com uma narrativa previsivel, mas sem nunca ter tentado ser mais que isso mesmo, ou seja um filme de valores natalicios e desse contexto, nao sendo daqueles que explora particularmente o espaço visual do natal.

O filme fala de uma pequena comunidade que tem como evento do ano a organizaçao de um evento de natal, que apos ter perdido a sua mentora de sempre fica nas maos de uma mãe de familia que ve como particular dificuldade um grupo de crianças mal comportadas querer participar colocando em risco o sucesso do evento.

O argumento do filme e o tipico nos filmes familiares de natal, problemas e uma redenção embutida no espirito. O filme tenta ter graça, embora seja demasiado tradicional neste aspeto, arriscando pouco para nao perder o carimbo familiar. A previsibilidade do filme esta presente do primeiro ao ultimo minuto.

Na realizaçao do filme temos Dallas Jenkins um realizador com clara vocação religiosa que entra aqui num registo que ainda nao tinha sido visto ate agora que e a comedia religiosa. O filme acaba por ter esses temas numa vertente infantil, mesmo que o projeto pouco ou nada arrisque em termos de estrutura visual.

No cast conhecemos apenas Judy Greer e o seu estilo de interpretação caracteristico. O filme da o papel principal aos mais novos, todos eles desconhecidos que funcionam embora com papeis faceis. E um filme que vale mais pelo lado de ser visto em familia do que por qualquer um dos seus elementos individualizados.


O melhor - O espirito natalicio

O pior - A historia ser a tipica previsivel de aluguer


Avaliação - C

Saturday, January 04, 2025

Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl

 Eis que a Netflix atualmente com os direitos comerciais da saga Wallace and Gormit tem aqui mais um filme que marca a estreia de lançamento da aplicação em 2025, num filme que foi lançado para a temporada de premios ainda no ano anterior. Criticamente podemos dizer que as personagens criadas por Nick Park sao reconhecidas e este filme voltou a ter do seu lado a critica. Comercialmente uma vez que é mais um episodio da saga não fica a ideia que seja uma aposta elevada da Netflix.

Sobre o filme podemos dizer que temos mais um episodio como se de uma serie existisse onde temos mais uma aventura da dupla de amigos, com as caracteristicas que melhor funcionam, mas também o humor simples, com o estilo que dei vida a uma carreira muito interessante do seu criador. Fica a ideia que em termos de desenvolvimento narrativo nao temos nada de novo na dinamica do franchising, 

Temos um filme curto, em termos artisticos temos a forma como sempre Park trabalhou as personagens, no seu Stopmotion, mas e claro que a critica gosta do lado tradicional e de um humor ironico que acaba por a saga ter sempre presente, muito na linha do que a Ovelha CHone também tem. Por tudo isto nao sendo desde logo um poço de originalidade acaba por ser competentes para quem  gosta do estilo.

Fica a clara sensação com o sucesso da saga que mais capítulos se vão seguir, o que vai fazer com que os filmes se tornem apenas episódios maiores. O lado tecnológico deste filme é um apontamento narrativo que funciona e torna-o atual, mesmo no que diz respeito a forma como as reações das pessoas são potenciadas pelo resultado.

A historia segue o duo de amigos, agora algo separados pela nova criação de Wallace, um Gnomo de barro inteligente, util nas tarefas domesticas, mas tudo fica pior quando o controlo do mesmo acaba por cair nas mãos erradas.

O argumento do filme potencia as características que melhor funcionam na dupla de protagonistas, mas não particularmente relevante no percurso que conhecemos. A narrativa e os diálogos são o esperado, ou seja, competente para quem percebe os filmes desta forma, mas não me parece que por si so seja capaz de trazer novas pessoas para a saga.

Na realizaçao Park é o pai da dupla e de alguns projetos stopmotion, sendo sempre mais eficaz com as suas personagens de base. Aqui tem o apoio de Crossingham que subiu no departamento de direção, numa colaboração que nos parece mais um apoio do que propriamente um trabalho por si so.

O cast de vozes tem os habituais auxilios da saga. Nao e um filme onde os dialogos ou as vozes tenham particular revelância ja que o maior destaque esta na propria produçao do filme.


O melhor - A forma como Wallace & Gormil comunicam

O pior - Um episodio grande da serie


Avaliação - C+

Memoir of a Snail

 Num ano em que a animação de grande estudio voltou ao sucesso que estava arredada nos ultimos anos, existiram outros conceitos mais de autor que tambem conseguiram um reconhecimento critico muito interessante como foi o caso desta nova longa metragem de Adam Elliot o qual ja tinha surpreendido a critica nos seus filmes anteriores e aqui voltou a ter esse sucesso. Comercial ao ser filmes mais concetuais o resultado e mais dificil de alcançar mas uma eventual nomeaçao para o oscar de melhor animaçao dara ao filme um maior impacto nesta componente.

Sobre o filme podemos dizer que a plasticina e o stop action sao metodos que ao longo dos tempos nos trouxe muitos dos bons filmes que ficaram registados na evoluaçao do cinema de animaçao, tornando-se mesmo um classico. Este filme tem o lado negro e exagerado dessa componente mas e acima de tudo um filme com coraçao, uma autentica autopsia de uma personagem e os seus sentimentos ao longo do tempo, num filme adulto, bem realizador e impactante do primeiro ao ultimo minuto.

Um dos segredos do filme e que funciona no impacto visual que quer ter e precisamente o detalhe das pequenas coisas, e contar a historia com uma narrativa simples sobre vivencias pesadas como o luto, a distancia, o abuso e mesmo as parafilias. E um filme adulto contado por alguem que ainda quer ser criança. Nota-se a homenagem real a filmes mais negros mas fica a ideia que o filme quer balançar com a luz para dar esperança as personagens.

Por tudo isto, e num ano em que alguns dos melhores filmes tem sido claramente de animaçao, este demonstra uma animaçao diferente, adulta, concetual, que merece o destaque pela originalidade e pelo trabalho. E um filme que nao dos deixa indiferente a cada desabafo da personagem que vamos seguindo um pouco como ela se ve a si propria.

A historia segue a historia ao longo da vida uma mulher que devido a dificuldades de vida associou sempre a mesma a um fascinio por caracois, ao mesmo tempo que vive dependente de uma relação proxima com um irmao gemeo cujas circunstancias de vida separaram.

O argumento da historia, pensado na forma de narração tem o segredo de dar a vivencia da forma como a personagem a percebe. Claro que tem alguns exageros para dar mais impacto aquilo que vimos, e alguma inocencia da personagem mas o filme é forte nao so na mensagem que quer passar mas nas metaforas que utiliza.

Na realizaçao Adam Elliot regressa mais de dez anos depois do seu grande sucesso de Mary and Max um dos filmes de animaçao mais bem avaliados de sempre. A formula e parecida e a sua assinatura embora nao particularmente original e proxima no lado negro e menos bonito das personagens sem nunca colocar de lado o detalhe. Uma das figuras de animaçao que provavelmente conseguira aqui a primeira nomeaçao da categoria.

No cast de vozes a narração segue o balanço das personagens sem que isso seja propriamente um apontamento principal do filme. Nota se a procura da origem australiana mas pouco mais, num filme claramente sublinhado por outras valencias.


O melhor - A historia e o que ela significa.

O pior - Pode ficar a ideia que exagera em alguns apontamentos.


Avaliação - B+

Friday, January 03, 2025

Venom: The Last Dance

 De todas as tentativas que a Sony teve de tentar rentabilizar ao maximo os vilões de Spider Man, os quais na maioria das vezes tem-se tornado em autenticos desastres criticos e comerciais, Venom foi o unico que sobreviveu pelo lado comercial, sendo que cada filme se tornou num sucesso imediato, e esta ultima dança acabou por ser mais do mesmo, ou seja, um filme que criticamente vou mal avaliado, mas que comercialmente foi um sucesso estrondoso capaz de balançar os insucessos de Kraven, Madame Web e Mordibus.

