Tuesday, January 17, 2017

The Crash

Todos sabemos que Janeiro é normalmente a época escolhida para filmes que nas primeiras visualizações foram considerados com pouco valor, principalmente quando essa estreia não consegue sequer a expansão. neste filme temos tudo isso e mais uma complicação que foi a alteração do titulo. Dai que não surpreenda que os resultados criticos deste filme sejam bastante pobres e comercialmente a sua pouca distribuição tenha resultado numa total ausência de resultados.
Sobre o filme, tentar debruçar um filme com pouco mais de uma hora e vinte sobre a complexidade do sistema económico mundial, acaba por ser uma tarefa impossível, mas que com coragem este filme se propõem, na forma de um thriller serie B. E posso dizer que surpreendentemente até nem é no argumento ou narrativamente que o filme falha, já que mesmo sendo uma abordagem simplista, consegue encontrar alguns problemas, principalmente na teia de intriga que está subjacente ao filme.
O problema do filme para não resultar é tudo o resto, personagens sem qualquer tipo de dimensão, contexto ou estrutura, uma forma de realizar sem grande sentido, com aproximações de camara que parece saidas de um video caseiro, para além de uma banda sonora que acompanha toda a duração do filme que é do mais irritante que à memoria. Acrescenta-se a estes aspetos negativos um cast longuissimo, com actores fora de forma e que sofrem da pouca complexidade e desenvolvimento dos seus personagens.
Posto isto parece que um filme pequeno que consegue contornar a sua maior dificuldade que é tocar num tema complexo e faze-lo com alguma logica e profundidade e que acaba por perder nos seus elementos mais básicos e que tornam o filme num misto de emoções que o conduzem para uma vulgaridade que mais trabalhado poderia resultar numa agradavel surpresa.
A historia fala de um grupo de hackers que responsavel por uma crise no sistema financeira é contratado pelo governo americano para lidar com a ameaça de um ataque cibernetico que poderá por em causa todo o sistema financeiro do pais.
Em termos de argumento penso que o filme até funciona bem em termos da narrativa central, do seu significado e mais que isso no estudo do problema, perde por completo é nos outros elementos todos do argumento como personagens, dialogos e principalmente as intrigas secundárias, que acabam por ser extremamente pobres, mal trabalhadas e vazias.
Na realização Aram Rapparport é o pai do filme, um realizador corajoso pelos temas que aborda como já o tinha feito em Syrup, mas que parece não ter encontrado o balanço certo para os seus filmes, evidenciando na realização muitas dificuldades. Veremos se existe evolução no seu proximo trabalho.
Em termos de cast é um filme com algumas figuras conhecidas, ainda que em baixo de forma e de um segundo plano. Todos sem excepção padecem de personagens pouco desenvolvidas o que não permite que o filme evidencie melhores ou piores momentos em algum deles. Tenho bastante dificuldade em considerar Frank Grillo um actor capaz de capitanear um filme de hollywood.

O melhor - A forma como consegue teorizar em 1H20 sobre um assunto tão complexto.

O pior - Os contornos tecnicos e narrativos do filme.

Avaliação - C

Queen of Katwe

Hollywood sempre esteve atento a alguns dos feitos mais incriveis do mundo do desporto, sendo que a maioria dos mesmos dão origem a mais que grandes filmes, bons momentos de entertenimento e justas homenagens aos mesmos. Este ano e sob a chancela da Disney surgiu este filme da disney que junta duas realidades aparentemente distintas como é as favelas africanas e o xadrez. O filme foi bem, recebido pela critica o que lhe permitiu durante os primeiros dias ainda ser mencionado em listas de candidatos a prémios, e comercialmente, teve algumas dificuldades de expansão o que para o estudio em questão diminuiu o seu resultado.
Sobre o filme podemos desde logo dizer que se trata do filme natural de um grande estudio para um feito desportivo, ou seja temos um filme bem contextualizado em termos de espaço e realidade, com um realismo interessante relativo à forma de vida em africa. ALiado a este ponto temos na realidade um filme emotivo, que mesmo sendo esteriotipado consegue passar os sentimentos em questão, principalmente nas dinamicas familiares.
Assim, mais que um filme espetacular ou uma abordagem completamente diferente em termos artisticos, temos um filme competente, que percebe perfeitamente os pontos da historia que tem que sublinhar e mais que isso a mensagem que quer transmitir, e consegue faze-lo de uma forma simples, com um filme dinâmico, e que por vezes consegue ser mesmo engraçado em alguns pontos das suas personagens.
Pelo lado negativo, alguns dos defeitos tipicos dos biopic, a exagerar na beatificação de personagens, mais uma vez temos esse lado, que se percebe pela necessidade de fazer funcionar o filme em termos de espetadores, mas tal opção acaba por tirar algum realismo e dimensão ao filme naquilo que transmite. Parece a determinada altura ser um filme para os mais jovens mas que também agrada os mais velhos.
O filme fala de uma comunidade pobre no Uganda, no qual um indivíduo começa a ensinar xadrez, conduzindo uma das suas atletas ao mais alto nivel do desporto naquele pais, mesmo nas condições de vida diárias completamente distintas da maioria dos seus adversários.
Em termos de argumento temos um filme simples, ou seja, um filme que facilmente define os seus objetivos e os concretiza sem grandes rodeios ou fogo de artificio muito por culpa de um filme pensado com o coração e objetivo naquilo que quer ser. Poderiamos dizer que as personagens são pouco reais, acho que o filme sabe desse defeito e trabalha com ele.
Mira Nair é uma realizadora conceituada, principalmente na forma como consegue filmar em condições adversas fora de grandes metropoles, aqui um trabalho incrivel na construção das favelas africanas e naquilo que elas transmitem. Na abordagem podemos dizer que arriscou pouco.
No cast em termos de secundarios os actores com mais peso do cast o filme funciona, quer Oywelo quer Nyongo tem papeis intensos, versateis e que encaixam bem nos propósitos do filme. No papel principal a jovem e desconhecida até aqui Nalwanga, tem algumas dificuldades quando o papel lhe exige mais recursos dramaticos.

O melhor - O coração do filme.

O pior - A abordagem ser muito comum

Avaliação - B

Monday, January 16, 2017

Toni Erdmann

No momento em que Ken Loach foi anunciado como o grande vencedor do Festival de Cannes, algumas das vozez mais ativas criticaram sublinhando que tal prémio deveria ter sido entregue a este filme alemão. Contudo apesar de uma trajectória quase silenciosa surgiu no final do ano com um dos mais serios candidatos ao oscar de melhor filme estrangeiro fruto das excelentes criticas no solo norte americano. A nivel comercial, sendo um filme alemão e ainda para mais com quase três horas de duração podemos dizer que o resultado foi o possível.
Sobre o filme eu confesso que sou um bocadinho critico na forma como o cinema europeu compõe os seus filmes, principalmente aqueles que acabam por ser mais valorizados. Este é mais que tudo um filme estranho e se a linhagem central até pode ser uma base para um filme ao mesmo tempo diferente e complexo, ou seja as complicações numa relação pai e filha em fases diferentes da vida, observamos que ao longo das quase três horas de duração o filme tenta surpreender mais pelo seu lado estranho do que realmente pelo significado. Muitas vezes pensamos estar numa dimensão algo diferente quer em humor quer na forma das personagens e torna este filme, algo que outra coisa, estranho.
É claro que o filme tem bons momentos de cinema, lembro-me para registo da festa de aniversário, ou mesmo algumas situações profissionais com o alter ego do protagonista, mas parece-me muito pouco em termos de conteúdo para um filme tão longo e tendo em conta a unanimidade critica que o filme obteve. Penso que com a mesma base e muito do mesmo guião poderia e deveria ser um filme mais intenso e menos preocupado em fazer-se notar pelo lado mais excêntrico.
Ou seja um filme que encaixa muito do que é o lado mais independente e diferenciador do cinema europeu. O mesmo que cria muita proximidade em alguns adeptos mas que a mim em particular se salienta mais por um espírito demasiado preocupado em diferenciar, mais do que potenciar a narrativa e os valores naturais do filme em si. Acho que nem sempre o filme faz o balanço correto entre o que é essencial e o acessório.
A historia fala de um  pai que preocupado pela forma de vida da sua filha, integrada numa grande empresa em Bucareste, decide visitar a mesma, percebendo das dificuldades que a sua filha tem na rigidez do seu dia a dia. Contudo a sua forma humorística de estar na vida acaba por criar diversos problemas nesta relação familiar.
O argumento tem na minha opinião uma base interessante, e em termos práticos até acho que consegue atingir os objetivos que se propõe, penso é que no lado humoristico o filme poderia ir mais longe do que simples curiosidades ou excentricidades dos personagens, e o caminho ao ser este o escolhido deveria ser mais curto.
Na realização Maren Ade tem alguns bons momentos principalmente na capacidade de fazer de imagens simples resultados significativos como a inclusão de uma mascara bulgara no filme, que dá um teor de carinho e proximidade entre persoangens que funciona na perfeição. Este ponto acaba por ser o mais próximo dos melhores que o filme tem.
Na realização o filme é dominado por duas personagens distintas mas que funcionam perfeitamente nos objetivos do filme.Sandra Huller tem uma das melhores prestações femininas do ano, numa epoca em que as actrizes europeias começam a chamar a si a atenção de hollywood para os papeis. Para além disso é fácil gostar da interpretação de Peter Simonichek, mas aqui parece-me claramente que tem o papel simples do filme.

