Saturday, February 04, 2023

Plane

 Janeiro nunca é propriamente um mês de lançamentos muito diferenciados, sendo normalmente um período para filmes de terror e obras muito proximas de outras que já foram feitas para resultados de bilheteira razoaveis. Pois bem neste ultimo segmento surge este filme que tenta potenciar ao maximo o valor como heroi de açao de Butler. Criticamente ao contrario da maioria dos filmes do ator os resultados foram positivos. Do ponto de vista comercial um resultado normal tendo em conta o tipo de filme, os seus interpretes, mas acima de tudo a altura do ano onde o mesmo acabou por ser lançado.

Sobre o filme podemos dizer que o mesmo acaba por ser descritivo e curioso na fase inicial, de forma como nos leva para as dinamicas totais de um voo de aviação comercial. Nesse particular o filme acaba por nos levar para a primeira linha de um voo. Contudo o filme não tem esse objetivo acabando por ser um filme de sobrevivencia na selva onde acaba por ser claramente menos interessante, sem personagens, ação de desgaste rápido e a conclusao mais que esperada.

Um filme de ação bruta como este vive muito da forma como a realização é efetuada e da qualidade das imagens. Nao sendo um poço de originalidade na abordagem, ou mesmo muito cuidado no que diz respeito à forma como acaba por nos dar as sequencias de ação. O filme tem bons momentos de luta e acima de tudo muita bala disparada. Do ponto de vista de personagens o filme vai claramente de mais a menos.

Ou seja um filme obvio, muito na onda do que nos ultimos anos tem sido a carreira quase exclusiva de Butler que vai continuando a ganhar algum mediatismo com estes projetos. Inicialmente fica a ideia que o filme poderia ser mais detalhado, mas quando entra no campo de batalha o filme reduz-se ao totalmente basico.

A historia fala de um avião que aterra de emergencia numa ilha onde a miliciais dominam e onde tantas pessoas poderão ser importantes para obterem um resgate, onde um comandante e um preso do avião, acabaram por ser quem ira dar luta ao grupo armado.

Em termos de argumento temos um filme básico na historia que tem o problema de ir esvaziando personagens que inicialmente até lhes da algum contexto, mais concretamente os dois pilotos. Em termos de argumento tudo desaparece no momento em que aterram na ilha, onde temos apenas uma hora de longas lutas.

Na realização Richet e um realizador francês que no aspeto domestico ate conseguiu algum feito critico que lhe levou a vitoria no Cesar para melhor realizador em 2008 mas que com a passagem para o cinema de Hollywood tornou-se um tarefeiro de filmes sem grandes objetivos criticos. Aqui tem um trabalho simples, sem grandes adornos ou louros.

No cast Butler funciona bem no registo de heroi improvavel de ação, que acaba por ser o unico ponto que o filme lhe pede. AO seu lado Polter e um ator fisico que encaixa num personagem que apenas entra em guerra, faltando ao filme do lado dos vilões algum impacto, ja que as personagens não existem.

O melhor - A introdução à aviação civil dos primeiros 20 minutos.

O pior . Quando o avião aterra o filme esvazia por completo


Avaliação - C



House Party

 Para o inicio de 2023, e apostado numa cultura Rap e Afro Americana atual, produzida e presenciada por LeBron James surgiu esta sequela de uma comedia de razoavel sucesso dos anos 90 Criticamente uma mediania desastrosa que quase lançou o filme para um anonimato fora dos EUA, mas em termos comerciais as coisas não foram melhores onde nem a presença de Lebron James e o conceito afro americano atual que durante muitos anos liderou os meses de Janeiro no  Box office domestico americano salvaram o filme do desastre comercial.

Sobre o filme a tipica comedia de estilo cultural afro americana do primeiro ao ultimo minuto conjugada no filme de escalada de acontecimentos ate ao final. Podemos dizer que o filme tem uma base completamente impossivel de acontecer, mas pior que tudo e que o filme nunca tem graça, limitando-se a algumas expressões e gestos de personagens, sem qualquer orientação num caos, que mesmo neste particular ja vimos ir muito mais longe em filmes semelhantes.

Por tudo isto e sublinhando que se vi o original, não me recordo minimamente o que também poderá dizer que não tenha sido um filme particularmente feliz, mas este é dos filmes dos ultimos meses que mais tentativas tem de ser engraçado e nunca o consegue, chegando mesmo a sentir alguma pena de como tudo se desenvolvia em termos narrativos, ja que desde a narrativa parecer encaminhar-se para um bêco sem grande saida, bem como o humor que teimava em não resultar, para além daqueles momentos culturalmente muito sublinhados.

Por tudo isto parece-nos que House Party e aquelas comedias de consumo muito rapido, dirigidas para um publico alvo muito especifico, mas que acaba por ter muita concorrência sem elementos minimamente felizes que conduzam a que seja a melhor opção. E uma das comedias mais simplistas que me recordo que tenta potenciar um numero muito forte de sequencias comicas as quais raramente despertam a gargalhada no espetador.

