Tuesday, January 23, 2018

All I See is You

Manter-se no topo é das tarefas mais dificeis de um realizador. Normalmente depois de anos de alguma gloria surge o lado mais negro com dificuldade em comprovar as expetativas criadas em torno dos seus filmes. Podemos dizer que Marc Forster ao longo do tempo já saboreu esta experiencia algumas vezes, estando nesta altura numa fase mais sombria. Em 2016apostou tudo neste thriller contudo apos a exibição em Toronto e com avaliações muito pobres acabou por filme por passar esquecido, estreando apenas em 2017 com pouco ou nenhum mediatismo. Comercialmente fruto de pouca divulgação os resultados foram muito escassos e tornaram este filme um dos floops criticos dos ultimos anos.
Sobre o filme, eu confesso que achei uma premissa interessante a da recuperação da visão e a forma como isso faria mudar o que conhecemos e a forma como vivemos, e na exploração dessa premissa o filme tem alguns valores, principalmente nos altos e baixos relacionais. O problema é que o filme não se satisfaz com abordagem e exploração deste ponto, tornando-o num thriller policial que o retira da realidade e de uma abordagem problematica para ir para um filme de personagens peculiares mais que a situação.
E neste balanço que o filme tem dificuldades em fazer prevalecer os seus objetivos, acabando por dispersar a sua atenção no lado sexual da personagem e mais que isso num thriller cheio de twists e pontas por resolver, que acaba por nunca dar atenção ou abordar a fundo a questão central, da adaptação a algo que todos pensariamos como otimo. E nisso o filme não se balança bem, e não é inteligente na gestão que faz.
Mesmo assim temos um filme de ritmo elevado, com alguns pontos que acabam por aproximar o espetador da narrativa, pese embora nos parece que excede o tempo que perde em imagens desfocadas e em situações isoladas de deambulação da personagem central, que faz com que algum tempo de um filme curto seja assim desaproveitado na tentativa de o transformar em algo mais do que realmente é.
A historia fala de um casal, no qual o elemento feminino é cego, mas que acaba por recuperar a visão após uma intervenção cirurgica. Este facto acaba por alterar todas as dinamicas do casal, colocando em causa tudo que antes era dado como adquirido.
Em termos de argumento penso que a base do filme é extremamente interessante e forte, sendo uma abordagem original de algo concreto. pena e que o filme nao saiba rentabilizar na especificidade a riqueza da ideia, dispersando-a num policial de segundo nivel.
Marc Forster tem tambem no seu trabalho neste filme altos e baixos, se nos contextos escolhidos como Tailandia e Espanha o filme tem boas escolhas penso que perde demasiado tempo em planos poucos focados transmitindo a ideia de se querer colocar na pele da personagem. Algo que me parece desnecessario num filme como este.
O cast tem personagens duais, Lively ainda me parece mais uma mulher bonita do que uma excelente actriz, e o filme exigia mais uma segunda do que uma primeira, dai que penso que ficou algo por potenciar na personagem. Clarke tem intensidade mas sofre por uma personagem nem sempre bem caracterizada pelo argumento.

O melhor - A ideia de base

O pior - Preocupar-se demais num guião policial

Avaliação - C

Tyler Perry's Boo 2! A Madea Halloween

Tyler Perry e a sua Madea é já uma das personagens claras do cinema atual, normalmente obtendo filmes mal recebidos pela critica sem grande humor o que é certo é que a personagem já vai no seu decimo filme, e continua a conseguir ganhar dinheiro. Este filme não foi exceção a esta regra, criticamente um desastre, estando mesmo na corrida pelos Razzies awards mas comercialmente a comunidade afro americana continua a sustentar esta personagem que já tem mais filmes em andamento.
Sobre o filme, eu confesso que não acho particular graça a este tipo de humor demasiado fisico, nem me parece que Tyler Perry seja um actor fora de serie a utilizá-lo como por exemplo durante muito tempo Eddie Murphy o foi. Em termos de humor parece sempre tudo demasiado forçado, pouco subtil e mais que isso pouco engraçado. O problema é que este filme não tem basicamente mais nada a não ser a tentativa de humor, já que a narrativa central é totalmente despropositada e sem graça.
Quando se chega a um decimo filme tem que se trazer algo de novo para a saga e para a personagem e Tyler Perry nunca o fez, numa personagem que já de si, não tinha sentido nem grande graça, mas que ainda tinha o fator novidade sem isso tornou-se cansativa e um objeto facil de quem espera bem mais do cinema seja em que componente for, como o entertenimento serie B.
Por tudo isto este é um filme dificil de ver, questionamos muitas vezes se mesmo Perry acha graça ao que faz, porque a quantidade de tentativas de piadas sem funcionar é elevada, ainda para mais num filme totalmente virado para comedia sem mais nada. Todos ja percebemos que atualmente o humor fisico tem que ser muito trabalhado ja que quando não o é as coisas podem ficar sem qualquer graça como é o caso deste filme.
A historia segue novamente a familia da Madea, que desta vez decide ir proteger a sua sobrinha de uma festa de halloween para adolescentes mas que já foi alvo de um ataque de criminosos, contudo tudo se torna uma confusão.
Em termos de argumento mais do mesmo, uma situação para potenciar a personagem, e quando assim o é tudo fica sem grande sentido, não tem personagens. não tem fio condutor da narrativa e mais que isso não tem graça.
Como realizador Tyler Perry faz filmes simples para uma população muito especifica: neste filme a tipica realizaçao de comedia de televisão e pouco mais. Não é aqui que reside o problema mas é aqui que ele agudiza.
Em termos de cast tudo não funciona Perry nem como pessoa normal nem nos seus bonecos funciona, com excepção de um ou outro momento de John, nota-se a obsessão com Eddie Murphy, contudo a graça nunca a consegue encontrar.

O melhor - Um ou outro momento de John

O pior - A falta de graça de um filme que anda sempre à procura de a ter

Avaliação - D

Monday, January 22, 2018

The Disaster Artist

Se existe coisa que pode definir este ano em termos de cinema é os biopics impensáveis. Depois de um filme biografico sobre a patinadora Tonya Herding surge agora um biopic sobre a dupla Greg Sestero eTommy Wiseau e toda a produçao daquele que é considerado o pior filme da historia, de tal forma que o mesmo se tornou num objeto de culto. Ao contrario do filme que tem por base a critica elogiou bastante o filme de Franco pela sua irreverência. Comercialmente os resultados foram consistentes aproveitando em muito aquilo que The Room significa para a legião de fãs que foi criando.
Como adepto de The Room confesso que estava à espera de mais, principalmente no que diz respeito aquilo que era Wiseau. Pois bem saimos com a sensação que o filme se limita a dar o lado estranho e sem sentido da personagem, não procurando explicações, talvez porque não exista, mas o que é certo 
e que eu pessoalmente esperava perceber o que lhe passou pela cabeça para fazer algo daquele genero. E nisso o filme acabou por num primeiro momento me defraudar as expetativas.
Claro que o filme tem momentos deliciosos, principalmente na composiçao de Franco que acaba por conseguir reproduzir todos os pontos principais de uma personagem tao peculiar como Wiseau. Os paralelismos com o filme original tambem são de primeira linha, que fazem deste filme facil de gostar. Embora nos pareça impossivel perceber onde o filme quer chegar nao conhecendo The Room, o que pode diminuir em muito o alcance do filme.
Por tudo isto parece-nos um filme que vale mais pela curiosidade e pela originalidade da ideia do que propriamente pelo seu valor em si. Alias parece que o filme precisava mais de se centrar em The Room do que na relaçao entre protagonistas, ja que destas acabou por não conseguir lhes transmitir nada. Enfim se não for por mais nada que consiga que as pessoas vejam The Room e percebam que é dificil fazer mau cinema com aquela qualidade.
A historia segue a relação de Tommy Wiseau e gregg Sestero, desde o momento em que se conhecem ate ao momento em que acabam por embarcar no projeto The Room totalmente pensado e financiado pelo primeiro.
O argumento com base num livro de Sestero vale pelo insolito da personagem que é Wiseau e os seus momentos. Ganha dimensao nos paralelismos com o filme e com as incidencias na filmagem. Nao é um filme que potencie ao maximo o seu valor proprio mas com The Room fica um bom conjunto.
Em termos de realizaçao Franco tem um trabalho simples e meritorio principalmente na forma como consegue recriar ao maximo The Room e os seus espaços. Em termos de caracterizaçao nao me parece que exista proximidade entre Franco e Wiseau e isso pode ser o mais problematico no filme.
No caste é brilhante o papel de Franco na forma como consegue replicar quase tudo que WIseau faz sem sentido nenhum. Pior os secundarios principalmente Dave Franco, numa personagem que domina o filme parece-me claro que um actor com mais qualidade poderia balançar mais o filme, que parece sempre uma comedia parva nas maos do mais novo dos Franco.