O melhor - A sequância da festa de aniversário com o climax final

O pior - O filme ser tão longo para um objetivo muitas vezes simples

Avaliação - C+

Sunday, January 15, 2017

Jack Reacher: Never Go Back

Aos cinquenta e quatro anos, Tom Cruise dedicou-se em exclusivo a filmes de ação, sendo que atualmente para além do franchising Mission Impossible, se dedicou também a este heroi algo semelhante de nome Jack Reacher. Depois de um primeiro filme com bons resultados surgiu a natural sequela com resultados claramente mais modestos. Criticamente teve mais dificuldades ainda assim dentro da mediania que também foi o primeiro filme, em termos comerciais algo aquem, o que poderá colocar em causa a sequela.
Sobre o filme, convem contextualizar que gostei do primeiro filme, um filme de acção que conjugava carisma, acção simples e algum valor cómico, pelo que tinha alguma expetativa relativamente a este segundo filme, ainda para mais quando o trailer fazia pensar que teriamos o mesmo tipo de filme. Contudo depois de observar o filme as minhas expetativas sairam totalmente defraudadas, desde logo pela intriga que não existe, ou seja temos um argumento que parece saido de um tipico filme de Jean Claud Van Damme, e isso é tudo menos comum num filme de Cruise.
É indiscutivel que Cruise encaixa bem no lado misterioso e sentido ironico da personagem, mas tambem aqui o filme é claramente pior do que o seu antecessor, recorre muito menos ao humor, e muitas vezes com menos resultado, por outro lado a intriga amorosa tambem dificlmente funciona já que a quimica entre Smolders e Cruise é praticamente inexistente e muito graças a diferença de idade.
Por tudo isto temos um vazio filme de ação, muito longe do primeiro filme quer em entertenimento, como sequências de acção e humor, mas também em termos de intriga, podemos dizer que alguns apontamentos de humor e algumas tiradas poderão o diferenciar da maioria dos filmes de acção serie B, mas está mais perto destes do que daquilo que de melhor se faz em acção nos grandes estudios americanos.
A historia continua Jack Reacher que cria uma relação proxima com uma major do exercito, que se vê presa por alegadamente ter participado numa missão de espionagem, ai ele tenta não so a salvar da prisão bem como das pessoas que a querem matar, bem como tenta perceber se uma adolescente é sua filha ou não.
Em termos de argumento o filme é claramente mais vazio do que o seu antecessor. O filme narrativamente nunca consegue ter impulso de prenda o espetador, com historias já conhecidas e mais que isso previsiveis. So em termos de humor o filme por vezes consegue encontrar o seu norte.
Em termos de realização Zwick já foi um realizador de primeira linha, que com o tempo foi perdendo espaço e se tornando em mais um tarefeiro de hollywood, para um realizador que já foi autor, este trabalho poderia ser efetuado por um jovem saido dos videoclips, espera-se o regresso do melhor Zwick ou isso será sinal de fim de carreira.
No cast Cruise funciona como heroi de ação embora se tornasse nos ultimos anos repetitivo neste tipo de filme. Parece-me muito parecido a sua personagem de missão impossivel e penso que deveria repensar a sua carreira e arriscar mais. Nos restantes Smulders perde por ter uma grande diferença de idade de Cruise e não conjugar com este. O que acaba por ser lesivo para o filme.


O melhor – A primeira sequencia

O pior – Esvaziar em parte o carisma do primeiro filme.


Avaliação - C-

Nocturnal Animals

Sete anos depois da sua estreia como realizador e argumentista, o estilista Tom Ford, que tão bem se saiu no seu filme de estreia que chegou as nomeações para os oscares, traz aqui o seu segundo filme. Apresentado em Cannes os resultados criticos foram interessantes, tem estado na disputa embora nos pareça que em termos de filme e realização não vai ter tarefa facil conseguir a nomeação. Comercialmente para um filme pouco expandido, os resultados foram brilhantes.
Sobre o filme eu confesso que não fui particularmente fã do primeiro filme de Tom Ford, principalmente em termos narrativos, já que visualmente o seu sentido estetico é incrivel, e novamente neste filme mais terreo, mais comum volta a ter um cuidado total com todo o aprumo estetico, mas ao qual junta um argumento de primeira linha, intenso, com um paralelismo e alterações temporais no ponto, e que tem no seu climax a cereja no topo do bolo, já que por diversas vezes pensamos aonda os filme nos leva, pois bem ele leva-nos para o lado mais intimo dos seres humanos com uma mestria só ao alcance de poucos,
Muitos podem dizer e bem que o filme tem diversas possibilidades e que nem sempre é equilibrado entre segmento dando pouca atenção aquilo que é o filme é na verdade na sua narrativa central, aquela que menos tempo de antena tem no filma, mas é precisamente essa decisão, que permite por um lado levar os interpretes para grandes niveis de interpretação e por outro lado consegue o impacto final que o filme quer ter.
Por isso, mesmo sendo à semelhança de Manchester By the Sea, um filme com uma alcance limitado é daqueles que mais uma vez denota que bons livros com bons principios podem dar bons filmes. Este é interessante já que quer a nivel tecnico mas acima de tudo ao nivel do seu real significado e impulsos é daqueles filmes que ficam pela sua intensidade mais do que pelo significado.
A historia fala de uma mulher que recebe em sua casa o livro do seu ex marido, que lhe é dedicado, e que controversa no seu casamento começa a sonhar com o conteúdo do livro e ver o mesmo em imagens claras.
O argumento é brilhante a forma como diferentes historias em realidades paralelas se conjugam para o efeito final é algo que so esta ao alcance de um argumento de primeira linha, pensado do primeiro ao ultimo minuto. E um filme que sabe perfeitamente para onde quer levar o espetador, muito por culpa de personagens de primeira linha.
Tambem em termos de realização, sendo um trabalho mais simples e menos visual do que o seu filme de inicio, Tom Ford tem uma capacidade estetica de planear cada sequencia e cada posição que denota ter a principal virtude para um bom realizador, saber o que quer das imagens. Vamos ver o seu futuro na setima arte, até agora não podia pedir mais.
No cast, é um filme exigente para os seus protagonistas com personagens complexas. Se a Adams ate calhou o papel mais facil do filme, que cumpre com simplicidade Gyllenhall claramente com mais trabalho penso não ter um papel irrepreensivel, contrastando bons momentos ao nivel que nos habituou com algum exagero no sofrimento que por exemplo quando comparado com Casey em Manchester By The Sea, acaba por soar pior. Mas é nos secundarios que o filme tem os melhores papeis, quer Shannon com a intensidade habitual, e um surpreendente Taylor Johnsson com a passagem para outro nivel de interpreta, e que poderá ser o actor que mais ganha com o filme, como já se comprovou pelo até aqui, na minha opinião merecida destinção como melhor secundario.

O melhor – A capacidade de ser um filme tão distante e tão subtil na forma como nos deixa no final sem palavras.