Venom não é um bom filme e fica a sensação que na realidade nunca o tenta ser. A historia de base dos tres filmes é totalmente limitada, a intriga é pensada para uma ou outra sequencia de maior dimensão para fazer uso da tecnologia de ponta, ou seja, muito semelhante ao que foi sendo feito nos outros filmes da Sony. O que funciona no filme é Tom Hardy e Venom e a sua conjugação, na vertente desajeitada e comica que funcionam em pleno na simbiose e no lado comico que o filme acaba por aceitar ser proponderante.

Este é um filme que exprime bem que muitas vezes mesmo na falta de ideias e um caos associado à falta de ideias por vezes uma simples decisão consegue salvar um franchising todo ao longo de três filmes e tornar num mediocre filme um sucesso incrivel, que provavelmente poderá perdurar no tempo embora este filme seja assumido como a ultima dança.

Por tudo isto temos uma boa comedia, que ganha vitalidade nas sequencias a dois entre a vertente humana e extraterrestre mas que acaba por ser muito sofrivel no restante, num filme pequeno que acaba por ser monotono, um filme sem ideias na base, e que acaba sempre por sobreviver a custa do non sense comico e da sua personagem central.

A historia volta ao caminho perdido entre Eddie Brook e Venom, agora os quais têm de sobreviver a um ataque de um terrivel extraterrestre com o objetivo de tirar um elemento presente em Venom que pode colocar em causa a humanidade, sendo que o anti heroi tera de ser a resposta para este perigo.

O argumento do filme é na maior parte dos seus elementos muito sofrivel, sem ideias, sem ritmo, a sorte é que a personagem e a forma como ela foi criada funciona comicamente e isso resgata o filme como objeto de entertenimento, mesmo que as ideias na maior parte do tempo nunca estejam la.

A realizaçao foi entregue a Kelly Marcel a argumentista dos filmes anteriores que assumiu a batuta neste ultimo episodio. O filme e uma tarefa de hollywood para fazer uso das suas invenções tecnlogicas sem que o mesmo consiga em algum momento ter qualquer tipo de surpresa ou elemento diferenciador. nao e neste tipo de projeto que ganhara projeção na realizaçao.

Hardy construiu a sua maneira um Venom e um Brook perfeito, na simbiose entre ambos, no lado desajeitado, no lado de não querer saber, porque efetivamente é essa indiferença que funciona como balanço de um filme que nao tem qualidade mas que o ator no seu lado descomprometido resgata dentro do possivel. Este filme e o mais fraco em termos de secundarios completamente indiferentes no percurso do filme.


O melhor - A simbiose dos protagonistas

O pior - O argumento central


Avaliação - C

Tuesday, December 31, 2024

Lord of the Rings: The War of Rohirrim

 Depois do regresso da saga de senhor dos aneis na serie da Prime foi anunciado um regresso as salas do cinema, mas desta vez numa versão de animaçao, que deixou os fãs da serie com aguas na boca, ja que iria ser a adaptação das curtas historias de Tolkien novamente sob a batuta de Peter Jackson na produção. Apos as primeiras visulizações percebeu-se que o filme não iria agradas a maioria dos fãs, esse ponto associado a uma animaçao demasiado tradicional acabou por levar o filme a um rendimento muito aquem do esperado em termos comerciais.

Sobre o filme desde logo o primeiro apontamento que surge é como é possivel nos dias de hoje, com o desenvolvimento tecnlogico que tem que estar ao dispor das maiores produtoras, alguem tenha achado que este tipo de animaçao anos 90 poderia ser a melhor escolha para um impacto visual que normalmente um filme do senhor dos aneis tem que ter. Penso que isso, associado ao facto de termos um filme longuissimo para animaçao começam por ser os primeiros problemas do filme.

A  historia em si parece bem montada, o poder como uma forma de alterar as relações com os temas tipicos da saga como heroismo, ambiçao, dignidade, a questão e que tudo tem muito pouco do senhor dos aneis, para alem de alguns nomes de terras e o final, onde surge as personagens que conhecemos e pouco mais, este filme poderia ser um filme produzido pela asia de animaçao, ainda que com um estilo mais tradicional.

Por tudo isto parece que o dinheiro foi mais facil do que propriamente a capacidade de pegar na historia e fazer algo diferenciado. Não obstante deste vetor, e do erro total na roupagem produtiva que o filme quer ter, acaba por ser uma interessante historia de ação, sob conquistas e mundos, mas que fica a ideia que nada ou pelo menos pouco tem a ver com o que conhecemos de senhor dos aneis.

A historia segue uma jovem filha de um rei que percebe que o seu melhor amigo de infancia desenvolve uma rebilião de forma a colocar em causa a sua familia e o reinado do seu pai depois da morte do pai do mesmo.

O argumento e simples na base e talvez tenha dificuldade em alimentar um filme com mais de duas horas de duração. poucos elementos puros de senhor dos aneis, mas uma historia simples, razoavelmente montada, nao tivesse um carimbo de pese no nome.

No que diz respeito a realizaçao, Jackson ficou apenas na produçao, acabando o leme por ser entregue a Kamyiama um experiente realizador de animaçao japones que foi em busca do lado mais tradicional que nos parece redutor num filme com o tamanho e o nome deste. Esta escolha parece ter condicionado bastante a realizaçao comercial do filme.

No cast de vozes o filme trabalha bem, embora as personagens nao sejam propriamente muito dependentes dos seus interpretes, A imponencia de Brian Cox acaba por ser o aspeto mais sublinhado, mesmo que fique a sensação que outros atores de maior renome poderiam dar uma dimensão mais comercial ao filme.


O melhor - A historia em si, tem os elementos necessários para um filme competente

O Pior - A escolha pela animaçao tradicional


Avaliação - C

Monday, December 30, 2024

Sonic the Hedgehog 3

 Foi incrivel o que o cinema fez pela forma como a figura de Sonic se tornou num mito nos mais pequenos os quais seguem fielmente as personagens e as aventuras e que fizeram dos primeiros filmes sucessos de bilheteira. Em pleno natal e para os mais pequeninos surgiu o terceiro episodio com a mesma equipa dos primeiros filmes mas com algumas implementações como Keanu Reeves a dar voz a Shadow o novo ouriço do universo. Criticamente o filme foi de encontro ao que os anteriormente conseguiram sendo que comercialmente, mesmo apostando numa fase do ano onde a competição é feroz podemos dizer que os primeiros resultados voltam a tornar o filme um sucesso claro.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo procura rapidamente ir de encontro aos fas da saga com os temas comuns, com mais palco para a personagem de Eggman, com a introduçao inicial do novo ouriço, e depois entre um humor original nos momentos em que o filme quer ser engraçado e a ação clara, com muitas homenagens a filmes de espionagem em diversas localizações nao fosse o filme uma grande produçao de estudio.

E obvio que o filme nao e particularmente inovador no seu arco narrativo, como ja tinha acontecido no segundo filme rapidamente as personagens mudam de lado, e o filme segue com mais elementos. Fica a ideia que em termos produtivos o filme aposta mais mas o resultado final e eficaz para os mais pequenos sendo que os maiores tambem gostam de algumas piadas soltas do filme.

Por tudo isto Sonic e um bom franchising que dinamiza mais do que esperado aquilo que podemos ver do personagem dos videojogos e os seus amigos. O liveaction funciona porque encontrou em Carey a sua figura de proa, que acaba por ser o easteregg de todo o filme, que alimenta a curiosidade e tambem o entertenimento puro dos mais pequenos.

O filme segue o grupo criado no segundo filme, agora como antagonista um ouriçio com um passado pesado, com sede de vingança, junto de um antepassado conhecido. O filme faz com que o grupo tente desmobilizar os planos malevolos de tal dupla.

O argumento do filme acaba por ser capaz na sua capacidade de criar as dinamicas de açao, e funciona também na forma simples com que consegue ir buscar um humor original, com tiradas bem introduzidas a maior parte das quais bem transmitida por um sempre eficaz Carey.