O melhor - The Room

O pior - Dave Franco

Avaliação - B-

Sunday, January 21, 2018

I TOnya

De todos os biopics e filmes baseados em factos reais, existiu um que chamou a atenção da critica e tornou-se num caso serio na temporada de premios, pela sua irreverencia e mais que isso pela excelente recepçao critica que foi tendo que o tornou numa presença assidua nas listas dos melhores do ano. Com base nestes factos o filme comercialmente conseguiu resultados bem mais fortes do que aquilo que inicialmente era esperado, e mesmo nao sendo um favorito nas categorias mais fortes pode ser um dos vencedores da noite dos oscares.
Sobre o filme podemos dizer que se trata de um filme sobre factos veridicos e sobre uma pessoa em concreto mas que rompe por completo para melhor com tudo o que normalmente vimos neste tipo de filmes. E aqui joga todos os factores de analise num filme desde as personagens, a forma do filme com entrevistas onde nos fornece o lado de cada um, o sentido de humor, a irreverencia, a ação dentro do ringue, fazem deste pequeno filme uma das maiores surpresas do ano, e talvez o grande biopic deste mesmo ano.
A historia em si podera nao ter o impacto de outros filmes sobre personagens mais marcantes, mas aquilo que significa por um lado naquilo que nos mostra sobre a necessidade de inteligencia para o sucesso, a forma aberta com que o filme se assume como uma biografia ironica de alguém, e mais que isso a forma descontraida e ao mesmo tempo documental que o filme consegue ser, sem nunca perder a capacidade de uma realização diferente e de primeiro plano.
Por tudo isto, I TOnya e um dos melhores filmes do ano, e nao fosse o seu argumento ou o seu significado não ser de uma dimensão muito grande poderia ser um dos grandes filmes do ano, e um candidato serio aos principais oscares, pois trata-se de um filme com um otimo argumento com uma base pequena, bem interpretado e com uma realizaçao de primeira linha.
A historia segue o percurso da patinadora americana TOnya Harding, e a sua particular personalidade e a forma como teve de ganhar a pulso uma carreira num contexto que não era dele, num contexto familiar a todos os niveis peculiar.
E no argumento que o filme brilha, uma adaptaçao de vida ironica que esta presente em todas as personagens tornando-as diferentes, dialogos de primeira linha, um sentido de humor muito apurado, trazem-nos um argumento sob a forma de biopic diferente e mais que isso criativo sobre como contar uma historia.
A realizaçao de Gillespie tras-no um realizador que muito prometeu com o excelente Lars and Real Girl e que depois nunca mais conseguiu atingir o nivel que muitos potenciaram. Aqui tem o seu trabalho mais interessante na realizaçao, com uma abordagem original, criativa e funcional a uma historia. Esperemos que desta vez venha para ficar ao mais alto nivel.
Tambem no cast temos um filme de primeira linha, Robbie tem uma interetação de primeira linha, quer em termos dramaticos quer na disponibilidade fisica. Perde por ser um dos anos mais fortes em termos de interpretaçoes femininas que ha memoria, mas sublinha-se que muitas ja ganharam com papeis bem piores. QUem nao deve ter competiçao é Janney a sua criaçao é unica, tirando o protagonismo a Robbie algo que seria impensavel nos momentos de interação. Se existe oscar que facilmente podemos perceber que seria uma injustiça nao estar atribuido e o de melhor atriz secundaria

O melhor - A forma completamente artistica de fazer um biopic

O pior - A historia que conta em si não será as mais surpreendentes

Avaliação - A-


LBJ

Numa altura em que nem sempre novas ideias tem surgido para os lados de Holywood, a setima arte tem-se recorrido de remakes e biopics para preencher o cartaz. Um dos filmes que foi lançado o ano passado entre muitos com prespetivas de premios mas que posteriormente em face de resultados criticos mais modestos acabou por ser lançado sem grande fulgor ja no decurso deste ano foi este biopic sobre o presidente Johnsson com incidencia na sucessao a JFK. Se criticamente as coisas não foram brilhantes com avaliações demasiado medianas, comercialmente o filme teve resultados tambem ele modestos tendo em conta que ainda conseguiu expansao para alguns cinemas.
Sobre o filme podemos dizer que olhar para a vida de um politico deste gabarito e termos um filme com pouco mais de uma hora e meia de duração transmite perfeitamente que nao vamos ter um filme detalhado, um filme de autor, mas sim um filme simples sobre um momento muito particular da vida desta personagem. E nisso o filme acaba por sem grandes enredos ou surpresas ser um filme que se vê bem, algo previsivel na sua forma mas com um ritmo elaborado e centrado na personagem mais que nos seus feitos e detalhe historico.
Por estas escolhas talvez seja um filme mais para publico do que para critica, ja que tambem nunca é um filme que explore grande diferenciaçao na forma como conta a historia e mais que isso nunca é um filme demasiado detalhado naquilo que quer transmitir. QUer sim fazer uma homenagem a um homem de convições fortes que foi importante nos EUA num momento dificil.
Como todos os filmes politicos podemos dizer que se esqueceu dos pontos mais polemicos da vida do mesmo, que se torna demasiado sentimentalista num terreno pouco prodigo para esses elementos. Isso pode fazer com que seja um filme demasiado trabalhado para uma historia real. Parece o lado colorido de uma historia, e quando assim é os biopics tornam-se naturalmente mais pequenos.
A historia fala do presidente dos EUA LBJ principalmente nas funçoes de vice presidente de JFK na relaçao com o mediatico presidente dos EUA e a forma como teve de tomar as redeas do pais depois do assassinato do presidente, indo contra as conviçoes que sempre defendeu.
Em termos de argumento devemos valorizar a capacidade de fazer um biopic de ritmo elevado o que nem sempre e facil. COntudo tem algum embelezar de situaçoes, e parece-me obviamente tendencioso naquilo que nos conta de um politico. Nem sempre é detalhado e centra-se em demasiado num aspeto concreto.
Os realizadores chegam a uma altura da carreira com diversos filmes, que pouco mais conseguem inovar. Reiner foi sempre um realizador de filmes ligeiros com alguns sucessos e que aqui filma como sempre filmou, com detalhe mas com simplicidade, talvez por isso nunca tenha sido um cineasta de primeira linha.
No cast uma boa escolha de Harrelson para o papel central, parece que a forma como o filme quer dar a personagem encaixa perfeitamente nas caracteristicas do actor. A caracterizaçao ajuda num filme de um one man show. Harelsson esta num bom momento de forma embora nos pareça que as personagens vao sempre ao encontro daquilo que ele é enquanto actor.

O melhor - O ritmo acelerado de um biopic

O pior - Pela forma como se resume a um momento é um filme pequeno em dimensao

Avaliação - C+

Saturday, January 20, 2018

Goodbye Christopher Robin

Num ano muito marcado pelo biopic de escritores, quer em filmes de primeira linha quer em filmes com figuras conhecidas mas produçoes menores, existiram alguns filmes que passaram mais desprecebidos como este biopic do criador de Winnie the Pooh. Em termos criticos o filme foi recebido com alguma mediania que nao lhe premitiu grandes aventuras em termos de premios. COmercialmente sendo um filme com limitaçoes em termos de expansao acabou por ter os resultados naturais para um filme de pequena dimensão.
Sobre o filme é claro que é mais facil o publico se aproximar de historias simpaticas e de autores simpaticos do que propriamente numa historia como esta em que é obvio um aproveitamento da carreira em deterimento dos valores familiares. E nisto o filme nem sempre é simpatico, mesmo sendo a base de uma historia simpatico para mais pequenos temos muitas vezes um filme implicito que lhe tira alguma intensidade, pese embora nos pareça que na maior parte do tempo temos um filme adulto naquilo que quer contar e na forma como o quer.
Em termos artisticos penso que o filme arrisca pouco, com tanto paralelismo entre a banda desenhada e a historia real,  penso que existia espaço em termos de abordagem de filme para mais criatividade para um filme menos rigido, que talvez merecesse mais atençao com mais objetos diferenciadores do tipico biopic pesado que acabamos por assistir.
Mesmo assim uma historia interessante que nos explica a base de algumas das figuras de animaçao que conhecemos. Para alem desse facto as duas prespetivas da historia e a forma como nem sempre o sucesso e sinonimo de felicidade. Neste ponto parece obviamente um filme bem trabalhado e cru na forma como trata esse apontamento.
A historia fala da relação entre o criador de Winnie the Pooh A. A. Milne e o seu filho e da forma como isso inspirou a criar as personagens que acabaram por condicionar toda a vida familiar de ambos.
Em termos de argumento temos uma narrativa capaz, criada com simplicidade mas objetivo com um bom equilibrio de momentos, mas com alguns saltos que nao fazem sempre um filme promenorizado. Nao sendo um filme de ritmo elevado e um filme consistente do ponto de vista do argumento.
Na realizaçao Simon Curtis e um experiente realizador que protagonizou normalmente filmes bem recebidos mas sem grande reconhecimento. Aqui parece-nos que peca por excesso de tradicionalismo na abordagem num filme que pelo que conta tinha espaço para maior excentricidade e criatividade. Por vezes esta e a barreira que separa os artistas dos tarefeiros.
No cast temos um filme nem sempre de grande impacto. Gleeson cumpre sem grande dificuldade o seu papel, mas falta chama, a mesma coisa para um Robbie em piloto automatico. Penso que o grande problema do filme e mesmo a interpretação do jovem WIll Tilson demasiado plastico e infantil.

O melhor - O paralelismo de uma historia querida com uma base pouco afetiva

O pior - O jovem WIll TIlson é demasiado artificial

Avaliação -. C+

Friday, January 19, 2018

Thank You For Your Service

Em face da multiplicação de generos em hollywood existem autores que se dedicam de corpo e alma a uma causa. Jason Hall argumentista reconhecido de American Sniper decidiu estrear-se na realização com um filme sobre o mesmo tema, ou seja o pos guerra nos soldados. AO contrario do seu anterior filme enquanto argumentista este conseguiu criticas positivas mas insuficiente para o impulsionar na corrida para os premios. Outro dos factores onde o filme acabou por desiludir em toda a linha foi comercialmente com resultados muito residuais tendo em conta alguma distribuição.
Sobre o filme eu confesso que atualmente é facil perceber que os EUA estão mais preocupados com o pos guerra e as suas sequelas naqueles que regressaram do que propriamente relatar as suas façanhas em terreno de guerra. E nisso temos um filme competente, e acusatório, na forma como denuncia a lentidão e a falta de recursos de apoio aqueles que lutaram pelo pais. Nisso parece-me um filme com um valor muito interessante naquilo que nos da a conhecer, e naquilo que realmente significa, e muitas vezes este deve ser o objetivos primario de qualquer filme, e este consegue fazé-lo.
Em termos narrativos contudo parece-me um filme menor, algo repetitivo nas oscilações dos personagens, que acenta arraiais num personagem menos interessante que os secundarios, e aqui pode ter existido algum erro na prespetiva, ja que ficamos sempre com a ideia que os outros companheiros teriam muito mais para contar. Mas mesmo assim o filme consegue ter bons momentos de intensidade dramatica e de conflito interno dos personagens que é bem potenciado no filme.
Pese embora o filme nos satisfaça e nos transmita algo forte acaba por ir por caminhos demasiado obvios quer na sua conclusão quer em alguns pontos que nao sao explicados. Não sendo uma grande produçao e isso e percetivel nas sequencias de guerra, e um filme interessante que nos mostra uma faceta dos EUA que muitos desconhecmos e que nos deixa a pensar.
O filme segue tres ex-combatentes na guerra do IRaque que ao regressar a sua terra e as suas familias começam a sentir os sintomas de terem estado num palco de guerra, para alguem de todas as dificuldades sociais inerentes ao facto de estarem fora da sociedade que os acolhe de novo.
Em termos de argumento é um filme que significa muito mais do que propriamente aquilo que internamento é. Ou seja a mensagem, o lado social do filme é bem melhor do que a narrativa, os personagens e os dialogos que o preenchem. Mas parece-me um filme com um objetivo pronto que o consegue cumprir.
EM termos de realizaçao temos um filme simples, sem grande realismo nas sequencias de guerra, mais pensado para o lado emocional. Não sendo uma obra de grande explosão acaba por ser um filme interessante pelo balanço entre a guerra e o sentimentalismo posterior.
No cast penso que nem sempre o filme é bem interpretado. Teller parece cair muitas vezes num overacting que não impressiona num papel que poderia ter tido outro reconhecimento. Nos secundários Bennet também da sempre a ideia de estar desligada do filme, mas aqui penso que o problame esta na definiçao da personagem, estando o melhor do filme para Koale com a personagem mais intensa do filme.