O filme fala-nos de um grupo de amigos que acaba por serem despedidos no momento em que limpam a casa de LeBron James, vendo ai a grande oportunidade de se tornarem promotores de festas, levando a uma festa de todos os exageros na casa do basquetebolista sem que o mesmo saiba que tal estivesse a acontecer.

Do ponto de vista de argumento a historia é igual a muitas outras comedias adolescentes que qualidade inferior, desta vez na cultura hip hop norte americana, mas que falha essencialmente no mecanismo de humor que nunca tem.

Na realizção Calmatic e um realizador de videos de Hip hop que faz o filme como se um videoclip grande se tratasse com todos os cliches totalmente futeis da cultura como dinheiro, carro e mulheres despidas. Provavelmente voltara a musica onde parece ter enraisado o seu tipo de filmagem.

NO cast alguns atores afro americanos ainda a procura de maior espaço que acabam por tentar dar ao filme um humor actual, mas que não conseguem desde logo porque não são propriamente ricos em carisma, mas acima de tudo porque o filme também não lhes potencia isso. Não será com este tipo de filmes que crescerão no cinema.


O melhor - A presença sempre iconica de Lebron.

O pior - A forma como o filme não consegue ter graça


Avaliação - D



Thursday, February 02, 2023

You People

 Depois de um ano de 2022 que não correu particularmente bem à Netflix pese embora as diversas colaborações que foram tendo com realizadores e cineastas de primeira linha, eis que surge a primeira aposta do ano, numa comédia com o sempre interessante Eddie Murphy, num estilo politicamente incorreto escrito e produzido por Jonah Hill. Em termos criticos as coisas não correram bem com avaliações muito medianas, sendo que comercialmente tudo parece apontar que o filme fruto de pouca concorrência poderá conduzir a que o resultado acabe por ser positivo.

Sobre o filme temos uma comedia de raças numa conjunção entre judeus e afro americanos num choque cultural entre formas de vida. O filme tenta ser engraçado, mas na maior parte das vezes é apenas estranho, ficando a ideia que nunca consegue minimamente potenciar os personagens secundários que a olho nu parecem com muito mais valência do que a dupla romântica que apenas é estranha.

E um filme que poderia ser disruptivo, poderia ser daquelas comedias engraçadas incorretas, mas que fruto de ao mesmo tempo o filme querer ser romantico, fica um conjunto pouco coerente e muitas vezes aborrecido. Hill tenta ser um ator multidisciplinado no filme mas as suas valencias nunca lhe permitem ir muito para além do seu estilo algo descontraido, mas que no filme sai de qualquer plano.

Por tudo isto na minha opinião esta era uma comedia que pela base e pelos seus intepretes tinha tudo para ser engraçada e disruptiva tornando-se num ato falhado. Fica a clara ideia que por vezes os autores destes filmes perdem um pouco o objetivo principal do filme para tentar dar valencias a si como interprete e tudo corre mal nesse sentido.

O filme fala de uma paixão entre um judeu e uma afro americana vindos de familias de costumes muito implementados em cada um destes pontos, que acabam por colidir com as familias de base uns dos outros e da forma que cada um vê a outra raça.

No que diz respeito ao argumento Hill tenta ser engraçado com os cliches raciais, mas consegue pouco. O filme em dez piadas funciona três e o lado romantico acaba por ser um tiro ao lado. Tambem no balanço entre personagens fica a clara ideia que o filme nunca é minimente convincente e equilibrado sendo que os pais mereciam mais destaque.

Na realizaçao Kenya Barris acaba por ser uma realizador que tem aqui o seu primeiro grande projeto de longa metragem que realiza com um estilo descontraído e com uma musica que muitas vezes e mais irritante que original. Fica a ideia que o filme procura uma eloquência e uma originalidade que nunca adquire.

No cast começa logo o primeiro problema a forma como a personagem central se descreve e se comporta, sem qualquer grande sentido, logica e coerencia, o que faz com que a personagem conduza mais para o seu estilo do que para a graça que alguns dialogos poderia ter. Murphy e Dreyfuss tinham tudo para funcionar mas as suas personagens são meros cliches.


O melhor- - As duas ou três graças que funcionam.

O pior - A forma como o filme tenta ser romantico em vez de ser incorreto


Avaliação - D+



Tuesday, January 31, 2023

Shootgun Wedding

 Nesta fase de indefinição do cinema e dos serviços de Streaming, começa a ser cada vez mais normal ocorrer algumas alterações estratégicas na divulgação e distribuição dos filmes. Durante a produção onde o co protagonista de Jennifer Lopez foi sendo mudado, este pequeno filme tinha alguma ambições comerciais as quais se foram esbatendo ate ao lançamento em streaming pela Prime. Criticamente o filme foi recebido com indiferença e comercialmente apostou no mercado externo, ainda que não existe sobrevivência no grande ecrã em filmes diretamente lançados para streaming.

