Neste Outono em que a melancolia com a falta de calor começa a vigorar em diversas casas eis que surge um filme da Amazon prime, romantico sobre perda e reação à mesma. Com uma Margaret Qualey cada vez mais permanente, eis que este filme foi lançado com uma ligação forte a Portugal onde foi parcialmente filmado. Criticamente o filme até conseguiu avaliações algo positivas sendo que comercialmente também tem dos os ingredientes para preencher muitos momentos com o frio a imperar.
Sobre o filme podemos dizer que tem um inicio algo simplista na forma como a relação central de todo o filme se vai construindo e mesmo na forma como os elementos se vão juntando com todo o lado mais positivista que o filme quer ter. Esse ponto acaba por desaparecer quando entra o facto central do filme que acaba por mudar o registo do filme, mais rebelde com mais risco e isso acaba por tornar o filme mais forte e coeso para o final de reencontro.
E um filme triste, é um filme onde seguimos demasiado as emoções da personagem sendo que fica sempre a sensação que a perda será sempre maior do que qualquer ganho sequente. E nisso que temos um filme que tenta a emoção facil que para os portugueses tem o aliciante de ver uma lisboa melancólica e nesse particular o filme tem algumas emoções que funcionam bem.
Por tudo isto um filme romântico, um drama pesado num cinema simples de transmissão de mensagens emotivas fortes. E nesse registo que fica claro que o cinema tem esse espaço. E um filme sobre perda não tentando ser poético sobre o que o filme quer ser e esse realismo acaba por nos prender a personagem, sem em momento algum ser um filme impactante ou totalmente diferenciado.
A historia segue uma jovem enfermeira que encontra o amor da sua vida onde todos os planos pareciam estar a ser concretizados até ao momento em que o individuo morre em pleno covid. Nesse momento a mesma inicia um isolamento que a leva a conhecer novas pessoas a restruturar a sua vida.
Obvio que um tema como o luto nunca é propriamente um espaço para trabalhos muito objetivos tendendo Hollywood em tornar tudo demasiado romântico. O filme não foge desse romantismo mas nunca o embeleza ao máximo. E nesses momentos que percebemos que o mesmo acaba por ter alguns apontamentos diferenciadores.
Na realização podemos dizer que nota-se o apontamento emocional feminino, Morisson soube escolher os contextos, desde o Covid, a Lisboa melancolica o regresso, nota-se essa capacidade de transmitir emoções que o filme quer ter. Uma realizadora até agora de televisão que acaba por ter esta oportunidade onde cumpre.
Qualey e uma atriz com alguns atributos dramáticos intensos, e uma capacidade muito única de criar esses momentos. Domina o filme e as suas emoções. Pierre tem esse impacto mais de balanço mas as escolhas de Schwarznegger e Basso parece-nos mais discutiveis
O melhor - A melancolia de Lisboa
O pior - A forma como o filme acaba por ser algo cliche em muitos momentos
Avaliação - C+

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