O melhor - A mensagem politica inerente ao filme

O pior - Um climax demasiado obvio

Avaliação - B-

Coco

Nos ultimos anos a Disney de forma isolada tinha ultrapassado em termos de avaliações os blockbusters da colaboração com a Pixar que usualmente eram lançados no verão. Este ano a estrategia mudou um pouco com esta colaboração a ser lançada no final do ano, com um filme original passado no méxico, com uma metática no mínimo peculiar. As coisas em termos criticos não podiam ter corrido melhor com avaliações extremamente positivas que devem garantir o oscar para melhor animaçao, mas ainda nao conseguiu entrar na luta para melhor filme. Em termos comerciais Coco ficou um pouco aquem daquilo que os melhores filmes desta colaboraçao consegue fazer, mas provavelmente os premios irao superar esta adversidade.
Sobre o filme eu confesso que já algum tempo que não me recordava de uma colaboração Pixar Disney de primeira linha, daquelas que avançam quer a nivel tecnico mas principalmente no risco da mensagem. Pois bem Coco tem tudo isso e acaba por ser um dos melhores filmes de animaçao dos ultimos anos nas duas componentes. A nivel tecnico o filme é brilhante a forma como cria a cidade dos mortos com uma beleza interessantissima, nao tendo problemas de assumir a morte e a destruição do corpo, o filme consegue mesmo com esta tematica ser engraçado
E depois a mensagem numa altura em que é sempre dificil explicar o mundo dos mortos aos mais pequenos parece-me obvio que este filme acaba por ter uma componente pedagógica interessante. Bastante arriscado na forma como o filme tenta abordar este assunto, não deixa de ser britalhante a forma descontraida como o faz, nunca esquecendo o lado emocional da morte e a forma como transforma esse terrivel sentimento em algo positivo.
Mas não se fica por aqui os valores do filme, o fazer tudo isto num contexto de um pais mexicano e das suas tradições que respeita ao milimetro demonstram bem o estudo que o filme acaba por fazer para ser objetivo. Por todos estes ingredientes COco é um dos grandes filmes da DIsney e mais que isso um dos grandes filmes do ano, demonstrando bem que o risco nos guiões podem fazer com que mesmo os filmes de pequenos se tornem bem significativos para os adultos.
A historia fala de um jovem mexicano apaixonado pela musica, que acaba por ir para o mundo dos mortos de forma a tentar encontrar o seu tetraavo uma figura mitica da musica e cinema mexicano.
O argumento e a muitos niveis brilhante. Desde logo naquilo que transmite em termos de mensagem, na forma como lida com a morte, e mais que isso na forma como consegue ser original, engraçado e emotivo. POucos filmes nos ultimos anos conseguiram ter uma mensagem tao completa.
Na realizaçao a pixar apostou em num dos seus melhores elementos, que já tinha sido o responsavel por Toy Story 3, a ultima grande obra prima da Pixar, e o que é certo e que novamente temos a todos os niveis um dos melhores filmes da companhia.
No cast um conjunto de atores hispanicos para dar realismo as personagens cumprem, principalmente porque as personagens ajudam pela sua forma de interpretar. Com a pixar este acaba por ser o trabalho mais facil.

O melhor - A devoluçao do cinema de primeira linha na animaçao

O pior - Os reticentes com este tipo de cinema podem não encaixar

Avaliação - A-

Thursday, January 18, 2018

Jigsaw

Sete anos depois do setimo capitulo de uma das maiores e sucessivas sagas do terror, eis que surge a ideia de revitalizar o franchising com um oitavo filme, o unico com um interregno maior relativamente ao seu sucessor. Neste regresso encontramos contudo pouca diferença relativamente ao resultado dos ultimos filmes da saga, criticamente as coisas voltaram a correr mal, algo habitual com excepçao aos primeiros filmes que foram pioneiros na ideia. Comercialmente também longe do esperado com resultados ainda inferiores ao capitulo setimo e que assim devem dar por terminado num futuro proximo estr franchising.
E indiscutivel o valor que o primeiro Saw teve no cinema de terror, principalmente pela ideia e por um guião bastante original e surpreendente, que com o passar do tempo apenas se tornou um filme de sequencias de horror puro, onde a unica ideia era dar as sequencias mais perfidas possiveis em termos de morte. Pois bem este filme vai no sentido dos filmes mais recentes já não conseguindo ter a surpresa e a inovação dos primeiros. Por isso é facil perceber que este é daqueles filmes que é apenas uma possibilidade de fazer algum dinheiro sem grandes ideias ou pontos novos para uma saga esgotadissima.
Alias um dos problemas de todos os filmes da saga foi o facto de filme apos filme abandonar alguns dos conceitos dos anteriores, criando tudo de novo de forma a resultar e conseguir fazer um dos elementos necessários do filme, os twists finais. Por tudo isto este será um filme que é mais do mesmo, ritmo acelerado, sequencias de morte violentissimas para adolescentes e pouco mais verem e gostarem.
Felizmente este tipo de franchisings tem prazo de validade e possivelmente saw terminara aqui, muitos filmes depois do que deveria, mas quando o lucro existe hollywood deixa-nos sempre levar conceitos até à exaustão, e neste caso este filme demonstra que nada mais pode ser feito no que diz respeito a Jigsaw.
A historia fala de mais um jogo do psicopata dos jogos, desta vez com cinco pessoas fechadas numa quinta, enquanto a policia tenta investigar as mortes que vão sendo descobertas e a possibilidade delas terem sido cometidas por alguem que já morreu.
Em termos de argumento o filme é completamente ilogico tendo em conta o que ja vimos dos outros filmes, essa despreocupação em encaixar nos filmes anteriores e algo que não consigo perceber mas que neste filme é notorio, percebendo-se sempre que se trata de retalhos à pressa e nao algo pensado, e nao existe saga que funcione desta forma.
Na realização deste filme foi entregue aos irmãos Spierger conhecidos por filmes de terror menos conhecidos, tem aqui uma realização simples, com os truques de camara tipicos para os filmes deste genero e pouco mais. Ninguem ganha dimensao com o oitavo capitulo de uma saga em desaceleração.
No cast Saw nunca foi propriamente um terreno porficuo para grandes interpretações ou atores de primeira linha, e este volta a nao ser. Pouco ou nada exige aos interpretes para alem de alguns gritos de desespero. Vale por um Tobin Bell que encaixa bem no seu Jigsaw.

O melhor - Um assassino conhecido mas gasto

O pior - Até quando vamos ter retalhos nesta saga

Avaliação - D+

Monday, January 15, 2018

Professor Marston and Wonder Woman

Numa altura em que os biopic estão na moda, bem como os filmes de super herois, não deixa de ser engraçado um filme sobre o criador do super heroi de maior sucesso do ano, neste caso a Wonder Woman. O filme algo peculiar na sua genese acabou por obter avaliações positivas, sem no entanto ser forte suficiente para entrar na luta pelos prémios. Em termos comerciais num filme obviamente independente os resultados foram modestos.
Sobre o filme, parece-me que se trata de um filme curioso porque normalmente não é esta a genese que esperavamos de um super heroi, e por isso essa surpresa vale muito daquilo que o filme significa junto do espetador. Em termos de filme em si parece-me um filme mais sofrivel, principalmente porque tem medo de arriscar nas fantasias dos seus personagens deixando tudo muito subentendido e isso acaba por não dar a intensidade que o filme poderia ter.
Mas exceptuando esta ligação entre a autoria do livro e centrando na personagem o filme é mais eficaz, principalmente nos avanços e recuos das relações, e mais que isso na forma como as personagens percebem a sua diferenciação, contudo parece que a determinada altura o filme principalmente na sua linhagem temporal padece de alguns problemas, já que até a relação ficar definida o filme é demasiado lento e depois parece curto nos momentos que dedica a cada momento, principalmente a criaçao.
Ou seja um filme que vale mais pela curiosidade do que conta do que propriamente pelo filme em si, e pela sua narrativa. Sendo um biopic com pouca base, pensamos que existia espaço para mais espontaneadade e para mais das personagens. Mesmo assim para os desconhecedores da historia fica a sensação de que algo fica por explicar.
A historia fala da ligação de William Martrom com as duas mulheres com quem viveu, e que de alguma forma estão na base da criaçao da super heroina mais conhecida da atualidade, bem como as dificuldades relacionadas com uma ligação pouco convencional.
O argumento não me parece ser o mais eficaz para aquilo que o filme quer trasmitir, principalmente porque trabalha pouco o paralelismo da vida das personagens com a criaçao da figura iconica que deu origem ao nome.
Na realização Angela Robinson e uma desconhecida que tem aqui o seu trabalho mais conhecido. Em termos da componente estetica parece-me um filme simples, sem grandes riscos, com um ou outro detalhe interessante mas pouco mais. Parece-me ser o filme mais significativo da realizadora mas longe de a fazer crescer em dimensão no cinema.
No que diz respeito ao cast, parece-me que o filme e dominado por uma Rebecca Hall, intensa, dramaticamente irreprensivel que tem dificuldades em ser acompanhada por um Luke Evans com alguma dificuldade numa personagem que deveria ser mais marcante. O lado infantil de Heathcote funciona esteticamente embora nos pareça a personagem menos desenvolvida.

