Friday, October 30, 2026

By Any Means

 


Setembro é sempre um mês de passagem onde após o esgotar dos lançamentos com objetivos mais comerciais começam a surgir filmes com mais ambições nos prémios e alguns projetos mais intermédios como este policial, baseado em factos verídicos sobre investigação em plena segregação racial. Criticamente o filme ficou pela mediania, um meio termo incapaz de provocar dano. Por sua vez comercialmente as coisas também não foram brilhantes, mas se calhar num filme que nunca teve propriamente a convicção que poderia imperar.

Sobre o filme podemos dizer que o contexto social, político e cultural onde ocorre poderia dar um filme coeso, maduro, e interessante principalmente na dificuldade dos policias negros de fazerem vincar a sua lei numa cidade totalmente racista. Mas o filme tenta ser simples, com procedimentos básicos num filme de ação sobre parceiros, acaba por ser um filme que não leva totalmente a sério a história que quer contar.

E esse o grande problema do filme fica a sensação que melhor escrito com maior dissertação sobre alguns das questões éticas ali presentes e da sua implicação poderia ser um filme referencia na forma como aborda algumas questões da investigação criminal ou mesmo da justiça em tempos complicados, mas o filme tenta sempre ser mais um duo action com Mark Whalberg do que outra coisa qualquer.

Por tudo isto alguma frustração com o resultado final. Num filme onde se calhar vigorara a música que conduzira Warren as nomeações e pouco mais numa história, ou abordagem que mereceu ser contada se calhar com mais rigor e levando mais a sério a história que quis contar.

Temos o filme sobre um agente do FBI negro numa cidade marcada pela atuação ativa do KKK que coloca em perigo todos os cidadãos que lutam pelos direitos afro americanos, contudo a investigação acaba por se associar a um líder da mafia de forma a equilibrar as forças.

O argumento da história parte de um pressuposto narrativo bastante relevante e forte, pena é que potencie pouco a história de base, nas personagens, nas ligações e no detalhe, acabando por ser um filme simples sobre uma historia e atitudes bem complexas

Na realização temos Bratton um realizador associado a questões raciais que chamou a atenção do cinema no seu independente Inspeccion com sucesso. Com mais meios parece ter ficado a meio termo, lutando muito pela questão da justiça racial e pouco nos dilemas éticos que o filme aborda. Nota-se ainda muita inexperiência nesses limites.

No cast Mateen II é um ator destinado a personagens excêntricas e intensas o que esta personagem acaba por não ser exibindo algum desconforto nas próprias linhas. Whalberg mesmo caracterizado é mais do mesmo num ator com dificuldades em sair das barreiras que se colocou. Não e um cast de um filme de primeira linha


O melhor – A história que conta as nuances da mesma

O pior – O filme querer ser simples com uma abordagem complexa

 

Avaliação - C

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