Sobre o filme podemos dizer que olhando para a sua narrativa e para os seus protagonistas, este e uma comedia de baixa qualidade, normalmente sem graça, que tenta sobreviver pelo lado mais descontraído e sem sentido de Jeniffer Lopez, mas que acaba por ser uma má comedia de ação, que nunca tem graça, e estereotipada e a ação e quase nada trabalhada.

Sobre o destino paradisíaco que o filme nos trás nas Filipinas e pouco mais, já que as personagens e os seus interpretes são de baixíssima qualidade, o desenvolvimento narrativo, ainda que com o twist final muito previsível, e pouco ou nada resulta de particularmente interessante na forma como o filme comunica com o espetador.

Parece-nos uma daquelas comedias de inicio de ano que tenta sobreviver pelo conceito dos seus protagonistas repetirem estilos. De novo quase ou mesmo nada, para além de uma ação de segunda linha e um humor que nunca é, algo que tem sido patente na carreira de Lopez na maioria das vezes e de Duhmel quase sempre.

A historia fala de um casamento numa ilha paradisíaca, que para alem da indefinição dos noivos torna tudo ainda mais difícil depois de um ataque pirata com um resgate elevado, que vai levar a uma luta pela sobrevivência.

O argumento é pouco ou nada interessante e inovador, é um conjunto de cenas conhecidas e já vistas pouco engraçadas, onde parece que as peças nunca encaixam. O filme torna-se muito repetitivo e isso acaba por lhe tirar ritmo, num filme já por diversas vezes visto em Hollywood.

Na realização, o projeto foi entregue a Jason Moore, um realizador de comedias que teve o seu trabalho mais visível em Pitch Perfect. O filme tenta ter uma produção elevada com imagens de grande estúdio mas pouco mais. É um estilo de trabalho que não torna competente nenhum dos seus obreiros.

No cast as personagens não pedem muito, mesmo assim já vimos Lopez e Duhmel com mais capacidade nestes registos vazios. Duhmel preencheu a carreira desta forma e dai o seu curto impacto, Lopez vive da imagem e a escolha de Kravitz como anti heroi acaba por ser completamente sem sentido em face dos poucos recursos dele como ator.


O melhor - As Filipinas.

O pior - A forma como o filme nunca consegue ser minimamente engraçado


Avaliação - D+



Sunday, January 29, 2023

When You FInish Saving the World

 Jesse Eisenberg já confidenciou que tem o sonho de mais de ser um ator reconhecido ser também um argumentista e quem sabe realizador. Este seu pequeno projeto, o qual não interpreta acabou por ser lançado num parte para jovens realizadores do Festival de Cannes, com um elenco interessante mas apenas foi moderadamente bem recebido sem funcionar como alavanca para mais altos voos, acabando por ser apenas um ensaio. COmercialmente a falta de criticas de primeira linha acabaram por conduzir o filme para uma pequena estreia em Janeiro, e com resultados pouco interessantes.

O filme tenta ser um um conflito de gerações e prespetivas dentro de uma familia, com um elenco interessante principalmente Moore, mas que acaba por ser repetitivo. A distancia familiar entre a mãe o filho e descrito de uma forma demasiado grande quando não existe qualquer motivo, o que acaba por tornar o filme pouco coerente a não ser no exercicio de narcisismo dos dois personagens, sendo que o filme coloca de lado um dos elementos fundamentais ao entendimento de todo o filme, o pai.

O filme acaba por ter um tema relevante e que se deve pensar sobre ele, na forma como se cria barreiras com os mais proximos mas se quebram com os que estão mais longe, a questão e que o filme não funciona nos detalhes, principalmente da personagem juvenil, o qual tem sucesso mesmo que o filme demonstre uma falta de talento total do protagonista, e o filme parece esconder as personagens para a mais que obvia conclusão.

Por tudo isto temos um simples filme de um drama/comedia familiar sobre o que somos e a diferença do que queriamos ser. Em alguns aspetos o filme funciona mas torna as personagens demasiado rigidas ignorando outras. Isso da o filme que tem um impacto moderado nos pontos que quer ter, mas fica a ideia que o filme pensou de si proprio poder ir mais longe.

A historia segue uma assistente social numa casa abrigo, e o seu filho adolescente estrela das redes sociais que não tem espaço para partilharem momentos, sendo que a primeira procura essa proximidade com um filho de uma das suas utentes, enquanto o jovem tenta ter a força politica e ideologica da sua mãe para convencer a sua paixao.

Em termos de argumento a base estrutural do filme e os seus principios ate podem ser funcionais, mas fica a ideia que as personagens tem dificuldade em se movimentar para o seu epilogo, muito por culpa de demasiada rigidez na construçao das mesmas.

Eisenberg tem aqui a estreia num filme simples, com uma realização tipica de um cinema independente o qual ainda receoso deixa os momentos maiores para os seus interpretes. Fica a sensação que Eisenberg quer dar aqui mais foco ao seu plano como argumentista, demonstrando quase nada como realizador.