O melhor - A curiosidade da historia

O pior - O paralelismo nem sempre ser bem estabelecido na forma como explica toda a criaçao da heroina

Avaliaçâo - C

Lady Bird

Existem filmes que por vezes encaixam tão perfeitamente na critica que se tornam imediatamente um caso sério na luta pelos premios, e acabam por ficar na boca de todos. O filme que acabou por ser potenciado ao maximo por um louvor critico de primeira linha, que o tornou num dos filmes mais candidatos aos premios, mesmo sendo um filme de adolescentes de comedia. Em termos comerciais o filme acabou por receber essa alavanca critica para comercialmente ter resultado de uma forma muito interessante.
Sobre o filme podemos dizer que se trata de uma comedia com uns principios bastante assimilados, que tem uma tematica muito interessante de tentar abordar os diferentes prismas da vida de um adolescente. O filme tem essa riqueza em termos do que significa, pese embora não seja na minha opinião um filme extremamente marcante. Ou seja o que me parece é que é um filme que funciona no imediato, pela especificidade das suas personagens, principalmente as secundarias, mas que não tem força para nos marcar a longo prazo.
Em termos humoristico parece-me sempre um filme original, pelo teor do humor por si utilizado, mas que nem sempre nos provoca a gargalhada. A ideia que fica e que mesmo em filmes de adolescentes, ja existiram outros também com o selo de independente acabaram por ser mais intensos em termos de piada natural, mesmo que em termos de significado possam ser menos fortes.
Lady Bird parece-me um bom filme, mas longe de ser uma obra prima para um reconhecimento tão elevado como o que esta a receber. Parece um filme com uma base narrativa igual a muitos outros, mesmo que na especificidade tenha criatividade assumida, e que deve ser louvada, mas nunca me parece que seja um filme suficiente marcante para ficar na historia.
A historia fala de uma jovens que esta no ultimo ano do liceu e vive todas as indefiniçoes da sua idade, quer em termos relacionais com amores e amigos, na definiçao do futuro, entrada na universidade e por fim em termos familiares na proximidade com os progenitores.
O argumento é obviamente de primeira linha, nao pela base em si, mas mais pela forma como os dialogos e as personagens sao diferenciadas. O problema e a dimensao do que o filme representa, que me parece curto para um filme candidato aos premios principais.
Na realização Gerwing pouco poderia pedir mais para a sua estreia, principalmente na recepção. Em termos de trabalho termos uma realização descontraida com alguns bons momentos, mas parece-me que o filme é demasiado sobrevalorizado tambem neste aspeto.
O lado que me parece mais condizente com as avaliações e o cast. Ronan tem um papel de primeiro nivel, demonstrando o excelente nivel que atualmente tem. Ao seu lado uma Metcalf que acaba por ser o coração do filme, bem ajudada por Hedges

O melhor - O cast

O pior - A expetativa de um filme tao bem avaliado não ser assim tão imponente

Avaliação - B-

Sunday, January 14, 2018

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Desde as primeiras visualizações em festivais de primeira linha que este filme com um nome no minimo particular chamou a si a atenção da critica e do publico em geral e se tornou num favorito a temporada de premios. Mesmo nao sendo um filme academico este filme acabou por chamar a si a unanimidade critica que lhe permite continuar como um dos favoritos aos premios, ainda mais depois da vitoria nos globos de ouro. COmercialmente o filme acabou por ter resultados consistentes o que por si nao condiciona toda a disputa pelos premios.
SObre o filme, ao longo do tempo e principalmente nos ultimos anos, alguns dos melhores filmes tem sido comedias negras no interior americano, que contudo nunca tiveram o reconhecimento pleno. Pois bem dizer que caso este filme ganhe os oscares, principalmente o de melhor filme, provavelmente o genero fica representado pelo seu mais completo e melhor filme de todos eles, ja que me parece obvio que este filme é uma das obras primas dos ultimos anos, em todos os vetores de analise.
POucos filmes conseguem ter um guião tao forte como este, quer naquilo que significa em termos de moral e do pesa das sequencias, na riqueza das personagens no balanço entre sequencias ligeiras com dialogos de humor de primeira linha, como a intensidade emocional do limite do ser humano que o segue, este é daqueles filmes que parece que tudo funciona perfeitamente, e quando assim o é, temos que sublinhar o que é uma obra prima e este filme é obviamento uma delas.
Saimos do filme a pensar em mais que um momento que nos fica na retina, mesmo no crescimento das personagens ao longo da duração o filme para além de nao ser obvio pensa tudo para funcionar em si internamente e junto ao espetador. E daqueles filmes que temos uma ideia original, recheamos de personagens criadas com uma perfeiçao e trabalho incrivel e dotamos de um dialogo de primeira linha. Ha muito tempo que digo que um grande argumento faz um bom filme, aqui um extraordinario argumento faz uma obra prima.
A historia fala de uma mae que depois da morte da sua filha, publica tres outdors questionando a atuaçao da policia em face da falta de respostas, contudo esta publicaçao vai colocar a pequena cidade de pernas para o ar.
E no argumento que reside o segredo total deste filme. E quando se sublinha que um argumento de nivel maximo pode por si so ser a base para um filme para a historia, este pode ser um exemplo perfeito de que forma isso pode ser feito, ja que com essa base a realizaçao e extraordinaria e o cast brilha como poucos o fizeram ate entao.
Era facil olhar para a curta filmiografia de McDonagh e perceber que tinhamos um realizador com um potencial enorme. Aqui temos um filme mais global e dai o reconhecimento que ja tinha recebido nos filmes anteriores. Devemos estar atentos pois temos aqui um herdeiro e mesmo alguem que primorou ainda mais aquilo que os irmaos Cohen começaram.
No cast temos duas das mais brilhantes interpretaçoes do ano, McDormand brilha a um nivel que deixa pouca margem de manobra na entrega do oscar de melhor actriz. E incrivel o seu papel e aquilo que da ao filme, tendo em Rockwell um dos melhores actores da sua geraçao nem sempre com um bom planeamento de carreira o equilibrio perfeito, noutra das prestações para a historia. A tudo isto um conjunto de actores muitos consistentes deixam os dois piorneiros brilharem a niveis extraordinarios.

O melhor - A forma como tudo funciona na perfeiçao

O pior - Existir poucos filmes como este

Avaliação - A

Saturday, January 13, 2018

Wonderstruck

Este ano foi prodigo em lançamentos de filmes de realizadores cujos trabalhos anteriores estiveram proximos dos premios maximos. Depois de Carol este filme sequente de Todd Haynes foi claramente mais sentimental. Pese embora a tentativa de fazer um filme mais abrangente o resultado do ponto de vista critico pese embora tenha sido positivo nao permitiu a unanimidade para entrar nos premios mais elevados. Comercialmente e fora da corrida pelos premios principais os resultados foram modestos muito por culpa de uma expansao em toda a linha limitada.
Sobre o filme podemos dizer que WOnderstruck parte de uma ideia e uma execuçao de primeira linha, mas parece que é um filme construido do telhado para a base ou seja, tem um climax final de uma execução e originalidade apenas ao alcance de um cineasta de primeira linha, mas por sua vez a primeira hora e meia de filme, não tem grande sentido para alem de um pararelismo entre duas historias que sao contadas e que se encontram no fim. Ate entao o ressalta e duas formas de filmas diferentes, boas construçoes contextuais do filme mas muito pouco mais num filme demasiado pausado.
A mais de metade do filme pensamos mesmo que Haynes estava sem ideias e que o filme nao poderia ser capturado para niveis aceitaveis, contudo quando falamos de cineastas de primeira linha, tudo pode acontecer, e a sequencia final da-nos mais de vinte minutos de cinema de autor, com uma forma particular de contar uma historia e ao mesmo dotar o filme de um coraçao que o torna singular, pese embora longe do destaque que outroa filmes conseguem.
Ou seja mesmo sendo um filme com momentos de excelencia o filme nunca o consegue ser ja que precorre mais de metade da sua duraçao num ritmo lento, bem realizado mas onde na realidade nada acontece. Isso nao permite que o filme seja equilibrado nem coeso, resultando numa obra menor de um realizador que anteriormente sempre conseguiu convencer a critica.
A historia fala de dois jovens em epocas diferentes que por razoes familiares deixam a sua terra natal e embarcam para nova iorque onde acabam por se encontrar com o museu de historia natural e perceber que as suas historias estao ligadas.
Em termos de argumento temos um filme na base e na logica original, mas falta-lhe sumo na especificidade, nao tanto nas personagens ja que o filme em alguns aspetos tenta ser minimalista, mas nos dialogos pensamos que existia espaço para muito mais, para alem do fim ser original na execuçao mas nao no que significa.
Haynes tem talvez aqui o seu trabalho como realizador mais de autor, pese embora nem sempre com um ritmo elevado parece-me de longe o segmento com melhor desempenho no filme todo. Os ultimos vinte mintuos sao de primeira linha, e todo o restante chama a atençao pela forma como tudo nos vai sendo dado. E um realizador de primeira linha, e pese embora o filme como todo nao seja uma obra prima na realizaçao temos um grande filme.
No cast o protagonismo e dado aos mais pequenos, a jovem surda Simmonds tem um papel interessante em face das especificidades e consegue funcionar melhor do que Fegley. Nos veternaos Moore funciona bem nos ultimos minutos quando o filme precisa mais de si.

O melhor - A realizaçao, e os ultimos vinte minutos de grande cinema.