Na realizaçao Jeff Fowler é o pai de Sonic, que para alem dos tres filmes ja nos trouxe uma serie. Ele sabe o que a populaçao quer do filme e gere isso bem. Depois de alguma dificuldade a acertar com o boneco surpreendeu pela sua capacidade de fazer eficazes filmes de açao e comicos, nao o conhecemos sem Sonic, mas e sem duvida um sucesso seu.

O cast de vozes nao é possivel ser aqui avaliado pelo facto de ter novamente visto a versão dobrada. No live action temos o habitual show de Carey que regressou da reforma para a sua ultima personagem mais iconica, onde volta a ser construida no seu encaixe, e desta vez em dose dupla.


O melhor - O humor solto do filme.

O pior - E um filme que tem uma historia demasiado proxima do segundo filme


Avaliação - C+

Sunday, December 29, 2024

Werewolves

 Num mês em que o cinema está em polvorosa a todos os niveis, não só comercialmente com os exitos de natal mas também criticamente com os filmes com ambições a premios, eis que surge um filme com objetivos longe dos dois planos, um claro serie B violento, protagonizado por um Frank Grillo que expressa este tipo de cinema atualmente. Do ponto de vista critico o filme atingiu a mediania provavelmente em face de uma expetativa naturalmente baixa para este tipo de registo. Comercialmente Grillo não é uma figura de primeira linha pelo que o resultado acima do milhão pode ser considerado no minimo consistente.

Sobre o filme podemos dizer que a base do filme é serie B e a sua execução se calhar nem nivel tem para esse parametro cinematografico. Tudo começa pela premissa que transforma humanos em lobisomens nas noites de lua completamente cheia. Depois todo o percurso de transformaçao em que o filme tenta dar algum espectro cientifico que rapidamente se percebe não ter qualquer cabimento para funcionar minimamente, e tudo isto leva a um filme mediocre, chegando a ser mau principalmente pelos pessimos efeitos especiais que tem.

A base e a esperada, um grupo de pessoas boas a tentar arranjar uma solução para um grande problema acabando com uma luta contra alguém com uma forma diferente de resolver os problemas. A questão e que o filme faz diversas tentativas de racionalizar um projeto que nunca o poderia ser. E para alem disse também tecnicamente o filme expõem demasiado a transformação, nunca conseguindo ser minimamente credivel.

Ou seja um mau filme de estudio pequeno, que aproveita algum conceito de Grillo como heroi de ação para uma distribuição mais wide, mas que o resultado e um serie B, sem grande ideia, executado com deficiencias, mas mais que tudo um filme para encher cartaz e pouco mais.

A historia segue um conjunto de cientistas apostado em impedir que a transformaçao de seres humanos em lobisomens ocorra, quando se aproxima mais uma lua cheia, que conduz a um estado de sitio um pouco por todo o mundo.

A ideia do argumento está longe de ser brilhante e a sua concretização tem o mesmo problema. O filme nao tem personagens, não tem particularmente ideias diferenciadas, e procura o lado mais violento já que o argumento não consegue impactar o seu lugar.

Na realizaçao temos Steven C Miller um realizador de filmes de segunda linha a maioria dos quais para aluguer direto que conseguiu aqui uma melhor distribuição, sem que isso consiga dar ao filme qualquer tipo de diferenciaçao ou assinatura, para alguém que nos parece criado para a base dos seus filmes anteriores.

No cast Grillo tornou-se isto, um ator musculado, para filmes agressivos e violentos e pouco mais. Aqui é mais do mesmo sem que o filme faça qualquer tipo de tentativa de ser minimamente diferente.


O melhor - A curta duração.

O pior - Os efeitos especiais

Avaliação - D

Saturday, December 28, 2024

Carry-On

 A Netflix apostou forte nesta epoca de natal num filme de ação, em contexto natalicio que tem como total inspiração a forma como Die Hard nos anos 80 se tornou num classico imediato de natal. Comercialmente o maior sucesso da aplicação, acima de tudo potenciado pela data de lançamento, criticamente as coisas tambem correram bem a este filme de ação rapida num contexto fechado, que se tornou no sucesso mais mediatico do ano da Netflix.

Sobre o filme podemos dizer que se trata de um filme de ação simples, um acontecimento, um espaço, e um heroi no sitio errado a hora errada. O problema do filme é que o seu protagonista nunca consegue ser minimamente um convincente heroi e o filme sente muito essa dificuldade. Para alem do mais muitas vezes conseguimos nutrir alguma maior simpatia e reação pelo temivel vilao mais do que pelo heroi o que demonstra que neste particular pelo menos o filme nao consegue balançar o lado emocional.

A função de entertenimento é cumprida de forma simples, nao e daqueles filmes com grandes narrativas, dialogos ou mesmo com uma intriga por tras muito densa. SObre este aspeto fica a ideia que o filme desiste de a tentar explicar preferido que esta seja declaradamente indiferente do que propriamente permitir que o filme perca muito tempo neste aspeto.

Por tudo isto Carry On e um filme que ocupa espaço, que deixa o espetador minimamente associado a sua historia, mas esta longe de ser um grande filme em qualquer um das suas vertentes, mesmo quando comparado com blockbusters semelhantes. Fica a ideia que muitas das coisas sao impossiveis, e que principalmente na personagem central existe muita coisa que fica pelo caminho.

A historia segue a vida de um aeroporto e um desiludido guarda do espaço, que de repente vê-se envolvido numa ameaça global, em que ou compactua com as ambiçoes do terrorista ou tudo o que ama se perde.

O argumento do filme  um classico de açao, um espaço, um inimigo desconhecido com um controlo total do espaço, e uma corrida contra o tempo. O filme explica muito pouco as motivaçoes, o filme perde pouco tempo nas personagens e dialogos, isso da-lhe um caracter imediatista, mas tira-lhe dimensao.

Collet Serra e um realizador dedicado a este tipo de filmes que teve na colaboraçao frequente com Liam Neeson O filme tenta arriscar mais numa sequencia de estrada mas e pouco naquilo que tenta ser o cunho pessoal do realizador para o filme. Parece mais um tarefeiro de Hollywood do que outra coisa qualquer.

No cast Egerton parece ter perdido nos ultimos dois anos algum do conceito de ator do momento que teve ate então, e este filme exibe esse baixar de forma numa personagem, cinzenta, pouco empatica bem diferente do que ja tinha feito mesmo no genero. Bateman com vilao e arriscado, principalmente porque o associamos sempre a uma figura simpatica, dai que este balanço nao vai de encontro ao que o filme espera.


O melhor - A forma como o filme e imediato nos seus momentos.

O pior - As personagens


Avaliação - C

Friday, December 27, 2024

Red One

 Os grandes estudios gostam de apostar sempre na epoca natalicia com os mais diversos generos, e a MGM jogou forte este ano com um filme de ação natalicio, cuja estrategia de lançamento foi algo duvidosa, ja que nos pareceu demasiado grande para a estrategia inicial de ir diretamente para a Prime, sendo que a razoavel carreira comercial acabou por provar que a primeira instância era errada, não obstante de criticamente o filme ter sido um desastre.

Sobre o filme podemos dizer que é um filme de ação adaptado com as figuras conhecidas do Natal, e facilmente se percebe que isso não combina e o filme acaba por nunca conseguir sobreviver a tantas diferenças de conteudo, mesmo com as roupagens que tenta dar aos elfos e ao pai natal, o filme é sempre mais um filme de açao de The Rock, e dos maus, do que propriamente outra coisa qualquer.

O filme ate começa bem, mesmo no que diz respeito ao efeito natalicio que se espera para todos os filmes com este tema. Fica mesmo a ideia que é este ponto que acaba por ser mais funcional neste tipo de registo. Mas rapidamente com o sequestro do pai natal tudo muda, acabando por ser mais um filme de monstros do que propriamente outra coisa qualquer.