No cast apostar em Moore e sempre sinonimo de intensidade embora nos pareça uma personagem demasiado rigida e proxima do que nos ultimos tempos ela nos tem mostrado, tendo dificuldade em sair deste registo, numa carreira que nos parece num momento menos entusiasmante. Por seu lado o jovem Wolfhard ainda parece viver pelo sucesso de Stranger Things depois de alguns filmes onde a descontração exibida na serie recolheu alguns frutos, não tem particularmente evoluido nos filmes e nas interpretações.


O melhor - O esqueleto do filme tem pertinencia

O pior - Personagens demasiado estaticos nas suas posiçoes


Avaliação - C+



All the Quiet on Western Front

 A Netflix e daqueles casos que tem tido muito mais sucesso nos projetos menores e principalmente fora da maquina de Hollywood do que nas suas apostas de primeira linha. Dai que este ano tenha sido esta mega produçao alemã que tenha marcado presença em massa nas nomeaçoes para os oscares, num dos projetos europeus mais valorizados criticamente e um dos filmes mais vistos dos ultimos anos em termos da aplicação netflix.

Sobre o filme podemos dizer que no que diz respeito aos filmes de guerra a maior parte do sucesso depende acima de tudo da maquina produtiva e do realismo das sequencias. Pois bem este e um dos filmes que melhor consegue colocar o espetador no centro de açao, numa realizaçao e fotografia de primeira linha que nos leva para a linha da frante sofrer tudo que os soldados acabam por sofrer com um realismo incrivel, que acaba por ser o grande segredo do sucesso do filme.

Claro que comercialmente temos um filme de ação mais que um filme de personagens. O filme tem um proposito muito claro que passa essencialmente pelo facto de dar o sofrimento e a claustrofobia de soldados que nao sabiam bem para onde iam. Por tudo isto o filme acaba por ter a intensidade e uma maquina produtiva que não deixa ninguem indiferente do primeiro ao ultimo minuto, num dos filmes mais reais de guerra que existe memoria.

Por tudo isto este e daqueles filmes que vai para a linha da frente dos melhores filmes de guerra e todos sabemos o conjunto de filmes sobre o tema que já viram a luz do dia. Nao e propriamente o mais diferenciado em termos de intriga, sendo um filme fisico que tem como proposito levar o espetador para a linha da frente e nisso poucos o fizeram tão bem como este filme.

A historia segue um conjunto de jovens alemães que alimentados pela maquina de guerra daquele pais,que embarcam para a linha da frente de uma guerra total que acaba por os colocar rapidamente de uma realidade de medo e de morte.

Em termos de argumento ja vimos filmes de guerra com mais personagens, mais dialogos e mesmo mais logica de açao. O filme da o sofrimento nas palavras e acima de tudo e um filme que transmite o realismo total do primeiro ao ultimo minuto no medo expresso e sofrimento de cada um dos seus peoes

Berger e um dos grandes vencedores do ano, pese embora ele tenha falhado a nomeaçao para realizador, que talvez merecesse, o seu trabalho esta ao nivel do que de melhor se fez no genero e sabemos os cineastas que ja abordaram a sua experiencia de guerra. Com caracter estetico muito apurado leva-nos para a linha da frente e ele tambem sera alguem a vigiar.

No cast temos um conjunto de atores alemães em boa forma que dao o sofrimento de cada um deles. Sofrendo o facto das personagens serem algo basilares o certo e que o filme consegue ser bem interpretado naquilo que mais necessitava.

O melhor - O realismo brutal de cada açao

O pior - Fica a ideias que algumas ações da personagem sao algo previsiveis para o impacto no espetador


Avaliação - B+



Saturday, January 28, 2023

Argentina 1985

 Numa corrida aos oscares de melhor filme internacional que parecia uma disputa a dois entre a Alemanha e a India, o mundo do cinema ficou algo surpreendido quando  os Globos de Ouro entregou o prémio a este filme policito suave argentino, que de uma forma algo leve retratou o julgamento dos ditadores militares daquele pais num quente ano de 1985. Em termos criticos e apresentado em alguns festivais maiores o filme convenceu, e comercialmente sendo um filme Argentino sem grandes referencias internacionais teve um resultado moderado mas que a nomeaçao agora para o oscar da especialidade lhe pode dar outro impulso.

Sobre o filme podemos dizer que é historicamente relevante para o Argentinos o momento que o filme trás, mas mais que tudo temos um filme que acaba por abraçar o conteudo de uma forma linear, com descontração principalmente nas personagens mais jovens que acabam por dar ao filme um registo leve que tira algum peso do impacto emocional das historias que ali são contadas, sem as esconder. Este balanço emocional ao filme torna-o mais acessivel, embora nem sempre consiga dar ritmo as mais de duas horas de duração.

Por outro lado do ponto de vista do julgamento em si parece que o filme recorre a demasiados cliches tipicos de filmes de tribunais e ai perde alguma da originalidade ou descontração que tem na vivencia familiar do protagonista e no processo de seleção da equipa. Aqui o filme torna-se mais mediano, mesmo que a historia que queira contar tenha um impacto natural junto do espetador.