O pior - Mais de uma hora de nada em termos narrativos

Avaliação - B-

Friday, January 12, 2018

Marshall

A luta pela igualidade de direitos nos afro americanos é um dos temas mais trabalhado sobre diversos vetores no cinema de holywood, tendo mesmo criado um grupo de argumentistas e realizadores dedicas a causa. Este ano surgiu sob a forma de um mini biopic de Thurgood Marshall um advogado que precorreu o pais na defesa da igualdade, neste caso numa situação em especial. O resultado critico do filme foi positivo com avaliações intressantes mas insuficientes para lançar o filme em na temporada de premios. Comercialmente o filme não teve uma grande divulgação pelo que os resultados acabaram por ser modestos.
Sobre o filme, é comum os filmes de tribunais terem um ritmo interessante e serem bons objetos de entertenimento, ainda para mais quando tem subjacente a sua historia a causa politica em si. Este filme segue os proformes comuns dos mais conceituados filmes do género, com intensidade e twist que nos prende à espera da verdade, sendo acima de tudo mais do que um filme politico um filme de tribunais e as suas envolvências.
Claro que é facil nos recordarmos de outros filmes do genero que acabam por ser mais originais ou menos previsiveis, aqui o filme nem sempre consegue ser original, nos seus truques de argumento mas o caracter ligeiro que adopta quando tem liberdade para tal, que acaba por ser na relação entre advogados da ao filme uma roupagem interessante tornando-o num filme que se vê bem.
Por tudo isto talvez Marshall seja demasiado comum para ser um filme de referência para lutar na temporada de prémios, talvez por isso Marshall não seja daqueles filmes que nos vai ficar na memória, pese embora seja um  razoavel filme de tribunais ja vimos a outros melhores, mas claramente Marshall é um filme com uma causa propria, e nisso podemos dizer que cumpre com ritmo e mais que isso com os procedimentos bem treinados para fazer um filme de tribunal com convicções politicas bem assumidos.
A historia fala no envolvimento do advogado Thurgood Marshall com Sam Friedman um advogado branco que vão defender um individuo de cor acusado da violação de uma mulher branca de alta sociedade, que mais que o caso em si, acaba por ser um caso de igualdade de direitos.
Em termos de argumento o filme não é propriamente uma novidade nem nos filmes sobre a igualdade de raças, nem tão pouco nos filmes de tribunais. Mas acaba por adoptar para si alguns dos melhores conceitos dos filmes do genero, não sendo inovador e competente naquilo que adoptou. para além do valor politico que filmes com esta tematica acabam sempre por ter.
Na realização Hudlin sempre associado ao cinema teve aqui a sua estreia. A realização é simplista com alguns tiques de televisão é certo, o filme não é propriamente forte neste ponto, mas acaba por ser competente e ritmado. Esperemos o que se segue, porque neste campo temos pouco de novo.
No cast temos um filme sem grande dificuldade nos papeis, onde os dialogos fortalecem ou não as personagens. Gad acaba por dar a ligeireza que da ritmo ao filme, fruto de ser um actor comedia, mas o papel em si não lhe tras muito à carreira. Boseman é um dos actores afro americanos em melhor forma e aqui mesmo num papel algo simplista convence pela presença.

O melhor - Adoptar as melhores estrategias dos melhores filmes de tribunal

O pior - Na verdade a abordagem ser uma replica de outros filmes

Avaliação - B-

Thursday, January 11, 2018

Some Kind of Different as Me

Numa altura em que o cinema de mensagens positivas com vertente religiosa esta cada vez mais na moda, atingindo já a presença de actores algo conhecidos, vamos conhecendo historias reais de ligação entre pessoas, em filmes de historias de vida, tipicos de domingos a tarde. Um dos filmes que viu a luz do dia nesse estilo este ano foi este pequeno filme, que criticamente não ultrapassou uma mediania pouco interessante, e comercialmente com alguma expansão teve um resultado simples sem grandes explosões.
Sobre o filme podemos dizer que entra no registo de outros filmes do mesmo genero que contam historias de homens e da ligação sincera entre eles. Ou seja não sendo a nivel artistico nunca um filme com muitos atributos, é um filme com uma mensagem de interajuda e solideriedade entre as pessoas. Claro que muitos percebem que se trata de um filme de alcance modesto, um filme das coisas positivas sem grande arte, mas para veiculo de mensagem o lado positivo das coisas e bem melhor do que o pior.
Mas e claro que é um filme com alguns defeitos, alguns dos quais muito significativo na construção da intriga. Um filme com diversos cliches quer nos atalhos narrativos para simplificar relações que nunca são simples, e mais que issona forma como os dialogos sao repetitivos não tendo nunca a ambiçao de trazer mais das persnagens.
Ou seja um filme com uma missão simples muito bem definida, o de dar o lado positivo das relações mesmo no drama, sublinhar a ajuda entre classes. Como obra de arte cinematografia muito aquem de um filme de registo, parecendo quase sempre uma telenovela de processos basicos, o qual e salvo pelo facto de ser baseado numa historia veridica.
A historia fala de um casal, que durante um conflito entre ambos decide ir ajudar sem abrigos, criando uma relação proxima com um deles que é presença nos sonhos da mulher do casal.
Em termos de argumento temos um filme de processos simples, que funciona muito mais pela mensagem do que propriamente pela narrativa construida. Os dialogos sao repetitivos e curtos e em termos de personagens penso que existia muito mais por evoluir.
A realizaçao de Cerney, um autentico desconhecido é simples, percebe que o filme funciona bem mais no lado emotivo do que racional, e deixa as personagens se aproximar. Nao e neste genero que se cria grandes realizadores mas alguns vao ganhando experienicia.
No cast temos interpretes em encaixe com personagens, Honsou e Kinnear são as personagens comuns na carreira de ambos, alias no caso do segundo e incrivel a forma como cimentou uma carreira com personagens iguais. Este filme marcaria o regresso de Zellwegger ao cinema caso nao fosse a sua estreia adiada. Uma actriz em baixo de forma e nos quais as plasticas lhe retiraram toda a expressao

O melhor - A mensagem positiva de uniao

O pior - As personagens serem reduzidas a dialogos demasiado objetivos

Avaliação  - C

Lucky

O cinema por vezes te factos que são completamente inexplicaveis, só assim se consegue entender que Harry Dean Stanton tenha esperado 91 anos para ter um filme onde é verdadeiramente protagonista e com um grande sucesso critico, e que tenha falecido antes da estreia do filme. Este pequeno filme que marca a estreia como realizador do ator John Carrol Lynch foi recebido com criticas positivas, muito por culpa da interpretação do veterano actor. Comercialmente mesmo potenciado por estas avaliações os resultados acabaram por ser pouco significativos.
SObre o filme Lucky é um daqueles pequenos filmes independentes  sobre uma personagem, neste caso um idoso que até então percebia a sua frescura fisica e principalmente intelectual, mas que começa a perceber a proximidade do fim e das suas limitações. O filme é isto, tendo mais um ou outro apontamento paralalelo que funciona mais que curiosidade do que motor da rotina, o filme é um one man show, de uma personagem marcante principalmente pela conjugação da idade, aspeto fisico e desenvolvimento intlectual.
Provavelmente poucos falariam deste filme para alem do facto impressionante de ver um actor de 91 anos com tanto tempo de seguida no ecra, e mais que isso pela forma como algumas conversas e mesmo momentos a solo da personagem acabam por alimentar a curiosidade de um filme quase sempre de ritmo lento com uma mensagem positiva mesmo na terceira idade, mas que tem uma dimensão limitada em termos do que pode signficar.
Em face dos acontecimentos posteriores fica a homenagem a um actor com uma carreira longa, que nunca teve grandes chances para ser uma figura inicial de hollywood e que guardou para o fim o seu maior apontamento. O filme acaba por ser essa homenagem já que não é mais do que Lucky e tudo o resto.
A historia fala de um homem sozinho proximo dos cem anos, que continua a ter as suas rotinas bem especificadas até ao dia em que acaba por ter uma ataque, que coloca em questão a sua saúde e começa a perceber que a sua vida está bem mais perto do fim.
Em termos de argumento é um filme com algum simbolismo por aquilo que na realidade significa em termos do peso da idade e o pensamento nesta faixa etaria. o filme consegue potenciar alguns momentos de dialogo nas sequencias do bar, no restante um filme mais simbolico do que excelente.
Na estreia como realizador Carrol Lynch aposta num filme simples, de caracteristicas obviamente indie, no interior americano. Consegue potenciar o maximo da personagem e isso deve ser louvado num realizador de estreia. Os meios também não seriam muitos mas o trabalho é interessante, para seguir o que vem de seguida.
Por fim no que diz respeito ao cast Dean Stanton tem um papel interessante principalmente o desgaste fisico da sua idade e a presença continua, o que é muito complicado para alguem com aquela idade. Eleva o filme para patamares mais elevados embora os alegados premios me pareçam mais uma recompensa post mortum do que outra coisa. O filme nao tem espaço para mais ninguem.

O melhor - A personagem Lucky

O pior - Ser um filme pequeno e normalmente de ritmo baixo.

Avaliação - B-

Wednesday, January 10, 2018

The Strange Ones

Existem alguns pequenos filmes normalmente estreados em pequenos festivais que muitas vezes são utilizados por actores de algum renome para relançarem carreiras em fases menos folgorosas. Talvez isso foi o que aconteeceu com Alex Pteifer neste filme claramente independente, que estreou em pequenos festivais com criticas medianas e por isso sem grande chance de explorar outras dimensoes, e comercialmente totalmente inexistente fruto ser um filme de um lado independente menos visivel.
Sobre o filme podemos dizer que nem sempre o tema da pedofilia e tratado com a importancia que tem pelos filmes, principalmente pelo receio de actores e realizadores em tocar em algo tao chocante. Dai que os filmes ate ao momento que abordam esta tematica fazem-no de uma forma subtil como e o caso deste filme que passa grande parte da sua duraçao num road movie de baixa qualidade e sem intensidade para no fim nos dar uma abordagem mais existencialista com toques sobre esta questao.
Um dos problemas de um cinema independente de origem e de base e normalmente a baixa intensidade das suas historias. Ou seja muitas vezes a historia ate e sobre algo intenso, mas a forma pausada com que e contado muitas vezes nao nos da grandes filmes, como foi o caso deste filme que parece nunca adquirir nem o ritmo nem a linhagem temporal para a historia que quer contar.
Outro dos problemas de um filme com esta duração, e que necessita que a historia seja contada com uma introduçao quase perfeita naquilo que nos da, caso contrario personagens e seus desenvolvimentos tornam-se muito redutoras. E o filme nao consegue ultrapassar muito esta dificuldade principalmente na personagem central. Chegamos ao fim ainda com muitas duvidas sobre o que temos a frente.
Mas digamos que num filme sem grandes ambiçoes de base, um filme pequeno, que nos tras um jovem de filmes mais comerciais num registo mais independente. Mas pouco mais de significativo acaba por ter o filme, que se torna um daqueles que começamos a esquece no momento em que o acabamos de ver.
A historia fala de um jovem acompanhado de um adulto que tentam chegar a uma cabana para viverem juntos naquele espaço, escondendo no passado a origem desta uniao.
Em termos de argumento a forma como o filme esconde a base ate podia ser uma formula interessante nao tendo o argumento tido tao pouca intensidade que acaba por nunca prender o espetador. Para isto contribui principalmente personagens pouco introduzidas e um ritmo baixo.
Na realizaçao uma dupla desconhecida que tem aqui o seu filme mais significativo. numa realizaçao simples marcadamente independente, com pouca cor e com planos longos, não e propriamente o filme que tira do anonimato quem o faz.
EM termos de cast, Pteifer nao nos parece ter aqui uma interpretaçao tao diferente do que ja nos deu, mesmo num genero diferente. O jovem Freedson Jackson parece ter intensidade para papeis de primeira linha, pese embora a personagem nem sempre seja bem trabalhada.