O pior – A subtileza em ligeiros minutos confunde-nos para onde vamos


Avaliação - B+

Live By Night

Quando um realizador vence o oscar de melhor filme é comum a expetativa em torno do seu projeto seguinte ser a maior, já que é sempre complicado perceber o que se pode fazer depois de atingir o reconhecimento maximo. Este projeto de Ben Affleck tinha novamente alguns principios interessantes, ser um filme de gangsters, um cast recheado, ser produzido por Di Caprio e ser lançado em plena oscar season. Apos as primeiras exibições percebeu-se que seria o floop da carreira de Ben como realizador, avaliações medianas, algumas mesma com tendência negativa pautaram e encaminharam o filme para uns primeiros dados que o apontam como um floop comercial significativo.
Mesmo não sendo um realizador que artilha os seus filmes, e caindo por vezes naquela emocionalidade bacoca, é indiscutivel que Aflleck tem uma capacidade clara de preparar os seus filmes numa coesão narrativa impressionante. Ou seja os seus filmes são cuidados frase a frase para no final tudo encaixar na perfeição quer em termos morais mas principalmente naquilo que é o passado e o futuro, Ou seja mais uma vez os principios e as conluisões do filme são reunidas com mestria de um argumento bastante interessante, mesmo caindo no chaavão emotivo que por vezes os filmes dele caem.
Mas o filme tem dois problemas de base que lesam bastante o seu resultado final, o maior deles é o protagonista se existe ponto que hollywood conhece de Affleck são as susas limitações enquanto actor e aqui num papel que até exigia alguma qualidade dramatica e principalmente presença tudo sai ao lado numa personagem apagada, presa a uma expressão facil e movimentos pouco coerentes. Aliado a este ponto o filme sofre ainda de um inicio demasiado lento, dando a sensação que perde demasiado tempo numa introdução que na realidade pouco tem de interesse no desenvolvimento narrativo.
Mesmo assim temos um filme interessante, com o espirito gangster e acima de tudo tentando entrar no initimo de uma personagem complexa. É um filme extremamente coeso na forma como define o destino e as crenças das personagens, algumas vezes bem interpretado por alguns secundários. Pode não ser o melhor filme de Aflleck, isso parece obvio mas não me parece ser tão nefasto para a sua carreira como muitos apontam.
O filme fala de Joe, filho de um policia que depois de guerra enverda pela carreira do crime, até que acaba por ter problemas com o chefe da mafia irlandesa, acabando por se aliar ao chefe da mafia italiana para comandar os negocios numa pequena cidade.
Em termos de argumento eu penso que Aflleck tem aqui a sua melhor competência, a coerência e a coesão interna dos seus argumentos são impecáveis e aqui mais uma vez, no fim lembramo-nos de frases soltas que completam os acontecimentos, com personagens dinámicas e bem montadas. Apenas os tipicos chavões emocionais de algum facilitismo parecem ser algo menos funcional nos seus filmes.
Como realizador não sendo um trabalho de ponta, temos uma trabalho eficaz, bem trabalhado do ponto de vista de contextualização temporal, boas jogadas de luz, penso que é mais competente do que espetacular, parecendo contudo que os seus filmes ainda não têm uma marca de autor.
No cast o grande problema do filme Affleck, é um actor com recursos muito reduzidos para um filme e principalmente para um papel tão complexo, mas insiste em dar em si o protagonismo dos seus filmes, tendo logo a partida um handicap. Melhor nos secundários com prestaões muito meritorias quer de Messina, Cooper e Fanning.

O melhor – A forma como o filme consegue encaixar tudo no seu guião.

O pior – Ben Affleck o ator


Avaliação - B-

Saturday, January 14, 2017

Operation Chromite

Cada vez mais existe uma aproximação entre o cinema oriental e o cinema maior de Hollywood. Tem sido alguns os actores convidados para este tipo de produção, que já se alastrou à Coreia do Sul. Este filme sobre a guerra da coreia tinha como maior aliciante a presença de Liam Neeson num dos papeis. Os resultados do filme contudo foram algo modestos a diversos niveis, comercialmente nos EUA pese embora seja uma grande produçao oriental não teve qualquer tipo de resultado significativo. Ja em termos criticos a mediania com que foi avaliado não permitiu grande força ou impulso por esta vertente.
Sobre o filme devemos valorizar a tentativa de industrias que não as maiores tentarem fazer filmes com algum dimensão, e nisso podemos dizer que existe a tentativa pese embora tecnicamente seja um filme nem sempre funcional, muitas vezes com imagens e efeitos pouco realistas, principalmente porque se trata de um filme que tenta ser diferente em termos de cor e fotografia mas nem sempre esta opção aparentemente artistica funciona para o desenvolvimento do filme.
Mas o maior problema do filme é narrativo, se em termos de guerra e de traição e espiões entre as duas coreias o filme até tem momentos interessantes e duros, o filme funciona bem menos quando tenta dar a personagem de Neeson um caracter quase divido, recheado de frases feitas muitas delas sem qualquer tipo de aplicação prática, que da ao filma a sensação de querer usar o trunfo sinalando-o como tal mas torna o lado mais cru do filme insignificante com o excesso de protagonismo dado a tal personagem que em bom dizer nada serva para o objeto central do filme.
Ou seja um filme que tenta sempre impressionar mais pelo seu caracter tecnico do que pela sua solidez narrativa mas que acaba por falhar em ambos objetivos, temos a sensação plena ao longo do filme que com objetivos mais modestos o filme poderia obviamente ser mais funcional, com menos luz da ribalta poderia ser um simples filme sobre as condicionantes da guerra na coreia sempre com um ponto de lista lateral como alias grande parte dos filmes de guerra.
A historia fo filme fala de uma operação militar que visa tentar encontrar a planta do terreno e das minas do inimigo e que permita a tomada de uma baia. Contudo antes de tudo acontecer o plano é descoberto e que lança uma guerra bem antes do seu anunciado inicio.
Em termos de argumento se na parte central o filme acaba por ser obvio, perde totalmente o norte com a forma como introduz e coloca a personagem de Neeson no filme, tudo tem pouco sentido, as suas frases, a sua supremacia, acaba por parecer que o filme quer sublinhar uma personagem que na realidade pouco interesse para o centro narrativo do filme.
Na realização John H Lee teve sempre a sorte e ao mesmo tempo tarefa ingrata de ter entregue a si um dos filmes mais visiveis da Coreia do Sul, e nestes termos penso que ambição do realizador na forografia na forma de filmar é maior quer do que a sua capacidade, quer mesmo da capacidade da produção e muitas vezes perde o lado mais importante do filme, o realismo.
No cast, Neeson perde claramente com a forma como é construida a sua personagem e mais que isso com a forma como a mesma e caracterizada, tudo torna a sua personagem a todos os niveis absurda ainda para mais quando os seus dialogos são umas frases chavões sem aplicação pratica. Melhor os protagonistas orientais.

O melhor – O lado mais simples da narrativa, que poderia ser feito por qualquer produção de qualquer lado do mundo.

O pior – Liam Neeson e a sua personagem


Avaliação - D+

Thursday, January 12, 2017

Christine

Cada vez mais uma das fontes de inspiração para novos filmes, são historias curiosas reais, que fruto de uma maior expansão da informação se tornou mais conhecida. Normalmente esses filmes são lançados em final de ano para ter algumas oportunidades nos prémios. Assim, este filme que pese embora tenha sido bem avaliado nunca conseguiu na verdade ser um verdadeiro concorrente aos premios, muito pela forma como o seu desempenho foi extremamente modesto em termos comerciais.
Sobre o filme podemos dizer que a historia de base e fortissima principalmente naquilo que a pressão do trabalho pode resultar numa sociedade tão competitiva, essa mensagem auxiliada por uma boa construção e ambigua da personagem central dão coesão à mensagem do filme, mesmo que ao longo da sua duração o mesmo nem sempre seja funcional em termos de ritmo, tornando-se muitas vezes redundante nos avançoes e recuos psicologicos da personagem.
Pese embora estes defeitos é claramente um filme que vai do menos ao mais, inicia-se num ritmo demasiado pausado, onde parece mais preocupado pela definição do espaço e tempo do que propriamente na introdução na narrativa, mas quanto mais conhecemos a personagens mais estranha ela fica no bom sentido, ou seja, mais ficamos curiosos relativamente ao seu sim, que para quem não conhece a historia, benificia de um climax de primeira linha.
Assim mesmo não sendo um filme de grande publico, tem o trunfo de ter um tema que não so se baseia numa historia real, como acima de tudo tem uma mensagem cada vez mais atual colocando em causa a competividade selvagem que existe em diversas empresas pelo mundo fora. O filme benificia ainda de uma excelente intepretação que no momento decisivo torna o filme ligeiramente melhor que a mediania.
A historia fala de uma jornalista que apos ultrapassar uma depressão tem de lidar com a exigencia de uma televisão com perigo de fechar enquanto procura a realização profissional. Este cocktail conduz a uma obsessão cada vez maior da protagonista nos seus objetivos.
Em termos de argumento, mesmo sendo basico no essencial, sendo muitas vezes algo descritivo, consegue balancear o filme de uma forma positiva para o seu final, consegue fazer sublinhar uma mensagem de forma subtil. Do lado negativo nem sempre parece um filme equilibrado na gestão de ritmos.
Antonio Campos é um realizador com um trajeto ainda desconhecido no cinema, que aqui tem um bom trabalho essencialmente naquilo que por vezes é menos notorio que é na contextualização temporal. Contudo no restante adopta uma abordagem simplista que faz o filme depender mais do argumento.
Por fim no cast Rebecca Hall tem uma das mais intensas e dificeis prestações do ano, tem o filme nas suas costas, muitas vezes com o exercicio quase impossivel de ser estranha no filme que é sobre si. É intensa, é expressiva e parece-me obvio que com um filme mais visivel este seria e deveria ser um dos papeis nomeados para o oscar de melhor actriz.

