Sunday, March 01, 2026

The Rip

 Pode um filme com Ben Affleck e Matt Damon, de acção com boas criticas ser lançado em Streaming em Janeiro, no mês mais associado a arquivos e filmes de terror de segunda linha. A resposta foi dada de forma positiva pela NEtflix que apostou tudo logo no primeiro mês, com um dos seus filmes comercialmente mais fortes. Criticamente as coisas ate foram positivas, o que ainda torna mais estranha a opção, sendo que comercialmente com dois ases como este, e pela o lado imediato da NEtflix percebeu-se que o resultado também iria ser forte.

Sobre o filme podemos começar por dizer que temos um interessante objeto de entertenimento que é pensado como um puzzle que quer surpreender com o desenlace final, um pouco como as instruções para tudo o que vimos antes. Nesse particular o filme esconde um pouco demais na primeira parte. Fica a sensaçao que a preparaçao do filme não é brilhante e isso acaba por tirar o impacto final, que o filme tem.

Obvio que o lado da revelação final torna o filme com os seus twist interessante ao espetador, tem essa capacidade de surpreender, de ir buscar intensidade num conjunto de atores de primeira linha que permitem uma narrativa aberta, com conflitos e com misterio, que faz do filme uma clara boa escolha para um policiar de entertenimento.

Pode tendo em base o seu elenco perceber-se que é curto demais, que se trata de um filme com pouca densidade, ou seja um filme de ação tipico do seu realizador, com bons atores, mas que não tem alcance, e sejamos sinceros, parece nunca tentar ser, em momento algum mais do que isso. A procura do cinema mais simplista explica se calhar o momento da sua estreia.

A historia fala de um conjunto de policias, que suspeitam uns dos outros do assassinato de uma colega, que apos uma grande apreensão, tentam perceber quem é o traidor no meio deles, numa intriga maior que eles todos.

O argumento sobrevive essencialmente do lado mais de ação, e do facto de se esconder em grande parte do filme, para ter o impacto final. Resulta naquilo que o filme acaba por ser, pese embora sem o caracter de surpresa maxima que chega-se a pensar que o filme poderia ter.

Na realizaçao Carnahan é daqueles realizadores de ação que teve um bom inicio, esteve sempre presente mas nunca conseguiu se impulsionar para maiores espaços. Aqui tem um bom trabalho na ação ritmada mas com pouca assinatura.

No cast temos Damon sem grande sublinhado, tem sempre qualidade mas denota-se que não é neste registo que se senta mais confortável. E mais o terreno de Affleck mais autoritario na ação e os restantes secundarios competentes sem brilho.


O melhor - O desenlace

O pior - A preparação para a revelação deveria ser mais forte na comunicação com o espetador.


Avaliação - C+

Joe's College Road Trip

 Tyler Perry tornou-se nas ultimas duas décadas um fenómeno de popularidade em termos de cinema direcionado para o público afro americano quer do ponto de vista dramático com um estilo novelesco pouco trabalhado quer também no formato cómico com as suas multiplas personagens e um humor disruptivo, que acaba por ser o estilo Eddie Murphy bem mais adulto. Este filme sob a chancela da Netflix marca o segundo estilo com criticas sempre pouco interessantes e comercialmente com algumas qualidades.

Sobre o filme podemos começar por dizer que se trata de um filme de humor racial, que tem bons momentos isolados, mas entra no estériotipo exagerado que faz o filme ser demasiado goofy em quase todos os momentos principalmente quando Joe deixa o seu neto sozinho em que o filme parece deliberadamente irritante mais que funcional.

Joe tem alguns momentos proporcionados por dialogos rebeldes que funcionam, é um dos melhores personagens do mundo de Madea, mas fica a sensação que funcionaria em clips curto mas exagerado para um filme com quase duas horas. Claro que Perry nunca pensou que este seu registo fosse totalmente próximo da critica mais rigorosa mas ocupa espaço na cultura afro americana atual.

Por tudo isto uma comedia simples para ocupar espaço em colaborações continuas do realizador com as mais diversas aplicações de streaming. Agora surge outra personagem a comandar o lado mais comico, com alguns momentos com muitas piadas mas acima de tudo um estilo ultrapassado de desgaste rapido que nao colocara nenhuma pessoa europeia fa do estilo, dai que o sucesso da saga seja essencialmente americana.

A historia segue Joe, irmão de Madea e a forma como o mesmo inicia uma road trip com o seu neto, totalmente contrário À forma de viver do avô que leva a um choque de gerações e mais que isso um choque de vivencias.

O argumento está totalmente dependente do humor. Tem espaços isolados que funciona, mas no restante cai no cliche fácil da piada sexualizada, racial. O filme tenta no fim ter alguma densidade mas surge como um autoclante pouco contextualizado.

Na realizaçao Perry tem o mercado do humor e drama tipo pastilha elastica americana. Os filmes sao basicos realizados sempre com procedimentos simples, e o lado comico com um estilo de humor ultrapassado, que fazem dele presente mas longe de ser amado.

No cast temos os diferentes Perry que encaixam em diferentes estilos que quer ter. Joe é para mim onde se solta mais do ponto de vista comico, sendo totalmente irritante no lado normal. Neste tipo de filmes normalmente não procura outros protagonistas


O melhor - ALguns apontamentos de Joe.

O pior - Toda a personagem de BJ


Avaliação - C-