Por tudo isto Argentina 1985 e um dos bons filmes internacionais do ano, sem sem deslumbrante ou daqueles rasgos que muitas vezes surgem de onde menos esperamos abrindo portas a um outro tipo de cinema. Visualmente o filme tenta ser fiel a epoca, ainda para mais porque tenta colar imagens reais, o resultado e competente sem nunca ser totalmente brilhante.

A historia segue um procurador que tem entre mãos levar a tribunal o poder militar de uma ditadura acabada de sair do plano politico, e com muitas raízes ainda bem implementadas na sociedade, o qual tem de se recorrer de uma serie de jovens inexperientes para preparar o julgamento mais importante, até então da historia do pais.

Em termos de argumento para alem dos detalhes históricos que o filme tem, o filme não acrescenta muito mais, tirando alguma descontração e ingenuidade nas personagens mais novas, mas que são meramente decorativas na narrativa central do filme. Tem o lado histórico mas pouco mais.

Na realização deste projeto Santiago Mitre um ainda jovem realizador argentino que se tem dedicado a filmes políticos do seu pais, tem aqui o seu projeto mais galardoado que em face da sua idade ainda lhe poderá dar entrada para outro tipo de cinema mais global, ainda mais porque este filme e rigoroso no contexto temporal, e mais que isso o filme consegue ter esse impacto critico.

No cast o filme vai buscar atores locais sem grande visibilidade internacional, que mais que terem papeis difíceis entram bem nas parecenças físicas que o filme vai trabalhar na parte final. E um filme muito mais da historia do que dos personagens.

O melhor - O contexto histórico que o filme trás.

O pior - Perder a descontração ao longo do filme.


Avaliação - B-



Friday, January 27, 2023

The Quiet Girl

 Numa altura em que as nomeaçoes para melhor filme internacional servem de impulso para o cinema de diversos paises, este pequeno filme falado em irlandes chamou a atenção para um cinema mais nativo de uma zona do globo que lançou alguns bons atores da atualidade. Este pequeno filme acabou por conquistar a critica com a sua simplicidade com avaliações muito positivas e que resultaram na nomeaçao. Em termos comerciais e claramente um filme de pequeno alcance mas que teve o seu impacto no Reino Unido.

O filme e pequeno, de emoçoes simples, sobre familia e relações proximas entre pessoas. Não e um filme com muitos dialogos ou muito movimentos mas o filme transmite e bem a união que se vai criando e crescendo entre as personagens o que acaba por ser a boa surpresa do filme, a forma como em lume brando vai criando ligaçao entre as personagens nas pequenas coisas da vida, numa Irlanda rural que tambem acaba por ser um dos elementos mais sedutores do filme.

Claro que podemos dizer que é um filme simplista, na narrativa, no dialogo e nos personagens, embora nos pareça que o que quer transmitir merece o sublinhado sustentado numa interpretação juvenil que tira a inocencia que o filme quer tirar da forma de transmitir a sua historia. Nao e um filme surpreendente nem rebuscado mas que transmite emoçoes.

Numa altura em que o cinema europeu arrisca muito num exprimentalismo que quase torna as suas obras dificeis de perceber fica a sensação que no claro momento em que o filme consegue transmitir emoçoes simples e onde resulta junto do espetador e da critica. Nao e uma obra prima mas e um filme que consegue transmitir emoçoes de base.

A historia segue uma menina silenciosa que acaba por ser algo mal tratada na sua familia de origem, claramente destruturada e acaba por embarcar num periodo de ferias no lado rural de uns amigos da mãe com quem se vai unindo e ganhando laços de impacto, mesmo que estes guarde um segredo do seu passado.

O argumento e simples, não so na base do argumento mas acima de tudo na forma como os dialogos e a narrativa se desenvolve. Ficamos sempre com a ideia que o filme não e propriamente surpreendente mas consegue transmitir os pequenos apontamentos que se propoem.

Na realizaçao Colm Bairéad e um desconhecido jovem realizador irlandês que quis ser fiel ao lado mais rural de uma Irlanda desconhecida mais rural. Ele consegue filmar bem os contactos pequenos entre as personagens num trabalho simples, mas que lhe trouxe um reconhecimento que pode ser interessante no futuro.

No cast o destaque vai para a jovem Catherin Clinch uma total desconhecida que pode aqui ganhar algum impulso na sua carreira pela forma suave com que transparece as emoçoes. Os adultos do filme vão de encontro aos pequenos pontos que o filme quer deles, deixando a jovem brilhar.


O melhor - A simplicidade de processos

O pior - Pode ser previsivel e algo lento


Avaliação - B-



Wednesday, January 25, 2023

To Leslie

 Ate ontem poucos conheciam este pequeno filme independente que foi estreado em Março num pequeno festival americano, que conseguiu lançamento no cinema em Outubro, e depois de um percurso em ascendente, embora comercialmente tenha sido um flop total, conseguiu levar a sua protagonista a nomeaçao para melhor atriz, aproveitando uma boa critica generalizada que o filme obteve e o facto de Riseborough ter nos ultimos temos exibido uma intensidade como atriz reconhecida.

