Friday, January 09, 2026

Nouvelle Vague

 Estreado em Cannes o primeiro de dois filmes de Linklater no presente ano, este tinha um proposito muito proprio para aquele festival, homenagear o movimento de cinema exprimental que ali surgiu na rodagem de uma das suas obras de referencia. O filme teve boas criticas, como alias tem sido habitual em quase tudo que o realizador faz, mas foi um filme como o proprio filme de base, algo exprimental dai que nunca tenha surgido propriamente a serio na temporada de premios com uma ou outra nomeaçao. Comercialmente nunca foi um filme de multidoes e os resultados foram muito curtos principalmente pelo realizador em questão.

O filme começa com um formato a preto e branco que é para capturar a essencia do filme que se baseia, ou do qual quer transmitir a sua produção, é uma escolha inteligente porque leva o espetador para aquele distante espaço temporal. Em termos narrativos, parametros onde normalmente Linklater e forte penso que o filme é menos trabalhado do que outros do realizador, principalmente o recente Blue Moon, dai que mesmo sendo mais concetual penso que o resultado final é menos impactante.

A lingua francesa faz o filme também ser algo mais lento, para quem esta habituado a trabalhar noutra lingua, nota-se essa dificuldade em alguns momentos na fluencia e ritmos dos dialogos. Mas mesmo para quem ve essa epoca do cinema muito longe o filme tem a capacidade de alimentar essa curiosidade muito pela particularidade do protagonista e pela forma como se percebe que a quimica entre os intervenientes foi crescendo.

Por tudo isto mais que um filme de excelencia que penso que nunca é, fica a uma homenagem em estilo proprio a um tipo de cinema que marcou o seu tempo. Se calhar muito longinquo da maior parte das pessoas a sensação que fica é de um filme ou uma epoca onde Linklater se reve, mas penso que nos dias de hoje está algo isolado nesta forma peculiar de ver cinema.

A historia trás-nos toda a produçao de Acossado um dos filmes referentes de Jean Luc Godard desde a forma como foi empurrado para essa necessidade bem como a forma como tudo foi produzido ao seu estilo, com pouca interferencia da produçao, num processo no minino complicado.

Dizer que o argumento de um filme de Linklater até pode ser um dos parentes pobres nao e propriamente muito comum, mas é claro que neste filme esse problema acontece. Se calhar por ser um filme falado numa lingua nao nativa fica a sensação que as palavras nao saem ao ritmo habitual principalmente no dialogos entre personagens.

Linklater e mais que um excelente realizador o verdadeiro exprimentalista de Hollywood com conceitos que poucos se atrevem. Aqui sai da sua zona de confronto com a escolha numa lingua diferente e mais que isso num preto e branco onde tambem nao tinha experiencia. Esteticamente sai um filme interessante de um realizador com diversas virtudes.

No cast poucos nomes de conhecimento publico geral, com escolhas do cinema frances competente, bem caracterizadas para o efeito e a jovem Dutch a tentar uma personagem num cinema de autor depois de diversas passagens por um cinema comercial. Nao me parece ter sido um filme prodigo em interpretaçoes de referencia.


O melhor - O exprimentalismo em que LInklater baseia a sua carreira

O pior - A forma como os dialogos por vezes nao fluem


Avaliação - C+

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