Setembro é sempre um mês de passagem onde após o esgotar dos
lançamentos com objetivos mais comerciais começam a surgir filmes com mais
ambições nos prémios e alguns projetos mais intermédios como este policial,
baseado em factos verídicos sobre investigação em plena segregação racial.
Criticamente o filme ficou pela mediania, um meio termo incapaz de provocar
dano. Por sua vez comercialmente as coisas também não foram brilhantes, mas se
calhar num filme que nunca teve propriamente a convicção que poderia imperar.
Sobre o filme podemos dizer que o contexto social, político
e cultural onde ocorre poderia dar um filme coeso, maduro, e interessante
principalmente na dificuldade dos policias negros de fazerem vincar a sua lei
numa cidade totalmente racista. Mas o filme tenta ser simples, com
procedimentos básicos num filme de ação sobre parceiros, acaba por ser um filme
que não leva totalmente a sério a história que quer contar.
E esse o grande problema do filme fica a sensação que melhor
escrito com maior dissertação sobre alguns das questões éticas ali presentes e
da sua implicação poderia ser um filme referencia na forma como aborda algumas
questões da investigação criminal ou mesmo da justiça em tempos complicados,
mas o filme tenta sempre ser mais um duo action com Mark Whalberg do que outra
coisa qualquer.
Por tudo isto alguma frustração com o resultado final. Num
filme onde se calhar vigorara a música que conduzira Warren as nomeações e
pouco mais numa história, ou abordagem que mereceu ser contada se calhar com
mais rigor e levando mais a sério a história que quis contar.
Temos o filme sobre um agente do FBI negro numa cidade
marcada pela atuação ativa do KKK que coloca em perigo todos os cidadãos que
lutam pelos direitos afro americanos, contudo a investigação acaba por se
associar a um líder da mafia de forma a equilibrar as forças.
O argumento da história parte de um pressuposto narrativo
bastante relevante e forte, pena é que potencie pouco a história de base, nas
personagens, nas ligações e no detalhe, acabando por ser um filme simples sobre
uma historia e atitudes bem complexas
Na realização temos Bratton um realizador associado a
questões raciais que chamou a atenção do cinema no seu independente Inspeccion
com sucesso. Com mais meios parece ter ficado a meio termo, lutando muito pela
questão da justiça racial e pouco nos dilemas éticos que o filme aborda.
Nota-se ainda muita inexperiência nesses limites.
No cast Mateen II é um ator destinado a personagens
excêntricas e intensas o que esta personagem acaba por não ser exibindo algum
desconforto nas próprias linhas. Whalberg mesmo caracterizado é mais do mesmo
num ator com dificuldades em sair das barreiras que se colocou. Não e um cast
de um filme de primeira linha
O melhor – A história que conta as nuances da mesma
O pior – O filme querer ser simples com uma abordagem
complexa
Avaliação - C


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