O melhor – Rebbeca Hall

O pior – A gestao dos ritmos do filme na fase inicial


Avaliação - B-

Wednesday, January 11, 2017

Sold

Existem pequenas produtoras que em face de terem mais exigencias de resultados acabam por arriscar mais no tema. Se existe assunto claramente conhecido e pouco abordado pelo menos em filmes de uma primeira linha, é o tráfico de crianças para fins sexuais. Este acaba por ser um pequeno filme que assume essa temática, contudo com os resultados todos de filme pequeno, desde logo com uma mediania critica que não o tornou significativo, e comercialmente sem grandes figuras acaba por ser sempre dificil os resultados que foram quase inexistentes.
Sobre o filme, desde logo a opção pela zona da India e do nepal para este tipo de filme parece-me certeira, já que contextualiza o fenomeno que quer retratar onde o mesmo acaba por ser mais significativo, o problema e que para o filme ser mundial opta por ser falado em inglês por atores que se percebe que não estão na sua lingua de base, tirando força as interpretações que tinham em si muito da forma como o filme poderia e deveria funcionar. Este acaba por ser um dos problemas mais significativos do filme, e uma das suas maiores barreiras.
Do ponto de vista positivo o filme tem claramente o tema, e não ter medo em ser cru em algumas imagens, muitas vezes em filmes de maior estudio falta alguma coragem que o filme tem. Mesmo não sendo sequer um bom filme, tornando-se demasiado básico para criar uma narrativa que sustentasse o filme para alem de outros defeitos especificos, tem de se glorificar a coragem sobre aquilo que o filme significa, mesmo sendo um panfleto de algo que poderia ser mais maduro, mais denso e mais profundo.
Ou seja temos o tipico filme de domingo a tarde mas com um tema duro e claramente importante, os defeitos que o filme tem e sao muitos acabam por em momentos ser ultrapassados por aquilo que o filme está a descrever e quando assim o é, parece-me que devemos sempre sublinhar isto.
A historia fala de uma pre adolescente que com o objetivo de ter algum dinheiro acaba por embarcar numa aventura que a conduz até um bordel onde é vitima de diferentes tipos de abuso e tenta a todo o custo regressar a sua liberdade.
Em termos de argumento é importante salvaguardar que em termos de potencial e resultado o filme parece nunca conseguir aproveitar bem a dimensão do que está a contar, principalmente nos detalhes do argumento como construção das personagens e dialogos, contudo com um tema tão imponente consegue sempre captar o interesse do espetador.
O trabalho de Jeffrey D Brown um autentico desconhecido, vale pela contextualização espacial e pouco mais, o filme é sempre dificil em face do tema e da forma como se realiza sequencias de abuso a uma menor, mas aqui penso que o filme foi corajoso e passou com positiva. No restante falta mais alma de autor.
No cast a maior parte do cast sofre da dificuldade de interpretar fora da lingua mãe o que tira realismo, inclusivamente a protagonista. Do lado dos americanos mais conhecidos Andersson e Arquete tem papeis simples, com o objetivo de dar mais peso ao filme.

O melhor – O tema.

O pior – As interpretações espelham desconforto com a lingua inglesa em algumas personagens


Avaliação - C+

Sunday, January 08, 2017

The Birth of a Nation

Após Sundance de 2016, e ainda antes dos oscares, já este filme se perfilava como o mais sério candidato aos oscares deste ano, por uma conjugação de factores perfeita, vencedor de Sundance, com a tematica racial em discussão, e mais que isso com uma produção modesta mas bem conseguida em termos estéticos.. Tudo parecia correr bem com boas avaliações criticas mais que do grande publico, quando surgiu o escandalo sexual envolvendo a figura maior do filme, Nate Parker, o seu realizador, argumentista e protagonista, talvez por isto o filme foi um flop de bilheteira tendo a sua estreia anulada em alguns paises da europa e desaparecido quase por completo da luta pelos premios.
Sobre o filme, desde logo podemos dizer que se trata de um cruel intenso e dramatico filme sobre escravos, desde logo levante um problema ao filme, 12 anos escravos ainda está bem recente na memoria dos espetadores, conquistou os oscares e saiu primeiro do que este filme. Para tentar contornar isso Nate Parker deu-lhe um toque de Bravehart, mas o resultado foi um filme bem feito, intenso, com realismo, com emoção, mas demasiado proximo de tudo o que já se fez na materia, caindo mesmo por vezes em alguns esteriotipos.
Podemos dizer que sera facil fazer um filme sobre este tipo de história, mas existe aspectos que Parker faz funcionar, desde logo como desce na forma de transmitir a exploração dos escravos não se ficando pelo lado fisico, onde é muito realista mas também ao nivel moral. É obvio que se pode sempre discutir a veracidade da historia e o exagero na diferenciação, mas para a mensagem ser transmitida desta forma forte esta opção tem que ser assumida.
Para alem disto parece-me que Parker consegue fazer um filme esteticamente bonito, com algum cuidado na forma como apresenta imagem apos imagem que resulta num filme previsivel no seu desenrolar, muito proximo dos filmes mais epicos quer de escravos quer de oprimidos, mas com profissionalismo, com dimensão, que nos faz pensar que sem escandalo Nate Parker e principalmente mais distante no tempo de 12 Years Slave, este filme poderia ter mais chances na luta pelos premios, pois mais que uma grande filme, ou filme surpreendente, é um filme nos seus principios bem feito.
A historia fala de um escravo que aprende a ler e começa a pregar por diferentes fazendas de forma ao seu patrão salvar a sua quinta da falência, contudo a forma obstinada por dinheiro que o seu dono assume, acaba por conduzir a uma rebelião de proporções gigantescas.
Em termos de argumento parece-me claramente o ponto onde Nate Parker parece ter mais dificuldades, o filme cola-se demais a outros filmes com temáticas semelhantes e nunca consegue dar grandes elementos diferenciadores quer nas personagens mas principalmente na narrativa.
Em termos de realização para uma obra de estreia podemos dizer que o trabalho é surpreendente, tem cuidados esteticos, tem risco, se bem que nem sempre algumas opções corram bem, como anjos em sonhos, mas parece obviamente um filme com qualidade e com uma realização cuidada. A ver o que se segue para Parker como realizador esperando que tudo não fique em causa por aspectos externos a setima arte.
Mas onde talvez a polemica tenha sido mais danosa para Parker, foi na interpretação, observando os desempenhos deste ano parece-me claro que Nate Parker tinha lugar nos nomeados a melhor actor, uma personagem que consegue funcionar bem no lado passivo e no lado dramático, convencendo em todas as fazes do filme, num papel exigente fisicamente e dramaticamente e que consegue dominar de principio a fim. Nem sempre me parece bem auxiliado nos secundarios principalmente com Harmer com dificuldades conhecidas.

O melhor – A interpretação de Nate Parker

O pior – O argumento colar-se demasiado aos filmes de maior sucesso com bases similares


Avaliação - B

Manchester By the Sea

Desde Sundance, e da sua exibição que se percebeu que o regresso de e Keneth Lonergan era um dos acontecimentos do ano e este filme estaria certamente na luta pelos premios principais que antecedem os oscares. O tempo, a estrategia e a estreia demonstraram isso com criticas praticamente unanimes por parte da especialidade e em termos comercias para um filme com poucos objetivos neste parametro a conseguir resultados impressionantes que o tornaram naturalmente nesta fase da corrida como um dos mais serios candidatos aos oscares principais.
Sobre o filme, quando nos perguntam sobre o que é o filme temos alguma dificuldade em descrever, podemos dizer que é sobre sofrimento e as formas de o viver. E nisto o filme é interessantissimo na forma como reflete todo o sofrimento nas personagens e nas sequelas dos acontecimentos mas mais que isso na forma como consegue encontrar o insolito e a graça nos mais terriveis momentos, e isso só é possivel graças a um argumento que tem uma balanço emocional impressionante e que de imediato destigue este filme de quase todos os outros. Ou seja o balanço emocional entre o pior e o ligeiro, os dialogos, e as personagens são de um filme de topo, e acabam por sustentar uma obra marcante e singular, mesmo que na sua base não esteja nada de particularmente relevante sobre a humanidade.
Filmes como este são a prova que muitas vezes com pequenas ideias e muitas vezes com bases comuns se conseguem fazer grandes obras, numa conjugação de momentos comicos, que surgem mais pelo insolito do que propriamente pelo objetivo do filme a momentos de tragedia e dramatismo intenso que fazem deste filme uma expriencia intensa de cinema, sempre num contexto de interior bem escolhido.
Por tudo isto parece-me que estamos perante um grande filme, que poderá perder pele significado e pelo que representa já que na base temos uma historia simples sobre personagens com uma historia, ou seja o que podemos daqui retirar como acontecimento não é elevado. Nao e uma historia propriamente diferente ou a abordagem é por si diferenciadora, mas acaba por ser de um realismo brutal, algo que muitas vezes é escondido de forma a fazer funcionar o entertenimento.
A historia fala de um tio que afastado da sua cidade e com o seu dia a dia bem estabelecido tem de volta a sua terra natal para cuidar do seu sobrinho menor, após a morte do irmão, tendo ai que se encontrar com o seu terrível passado.
Em termos de argumento este é sem duvidas um dos melhores argumentos do ano, e a prova que é possivel com historias de vida fazer algo de diferente, as personagens, o realismo e os dialogos levam este filme para um patamar de força, intensidade dramatica e momentos comicos que fazem dele algo completo.
Em termos de realização, obviamente temos um filme marcadamente pequeno, filmado num espirito indie, não temos grande originalidade na abordagem, mas Lonergan consegue perfeitamente funcionar com os seus espaços quer exteriores quer interiores para sublinhar o que o filme realmente significa. Pode não ser a mais vistosa realização do ano, mas é claramente um das mais eficazes.
O cast deste filme tem sido muito aplaudido, sendo o oscar de melhor ator principal quase um facto para o mais novo dos Affleck. Casey tem aqui o papel da sua vida, um papel de extremos sempre dentro da extroversão anestesiante que é comum nas suas personagens mas saindo muitas vezes dela para o lado de intensidade dramatica, ou para o lado mais desonctraido. Nao sendo dos oscarizaveis dos papeis mais vistosos, é sem duvida um dos mais dificeis e um dos mais completos. Nos momentos em que entra Williams é a unica que consegue ter a mesma intensidade, embora me pareça um papel demasiado curto para premios. Hedges tem o lado mais sereno do filme, mais descontraido e dramaticamente menos exigentes. Apesar de cumprir não me parece de todo oscarizavel.