O melhor - ALguns momentos de Freedson Jackson

O pior - O ritmo baixo do filme para um filme tao pequeno

Avaliação - C-

Happy Death Day

Nos finais dos anos 90 foi muito comum o tipico filme de terror adolescente, usualmente criando uma serie de actores tipicos desta gama de filmes que foi colecionando sucessos comerciais. Com o passar do tempo o terror foi mudando para obras mais gráficas e adultas, parecendo que o genero juvenil tinha desaparecido. Contudo este halloween surgiu este particular dia de aniversario que junta o feitico do tempo com o Destino Final. AO contrario da maior parte dos filmes de adolescentes de terror as criticas nao foram muito nocivas para o filme com uma mediania com contronos positivos. COmercialmente num ano onde filmes com figuras de proa falharam podemos dizer facilmente que o filme conseguiu ter resultados bem consistentes.
Sobre o filme podemos dizer que o mesmo funciona bem mais como comedia, por algum insolito da repetiçao constante do filme e a curiosidade que isso provoca segmento a segmento, do que em terror, onde adopta um estilo demasiado ligeiro nunca assumindo de caras o genero. E isto acabou por ser o segredo para o filme funcionar moderadamente. Existe momentos onde parece que o filme se goza a si proprio e acaba por tornar o filme interessante objeto de entertenimento.
O probelma e que nos parece que seria facilmente conciliavel este estilo descontraido com um terror mais gráfico, mas de impacto por si so junto ao espetador. Neste particular o filme nao adquire qualquer tipo de força ou registo significativo muito por culpa de nao arriscar, sendo sempre um filme de adolescentes para adolescentes.
Mas numa epoca em que o terror parece ser sucessivamente igual, podemos dizer que este regresso a um passado pelo menos de sucesso comercial tem o seu significado e merece ser sublinhado. Um filme que acaba por ser facil de ver, curioso e com um twist final interessante fazem dele uma nova luz no cinema de terror para um estilo com pouco caminho mas pelo menos diferente do que tem sido feito.
A historia fala de uma arrogante estudante universitaria que vai repetindo o seu dia de aniversario no qual acaba sempre inevitavelmente por morrer, tentando descobrir dia apos dia na sua repetiçao quem e o autor de tal morte.
No argumento temos uma premissa que reune alguns filmes com referencias obvias, mas que acaba por ser curioso mais que consistente. O estilo ligeiro e com algum humor parece uma boa escolha de um filme com um twist interessante mas tambem com alguns cliches como a historia de amor.
Na realizaçao a cargo Christopher Landon argumentista mais conhecido do que realizador temos um trabalho simples, sem grande risco, o que nos parece curto num genero que nos ultimos tempos se foi tornando algo estetico.
No cast um conjunto de jovens quase desconhecidos encaixam bem num filme facil, onde a empatia com o publico parece mais facil de criar do que qualquer exigencia dos papeis.

O melhor - A forma como nao segue o que tem sido feito no terror.

O pior . Graficamente enquanto filme de terror nao existir

Avaliaçao  C+

Monday, January 08, 2018

Breathe

Quando uma figura iconica do cinema como Andy Serkis se dedica à realização existe sempre alguma expetativa sobre o produto final do mesmo enquanto cineasta. Dai que a expetativa em torno deste filme biográfico apresentado em alguns festivais era muita. Logo apos as primeiras analises percebeu-se contudo que o resultado não iria ter grande excelencia com avaliações demasiado medianas e que retirou qualquer expetro de premios que o filme numa primeira instância poderia ter. Comercialmente um filme pouco expandido e com resultados muito curtos tendo em conta todos os intervenientes.
Sobre o filme, desde logo lendo a sinpopse se percebe que a vida de Robin Canvendish foi extraordinaria, numa historia de sobrevivencia unica, e o filme consegue dar-nos isso com uma simplicidade e um cor bastante interessante o que faz mais que tudo um filme bonito, com muito coração e preocupado naquilo que transmite de uma forma positiva. Nesse particular é indiscutivel que Serkis tem essa preocupação e consegue dar estas caracteristicas ao seu trabalho.
Os problemas do filme surgem no lado narrativo, ou seja o filme tem muita dificuldade desde logo na contextualizaçao temporal, com falhas clamorosas de caracterizaçao espacial e das personagens e mais que isso acaba por não conseguir nunca ir para alem do que conhecemos, dos marcos evolutivos das criaçoes e da doença como se fossem episodios separados de uma serie, nunca tendo preocupaçao de dar "cola" a isso tudo, e tudo isto resulta num filme com um argumento pobre, que mais não é do que o enunciar dos pontos presentes na wikipedia relativamente a figura que temos no filme.
E isto numa linha elevado de hollywood é insuficiente para fazer um filme resultar. Ou seja acabamos por ter um filme demasiado predefinido na base e demasiado previsivel em tudo. Para alem das dificuldades tecnicas naquilo que é menos visivel mas mais essencial como a contextualizaçao temporal o filme nunca consegue ter um recheio interessante que potencie uma historia que tinha muito para ser sublinhada.
A historia fala-nos da vida de Robin Cavendish, desde o seu grande amor para uma vida, da sua doença e da forma como os seus diferentes artefactos lhe premitiram uma vida muito mais longa que o prognostico da doença.
Em termos de argumento e um filme com claras dificuldades. parece sempre que o filme não consegue ir para alem do obvio, que tem medo de arriscar nas personagens e como resultado temos um filme demasiado fracionado temporalmente, muitas vezes parado e que mesmo a melhor da historias pode nao resultar num bom filme.
Na realização existem dificuldades na contextualizaçao temporal, principalmente relativa que me parece de inexperiencia de Serkis como realizador. Pese embora este facto temos o sentido estetico presente que pode ser um bom ponto de partida na maturação do actor enquanto realizador.
No cast e facil perceber que bem encaixado e num filme mais completo o papel de Robin poderia ter reconhecimento de premios. O problema e que nem o filme potencia a personagem nem garfield o consegue levar para patamares de excelencia que outros conseguiram em papeis do mesmo genero. Mesmo assim Garfield tem conseguido escolher bem papeis exigentes que o podem levar a um sucesso a curto prazo. Boa presença de Foy na sua passagem para um cinema com mais dimensao

O melhor - A forma com que o filme consegue ser bonito.

O pior - A incapacidade de dar conteudo para alem do conhecido

Avaliação - C

Saturday, January 06, 2018

Call Me By Your Name

Desde a sua apresentaçao inicial nos festivais de inicio de ano que todos perceberam que esta historia de amor homossexual iria ser um dos fortes candidatos a temporada de premios nas categorias principais, fruto de uma unanimidade critica impressionante, principalmente na valorizaçao das interpretações e argumento, mas tambem no filme em geral. Comercialmente sendo um filme de autor os resultados acabaram por ser interessantes tendo em conta o facto de ser um filme independente com uma tematica pouco comercial.
SObre o filme parece-nos importante analisar os diversos pontos que o constituem, em termos esteticos o filme é brilhante numa excelente opção de cenarios quer paisagisticos quer na contextualizaçao de todos os espaços, que faz o filme mais que tudo ser um filme bonito, de sequencias marcantes, dando o contexto ideal para personagens também elas de primeira linha. E aqui surge o elemento diferenciador do filme, mais que a relação em si, que nos parece que a determinada altura se torna demasiado fisica o filme vale por ser o encaixe de duas personagens complexas e interessantes nas suas diferenças e nas suas particularidades e aqui temos o grande segredo deste filme.
Mas o filme tem outros trunfos o lado moral da aceitaçao na parte final do filme, algo que rompe com o normal cliche dos filmes sobre a homossexualidade anterior, interpretações de grande intensidade, momentos insolitos e curiosos preenchem uim dos filmes mais marcantes do ano, principalmente pela sua diferença, pelo seu primor estetico e porque estamos na base num filme simples de amor entre duas persongens.
Ou seja é indiscutivelmente um dos melhores filmes do ano ate ao momento, completo, adulto, arriscado, perde por no final se tornar algo fisico e repetitivo, mas isso nada condiciona o facto de ser um filme de eleiçao de um autor que nos ultimos anos tem conseguido conquistar um espaço singular no cinema mundial.
A historia fala-nos de uma familia pouco convencional que recebe a visita de um jovem americano que inicia uma relação amorosa com o filho do casal, descobrindo a sua sexualidade num filme de auto descoberta.
O argumento de Ivory é do mais intenso que temos memória, pela forma como as personagens são multidimensionais e intensas, pelos dialogos de primeira linha, e por uma força emotiva de uma mensagem complexa e muito forte, que faz deste argumento um dos mais candidatos ao oscar de melhor argumento adaptado.
A realizaçao de Guadagnino é algo inacraditavelmente bonita, todo o detalhe dos carros dos espaços das sequencias fazem deste um dos filmes melhor realizados dos ultimos tempos. A ver o futuro do realizador que ate ao momento tem conquistado um espaço de excelencia.
No cast, o filme e dominado de principio a fim, por uma das interpretações mais intensas e marcantes dos ultimos anos. Chalamet e de uma intensidade pouco vista. Dramaticamente e a entrega fisica podem fazer deste jovem o novo caso serio do cinema e um dos favoritos a conquista do oscar de melhor ator. Nos secundarios Hammer merece todo o destaque por uma construçao que é o balanço ideal para o seu companheiro de cast, ainda que com menos destaque.