Assim temos um filme de ação de bilheteira rapida mas que tem dificuldade em ser a comedia de açao que The Rock melhor encaixa, porque o filme basicamente não tenta sequer ser engraçado, mas também fica a ideia que a base do mesmo é extremamente estapafurdia para funcionar no registo de ação, e quando assim o é, o filme acaba por ficar a deriva numa mega produçao, onde tambem os efeitos poderiam, e deveriam ser mais realistas.

A historia fala de um burlão que acaba por estar envolvido sem perceber num esquema, que nada mais é do que a tentativa de sequestro do pai natal. Isso leva-o a um contacto com o chefe dos elfos e a sua ajuda para se resgatarem não só o pai natal mas a propria festividade.

O argumento não encaixa, um filme de ação com as personagens de natal, não é propriamente a fusão mais indicada ou que melhor potencia o espirito. Fica a sensação que um filme deste genero deveria ser mais leve, e não o consegue ser, essencialmente porque aposta pouco no lado comico e mais nas curiosidades.

Na realização Jake Kasdan, funcionou bem na revolução de Jumanji, depois de um inicio de carreira mais rebelde. Aqui temos um registo de produçao elevada, mas que nem os efeitos nem a propria abordagem acaba por ser minimamente diferenciada. Depois do que vimos em Jumanji esperariamos um objeto comercial mais trabalhado.

No cast o filme vai para a base dos seus interpretes, The Rock num papel mais silencioso, Evans como o rebelde tipico dos ultimos papeis, e Simmons como um pai natal fit, mas pouco mais do que isso,  e do aspeto visual que ambos entregam aos papeis.


O melhor - Os ultimos dez minutos onde o filme recupera algum espirito

O pior - Uma fusão de generos que não funciona


Avaliação - D+

Tuesday, December 24, 2024

The Six Triple Eight

 Numa colaboração cada vez mais frequente eis que Tyler Perry surge com a sua obra sequente, de uma carreira totalmente destinada as vivencias dos afro americanos nos EUA que conseguiu agora com a netflix ter um veiculo de chegada ainda mais proximo. Este e se calhar o filme mais arrojado do realizador principalmente pelo lançamento em plena temporada de premios mas acima de tudo por tentar entrar no sempre impactante tema da 2 guerra mundial. Criticamente as coisas ficaram pela mediania, mas comercialmente e principalmente nos EUA Perry tem sempre uma palavra a dizer.

Sobre o filme é facil perceber que Perry nao e um cineasta de primeira linha, que os seus filmes sãpo basicos e essencialmente traduzidos em frases curtas, cliches e personagens standartizadas, do qual este filme nao foge, nao obstante de ser um filme sobre elementos concretos de uma coorporação da 2 guerra mundial.

CLaro que o filme tem os esteriotipos todos, o facto de ser um grupo de mulheres, afro americanas, leva ao lado da antitese de personagens monocordicos, pouco trabalhados, e exagerados que acabam por ser aquilo que Perry é no cinema, desgaste rapido das suas historias e acima de tudo tudo pelo expectavel da novela da tarde do primeiro ao ultimo minuto.

Por tudo isto fica a clara ideia que temos algo de diferente, que temos um Perry mais arrojado nos seus projetos, principalmente numa ligaçao comercial que tem tirando alguns dividendos localizados a netflix, mas que em termos de concretização do cinema continua a ser pobre, nao obstante de mais meios e melhores atores ou temas mais impactantes.

A historia fala de um batalhao concreto presente na 2 guerra mundial, na armada americana que se traduziu num conjunto de mulheres afro americanas que tinha como objetivo direcionar milhoes de cartas enviadas pelos soldados em guerra para as suas respetivas familias.

O argumento tem como aspeto mais interessante a base factual do filme. Nao e propriamente o lado mais visivel, mas fica bem a homenagem, mesmo que ela tenha sido feita num filme recheado de cliches, previsivel e pouco original em todos os seus momentos.

Perry nao e claramente um realizador de primeira linha, tem um publico concreto e um estilo de filme que segue sempre, independentemente do tema ou do estilo. Temos tudo pelo basico, pouco risco, e acima de tudo uma novela longa, terreno onde cresceu como criador.

No cast temos atores mais conceituados ainda que alguns em simples cameos. Washington perdeu algum espaço na primeira linha e encontrou aqui, numa personagem com os seus tiques. Nas secundarias quase desconhecidas a espera do momento Perry ou de se tornarem comuns nestas colaboraçoes.


O melhor -  A homenagem em si.

O pior - Nao sair do registo Perry


Avaliação - C-

Blitz

Anunciado como o grande trunfo da Apple + para os Oscares este filme que reunia ao mesmo tempo alguns vetores da segunda guerra mundial, mas também uma questão racial, chamou a atenção durante a produção, desde logo por ter ao leme um realizador conceituado e um elenco de primeira linha. Apos as primeiras exibiçoes percebeu-se que apesar das boas avaliaçoes o filme poderia nao conseguir se impor na temporada de premios. Tambem a estrategia de lançamento imediato na aplicação nao foi a melhor para a carreira comercial do filme.

Sobre Blitz podemos dizer que o filme quer ser demasiadas coisas ao mesmo tempo para na essencia ser um conjunto de sequencias isoladas. Fica a ideia que muito fica por contar, nas personagens, na forma de reagir das mesmas no genero que quer assumir. A questão racial e musical e introduzida mas nunca e contextualizada parecendo mais clipes publicitarios do que propriamente um apontamento artistico do filme.

Por outro lado o filme funciona melhor na sobrevivencia do personagem e acima de tudo na parte final em que o filme ganha dimensao visual, porque ate la o ritmo lento e acima de tudo percebermos que o filme nos mostra quase tudo demasiado rapido do que vai ser soa a pouco, principalmente para um filme com um panfleto desta dimensão.

Blitz e por isso, para mim uma das desilusões do ano, fica a clara ideia que Mcqueen sobrepoem a questão da necessidade do apontamento politico racial como marca de agua de um filme que é mais global perdendo-se em apontamentos desajustados do filme, nos momentos em que talvez as personagens deviam se expor mais ao filme, acabando por ser uma obra lenta e acima de tudo que quando acorda ja estamos perto do fim.

A historia fala de um jovem negro que tem que se separar da mae em pleno ataque nazi a inglaterra de forma a preservar a sua segurança, mas o mesmo acaba por fugir do comboio tentando reencontrar a sua mae em claro clima de guerra.

O argumento do filme fica a ideia que tinha muito mais para dar sobre as personagens e mesmo sobre o contexto global das mesmas. Existe demasiados momentos do filme em que temos interludios musicais que acabam por interromper uma historia ja de si algo denunciada.

Mcqueen e um bom realizador que perde neste filme por tentar juntar coisas cuja ligaçao nao e a maior tirando impacto de ambos os momentos. Fica também a sensação clara que quando acorda para o lado visual mais impactante o filme esta demasiado perto do final, mas nao deixa de ter esses momentos.

O elenco dominado pela sempre forte Ronan parece ter colocado algumas barreiras ao crescimento da sua personagem, embora seja o elemento dominante do flilme. O pequeno Elliot Heffernan e introduzido com qualidade embora fique sempre a ideia que a personagem poderia ter sido mais potenciada.


O melhor - Visualmente os ultimos dez minutos.

O pior - Demasiadas misturas para o impacto desejado


Avaliação - C

 

Friday, December 20, 2024

Flow


 Num ano em que as grandes produtoras de animação surpreenderam com o regresso a bons filmes, existe um pequeno filme europeu de animaçao, silencioso que se intrometeu nesta luta. Falo deste pequeno Flow estreado no festival de Cannes com excelentes criticas e que agora disputa os premios de melhor filme de animaçao do ano com autenticos blockbusters. Comercialmente sem um filme curioso os resultados foram competentes pese embora seja um pequeno filme sem dialogo.