O melhor – O argumento e Casey.

O pior – Muitas vezes para ser um filme de topo é necessáio um significado maior que uma historia de vida


Avaliação - B+

Loving

Nos ultimos anos Jeff Nichols tem sido dos realizadores não só mais ativos mas que tem conseguido em pequenos filmes chamar a atenção da critica com boas avaliações. Este ano e quem sabe motivado pela polemica racial em torno dos oscares a sua aposta foi precisamente nos fundamentos do casamento racial, lançando um de muitos filmes sobre esta tematica na corrida pelos galardões. Depois das primeiras exibições em que o filme foi extremamente bem avaliado, tornou-se num candidato natural a alguns premios algo que manteve a consistencia em termos interpretativos mas que foi perdendo como filme. Em termos comerciais onde o filme tinha obvias limitações neste aspeto em face da sua distribuição podemos facilmente dizer que superou as expetativas.
Sobre o filme, é obvio que quando um filme passa por descrever factos historicos de relevo como a aceitação do casamento civil entre raças em termos constitucionais nos EUA, é desde logo um acontecimento ainda para mais quando o filme é efetuado com maturidade no tema e com alguns traços bem definidos principalmente em algumas caracteristicas das personagens como as suas liitações de comunicação. Nisso é isso mesmo um filme simples sobre pessoas simples com um objetivos.
Por tudo isto não sendo nunca um rasgo de energia, ou criatividade, tendo por vezes alguns problemas por ser algo repetitivo num enredo preso ao que realmente aconteceu e ao facto de ser um filme sobre pessoas comuns sem grande feitos extraordinarios para alem do amor, acaba por não dar ao filme assim tantos momentos interessantes e de intensidade emocional. Alias os principais centram-se na fase inicial do filme, que durante o restante acaba por ser mais descritivo.
Ou seja mesmo sendo um filme com reconhecida competência em alguns aspetos principalmente na intepretação de Edgerton parece claramente ser um filme que vale mais pelo significado da historia que conta, do que o seu valor enquanto obra cinematografica. Parece claro que determinados aspetos do filme poderiam ser mais trabalhados, principalmente na criaçao da relação ou mais que isso nos momentos a dois, onde o filme se resume a toques simples, que tornam os momentos fortes ainda que reduzidos.
A historia fala de um homem branco e uma mulher negra que decidem casar fora do estado onde vivem já que tal era proibido e começam a sofrer as consequencias legais desta opção, o que conduz a anos de luta pela aceitação do seu casamento como um direito da constituição americana.
Sobre o argumento podemos dizer que o mesmo tem duas caracteristicas definidas, simplicidade e objetividade, mas aqui parece-me claro que o filme tinha muito mais que abordar não só nas questões relacionais, ou dar mais enfoque em termos das lutas judiciais que tornassem o filme mais movimentado, já que a determinada fase o mesmo é demasiado repetitivo.
Na realização eu penso que Nichols mesmo sendo competente e um simplista nato nos seus trabalhos, dando todo o protagonismo aos seus actores, mesmo com temas interessantes ainda lhe falta o filme referência que lhe dê o passaporte para mais altos voos. Aqui volta a ter este tipo de postura.
No cast é indiscutivel que Edgerton tem uma excelente prestação, na forma como se reserva, na forma como o silencio não deixa de ser comunicativo, num papel dificil, onde obviamente é ajudado por uma excelente caracterização que altera a sua forma normal, numa das boas prestações do ano e a melhor do filme. Nao sei se suficiente para a nomeação para os oscares embora me pareça que a este nivel estamos num ano simples o que podera ser suficiente. Menos convencido como Neega, tambem muito bem avaliada e com chance de nomeação, penso que o seu papel é mais simples e não fosse a necessidade dos oscares se tornarem mais black, de certeza que Negga não caberia nas nomeadas.

O melhor – Joel Edgerton

O pior – O filme não ir ao fundo em determinadas questões que o poderiam tornar mais forte e mais siginificativo


Avaliação - B-

Saturday, January 07, 2017

Keeping Up With Joneses

As comedias de espionagem tem ao longo do tempo um percurso intersante no género com alguns titulos que conseguiram aliar um bom resultado comercial com uma boa avaliação critica. Alguma era a expetativa em torno deste filme que trazia de regresso um realizador que tem no seu curriculo alguns dos filmes mais bem avaliados no genero comedia dos ultimos dez anos. Mas o resultado desta vez foi ligeiramente diferente, em termos criticos este filme acabou por ser um desastre, com avaliações essencialmente negativas e comercialmente as coisas ainda correram pior já que nos parecia um terreno onde o filme deveria ter mais ambições.
Sobre o filme nos dias que correm as comedias tem de ter algum ingrediente particular que as diferencie das restantes, pois bem aqui começa o problema deste filme, ao olharmos para o trailer mas não só quando começamos a assistir a este filme de imediato percebemos que na essência este é um filme demasiado parecido com muitos outros e que nada tem que o destaque das maiorias das comedias de serie b que todos os anos são lançadas quer em cinema quer diretamente para video.
Outro problema do filme é que apenas consegue ser ligeiramente engraçado, na essência é daquelas comedias que nunca consegue despertar a real gargalhada no espetador, ou consegue fazer funcionar qualquer cena à sua forma maxima, e um filme que na realidade até pode ser descontraido e de facil visualização, mas uma comedia que não faz o espetador lançar uma unica gargalhada esta longe de em termos gerais conseguir atingir os seus objetivos.
Por tudo isto penso que estamos perante um filme mediano mas que lhe falta os momentos de explosão, mesmo no climax onde se requeria mais ação e menos comedia o filme não consegue criar a intensidade necessária a catapultar para outros parametros. Assim surge um filme ligeiro, bem disposto mas apenas moderadamente engraçada que se vê bem sem muito que pensar.
A historia fala de um casal que após ficarem a sos, percebem que junto a si vive um novo casal, simpatico mas com algo de estranho, até ao momento em que descobrem que os mesmos sao agentes secretos.
Em termos de base do argumento podemos dizer que o filme está longe de ser original, já observamos esta formula de maneiras diferentes em diversos filmes. O filme tem ainda um funcionamento menos conseguido na elaboração de comedia pois o filme é sempre mais engraçado do que comico, e isso não e propriamente um elogio.
Na realizaçã, eu confesso não ser um grande fã dos anteriores filmes de Mottolla pese embora os mesmos fossem amis reconhecidos do que este, aqui a tipica realização de comedia, sem grandes riscos, ou grande criatividade, de um realizador que nos parece já ter estado mais perto de outros parametros.
Em termos de cast pouco ou nenhum risco, Galfinakis e Fischer nos seus registos habituais de comedia, um terreno onde se movem com facilidade, Hamm e Gadgot tem a seu cargo o lado mais de acção que tambem funciona bem nas suas caracteristicas.