O melhor - A forma como temos um filme quase perfeito em todas as suas linhas

O pior - Torna o amor demasiado fisico a determinada altura

Avaliação - B+

Friday, January 05, 2018

Mark Felt:The Man Who Brough Down the White House

Muitos ja foram os filmes ao longo dos anos que tentaram dar a sua versão daquilo que foi o caso Watergate. Este ano no filme biográfico sobre o delator do caso para os jornais, o investigador Mark Felt, pensou-se que seria o filme que iria mais a fundo na tematica. Contudo logo apos as primeiras visualizações percebeu-se que o filme era demasiado mediano para ter esse reconhecimento, tendo de imediato ficado fora da corrida na temporada de premios. Comercialmente e com o pouco impulso critico que acabou por ter, passeou sem grande visibilidade por poucos cinemas com resultados demasiado escassos.
Sobre o filme, podemos dizer que um filme sobre uma investigação e principalmente sobre relações priveligiadas entre policias e jornalistas, deveria ter o minimo de densidade para que seja mais que uma serie de lugares comuns. Pois bem o filme perde por ser demasiado direto ao ponto e com pouco trabalho quer na vertente jornalistica onde nunca detalha a forma como se obteve os dados relevantes, mas mais que isso esquece por completo o como chegaram à investigação, preocunpando-se mais numa caça à bruxas relativas ao "Bufo" da imprensa.
E parece-me que aqui o filme se torna demasiado redutor, demonstrando ter pouca informação para o filme. Mais quando acaba por criar uma segunda narrativa relativa ao desaparecimento da filha que também ela nunca acaba por ser trabalhada. Alias e no aspeto familiar e pessoal de Felt que o filme acaba por ser mais pobre, não em tempo de antena, já que acaba por ter, mas naquilo que transmite que é francamente pouco.
Contudo fica a homenagem a um homem de coragem, que mesmo contra todas as pressões assumiu o que para si seria melhor para o pais. Acaba por ser na forma como retrata uma pessoa de convicções fortes que o filme melhor funciona, bem como na caça ao delator. No restante ficamos com a impressão que o filme é demasiado simplista, o que não lhe dá a possibilidade de ter a dimensão que nos parece que o tema poderia exigir.
A historia fala-nos de Mark Felt, do seu envolvimento na investigação do caso Watergate e da forma como o mesmo durante todo o processo lidou com as presões superiores e a forma como se relacionou com a imprensa de forma a todo o processo ter implicações politicas.
O argumento parece-me curto para o que se propoem. Ficamos com a sensação que quer na investigação e na dinamica familiar de Felt o filme é pouco trabalhado. Acaba por ser melhor naquilo que é as influencias politicas no trabalho de investigação e na relação com a imprensa.
Na realização Landesman, já tinha feito Parkland um filme sobre as vivencias de uma outra situação historica na politica americana. Aqui tem uma realizaçao simples, aproveitando bem o cenario cinzento de Washington e uma boa conjugação com imagens reais, temos um filme bem realizado, sem grandes sublinhados. COntudo parece-me que a pouca dimensao do filme pode atrasar a forma como este realizador se vai assumindo em Hollywood.
No cast a escolha de Neeson deu a personagem a presença que ela necessitava, bem como a serenidade necessaria. COntudo parece-me que nesta altura o actor esta demasiado talhado para filmes de açao, perdendo registo dramatico que em momentos a personagem necessita. Bem melhor ainda que com pouco tempo de antena Diana Lane, no lado mais fervoroso da vida de Felt.

O melhor - A forma como o filme detalha as pressões politicas no trabalho de investigação

O pior - Alguns planos não serem sequer potenciados

Avaliação - C

Thursday, January 04, 2018

Justice League

Depois do sucesso critico e comercial que se tornou Wonder Woman todos pensaram que a DC Cinematic Universe tivesse finalmente ganho o impulso que a Marvel conquistou desde o seu inicio com a ajuda da Disney. Dai que fosse com grande expetativa que se aguardava pelo lançamento deste filme que reunia os herois da DC num unico filme. Criticamente de imediato se percebeu que tudo tinha voltado à mediania dos primeiros filmes, sendo um retrocesso naquilo que aparentemente tinha sido ganho com Wonder Woman. Comercialmente para um filme com a ambiçao total de um blockbuster desta dimensão também se esperava muito mais, embora a data de lançamento do filme já denunciasse pouca expetativa no seu resultado.
Sobre o filme podemos começar por dizer que é uma desilusão completa, desde logo porque nos parece que surge demasiado cedo, já que metade dos herois ainda não tiveram o seu filme introdutorio e mais que isso fazer um blockbuster de reuniao de herois, com uma duração de menos de duas horas e significativo da falta de ideias para um argumento que acaba por facilmente se tornar um autentico desastre de principio a fim em termos de narrativa, e que muitas vezes também o é nas componentes tecnicas abusando do digital, o que acaba por tirar todo o realismo às sequencias do filme.
Sobre os novos herois também podemos dizer que com a excepção de Flash que com o seu lado mais humoristico nos parece ser capaz de resultar num razoavel filme de adolescentes, todos os outros são de um total vazio, não percebemos a sua origem, as suas motivações ou mesmo o seu poder. Dai que vamos ter de aguardar pelos filmes individuaus que depois de vermos o filme percebemos obviamente que deveriam ter sido lançados numa fase inicial. Pior ainda um vilão que parece retirado de um filme dos power rangers, quer do ponto de vista estetico quer na forma limitado com que é caracterizado.
Ou seja tudo muito pouco para um filme desta dimensão e que podera determinar um percurso menos apelativo da DC nesta tentativa de criar um universo cinematografico. Assim nos seus filmes mais ambiciosos vai colecionando fracassos, contudo este acaba por ser de longe o pior filme de todos e mais que isso, aquele que tinha por obrigação ser o melhor.
A historia fala na reunião dos diferentes herois com os poderes que lhe são conhecidos contra um ser mitologico que precorre diversos mundos na tentativa de captar umas caixas da vida que lhe dará um poder infinito mas mais que isso destruiria o mundo como o conhecemos.
Em termos de argumento o filme é um autentico deserto de ideias, que na caracterização e exploração dos seus herois, mesmo no que diz respeito a um intriga de serie B clara, pouco trabalhada e mais que isso sem qualquer tipo de inovação. Em termos comicos demasiado previsivel e nem sempre bem englobado dentro do filme em si,
A realização a cargo de Snyder poderá conduzir a que rapidamente se perceba que o insucesso da saga esteja relacionado com o realizador, devido ao facto do mesmo ainda não ter conseguido criar um filme reconhecido neste mundo. No final a contratação de Whedon, o mentor principal de Avengers acabou por não dar nada de novo a um filme que me parece mesmo nesta componente ser um desastre.
No cast podemos tambem sublinhar que surge um dos principais problemas deste universo cinematografico. Assim, é obvio que escolhas como Affleck e Canvill estejam longe do consenso. Mas nas novas aquisições Miller parece demasiado teatral para Flash, embora seja um jovem actor com reconhecido talento, Momoa, poderá ser uma boa escolha para Aquaman mas temos de ver mais de uma personagem inexistente, já Ray Fisher tem um papel de maior destaque, mas numa personagem tão digital é dificil reconhecer muito da interpretação ou carisma.

O melhor  - Alguns apontamentos de humor de Flash

O pior - A forma como um filme desta dimensão consegue ter um argumento mais basico do que muitos dos filmes juvenis que temos anualmente

Avaliação - D+

Wednesday, January 03, 2018

Rebel in the Rye

JD Salinger é um dos autores mais carismaticos da literatura americana. Não só pelo sucesso da sua obra Catching the Rye mas principalmente pela forma como abandonou a escrita publicada e viveu grande parte da sua vida em clausura. Dai que depois da sua recente morte diversos filmes tentem retratar fragmentos da sua vida. Este filme acabou contudo por ainda não ser o biopic grande sobre o autor, muito por culpa de avaliações criticas demasiado moderadas, o que condicionou e muito o percurso comercial de um filme quase desconhecido mesmo tendo em conta o elenco de peso que acabou por ter.
Sobre o filme é indiscutivel que a personalidade de Salinger é uma das mais curiosas do mundo literario e que filmes arrisquem descrever as razões do sucesso e mais que isso as razões da posterior clausura. Este filme parece contudo muito simples para descrever tão completa personagem, centrando-a num relacionamento com um professor e pouco mais. Parece tudo demasiado curto, principalmente nas abordagens superficiais que fas às vidas amorosas do autor, e mesmo à passagem pela guerra, e por isso torna-se um filme bastante limitado no seu alcance na tentativa de explicar algo maior que o filme em si.
Pese embora este defeito que acaba por retirar algum poder de fogo ao filme é claro que outros elementos pelo menos os que o filme dedica mais atenção me parece bem melhor trabalhados e bem funcionais no filme, com destaque para a escrita e construção criativa do autor, a forma como o mesmo foi lidando com o fracasso e com a aceitação e mais que isso na relação com o seu professor e mentor. Nestes parametros o filme para além de extenso na descrição acaba por ter seguimento naquilo que se tornou a vida do autor.
Ou seja mais um filme tentando descrever Salinger, que nos parece contudo não ter sido suficiente para preencher este espaço que me parece claro existir em Hollywood. Contudo numa fase em que os biopic se tornaram cada vez mais moda, este será um de uma divisão inferior que nos dá algumas luzes da sua personalidade mas ainda deixa alguns pontos por explicar.
A historia tenta retratar o inicio do processo de criaçao literária de Salinger, quer tendo como base a sua personalidade inicial quer depois na forma como se foi ajustando com os acontecimentos que foram ocorrendo na sua vida.
O argumento é sempre complicado de formar quando se trata de uma personalidade tão complexa como Salinger. No balanço temporal parece-me um filme bem definido com algum desiquilibrio naquilo e na forma como aborda os diferentes vetores da personalidade.
Na realizaçao a cargo de Danny Strong, que tem aqui a sua estreia, podemos dizer que o filme tem uma boa escolha de cor, numa realização maioritariamente simplista, com protagonismo ao cast. Não sera um filme para lançar Strong para a ribalta mas vamos aguardar o que se segue
No cast saimos com sensações dispares. Se por um lado parece-nos um Hoult muito clean como Salinger, parecendo sempre mais inocente do que confuso, o suporte que as interpretações de Poulson e Spacey dao acabam por dar ao filme alguma força neste particular.

