Quando este projeto de Maggie Gyllenhall foi atrasado de outubro
em plena época de prémios para Março todos perceberam que a receção do filme
nas visualizações tinha sido muito complicada. Dai que quando o filme foi
lançado tornou-se num desastre completo, principalmente comercial, tendo em
conta o elevado número de dinheiro envolvido numa mega produção concetual.
Criticamente as coisas divergiram entre quem gostou do experimentalismo e quem
achou o filme demasiado estranho para ser funcional.
Sobre o filme podemos dizer que é complexo, se por um lado
ficamos com a sensação que é muito bem interpretado, com uma dupla de
protagonistas ao mais alto nível, conduzindo as personagens para vetores de
elevação. O filme no lado emocional funciona como história de amor, a primeira
hora acaba por ser de bom cinema, em todos os vetores do filme, quando se torna
apenas rebelde e abre demasiadas pontas soltas o filme perde-se mais, mas está
longe de ser o desastre que se apregoou que seria.
O ponto que me parece que
funciona melhor, mas que ao mesmo tempo se calhar foi um dos pontos mais
controversos do filme, acaba por ser a melancolia da personagem de
Frankenstein. Se calhar o filme ganharia mais afastando-se da literatura
existente e acabar por ser uma história nova com novos personagens,
afastando-se da história de base de tal forma que os mais puros possam ter
ficado algo intrigados com a ligação.
Mesmo assim valoriza-se o risco e
a excentricidade da produção, mas por outro lado fico com a sensação que o
filme tenta ser demasiadas coisas ao mesmo tempo, numa ambição desmedida. A escolha
da ligação ao clássico da literatura está longe de ser a melhor escolha do
projeto, já que fica preso a uma amarras que o filme, nota-se não querer ter.
A historia segue uma historia de
amor entre o monstro criado por Frankensteins e uma nova mulher, numa historia
de amor disruptivel contra os podres de uma cidade, onde ambos acabaram por
encetar um amor sem barreiras, nas suas adversidades.
O argumento do filme acaba por
ter demasiados apontamentos ao mesmo tempo que nem sempre são organizados, a
base do filme é simples, mas a dupla
funciona bem melhor no lado romântico do que propriamente no resto da intriga.
Não e a mais valia do filme mas tem alguns apontamentos interessantes.
Na realização Gyllenhal depois do
primeiro filme de sucesso colocou muita gente a olhar para ela. Colocou a
barreira demasiado alta, tentou demasiadas coisas ao mesmo tempo, esteticamente
funcionou, concetualmente nem sempre. Teve contra si o filme ter sido um flop a
todos os níveis que vai ter de recuperar se quiser ser relevante no futuro.
Um elenco com Buckley e Bale é do
melhor que o cinema pode dar, a primeira é um espetáculo a solta, de rebeldia,
de intensidade. Bale dá o lado mais emocional, nos momentos musicais nota-se
mais desconforto. E um cast de primeiro nível que cumpre o proópisto que o
filme quer ter.
O melhor – O lado emocional e
estético do filme.
O pior – Ficar preso as amarras
do clássico
Avaliação – B-

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