Sobre o filme podemos começar por analisar o projeto, a animaçao é diferente sem que o realismo seja um dos pontos maiores do filme, mas acaba por dar ao filme o impacto emocional que ele quer ter, principalmente quando associado a um bom som e acima de tudo uma boa produçao artistica. Fica a sensação que o filme consegue ser mais emotivo do que propriamente uma historia diferenciada.

Eu sinceramente tenho muita dificuldade em elogiar em demasia um filme sem grande historia, que funciona mais na empatia e na sensação do que propriamente num filme que conta algo. Parece favorecer o territorio critico do filme o seu estilo, a sua origem mais do que propriamente o seu resultado.

Assim e mesmo considerando que estamos perante um filme de animação no seu estilo diferente, num filme que premia o silencio ou pelo menos o deixa comunicar, fica a ideia que num ano tao forte de animação este filme e claramente inferior na maior parte dos niveis, contudo existe sempre quem goste de projetos mais pequenos e o filme acaba por o ser.

A historia segue um gato que começa presseguido por uma matilha de cães mas que acaba por iniciar uma jornada com diferentes animais por sitios surpreendentes e com diversos obstaculos a sobrevivencia, mas mais que tudo ao companheirismo.

O argumento e simples, nao tem uma historia para alem da jornada e da forma como os personagens começam a interagir entre si. Nao tem dialogos sendo que a narrativa e o plano acaba por ser a direção que o filme quer ter para si.

A realizaçao a cargo do letão Zibalodis, acaba por ter um caracter estetico muito proprio, nao e propriamente muito diferenciado mas tem o seu estilo. Depois do sucesso do seu primeiro filme acaba aqui por ter o seu sucesso mor e o reconhecimento pode colocar este autor de cinema de animaçao das entrelinhas do cinema global

Uma vez que e um filme sem voz nada podera ser analisado no que diz respeito ao seu cast


O melhor - O som do filme.

O pior - Pode ser demasiado by the line


Avaliação - C+

The Seed of the Sacred Fig


 Numa altura em que os principais candidatos a melhor filme internacional começam a prefilar-se com estreias e acima de tudo aproveitando os bons desempenhos nos maiores festivais, este filme alemão, mas claramente uma produçao iraniana tem ganho algum protagonismo pelas boas criticas, mas acima de tudo pelo misterio do seu realizador o qual se encontra de momento em parte incerta para fugir a lei do seu pais. Comercialmente o filme nao foi particularmente feliz nos EUA, mas no resto do mundo as coisas ficaram mais compostas.

Sobre o filme podemos começar por dizer que temos um filme que conhece a realidade do irão, não querendo ser o filme sobre o fundamentalismo religioso, começando por dar uma perceçao de liberdade que vai caindo com o filme e com a dinamica narrativa, a qual acaba por ser na maior parte das vezes algo lenta sem que a historia em si consiga aguentar as quase três horas de duração.

O ponto que melhor funciona acaba por ser um aspeto aparentemente secundario na organização do filme que é a diferença da geração sobre o poder, na forma como as diferentes mulheres reagem ao poder e as regras sistematizadas. O filme trabalha bem isso, e os dilemas e exageros da personagem central. Funciona bem pior porque tem alguma dificuldade em organizar as personagens.

Por tudo isto e tendo em conta que o filme aparece mencionado como um dos favoritos, e importante dizer que nos ultimos anos temos visto filmes muito mais competentes nesta competiçao. Parece curto que a ideia que o filme tem de trabalhar o lado mais atual de uma sociedade fechada consiga por si so valorizar um filme longo de ritmo algo lento.

A historia segue um delegado da policia iraniano, contratado para impor uma ditadura politica e a forma como o mesmo tenta conjugar a sua vida profissional com a familia consituida por mulheres onde as mais novas lutam pela sua liberdade, tudo se intensifica quando a sua arma e objeto de honra desaparece.

O argumento não é brilhante, é um filme quase sempre monocordico, mesmo nas discussões fica a ideia que o filme distancia demasiado as personagens o que nao o faz até então. E claramente um filme com um vinculo politico interessante mas não e uma abordagem que se diferencia de forma positiva do que ja foi feito.

A realizaçao esta a cargo de Rasoulof um foragido politico pessoa non grata no Irão que conhece a sua origem, e sabe a trabalhar para ter o impacto desejado. Reconhecido em festivais maiores sublinha-se pela sua componente politica mais que artistica.

No cast um conjunto de atores locais que encaixam naquilo que o filme lhes pede. A melhor interpretaçao acaba por recair na dualidade de Akhshi uma total desconhecida que da ao filme o realismo que ele quer


O melhor - O testemunho politico


O pior - A forma como o tempo e demasiado longo para uma narrativa tao comum


Avaliação - C+

Tuesday, December 17, 2024

Dear Santa

 Aproximando-se a altura de natal, ficou a sensação que a Paramount, essencialmente na sua aplicação Paramount + quis entrar na onda com um filme sobre um pai natal peculiar num filme rebelde sobre o natal. O resultado comercial da aplicação é ainda curto e não me parece que um filme como este consiga ser propriamente ancora. No que diz respeito a receção critica os resultados foram bastante negativos o que também não ajudou o que o filme poderia valer do ponto de vista comercial.

Sobre o filme podemos dizer que temos um filme juvenil, que começa bem pela fisionomia e pelo realismo que os personagens menores acabam por dar ao lado menos adaptado da adolescencia, mas que depois temos apenas Black a ser Black, um humor fisico, preso a duas ou três caretas do ator, que acaba por um fim idilico sem qualquer tipo de sentido.

Mas o grande problema do filme acaba por nem ser a narrativa tipica de rebeldia carinhosa para ser o humor, o filme essencialmente não tem graça. E se Black ganhou algum impacto no seu Bowser, esteticamente é so estranho, ja que os seus movimentos, ou mesmo as suas caras acabam por ser mais asustadores do que comicas, sendo a ida ao inferno um apontamento ainda pior para aquilo que o filme quer ser.

Enfim um projeto juvenil de natal de pouca qualidade que se calhar tem que ser pensado, e bem, pela Paramount, no sentido de ser analisado se a forma que a produtora tem tido de escolher os filmes para a sua aplicação tem sido a melhor. Temos um filme sem grande sentido, sem graça, que as opçoes para fazer o lado emocional funcional, sem exageradas, e onde apenas o lado comercial acaba por ser mais trabalhado, com a aposta em Post Malone no proprio filme.

A historia segue um jovem com dislexia, marcado pela tragica morte de um irmão, que acaba por se enganar a escrever o nome do pai natal, evocando Satanas na sua carta. Eis que ele aparece concedendo tres desejos ao menor.

O argumento do filme não tem sentido, mas mais preocupante que tudo isso é que não tem qualquer graça do primeiro ao ultimo minuto, temos quase sempre um filme que se procura humor fisico, um filme que mesmo no que diz respeito a riqueza moratoria, e pouco trabalhado, ou seja um mau filme que começa neste ponto.

Na realizaçao Bobby Farrely foi quem mais sofreu depois da separação do irmão com comedias que falharam que levaram a televisão. Fica a sensação que o filme do ponto de vista estetico arrisca zero, deixando Black funcionar, mas isso e curto principalmente para alguem que tem no curriculo alguns dos melhores filmes comicos das ultimas duas decadas.

No cast Black e caras e movimentos, sem que isso comicamente seja de grande funcionalidade, ganhou alguns pontos recentemente na voz qué acaba por ser o que mais expressivo ainda vai tendo. nos secundarios jovens com papeis muito definidos mais nada mais,


O melhor - Trabalhar a dislexia num filme

O pior - A forma como o filme se perde nos maneirismos de Black


Avaliação - D+

Sunday, December 15, 2024

Conclave

 Desde o primeiro momento em que foi anunciado, e mesmo após as primeiras visualizações rapidamente este drama sobre a decisão sobre o novo Papa tornou-se num favorito a temporada de premios, quer pelo tema, pelo realizador e acima de tudo pelo magnifico cast reunido. Depois da estreia e pese embora as criticas muito favoraveis ficou a ideia que as nomeaçoes poderão ser o melhor que o filme podera conseguir, mesmo que comercialmente o filme ate tenha obtido resultados razoaveis.