O melhor - A forma como trabalha as reações ao sucesso e insucesso

O pior - Muito parece ter ficado por contar

Avaliação - C+

Sunday, December 31, 2017

Bright

Aos poucos a Netflix vai começando a tornar-se poderosa tambem no que diz respeito aos filmes, depois de ja ter conseguido entrar em alguns festivais mais escassos e depois de algumas tentativas frustradas para os premios, neste natal surgiu a sua primeira grande produçao, que conseguiu reunir estrelas de primeira linha, um bom realizador e efeitos especiais de primeira linha. O resultado esteve longe contudo de ser brilhante do ponto de vista critico com avaliaçoes muito negativas para um filme que anunciou a sequela mesmo antes de ter sido lançado. Comercialmente os dados disponibilizados pela Netflix anunciaram que se tratou de um dos produtos mais vistos pela plataforma, mas ja sabemos que isso e sempre relativo.
Sobre o filme eu confesso que quando li a ideia do filme, fiquei estupfacto como é que Ayer aceitou fazer um filme com uma premissa a partida tao disparatada. E depois de ver o filme parece-me que tirando o lado humoristico das diades de policias comuns nos anos 80 o filme e um conjunto de atos falhados sem qualquer sentido e mais que isso com um argumento de base completamente vazio e desinteressante. Por isto e dificil perceber quais os reais valores de um filme que trás um mundo com seres mitologicos mas que na realidade e demasiado parecido ao nosso, e pior que isso a mitologia e magia do filme torna tudo confuso e desintersssante no desenvolvimento da historia.
Por isso é estranho um filme anunciar a sua sequela sem perceber a forma como as pessoas vao reagir. E dificil gostar de um filme que em termos de historia é demasiado vazio e que parece por vezes arriscar pouco nos parametros onde realmente funciona no caso concreto na capacidade de estabelecer uma quimca entre a dupla protagonista e nos momentos de humor que por vezes funcionam.
Dai que sobre que talvez um filme que se levasse menos a serio na criaçao de mundos e figuras mitologicas e mais centrado no humor podesse ser mais resultadista em termos criticos, contudo Ayer assume-se como um realizador de primeira linha, e estas comedias basicas nao parece ser o estilo de filme que procura. Dai que o resultante seja um frustrante despredicio de dinheiro, numa Netflix que ainda procura convencer a critica em diversos segmentos.
Em termos de historia temos uma dupla de policias constituida por um homem e por um orc que vao tentar impedir que um grupo de seres miticos mal intencionados libertem o senhor das trevas e coloquem em causa a continuidade do mundo.
Em termos de argumento uma ideia de base que na minha opiniao dificilmente poderia funcionar encontra-se unida a um desenvolvimento narrativo completamente fora de forma, num filme que so consegue funcionar a espaços com alguns momentos de humor, o que e muito pouco tendo em conta os envolvidos e mais que isso o budget do filme.
Ayer foi conquistando ao longo dos anos um espaço muito proprio nos policiais pelo seu realismo e pela sua intensidade de ação. O problema foi em Suicide Squad e aqui parece ter descido ainda mais com um filme quase sempre demasiado estranho, com alguns bons momentos de realizaçao mas um filme que perde totalmente no facto do argumento ser desastroso. Ayer tera de trabalhar muito para recuperar o que perdeu nos seus dois filmes mais recentes.
AO contrario de todos os aspetos o cast funciona, Smith e perfeito como policia descontraido, parecido com o que fez em Bad Boys, e Edgerton e o melhor do filme, numa interpretaçao de primeira linha como orc desajeitado. Acaba este ultimo ponto o unico que merecia mais do filme.

O melhor - O orc Edgerton

O pior - Um argumento completamente sem sentido algum

Avaliaçao - C-

Friday, December 29, 2017

Battle of Sexes

Muitas vezes existem alguns realizadores que conseguem uma unanimidade sem paralelo nos seus primeiros filmes e depois andam anos para conseguir ter um filme valorizado. Podemos dizer que esse foi o caso desta dupla Dayton Faris, que depois do sucesso brutal de Little Miss Sunshine em 2006 conseguiram novamente aqui algum reconhecimento critico com avaliações essencialmente positivas num filme que descreve um dos acontecimentos mais significativos do desporto mundial. Em termos comerciais num filme com pouca divulgaçao em termos de cinema os resultados foram apenas interessantes.
Sobre o filme depois do que se falou em Hollywood nos ultimos tempos a tematica da igualdade de direitos entre mulheres e homens passou para a ordem do dia, e este filme acaba por relatar um dos acontecimentos mais marcantes na questao da igualdade. E o filme consegue transmitir isso com uma toada suave e ligeira, com grande detalhe de epoca quer nas roupas quer nos costumes, o que o torna algo colorido demais para as andanças dos premios, mas que o tornou consistente para a maioria do publico.
O filme tem um problema que acaba por ter algumas dificuldades em lidar que esta relacionado com a divisao da atençao de Bille Jean enquanto desportista mas vai muito dentro daquilo que é a sua sexualidade, que acaba numa fase posterior por abandonar. E nessa falta de equilibrio reside um dos problemas do tenis, para alem da sequencia dos jogos ter uma intensidade claramente de jogadores amadores o que me parece pouco trabalho na produçao do filme.
Contudo fora estes dois apontamentos com algum relevo temos um filme significativo, esteticamente curioso e que significa muito em termos de igualdade, ainda mais quando nos conta uma historia real. Parece por vezes cair no esteriotipo exagerado da personagem de Riggs dando-lhe uma versão demasiado comica, mas esta foi a faceta conhecida do mesmo e o filme aproveitou isto para ganhar uma toada mais suave, não perdendo nunca o seu proposito
A historia dá-nos o contexto do jogo de tenis entre Billie Jean King e Bobby RIggs, que aconteceu em plena guerra das mulheres para igualar os premios dos homens e que significou muito mais que um jogo de tenis, mas sim a verdadeira guerra dos sexos.
Em termos de argumento o filme é inteligente no estilo algo comico que adopta. Perde algum equilobrio na forma como não consegue conferir a mesma importancia a atleta e a pessoa, algo que a determinada altura assume ser o objetivo. COntudo parece-nos uma interessante transposiçao de um acontecimento real para o cinema.
A dificuldade da realizaçao do filme esta na contextualizaçao temporal algo que é conseguido em toda a linha, quer na roupa, na caracterizaçao e mesmo na qualidade de imagem o filme é excelente na criaçao temporal da data. Novamente parece-nos que esta dupla sabe trabalhar em contextos exigentes e devera ter mais trabalho no futuro pois parece-me uma dupla de primeira linha do cinema atual.
No cast temos dois nomeados para os globos de ouro na categoria de comedia. Carrel tem um papel mais vistoso embora me pareça que as suas caracteristicas encaixam perfeitamente no que o papel exige. Ou seja movimento, extravagancia e loucura. Certo e que Carrel tem recebido otimas criticas no filme e podem resultar em mais uma nomeaçao, demonstrando o seu atual bom momento. AO seu lado a sempre competente Stone, acabada de ganhar um oscar tem uma personagem menos vistosa mas competente, embora num ano apararentemente exigente me pareça insuficiente para a nomeaçao.

O melhor - A construçao de epoca.

O pior - A forma como os jogos de tenis foram recriados. Demasiado amador.

Avaliação - B

Wednesday, December 27, 2017

Flatliners

Vinte e sete anos depois de Joel Schumacher ter surpreendido o mundo do cinema com um grupo de jovens a delirar com a experiencia do pos mortem, surge uma especie de remake deste classico, com novos actores e uma nova sequencia em busca da mesma experiencia. Criticamente esta nova roupagem do classico foi um autentico desastre com avaliações essencialmente negativas. Comercialmente a falta de uma figura de primeira linha em termos comerciais condenou o filme a resultados comerciais muito escassos que fizeram questionar se valeu a pena esta homenagem.
Sobre o filme podemos dizer que a base do filme nada acrescenta ao original, temos cinco jovens estudantes de medicina, ambiciosos em encontrar algo de completamente diferente, e com um passado escondido que ao exprimentar a morte acabam por perceber que o passado ainda esta presente na vida de ambos, começando uma serie de experiencias totalmente nefastas para a saude mental. Ate aqui o filme basicamente copia o que o primeiro filme fez. O problema acaba por ser o desenvolvimento da narrativa onde as personagens acabam por apenas ser presseguidas pelos fantasmas do passado em realidades diferentes, sem intensidade e mais que isso sem qualquer originalidade que diferencie o filme.
Por tudo isto parece-me obvio que este filme mais que qualquer coisa copia a ideia do primeiro filme sem lhe dar nada de significativo acabando mesmo por baralhar ideias do primeiro filme em algo mais confuso e pouco interessante. Outro dos problemas do filme e a falta clara de personagens no sentido daqueles que fazem os filmes crescer. Temos uma serie de personagens esteriotipadas de movimentos previsiveis que nada dao ao filme.
Ou seja um despredicio de tempo de um estudio grande, numa moda cada vez mais comum de pegar em filmes com algum sucesso do passado e dar-lhes uma nova roupagem. O problema e que o que esses filmes valeram ja esta sublinhado e normalmente nada é acrescentado.
A historia fala de cinco jovens estudantes de medicina que começam a exprimentar a morte por livre vontade no sentido de tentar perceber que mecanismo e responsavel pelo resto da atividade cerebral neste periodo.
O argumento tem os pontos fortes do primeiro filme principalmente na sua genese, mas nao acrescenta mais nada ja que as personagens e principalmente a narrativa e retirada de um filme de pouca qualidade de terror adolescente.
Na realizaçao a batuta foi entregue a Oplev o realizador dinamarques que esteve associado a triologia original Millenium. O resultado e desolador, ja que o filme nunca consegue ter um conceito proprio, principalmente na diferenciaçao de realidades sabe sempre a muito pouco, e que sublinha a dificuldade do realizador imperar o seu cinema num mercado mais global.
No cast eu ate penso que Page seria uma boa escolha pela qualidade dos seus atributos interpretativos mas o filme limita-no numa personagem pouco interessante. O restante cast menos conhecido ou com atributos mais duvidosos fazem o filme correr sofrendo da falta de força das personagens mais do que por culpa propria.

O melhor - A ideia do filme original e interessante

O pior - Nada acrescentar ao original, oferecendo personagens vazias e uma narrativa ja usada

Avaliação  D´+