O filme tem um conceito muito próximo de muitos outros de casos de vida que ao longo dos ultimos anos tem visto a luz do dia em projetos maiores e mesmo independentes. O comum nestes filmes e uma critica positiva moderada e alguns louros para os protagonistas. Pois bem aqui não temos nada de particularmente diferente para alem de uma interpretação intensa e onde a sua protagonista assume como o possivel elevador para uma primeira linha que não tinha chegado ate agora, e isso o filme consegue porque a interpretação vale a essencia do filme.

No restante o filme sendo cru nao e propriamente inovador quer no lado negativo e social da personagem, quer nos avanços e recuos e ate mesmo a redenção segue um caminho que ja vimos por diversas vezes em muitos filmes que são mais ou menos trabalhado, nao me parecendo que nos detalhes este filme seja muito forte na realizaçao ou mesmo na riqueza dos dialogos.

Claro que no fim vem a tona aquilo que o filme quer mais potenciar que é a interpretação e a entrega da atriz. ISso sera o que o filme mais quer sublinhar e nisso o filme e efetivo. Em termos de produçao e claramente um filme independente de segunda linha que segue um caminho igual a outros e que lhe falta elementos em diferenciem o filme.

A historia segue uma mãe solteira que depois de ganhar a lotaria gasta o dinheiro todo em alcool, tornando-se uma viciada com a vida destruida, ate ao momento em que e desalojada e fica sem nada e tenta reconstruir a sua vida de um patamar muito mais baixo.

Em termos de argumento a historia e sociavelmente impactante e mais que tudo é um filme que segue os parâmetros normais para o genero. Fica a ideia que o filme quer potenciar todas as oportunidades de sofrimento a sua personagem central e tudo torna-se algo previsivel.

Na realizaçao MIchael Norris vem da televisão com algumas series reconhecidas, e aqui tem uma abordagem independente de personagem e de caso de vida. E um filme que tenta entrar no lado social e leva-nos para um lado solitario da personagem, embora o filme não consiga ser propriamente impactante.

O filme e um monologo de Riseborough que colheu o maximo fruto da dedicação a esta personagem. Podemos dizer que normalmente este tipo de papel e facil, basta a interprete deixar ir ao lado mais baixo da sua existencia. A atriz tem intensidade e mostra um bom momento de forma e o resultado podera dar o input importante a carreira. A interpretação deixa pouco espaço para os restantes.


O melhor - ANdrea Riseborough

O pior - A forma como o filme não trás particularmente nada de novo ao estilo


Avaliação - C+



 

Bardo, Falsa Crónica de Unas Quantas Verdades

 Quando foi anunciada a lista de apostas da netflix para o final de ano e por logica para a temporada de premios existiu um filme que saltou de imediato para a retina que foi este regresso de Inarritu ao cinema e mais que tudo ao seu Mexico natural. Neste regresso as origens estreado no festival de Veneza percebeu-se contudo que o filme era demasiado estranho para entrar efetivamente na corrida, um faqueles filmes que apenas se vende a uma produtora independente a uma netflix que quer ver o seu nome associado a um cineasta desta dimensão. COntudo parece que o passa palavra neste caso não deve ter ajudado o percurso comercial do filme na plataforma.

Tudo começa no filme a deixar de fazer sentido no primeiro minuto e acima de tudo quando o realizador assumiu como referênncia um particular filme de Fellini conhecido por não ter grande ligação entre as cenas. Pois bem se queremos logica no que vimos ao longo das mais de duas horas e meia não estamos no filme correto e isso e danoso na atenção que o espetador vai dando a um filme que não percebe e mais que tudo nunca e feito para ele perceber.

Claro que e inequivoco que Inarritu e um realizador de primeira linha, que tem sequencias de realização de um brilhantismo total, que o filme e bonito e iconico em todas as suas imagens, mas quando a beleza de imagem e feita de sequencias isoladas pouco ou nada relacionados ou principalmente a confusão e o sentimento que mais fica no espetador, acaba por tal conduzir a um filme muito pouco apelativa.

Este e um filme da mente de INarritu em que o mesmo deixa de lado por completo o que vai transmitir ao espetador. Chega a parecer uma burla do realizador a Netflix, esperançada na coerencia ou na forma que os filmes anteriores do realizador foram aceites por tudo e todos, mas acabou por tudo ser um exercicio total de rebeldia que poucos ou nenhum percebe mesmo.

No que diz respeito a historia passamos por diversas sequências pouco logicas de um documentarista associado a historia do mexico, residente nos EUA, e da forma como esses fragmentos nos transmitem os passos de uma vida sem grande logica ou organização.

Em termos de argumento e quase impossivel definir o filme para alem dos momentos e dialogos completamente soltos e nada ligados ao que vem depois. Ate pode ter bons momentos isolados em dialogos mas o formato não permite que as personagens e a narrativa cresça. Parece-me facil fazer este tipo de cinema.