Conclave é um filme que começa bem em todos os detalhes tradicionais da morte de um papa e o inicio de todo o processo, é detalhado, é muito forte do ponto de vista estetico e de promenor, colocando o lume certo para aquilo que vem em seguida que é a intriga da decisão. Aqui o filme nao começa com um ritmo elevado, percebe-se dia a apos dia que o filme vai adquirindo ritmo, e a escolha de tornar mesmo o espetador externo ao que se passa no exterior acaba por ser uma opção inteligente de um filme competente.

O problema do filme é o exagero do seu final, que o torna completamente invermosivel, quer na decisão, mas acima de tudo na parte final de um apontamento que acaba por ser irrelevante naquilo que o filme quer, a nao ser um surpresa final, mas que no final pouco ou nada tras para o desenvolvimento do filme. E obvio que o filme e bem trabalhado em quase todos os seus elementos, como interpretaçao, realização e banda sonora, mas fica a ideia que quer o final, e mesmo o ritmo algo lento do inicio do filme nao o tornam uma obra singular.

Por tudo isto, e sendo praticamente adquirido que Conclave sera um filme chave nas nomeaçoes para premios, fica a ideia de um bom filme que nunca consegue ser excelente tirando a interpretaçao central, do sempre competente Fiennes. A intriga parece sempre mais de um filme compercial do que propriamente de um filme com ambiçao a premios, onde o final nao permite o impacto que se calhar todos pensaram que poderia ter.

A historia do filme e bastante facil de sumariar, apos a morte de um papa, os cardeais juntam-se para tentar escolher um novo, no processo tipico de conclave e todas as jogadas e promenores associados a essa mesma escolha.

O argumento do filme demonstra trabalho no estudo de como tudo ocorre ao promenor. Na intriga politica central, ja vimos melhor embora o filme seja competente no problema e acima de tudo na forma como as personagens os encaram. O final parece despropositado porque acima de tudo torna-se quase so uma surpresa sem grande impacto.

Berger tinha surpreendido o mundo do cinema no seu filme anterior. O realizador alemão que tinha surpreendido esteticamente num filme de guerra volta a ter essa cautela e qualidade estetica neste filme, num dos prismas que melhor funciona no filme. Provavelmente vai conseguir novamente muitas nomeaçoes para premios numa carreira ate ao momento muito interessante 

No cast temos uma excelente construção de Fiennes o qual se apresenta num momento de forma brutal que se calhar ja justificaria um premio que lhe foge há diversos anos, pese embora nao seja o seu melhor papel. O cast é eficaz embora seja sempre Fiennes que o domine.


O melhor - Entrar no sempre misterio do conclave

O pior - O final torna o filme pouco ou nada realista


Avaliação - B

Saturday, December 14, 2024

We Live in Time

 Em pleno outono eis que pela mão do Studio Canal surgiu o filme romantico do ano, com uma dupla de atores em boa forma, o filme surgiu para uma vertente comercial embora com disfarçadas aspiraçoes criticas tendo em conta o momento em que estreou. Comercialmente o filme ficou-se pela mediania que impediu grandes ambiçoes na temporada de premios, sendo que por sua vez comercialmente os resultados tambem nao foram brilhantes principalmente tendo em conta o bom momento mediatico de ambos os protagonistas.

Sobre o filme podemos dizer que é um filme romantico sobre personagens e sobre a perda. E um drama emotivo que acaba por cometer o mesmo erro que ultimamente tem sido sistematico que é o fracionar temporalmente com avançoes e recuos na linhagem temporal, sem que isso seja particularmente bem contextualizado, levando o espetador a ter que pensar sempre onde está em vez de reagir emocionalmente aquilo que o filme lhe quer proporcionar.

A historia e simples no plano romantico, proximo do que muitos outros filmes ja fizeram, deixando algumas despesas aquilo que fosse a quimica entre a dupla de protagonistas. Esta acaba por ser satisfatória sem ser explosiva, mas neste ponto o lado rebelde de Pough sempre presente pode nao ter ajudado o impacto da dupla. Em determinados momentos o filme toca em opçoes interessantes embora não procure muito esse debate nas personagens.

POr tudo isto temos um mediano filme romantico, que no final nao nos da particularmente nada de novo, a nao ser a indecisões de quem ve o fim de vida proximo, mas mesmo neste plano o filme acaba por o deixar para um segundo plano, talvez com a sensação que o pudesse tornar muito pesado. Assim temos um filme romantico simples, dramatico, com atores de primeira linha mas que tem dificuldade em se diferenciar do que ja foi feito.

O filme fala de dois jovens, um recem divorciado e uma rebelde chefe de cozinha e a relaçáo que começa a existir entre eles com avanços e recuos e com o marco de uma doença oncologica que os faz colocar questões sobre as suas decisoes de vida.

O argumento do filme e conhecido, nao tem na sua concretização nada de particularmente diferente. Fica a ideia que o filme tenta fracionar-se temporalmente para nao ser tao dramatico, mas tambem fica ideia que existia espaço para mais originalidade nos dialogos ou mesmo naquilo que são os momentos das personagens e os seus debates.

Crowley foi um realizador que surpreendeu o cinema com a beleza de Brooklyn mas que depois falhou em toda a linha com Pintassilgo. Aqui e depois de uma passagem pela televisao tenta ganhar novamente a atençao no terreno onde funciona melhor, ou seja no lado romantico, embora o filme nao seja propriamente muito trabalhado na componente estetica.

SObre os interpretes ambos sao muito presos aos seus maneirismos, que funcionam se a personagem se encaixar no estilo, mas que os torna quase sempre parecidos, sendo claramente mais vincada essa rigidez em Garfield. Pough tem mais intensidade mas o papel merecia alguem mais suave para encaixar melhor na dupla.

O melhor - As questoes que coloca sobre como reagir a doença

O pior - A fraçao temporal em moda nem sempre nos parece funcionar


Avaliação - C+

Friday, December 13, 2024

Here

 Tom Hanks e Robin Wright dirigidos por Robert Zemeckis, são por si só motivo de elevar a expetativa ja que a ultima vez que tiveram juntos surgiu um dos filmes mais originais e brilhantes da historia do cinema, e pelo trailer o experiente realizador apostava fazer novamente algo diferente, num filme que tinha como principal protagonista um espaço concreto de uma sala. A critica no entanto não foi particularmente convencida com este peculiar filme e abordagem conduzindo a avaliaçoes distintas. Esta falta de fulgor critico acabou por condicionar tambem o percurso comercial do filme que se tornou num claro floop de bilheteira.

A primeira coisa que me faz sentir o filme, é que a ideia, a realizaçao e os presentes fazem com que o espetador tenha muita vontade de gostar do filme, mas rapidamente se percebe que algo nao vai correr bem. A decisao que pior funciona no filme e que acaba por ter impacto do primeiro ao ultimo minuto acaba por ser a confusao temporal, de avançoes e recuos, eu compreendo que Zemeckis na maquete tivesse o ponto de uniao entre as cenas mas isso está longe de se tornar evidente no filme e isso torna-o quase sempre estranho e difuso, mais do que eficaz.

Apenas na parte final e com a continuidade das personagens e com um caracter mais temporal o filme consegue ser mais funcional, mas emotivo, consegue ir buscar a beleza que efetivamente tem na realizaçao e na originalidade da ideia, mas isso não consegue ultrapassar a mais de uma hora de um cinema desligado, com bons atores, com as tecnicas digitais que tao bem, desde cedo Zemeckis usou, mas o coração chega demasiado tarde a um filme que se calhar se fosse mais simples teria certamente mais impacto.