O melhor – A forma como o filme não tenta ser mais do que é

O pior – Não conseguir despertar a gargalhada no espetador


Avaliação - C

Friday, January 06, 2017

Bad Santa 2

Treze anos depois do irreverente realizador Terry Zwigoff ter alterado a imagem do pai natal com o seu polemico Bad Santa surgiu a sua sequela, aproveitando um pior momento de Billy Bob no cinema e a tentativa de revitalizar o estilo de uma comedia que tem na rebeldia a sua caracteristica mais assinalavel. Com novo realizador os resultados ficaram muito longe do primeiro filme, desde logo em termos criticos com avaliações bastante negativas, sendo que comercialmente sendo já de is uma sequela de um filme de minorias os resultados foram tambem ele escassos.
Eu confesso que gostei do primeiro filme, mais do que qualquer coisa pela irreverência por ser um filme totalmente anti-natal e porque ninguem tinha arriscado fazer um filme que alia-se um humor inteligente com um grau de incorreção que naquele tempo estava longe de ser comum no cinema. Contudo os filmes e os tempos mudaram e a rebeldia e o politicamente incorreto passaram a ser o pão nosso de cada dia nas comedias, dai que este segundo filme nunca consegue sequer se aproximar do efeito do primeiro.
Alias do primeiro quase so sobra algumas personagens e o mau feitio da principal de resto uma historia de assalto mal construida com um twist final que chega a ser previsivel, com um humor repetitivo ou seja muitas das graças ou situações criadas são iguais ao do primeiro filme que denota bem a falta de ideias do produtor deste filme para dar algo novo a sequela.
Por isso parece-me que mais que nunca este é um filme muito longe dos objetivos, que podera a espaços muito longos agradar aos que gostaram do primeiro filme, embora na essencia não so não traga nada de novo como não potencializa o que de melhor tem o filme limitando-se a ser repetitivo.
A historia fala novamente de Willie Soke desesperado com a sua vida que acaba por ser contactado por um velho conhecido para alinharem numa açao de solideriedade com o objetivo de se apoderarem do dinheiro, no meio do plano ainda tem tempo para conhecer a sua mãe biologica.
Em termos de argumento parece sofrer da falta de ideias que muitas vezes surge quando o primeiro filme não so surpreende pela sua originalidade como funciona em termos de argumento. Aqui parece que o filme não quer perder as caracteristicas gerais do primeiro filme e faz colar este demasiado ao primeior esquecendo que entretanto passaram 13 anos.
Na realizaçao Waters já foi uma das promessas da comedia norte americana, principalmente depois dos sucessos de Freaky Friday e Mean Girls, depois colecionou filmes menos bem conseguidos que o conduziram a um simples tarefeiro. Neste filme longe do que a rebeldia de Zwigoff significava.
No cast, Thorton esta longe dos seus melhores momentos no cinema, criando uma imagem repitiva de rebeldia que repete filme apos filme, aqui mais de isso, o que me parece insuficiente para um actor que já demonstrou muito mais qualidades do que ser repetitivo como neste filme, o mesmo se podera dizer de Kathy Bates.

O melhor – Algumas das tiradas da personagem central

O pior – O filme ser uma colagem do primeiro, não se atualizando


Avaliação - D+

Thursday, January 05, 2017

A Tale of Love and Darkness

Quando Natalie Portman assumiu como seu projeto de introduçao à realização um filme filmado em hebraico sobre a criaçao do estado de Israel, muita gente ficou algo estupfacta com tal decisão pela forma como tudo iria condicionar a abertura do filme. Tudo ficou ainda mais complicado quando as primeiras exibições do filme resultaram em avaliações medianas que não funcionou como alavanca esperada. Assim, apenas em Agosto do presente ano conseguiu distribuição dos EUA, um ano após a conclusão do projeto com resultados mediocres o que não permitiu que o mundo tivesse real conhecimento de Portman como realizadora.
Sobre o filme eu primeiro tenho de sublinhar que assistir a filmes fora de uma lingua que não estamos habituados como o hebraico pode ser complicado de analisar algumas componentes do filme principalmente as interpretações. Contudo parece-nos que estamos claramente perante um filme dificil, ao conjugar duas realidades a da fantasia e da realidade das personagens o que acaba por não dar grande interesse e evolução a nenhuma delas.
Por muito tempo no filme fica a sensação que sem o lado da fantasia o filme poderia ser um drama corriqueiro mediano, mas que tenta ir mais além com opções que não funcionam, alias a primeira parte do filme são imagens sem grande conexão e que tornam o filme num emaranhado de personagens pouco objetivo não fornecendo ao filme o ritmo necessário para a segunda fase de conclusão mais simplista.
Por tudo isto parece claramente que na sua estreia Portman complicou demais a diversos niveis, desde logo na opção pelo hebraico que pese embora defenda a origem do filme lhe faz perder universalidade, por outro lado da forma como não consegue ser objetiva na definição do filme, tornando-o demasiado pastoso.
A historia fala de uma familia, que apos a aceitação de Israel como um pais dos judeus começa a sofrer as consequencias de tal ocorrência na sua felicidade.
Em termos de argumento penso que é onde o filme mais falha, devido a divisão de enfoque entre o real e o relatado o inicio não permite que as personagens cresçam e isso torna o filme demasiado difuso e pouco intenso.
Parece-me que Portman como realizadora tem bons promenores na captação de imagens e na forma como capta personagens, fiquei agradado com alguns apontamentos de alguem que parece querer ter uma forma propria, pena que o argumento não ajude.
No cast Portman é indiscutivelmente uma das melhores actrizes da atualidade, pela versatilidade e intensidade, aqui temos um papel mais simples que os seus melhores mas onde podemos alguns dos seus melhores predicados como a presença e capacidade dramatica.

O melhor – Natalie Portman

O pior – O Argumento

Avaliação - C-

American Honey

Todos os anos surgem alguns titulos principalmente nos grandes festivais europeus, que fruto da forma como são recebidos pelo seu exprimentalista, permitem uma maior exposição do filme a publicos maiores o que provavelmente não seria previsivel quando o filme foi produzido. Um desses casos foi este exprimental American Honey, que para além das boas criticas em Cannes, conseguiu dominar os premios do cinema britanico indepentente, e comercialmente conseguiu uma distribuição nos EUA sem no entanto obter grandes resultados.
De todos os filmes que vi este ano, talvez este seja o mais independente, cru e exprimental do ano. Não quero com isso dizer que o filme seja por isso um poço de qualidades, muito pelo contrario penso que muitos dos seus defeitos surgem precisamente desta formula, mas as caracteristicas de base são claramente estas, com alguns beneficios mas muitos problemas na minha opinião no seu resultado final.
Eu tenho dificuldade em ficar agradado em camaras que captam situações das mesmas personagens sem grande guião, é isso que me afastou do cinema de Mallick, e aqui temos uma formula diferente, não temos uma história, não temos uma narrativa, temos personagens num contexto, num filme demasiado longo e repetitivo para o seu real conteúdo, sendo obvio que em alguma parte do filme, a tentativa é nos dar o lado estranho dos seus personagens e das suas excentricidades mais do que nos dar a realidade que um filme assim deveria dar.
Assim e mesmo podendo achar inteligente a forma crua do filme nos dar imagens, na doentia relação, no argumento de personagens perdidos, ou mesmo na forma como todos lutam para ganhar a vida, o bloco final que com esta base poderia ser ao mesmo tempo cru, independente funcional, torna-se uma mistura demasiado repetitiva e sem norte, num filme que prefere não ser objetivo e divagar nas pequenas vicicitudes dos seus personagens.
A historia fala de uma jovem adulta que se cansa da vida que tem e embarca com um estranho grupo de vendedores de revistas comandados por uma estranha mulher, enquanto se apaixona pelo braço direito da patroa.
No que diz respeito ao argumento do filme, penso que ele na realidade não existe, ou seja não é mais do que guias gerais, pedindo depois aos personagens para conversarem sobre o que quiserem durante esses momentos, isso faz com que o filme perca verdadeiras personagens para alem dos dois protagonistas e uma estrutura que a faça funcionar.
Andrea Arnold, tem aqui um filme bem recebido pela critica, porque se predispos a fazer um filme sobre pessoas de rua com o cru que o assunto exige e nisso penso que o filme é inteligente, não é feito para ser bonito, é feito para ser real e interventivo e isso a realizadora consegue, depois de já ter ganho um oscar nas curtas chamar a si a atenção das longas.
No cast a aposta numa novata como Sasha Lane acaba por funcionar pese embora a estrutura do filme não seja exigente, ainda demonstra alguma inexperiencia naquilo que as expressoes faciais podem dar a uma personagem tao calada, mas um papel num filme de tres horas para alguem sem experiencia é sempre dificil. Por outro lado Labouf, parece-nos que fruto de alguma desorganização pessoal caiu no cinema independente que poderá ser a sua sorte em torna-lo num actor mais versatil e intenso.

O melhor – A forma crua com que as imagens são depositas.