Na realizaçao Inarritu e um realizador de primeira linha, com capacidade estetica, risco e originalidade. Tudo esta presente no filme pena e que ao serviço de uma ideia intimista, confusa e que na essencia quase ninguem entende.

Para este regresso a casa INarritu escolheu atores hispanicos, com a despesa a estar toda do lado do espanhol Daniel Gimenez Cacho que tem impacto da ao filme o lado desprendido que o filme quer mas este tipo de abordagem nao permite grandes interpretações porque nunca conhecemos o personagem


O melhor - As imagens.

O pior - Ninguem entende o que o filme quer


AValiação - C-



Tuesday, January 24, 2023

A Man Called Otto

 Depois do sucesso literario em 2012 e mesmo o sucesso do filme sueco que conseguiu nomeaçoes para os oscares eis que como não podia faltar Hollywood deu a sua roupagem a uma historia de tanto sucesso e nada melhor que Tom Hanks para liderar a personagem. Tudo parecia correr para o sucesso total, mais eis que surpreendentemente a roupagem demasiado hollywodesca nao satisfez a maior parte dos criticos, mesmo que a historia de ternura e redenção tenha tornado o filme num razoavel sucesso de bilheteira.

Começou por dizer que não li o livro, e imperdoavelmente não me recordo de tambem ter visto o filme sueco dai que a historia fosse novidade, ou dai tambem nao porque no trailer nos percebemos do primeiro ao ultimo minuto quase tudo o que vai acontecer, num filme de emoçoes a flor da pele, tipico de familia, com uma mensagem positiva e ,muitas lagrimas. No aspeto simples do cinema o filme cumpre embora fique a ideia que sem tamanho para se afastar de outros titulos semelhantes.

O problema e a expetativa de ter Tom Hanks num papel iconico, um livro de primeira linha e uma grande produçao, e mesmo Forster tem no curriculo alguns bons filmes embora longe de ser um realizador de primeira linha ja que o seu percurso tem sido pautado por muitos desiquilibrios. O problema e que o filme nunca despe em nenhum momento a roupagem de simples historia familiar, nao tendo originalidade na abordagem nem suficientemente escuro na personagem que rapidamente percebemos ser o rezingão de bom coraçao.
Por tudo isto o filme faz-nos passar duas horas a um bom ritmo, com algumas gargalhadas e muitas lagrimas e nisso o filme e habilidoso, na capacidade de enviar o espetador para uma montanha russa de emoçoes, mesmo que cinematograficamente nunca recolha elementos muito diferenciadores, e ficamos com a ideia que tudo e muito previsivel e filmado de uma forma muito pelo livro.

A historia segue um Otto resignado pela vida dedicada a regras que ficou sem solo depois da mulher morrer. No momento em planeia o seu suicidio acaba por ser perturbado por uma nova familia sua vizinha com quem se vai ligar.

Em termos de argumento não conhecendo o livro parece-me uma historia convencional de emoçoes fortes que o argumento do filme no balanço com a comedia consegue ainda mais potenciar. Principalmente na dinamica entre o duo de protagonistas o filme tem todos os ingredientes de uma historia familiar competente sem ser surpreendente.

Na realizaçao Forster e daqueles realizadores que começou com toda a força mas ao longo do tempo foi perdendo espaço tornando-se quase num segundo plano. Esta colaboração com Hanks poderia ter levado novamente a uma primeira linha mas a sua abordagem e demasiado simplista para isso e dai talvez o menor sucesso critico do filme.

Hanks e dos melhores atores de Hollywood e tirando Elvis e competente em tudo o que tenta fazer. Nao sendo o melhor dos seus anos pese embora os diversos projetos acabou por aqui demonstrar o lado rezingão pouco conhecido de um ator sempre entregue as personagens. Surpresa pela positiva para a quase desconhecida Mariana Trevino que e a grande surpresa do filme numa personagem a sua medida.


O melhor - A montanha russa emocional intensa que o filme se torna

O pior - Ja vimos isto muitas vezes


Avaliação - B-



Monday, January 23, 2023

Glass Onion: A Knives Out Story

 Três anos depois de Rian Johnson tem surpreendido meio mundo com o seu complexo cluedo em Knives Out recuperando algum do conceito que a passagem por Star Wars o tinha feito perder eis que surge a sua sequela, novamente aproveitando o detetive peculiar Benoit Blanc. COm um elenco de primeira linha o filme voltou a conquistar a critica com avaliações positivas e uma corrida aos premios. Comercialmente com a aposta da Netflix o filme teve o impacto previsivel, embora fique com a ideia que poderia resultar naturalmente com mais impacto no cinema.

Sobre o filme eu confesso que gostei mais do primeiro filme do que o segundo. Desde logo porque a metafora da cebola pode tornar o fim algo previsivel, mesmo que o filme se dedique a dar pistas e twist num filme intenso e longo que permite esses avanços e recuos nas ligações das personagens, embora nunca sem a maturidade que penso que existiu no primeiro filme. Fica a ideia que por vezes o filme se perde em detalhes que acabam por ser irrelevantes para o decurso do filme.