Por tudo isto Here não sendo um mau filme, devendo premiar-se a originalidade e a beleza da realizaçao, e um filme que sabe a pouco, é um filme que desprediça muito da sua força numa confusao temporal que avança e recua, sem que isso acabe por ter grande significado. Para alguem tao experiente como Zemeckis por vezes a simplicidade poderia fazer força, mas ele sempre gostou de saltos narrativos entre o tempo, mas este nao foi propriamente eficaz.

A historia centra-se numa casa, mais concretamente numa sala e nos diversos eventos que por ela passaram ao longo do tempo, com diferentes gerações, momentos e festas, sempre no conceito de familia.

A ideia central do argumento é muito interessante e original, a questão acaba por ser que a historia em si não é propriamente significativa e a forma como foi partilhada deixa que o filme seja quase sempre clips insignificantes. No fim ganha algum coraçao quando pausa a consistencia das sequencias mas pouco mais.

Zemeckis e um dos melhores realizadores da historia com um percurso e uma originalidade fora do comum, que aqui nota-se ter as ideias inovadoras de sempre mas falha na sua concretização. mesmo assim uma ideia como esta nao esta ao alcance de qualquer um.

No cast temos um Hanks e Wright em papeis pouco trabalhados, e um filme de conceito mais do que personagens, sendo que a presença é mais iconica pelo passado juntos do que pelo que eles acabam por entregar ao filme. Acaba por ser Bettany que tem mais destaque no filme em si, mas este nao é, nem nunca tentou ser um filme de personagens.


O melhor - A ideia, a beleza da realizaçao.

O pior - O coração do filme apenas surgir nos ultimos minutos


Avaliação - C+

 

Thursday, December 12, 2024

Lee

 Produzido em 2023, mas apenas lançado em 2024 este biopic sobre Lee Miller a fotojornalista mais conhecida no seculo XX, a qual ganhou ainda mais notoriedade com a expansão do seu trabalho e com os contornos da sua coragem apos o lançamento da sua biografia. Em termos criticos o filme passou com avaliações positivas embora com pouco entusiasmo que conduziu a que o filme optasse comercialmente por uma abordagem mais europeia onde o filme foi produzido. Comercialmente o filme falhou nos EUA, mas em termos europeus o filme resultou, poderá o resultado ter mais impacto depois da nomeaçao de Kate Winslet para melhor atriz nos globos de ouro.

Sobre o filme temos um biopic tipico, não podemos dizer que temos muito da personagem, ja que a conhecemos ja com o seu processo como modelo ter terminado e na passagem para a sua ambiçao como jornalista. Depois o filme tenta relatar os melhores momentos, as suas relações e os perigos a um ritmo agradavel, mas sem o filme ser propriamente diferenciado.

Onde o filme surpreende e na estrategia que tem para contar a historia, numa especie de entrevista com perguntas e com um entrevistador proprio que acaba por ser o twist do filme, mas que pouco ou nada significa naquilo que o filme quer transmitir relativamente a uma personagem iconica que o filme nao sendo brilhante trata com respeito.

Numa altura em que os biopic tornaram-se cada vez mais sucessivos, este e competente nunca sendo brilhante. Resume os melhores momentos de uma carreira, os seus feitos, as suas relaçoes, mas fica a ideia que o filme arrisca pouco na abordagem, conseguindo sempre a funçao de mostrar um pouco mais o trabalho de Lee.

O filme fala de Lee Miller uma ex modelo que insiste numa carreira como fotografa e fotojornalista em plena 2 guerra mundial, num conjunto de aventuras e perigos que conduziu a uma carreira com momentos marcantes, reconhecidos muitos anos depois.

Em termos de argumentos o filme acenta no trabalho conhecido da fotografa, e a sua originalidade maior e na forma de contar a historia. Essa formula nao tem particular continuidade na forma como a historia de basica e filmada, que apesar de competente parece faltar alguma originalidade.

Na realizaçao temos no leme Ellen Kuras uma cinematografa com alguns projetos muito interessantes com uma carreira na realizaçao essencialmente em projetos de televisao que tem aqui um trabalho simples, sem grandes truques que talvez tornem o filme algo pequeno para aquilo que o mesmo poderia ser. Esperamos mais para perceber a sua real valia nesta tarefa.

No cast WInslet e intensa e entrega-se a este tipo de personagens como poucas atrizes o fazem. Nao sendo propriamente um papel muito vincado na sua carreira e competente e demonstra bem a sua qualidade. Acaba por ter secundarios com alguma surpresa nos personagens, mas o filme e dominado por WInslet

O melhor - O twist da narraçao

O pior - Em termos de historia o filme segue uma linhagem demasiado simplista


Avaliação - C+

Tuesday, December 10, 2024

Saturday Night

 Saturday Night Live é sem sombra de duvida o programa de maior sucesso do entertenimento norte americano, colencionado dezenas de comediantes que acabaram por ter uma carreira brutal no cinema e em todas outras linhas. Pois bem este filme acaba por ser o retrato do primeiro episodio, com personagens reais e a forma como o sonho de uma pessoa modificou por completo a historia da televisao americana. O filme conseguiu reunir criticas interessantes contudo comercialmente as coisas nao foram brilhantes talvez porque acima de tudo Saturday Night acaba por ser um produto essencial da cultura americana.

Sobre o filme podemos dizer que funciona em quase todos os segmentos, nas personagens e em escolhas muito felizes para interpretar figuras conhecidas, por outro lado o humor nos segmentos sempre mordaz da forma como conhecemos ainda hoje o formato e a confusão que dao ao filme e ao sucesso do programa aquele caracter de caos organizado que foi o sucesso nao so do filme mas da serie.

O que falha, o caos, demasiado, ao ser um filme em tempo real, fica sempre a ideia que tudo era impossivel acontecer em tão pouco tempo, fica a ideia que tudo e demasiado embelezado pela negativa para o final ter um impacto maior, mas sendo um filme com base real soa a algo novelesco demais.

Embora o filme consiga ir buscar as caracteristicas da maior parte dos seus interpretes, a maior parte deles conhecidos com carreiras longas, fica a ideia que em alguns deles, limita-se ao conhecido e ao boneco simples que conhecemos. Mesmo assim um filme com merito para inaltecer aquele que foi o programa revolução da transmissão, ainda para mais em direto.

A historia segue a hora e meia que antecedeu a primeira transmissão do primeiro programa pela mão da visão de um produtor, onde todo o caos parece conduzir tudo para a falha global, na indifinição da transmisssão ao vivo ou gravada.

O argumento tem o lado de conseguir dar ao espetador o lado comico de cada um dos seus interpretes. Por outro lado ao tornar o caos interminavel exagera naquilo que seja o registo factual do que aconteceu sendo mais uma fabulo do que o registo. A homenagem existe o documento menos.

No que diz respeito a realizaçao Reitman foi uma boa escolha principalmente porque o seu pai acabou por patrocinar algumas carreiras que dali sairam. Consegue ser fiel ao estilo principalmente narrativo, numa realizaçao cuidada que brilha essencialmente no cast e nas semelhanças.

No cast o filme tras Labelle um jovem ator que conseguiu nos dois papeis ate hoje ser Spilberg e Lorne Michaels, novamente consegue encaixar no registo desesperado mas fica um pouco proximo do que ja tinha feito antes. E nos secundarios que penso que o filme melhor funciona principalmente em registos curtos como o de JK Simons, Lamorne Morris, Matt Wood e principalmente Michael Smith.