O pior – Um filme de três horas tem que ser mais do que deixar andar

Avaliação - C

Trolls

Nos ultimos anos e depois de alguns insucessos principalmente comerciais a Dreamworks tornou-se mais comedida no volume de filmes de animação que lança. Contudo por ano tem de lançar a sua maior aposta que foi este musical com muita cor, inspirado nos miticos bonecos troll. Impulsionado por uma banda sonora que entrou pelas nossas radios o filme obteve uma interessante carreira comercial, mesmo que em termos criticos, algo que já vem sendo tradição nos ultimos anos tenha ficado longe do que a sua rival disney consegue nos seus melhores filmes.
Sobre o filme, acho que temos aqui uma mudança de planos completa na estrategia da Dreamworks em animação, percebendo que narrativamente não consegue chegar ao patamar da Disney, opta claramente por filmes mais fáceis e acima de tudo mais mediaticos com outras componentes neste caso a musica, sempre bem actual e com muito bons interpretes mas neste caso também a cor, o exercicio visual do filme aliado a sua representação emotiva acabam por dar a roupagem ideal ao filme.
Agora é obvio que em termos de complexidade e significado temos um filme muito mais simples, que vai buscar apontamentos a diferentes historias sem conseguir construir uma de base que seja pilar para outras, aqui parece que a Dreamworks ainda vive muito da embalagem mais do que conteudo, mesmo sendo este filme uma obra que funciona na proximidade dos mais pequenos, principalmente pelo seu lado mais emotivo.
Por tudo isto podemos dizer que não sendo Trolls o melhor filme de animação do ano, penso que é um filme que cumpre os seus objetivos com a eficacia natural de um grande estudio, o que por vezes já funciona sendo que cada vez mais temos os pequenos estudios a apostar, e dificilmente as coisas funcionam no balanço final como este filme consegue fazer com toda a naturalidade.
A historia fala de uma princesa troll que depois de ver a sua comunidade ser atacada e em perigo, junta-se a um outro trol dominado pelo desanimo de forma a tentar salvar os seus amigos com a sua maior força a felicidade.
Em termos de argumento mesmo não sendo um poço de originalidade nem na base nem na concretização da ideia, tem elementos fundamentais para fazer um filme de animação funcional, emoção, uma mensagem positiva, alguma graça e atualidade.
Na realizaçao, não sendo dos mais inovadores filmes de animação da dreamworks principalmente porque tem contra si a falta de beleza estetica dos bonecos, é daqueles filmes que vale pela cor, e nisso os seus realizadores consegue potenciar isto aos niveis maximos do filme.
Por fim no cast de vozes, claro que para as necessidades vocais e musicais do filme mais que bons interpretes vocais o filme precisava de bons cantores e nisso quer Timberlake quer Kendrick funcionam perfeitamente para o efeito que o filme quer dar.

O melhor – A cor do filme.

O pior – A Dreamworks ter desistido de atingir a profundidade dos filmes Disney/Pixar


Avaliação - B-

Tuesday, January 03, 2017

The Autopsy of Jane Doe

O cinema europeu sempre foi um dos mais vaguardistas no que diz respeito ao cinema de terror. Este ano e estreado em diversos certames de terror surgiu este filme com um principio no minimo peculiar, que chamou a atenção da critica com avaliações essencialmente positivas. Comercialmente e principalmente tendo em conta que se tratava de um filme europeu de pequeno orçamento o resultado foi bem mais modesto, estreando apenas no final do ano em alguns cinemas americanos.
Sobre o filme é dificil perceber os limites que os filmes neste momento têm para tentar fazer um filme de terror, pois bem aqui temos basicamente uma autopsia descritiva filmada na primeira metade do filme, que funciona mais pelo horror das imagens ou pelo menos no excesso de sangue do que propriamente pelo suspense ou pela capacidade de psicologicamente criar alguma tensao no espetador. mas mesmo assim para mim esta é a parte do filme que melhor funciona porque foge um pouco ao que é comum neste tipo de registo.
A segunda parte ja cai mais no tipico cinema de terror dos ultimos anos, de espiritos e aparições com o final trágico, onde apenas muda o contexto de uma morgue particular desenhada para criar esse efeito e pouco mais. Aqui parece que o filme perde muita da originalidade que poderia ter no primeiro segmento para se tornar a todos os niveis mais vulgar.
Por isso temos um filme que até ameaça ser algo de diferente na sua construção mas que acaba por ser mais do mesmo alterando apenas o contexto fisico do filme, num genero que necessita de mais novidade que mesmo narrativamente coloque mais ideias novas que fuja do que ano apos ano encontramos.
A história fala de um pai e filho medico legistas que se dedicam a autopsias, tudo fica mais estranho quando recebem um cadaver de uma desconhecida com um habito interno inexplicavel o que conduz a uma sucessão de acontecimentos que acabam por colocar em risco a vida de ambos.
Em termos de argumento é obvio que a ideia da autopsia e a forma detalhada dos primeiros momentos do filme é original e funciona mais na logica do thriller do que o horror, na segunda fase mais relacionada com a segunda fase o filme torna-se a todos os niveis mais vulgar, essencialmente insistindo numa premissa sempre utilizada e gasta.
na realização temos um cineasta europeu com um cast americano, aqui até podemos encontrar alguns apontamentos interessantes no terror, como o contexto fisico e alguns promenores como o espelho. Tambem algum realismo na sequencia de autopsia, com outro argumento o seu trabalho poderia ser mais significativo.
Sabemos que o terror não é terreno para grandes interpretações e aqui novamente volta a não ser, Cox e Hirsh parecem na minha óptica ja ter exprimentado melhores momentos da carreira, sendo que mesmo sendo melhores que a maioria dos interpretes do genero, estão claramente piores que os melhores momentos das suas carreiras.

O melhor - A parte como a autopsia dá novidade ao contexto de terror.

O pior - A segunda parte claramente mais proxima do cinema de terror de pouca qualidade comum nos últimos anos

Avaliação - C

Monday, January 02, 2017

Denial

Existem factos que pela singularidade merecem ser especificados e tratados com detalhe em filmes mais ou menos complexos. Um desses factos foi a batalha judicial contra David Irving conhecido defensor britanico da politica nazi, que acabou por negar a existência do holocausto. Assim e pese embora tenha estreado como normalmente os filmes britanicos o fazem nos EUA, conseguiu criticas interessantes, ainda que de forma moderada e comercialmente tendo em conta que se trata de um filme que não teve expansão wide, acabou por resultar minimanente bem.
Sobre o filme, eu confesso que poucos filmes conseguiram entrar tão bem num tema, apenas em palavras e estudos como este denial entra na questão de Auschwitz, conseguindo ao mesmo tempo sustentar em termos de opinião e justificação ambos os lados, bem como transmitir ao longo de todo o processo a montanha russa de emoções da personagen central o epicentro de todo o debate. Mesmo sendo um filme algo previsivel com os truques tipicos dos filmes de tribunal. Denial consegue ser um extensivo estudo relativo a opiniões na genralidade e o campo de concentração mais conhecido do mundo na especialidade.
Sempre com a coerência e o rigor que os filmes BBC nos foram habituando ao longo do ano, contudo também com o tradicionalismo excessivo o que não lhe permite ter mais arte, mais novidade na abordagem, parece como a maior parte dos filmes britanicos de produção alargada, um filme demasiado preso na forma a alguns hábitos ingleses, o que condiciona a novidade do filme.
Mesmo assim, um bom tema, que é tratado com maturidade e competência, ainda que com pouco risco, quando bem interpretado normalmente funciona bem junto da maior parte dos espetadores, principalmente na forma como transmite informação e como a espaços consegue ser sentimental, ou não tratasse de um dos maiores dramas do último século.
A historia fala no confronto de ideias entre  David Irving defensor das politicas Nazis e Deborah Lipstadt, professora que dedicou a sua vida ao estudo dos flagelos cometidos contra os judeus durante a segunda guerra e que conduzi a um julgamento de forma a assumir ou negar a existência das câmaras de gás em Auschwitz.
Em termos de argumento temos um bom principio, que tem como base uma historia real não só actual como com peso. O filme é detalhado e competente com um muito bom equilibrio na forma como as justificações de cada lado são apresentadas e num filme com opiniões tão divergentes nem sempre é facil.
Mick Jackson é um realizador inglês que andou afastado do cinema há mais de dez anos e que regressa com uma realização tradicional ou não fosse ele um realizador já veterano e sem ritmo de competição. Esta formula serve os propósitos do filme embora não o abrilhante.
No cast o filme tem eficacia, Weisz é uma garantia de intensidade e de proximidade com o público algo que a personagem exige. Mas o maior destaque vai para Timothy Spall, com uma personagem controversa. mas que a cria com mestria, intensidade e carisma. Claramente o aspecto mais oscarizavel do filme, de um actor que nos últimos anos tem assumido estar em boa forma.

O melhor - O debate detalhado sobre um dos acontecimentos mais importantes nos últimos cem anos.