O melhor - O cast

o Pior - A confusao e o caos exagerado ter tirado a escolha do tempo real como eficaz


Avaliação - B-

Monday, December 09, 2024

Mary

Aproveitando a chegada de Natal a Netflix apostou num filme mais liturgico sobre a personagem que deu à luz Jesus Cristo, num filme sobre Maria, uma das personagens religiosas que poucos sabem de onde veio, apenas conhecendo o facto de ter dado a luz Jesus Cristo. Neste filme de estudio a critica e o publico foram indiferentes a um filme com um proposito unico. COmercialmente a Netflix responde nesta quadra a uma franja populacional que ainda liga o Natal a religiao catolica.
SObre o filme para quem viu diversos filmes religiosos este é mais um, pouco dialogo, pouca personagem, limita-se essencialmente aos apontamentos que conhecemos e alguns derivados, zero riscos. Uma das bases do filme é centrar o filme no lado perfido de Herodes mais do que entrar propriamente nas caracteristicas, para alem da bondade extrema da personagem, e quando assim é ficam muitas perguntas por fazer.
No que diz respeito ao lado estetico do filme percebe-se que sendo um filme de estudio, os recursos ou a criatividade nao estavam em grande forma ja que segue o que foi feito, em telefilmes de segunda linha ou mesmo nos filmes de estudio que sao lançados todos os anos com temas próximos. Assim acaba por ser um filme previsivel.
Por tudo isto um filme para os fanáticos religiosos que todos os anos questionam o Natal da forma como hoje o vivemos em detrimento da festividade religiosa que esteve na sua origem, mas o filme arrisca pouco em todos os niveis, narrativo, personagem e de significado, sendo apenas mais um filme para ser visto na catequese sem qualquer contraditorio.
O filme fala de Maria um pouco mais cedo do que conhecemos dela, ou seja, o seu nascimento a forma como conheceu José ate ao momento em que acaba por ficar gravida do messias, isso enquanto Herodes tenta combater os fieis.
O argumento do filme e curto, uma serie de conhecimentos biblicos, umas simples adaptações, pouco dialogo, pouco risco, e um filme que todos sabemos como ia acabar, mas o caminho até la poderia ser no minimo mais trabalhado.
Na realizaçao Caruso ja foi um realizador com algum destaque na açao de estudio que foi perdendo, mas nao deixa de ser surpreendente a sua aposta por um genero normalmente usado para tarefeiros e pouco mais. AInda para mais quando o filme nao consegue ter qualquer ponto diferenciador significativo.
No cast estranha-se a presença de Hopkins ainda para mais depois de um oscar, fica a ideia que é um colaboraçao por amizade, num papel sem rasgo e carisma, que denota-se apenas o avançar da idade. Nos mais novos simples desconhecidos que provavelmente continuaram nesse registo.

O melhor - O lado religioso de base do natal.
O pior - O filme arriscar zero

Avaliação - C-

Juror #2

 Com uma produção sem grande mediatismo eis que de forma silenciosa surgiu o novo filme de Clint Eastwood como realizador, aquele que alguns apontam como o seu ultimo filme. Pensado inicialemente como uma aposta direta da Max, depois de algumas boas avaliações nos testes o filme acabou por estrear em poucos cinemas norte americanos, sendo mais expandido fora do territorio. Por isso comercialmente foi quase residual, mesmo que a critica tenha gostado da abordagem.

Sobre o filme podemos dizer que na base temos um tipico filme de tribunal, sobre um homicida e sobre a incidências dos jurados, isso da-nos uma versão diferente do que estamos habituados a ver, nas analises e discussões embora o filme tenha uma intriga diferente com a intervenção direta de um deles e sobre os dilemas. A forma realista que o filme gere esses dilemas acaba por ser a sua mais valia, quase como se um dilema moral colocasse em toda a linha ao espetador, uma das ambições maiores do filme.

Por outro lado o filme é algo curto no tribunal e nas sequencias de analise. Tudo e analisado pela rama o que se torna dificil de perceber num caso tão grande, se calhar o filme quer esse balanço como critica a um estilo estadartizado de investigação, mas a primeira meia hora de tribunal esta longe de ser brilhante. Percebe-se que o filme quer atalhar para ir para o seu ponto, mas poderia trabalhar um pouco mais.

Assim surge um filme interessante, num tipo de filme em que normalmente Eastwood sempre funcionou sobre investigação, avanços e dilemas morais. Nota-se que ja nao existe a capacidade para fazer os filmes grandes produções de primeira linha mas isso nao retira a capacidade do filme em fazer o espetador pensar sobre como reagia dentro da sua moralidade.

A historia segue um ex-alcoolico que prestes a ser pai e escolhido para o juri de um caso de homicidio que rapidamente percebe poder estar relacionado consigo, entrando no dilema de poder condenar alguem inocente, ou tentar por em causa a sua felicidade.

O argumento funciona principalmente nas questões eticas e morais que coloca e como as coloca. Do ponto de vista de detalhe tinha espaço para mais, nos dialogos e principalmente na forma como todo o julgamento decorre no minimo. Mesmo assim e com um final interessante o filme sabe qual e o seu foco narrativo.

Na realizaçao Eastwood tem uma idade avançada, já não é capaz de grandes truques, deixando o filme fluir para os personagens, dialogos e algum espaço para a montagem. Foi um realizador de primeira linha que este filme, caso seja o ultimo, nao defrauda o que ele criou.

No cast temos um Hoult a ganhar algum espaço em Hollywood com um bom papel, sem ser brilhante, parece um ator com recursos que não tem conseguido sempre encontrar os papeis certos. Ao seu lado temos a sempre competente Collette e Simons, mas o filme acaba por dar mais destaque ao seu protagonista.


O melhor - O dilema moral colocado

O pior - As sequencias de tribunal


Avaliação - B

Sunday, December 08, 2024

Between the Temples

 Estreado no ultimo festival de Sundance com boas criticas, este filme conseguiu a luz do dia com uma distribuição curta e muito direcionada para a população judaica. Agora no final do ano e com o aparecimento da temporada de premios, nos mais pequenos e independentes tem-se percebido a presença de Carol Kane em algumas listas. Comercialmente o filme não tinha objetivos propriamente fortes e isso acabou por conduzir a um resultado essencialmente curto.

Sobre o filme podemos dizer que tem um estilo totalmente independente na forma de filmar, atuar e nos dialogos a maior parte dos mesmos sem grande sentido, mas apostados essencialmente em criar alguns momentos diferentes. O estilo do filme acaba por nao lhe permitir dar a dimensão emocional que em determinados momentos o filme pensa que pode ter na fase final, e que acaba por surgir sem esse impacto.

Eu confesso que nao gosto particularmente deste tipo de filmes, não porque o cinema não consiga os objetivos que se propoem, mas esta procura pela diferença por si só, e muitas vezes pelo non sense, se nao tiver atras de si uma mensagem subliminar forte parece apenas um exercicio de estilo sem grande porquê, e o filme acaba por passar muito essa dimensão.

Ou seja um filme que tem alguns valores, principalmente para quem gosta do cinema mais implementado na vertente das tradições judaicas, as quais parecem bem longe. Talvez o mundo esteja um pouco distante delas atualmente devido aos acontecimentos entretantos passados, e o filme sofra tambem por essa falta de empatia atualmente presente.

A historia segue um cantor judaico que nao consegue fazer a sua arte depois da morte da sua esposa, que acaba por conhecer a sua antiga professora de musica e os quais começam a formalizar uma ligaçao proxima.

O argumento tem muitos apontamentos culturais mas o seu estilo disperso demasiado independente não ajuda o filme a tornar-se empatico com o espetador. Fica a sensação em muitos momentos do filme que o mesmo quer ser mais estranho do que eficaz.

Na realizaçao Nathan SIlver é alguem que gosta de cinema associado a um maior judaismo e as suas diferentes componentes. Nota-se em muitos momentos que o filme quer ser estranho e ter o proprio ritmo, mas isso muitas vezes torna-se non sense. E deliberado mas na minha opinião não e funcional.

No que diz respeito ao cast Schartzman e um habitue neste tipo de filme e personagem que parece criada para ele. Kane e uma atriz de quarta linha, com alguns filmes mas pouca fama, que tem aqui a sua construção talvez mais meritoria.


O melhor - Alguns apontamentos culturais do judaismo

O pior - A forma como o filme acaba por deambular por lado nenhum


Avaliação - C-