O pior - O Pouco risco na abordagem demasiado tradicional

Avaliação - B-

Saturday, December 31, 2016

Blair Witch

Dezessete anos depois do mundo do cinema ter ficado completamente boquiaberto pela forma como dois estudantes de cinema ganharam milhões com um projeto quase gratuito no cinema, fez com que Blair Witch Project independentemente de amado ou odiado seja um dos marcos mais modernos do cinema de terror. Depois de uma horrivel sequela surge um filme com o principio do primeiro filme mas com resultados diferentes, desde logo criticamente onde as avaliações foram mais medianas e comercialmente com resultados mudestos tendo em conta o investimento do filme em markting.
Antes de qualquer avaliação é necessario nos posicionarmos relativamente ao primeiro filme, no meu caso adorei pela simplicidade e como sem recursos conseguiram transmitir emoções ao espetador criando um genero completamente novo. Neste filme gostei do facto da base ser similar ainda que com camaras melhores, pois acho dificil um projeto se chamar Blair Witch sem ter po tras a formula do primeiro, e aqui temos que dar o valor que esta opção tem.
Em termos de sensação perde o caracter surpresa e cola-se muito ao original, tudo é de forma demasiado semelhante com a diferença que mostra muito mais e ai o filme perde muito do carisma do primeiro filma, para alem da não novidade o que banaliza em toda a dimensão do filme com um excesso de previsibilidade que não pode alimentar um filme de terror, para alem do vazio das personagens ou mesmo a explicação para tudo o que vimos, se bem que neste particular penso que é isso que criou o carisma do primeiro filme.
Do lado positivo e principalmente quando contrapondo com outros filmes do genero, penso que a forma de filmas coloca o espetador nos locais e transmite de uma forma mais facil algumas sensações que são o objetivo dos filmes de terror. É verdade que nesse particular penso que outros filmes este ano a espaços foram conseguindo no cinema convencional, mas é inegavel que o filme consegue em alguns momentos isso, pena é os monstros e imagens semelhantes que o filme simplesmente não precisa.
A historia segue o primeiro filme, quando o irmão de Heather despois de ver uma imagem do Bosque de Blair, pensa ter visto a irmã desaparecida há diversos anos e embarca numa aventura com alguns amigos para perceber se a sua irmã está ou não viva.
Em termos de argumento o filme é mais proximo do primeiro filme, embora nos pareça que em termos de algumas opções peca por ser demasiado colado nos momentos de cada parte do filme. Em termos gerais não da mais nada para o guião.
Na realização não temos os criadores do filme, temos algume habituado a mais meios, o filme tem boas opções e consegue neste particular transmitir sensações, mas aqui o merito vai para a dupla de realizadores iniciais que encontrou a formula.
Como o primeiro filme este é um filme de gritos, onde mais que interpretes se testa a capacidade vocal e extensão dos gritos dos seus protagonistas. E nisso penso que todos com mais ou menor facilidade cumprem o objetivo. Nao e neste filme que saem actores nem que fiquem danificados para a carreira.

O melhor – Mais proximo do primeiro

O pior – Os monstros completamente desnecessários


Avaliação - C

Friday, December 30, 2016

Max Steel

Desde a aposta da Mattel, industria de brinquedos no cinema que foi fácil perceber que a estratégia passava pela adaptação de alguns dos seus brinquedos e desenhos animados ao cinema de live action. Uma das suas primeiras apostas foi com este max steel, heroi juvenil. Os resultados não poderiam ser piores para o filme criticamente foi um desastre colossal com algumas das piores criticas do ano e comercialmente, mesmo conseguindo uma boa distribuição teve resultados completamente desastrosos que tornam este projeto facilmente um dos maiores fracassos do ano.
Quando um heroi conhecido principalmente dos mais pequenos é adaptado ao cinema por uma produtora pequena e mais que isso sem uma figura conceituada do cinema actual, tudo parece caminhar para o abismo e o filme confirma isto, principalmente porque poucos são os aspectos em que consegue resultar. Desde logo porque existe historias que ate podem funcionar em desenhos animados mas que ficam pouco realistas ou pouco interessantes no grande ecra, e a de max steel é uma delas, e aqui isso fica claramente patente, não só a relaçao, mas a explicaçao para todo o mundo do filme em noventa minutos é claramente insuficiente e mais que isso pouco interessante.
Por outro lado os efetos especiais do filme, para tudo funcionar pelo menos no plano produtivo o filme necessitava em grande escala de efeitos de primeira linha que nunca consegue ter. Basicamente o que o filme nos dá é umas faiscas azuis a sair do corpo do protagonista e no minuto seguinte sem qualquer explicaçao logica ele surge com um fato de super heroi. Alias a falta de explicaçoes para o que vemos no filme é uma constante, algo que ate pode ser aceite pelos mais pequenos nos desenhos animados, mas que é impossivel resistir no rigor da setima arte.
Por tudo isto parece facil perceber, e com excepção de dois ou tres momentos humoristicos criados por Steel que o filme é claramente um tiro ao lado em todos os sentidos e em todas as suas vertentes, talvez com isso a Mattel podera perceber a diferença entre fazer bonecos, desenhos animados e filmes, já que num espaço cada vez mais sobrecarregados de superherois complexos, não existe tempo para este tipo de projectos.
O filme fala de um jovem orfão de pai, que muda constantemente de cidade com a mãe que começa a perceber ter poderes no seu corpo, começando a relacionar-se com um robot alieanisna que o vai ensinar a manobrar os mesmos, bem como explicar as razões de tais caracteristicas.
Em termos de argumento o filme falha, desde logo porque a historia de base de Max Steel, tem muito pouco cinematografica, pela forma pouco trabalhada que é, no sentido de dar um prazer instantaneo aos menores. No final mais de metade das respostas que procuramos no filme não são dadas e isso é das piores criticas que se podem fazer a um filme como este.
Na realização a aposta recaiu num total desconhecido com o seu primeiro filme com distribuição wide, talvez por falta de meios tecnicos mas não só o filme é um autentico floop tambem neste particular, resultado numa obra que parece nunca conseguir encontrar o seu registo.
Por fim no cast, encarnar um heroi de acção quando não se tem background e sempre perigoso, principalmente quando o filme não funciona. Nao posso dizer que Ben Winchell seja o maior dos problemas do filme, embora sofra com o facto do filme não funcionar e isso poderá marcar negativamente a sua carreira. Nos secundários uma Bello presente e um Andy Garcia pelas ruas da amargura, num vilão sem qualquer tipo de força.

O melhor – Algumas piadas ligeiras de Steel

O pior – A forma como se pensa que uns desenhos animados podem resultar num filme minimanente razoavel



Avaliação - D

Bleed for This

Se existe desporto que ao longo da história do cinema resultou em filmes iconicos foi sem duvida o boxe. Dai que quase todas as referências deste desporto já tenham tido o seu filme, com maior ou menor sucesso, contudo são sempre filmes que potenciam, pelas alterações fisionomicas os seus protagonistas. Este ano, e em plena epoca de premios surgiu este biopic sobre Vinny Pazienza com o toque de executor produtivo de Martin Scrocese. Os resultados principalmente criticos pese embora positivos foram insuficientes para catapultar o filme para a luta pelos premios. Já do ponto de vista comercial e tendo em conta a expansao wide conseguida pedia-se melhores resultados.
Sobre o filme, eu confesso que nos ultimos anos têm sido tantos os filmes ou sobre boxe, ou biopic de boxeurs que na essencia os filme são demasiado parecidos e quase nunca conseguem surpreender o espetador na generalidade, pese embora tenham um ou outro elemento que valorizem o filme. Aqui é obvio que o espirito de sacrificio do personagem merece uma justa homenagem num dos maiores regressos da historia do desporto. De resto tudo igual a muitos outros, a teimosia o volt face dos combater e a relaçao treinador atleta.
Os poucos elementos que o filme consegue se diferenciar pela positiva são promenores de contexto, como o lado mais humoristico da relaçao da irmã e cunhado do atleta, alguns apontamentos de dialogo solto entre o duo principal e de resto tudo demasiado by the book, muito centrado em de uma forma simples nos transmitir uma historia, que acaba por ser competente mas nunca brilhante.
Ou seja um filme que quando entramos sabemos o que vamos encontrar, que por vezes demontra alguma dificuldade em manter em equilibrio os ritmos do filme, uma primeira parte intensa, e uma segunda mais demorada, principalmente na parte de recuperação, onde parece sempre ser demasiada repetitiva e com detelhes que são ultrapassados nem sempre com clareza, mesmo assim um filme mais eficaz do que brilhante.
A historia fala sobre a ascenção e determinaçao de Vinny que o leva a ser campeao do mundo em pesos diferentes e a sua recuperação depois de um terrivel acidente que quase lhe tira a vida e que o conduz para um prognostico muito reservado.
Do ponto de vista do argumento penso que o filme é demasiado acente em regras comuns, faltando-lhe aqui alguma identidade ou na abordagem ou mesmo na concretização. Os unicos apontamentos ainda que esporadicos são alguns dialogos soltos com um humor interessante mas que são fugazes nas duas horas de filme.
Depois de muitos anos de distância da realização Ben Younger regressa num registo diferente do seu ultimo trabalho mais relacionado com a comedia. Mesmo com o apadrinhamento de Scrocese parece ter medo de arriscar na abordagem, sendo um filme demasiado convencional o que é incapaz de o distanciar de outros do mesmo genero.
No cast, já é conhecida a capacidade de sofrimento e entrega fisica de Teller aos seus papeis, principalmente depois de Whiplas, aqui temos isso, sem dúvida, mas ainda lhe falta a capacidade de tirar os elementos presentes em si e em todos os papeis, para se tornar um actor de primeira linha. Estes sao detalhes que tornam cada papel diferente e Teller ainda não tem isto. Melhor Eckhar com um papel bastante interessante em termos dramaticos, comicos e de disponibilidade fisica, fica a ideia que com um filme mais reconhecido criticamente poderia e merecia estar mais presente nas lutas por melhor actor secundario do ano.

O melhor – Aaron Eckhart

O pior – O filme não se conseguir diferenciar de muitos outros do mesmo genero


Avaliação - C+