Claro que o suspense continuo e a revelação em camadas acaba por dar um ritmo e uma curiosidade interessante ao filme, que ele aproveita com um elenco de primeira linha, embora fique a ideia que ao contrario do primeiro filme a maioria dos personagens são mais bonecos de comedia do que propriamente do que uteis para o filme.

Mesmo assim e sendo na minha opinião inferior ao primeiro filme, temos bom entertenimento com açao, um bom espaço, bons atores e muito suspense, no regresso dos filmes de cluedo ao cinema depois de muitos anos com estilos repetitivos. Fica-se com a ideia de que o sucesso deste filme não vai deixar a personagem central ficar por aqui.

O filme volta a trazer-nos Benoit Blanc, agora numa ilha propriedade de um empresario de sucesso e as suas eloquências e um encontro com amigos com muitos conflitos emergentes, até que o homicidio ocorre e todos são suspeitos.

No que diz respeito ao argumento eu confesso que uma historia com tantos avanços e retrocessos nao e facil de criar para nenhum argumentista, e dai os elogios a Johnsson. Por sua vez parece que principalmente na elaboração de personagens temos menos força do que no primeiro filme, principalmente no excesso de "boneco" (sic) da maior parte delas.

Na realizaçao Johnson e um realizador em crescimento que teve um arranque muito rapido e teve de dar um passo atrás. Neste conceito parece ter conseguido explorar a sua capacidade narrativa com um cinema moderno eficaz embora ainda me pareça que falte alguma assinatura.

No cast Craig encaixa bem no detetive com diversos tiques, que corta a rigidez de James Bond. No restante cast o maior destaque vai para Monae com uma personagem complexa, com muitos momentos diferentes que a mesma acaba por cumprir com competência. Os restantes sofrem de personagens algo esteriotipadas


O melhor - O ritmo do filme para um projeto tao longo


O pior - Os secundários não são muito elaborados


Avaliação - B-



 

Friday, January 20, 2023

Devotion

 Depois do sucesso de Top Gun, tudo que meta aviões e guerra estava submetido a um segundo plano, mesmo que fosse o relato de uma historia real com muitos elementos, e mesmo que fosse uma mega produção com ambiçoes para premios. A piorar tudo isto temos o facto de termos um protagonista semelhante. E se comercialmente Devotion até foi bem avaliado comercialmente foi um floop total, talvez pelo facto de Top Gun ter esgotado toda a cota para avioes de guerra, quer pela falta de figuras de primeira linha.

Sobre o filme Devotion e um filme objetivo que tenta jogar com o lado de guerra de ação, embora abusando quase sempre de uns efeitos especiais digitais que nem se aproximam daquilo que Top Gun fez na realidade, quer no lado emocional da amizade e da conquista racial. O filme tem diversos temas numa historia real que são sempre ingredientes de algum impacto, o problema e quando tudo fica diminuido a esses elementos e o filme tenha alguma dificuldade em ir para alem deles.

O unico risco que o filme assume e na personagem central, percebe-se que lhe quer ser dado contacto com a realidade, caracteristicas que ate poderiam ser pouco empaticas, e que potenciam alguns recursos a Majors, mas para o filme tao basico em alguns elementos isso acaba por encaixar com dificuldade no registo do filme que talvez esperava o lado mais pessoal de ambos os protagonistas para alem dos traços gerais.

Por tudo isto Devotion e um filme mediano, sem ter atributos espetaculares em algum elemento que o fizesse brilhar, e competente na gestão emotiva, mesmo que os ultimos vinte minutos de drama puro sejam demais quando comparado com o lado mais acelerado das ações no ar. Não e um filme com muito conteudo para alem da sintese da relação e como produção para 90 milhoes tinha de ter mais espetaculo visual.

O filme fala de dois amigos, um o primeiro afro americano da força aerea norte americana e a ligação com o seu asa em plena guerra. A confiança dos amigos com personalidades diferentes e a luta do primeiro pela sua posiçao unem os dois nas batalhar contra os vilões da guerra.

O argumento tem uma historia conhecida, que o filme não vai muito para alem. Nao temos propriamente grandes dialogos ou grande trabalho mesmo nas duas personagens centrais. Fica a ideia que o filme deveria arriscar mais tambem em argumento para dar o salto para outro patamar.

Na realizaçao J D Dillard era um quase desconhecido com muitos meios na mão, mas ainda verde para explorar ou arriscar. Fica a ideia que o filme e demasiado preso ao obvio e tem pouca mão de cineasta, o que com o valor produtivo vale muito pouco. Nao sei se tera muitas oportunidades como esta para assumir o seu cinema, mas esta fica ou pouco aquem.

No cast dois atores num percurso ascendente de carreira mas que ainda não sao primeiras figuras. Majors arrisca mais, principalmente nos monologos e na entrega fisica, mas nem sempre e convincente ao maximo. Powell ainda parece preso a alguns maneirismos e mais longe do primeiro plano e com uma personagem claramente mais debil.

O melhor - A historia e interessante.

O pior - O filme e demasiado preso a extritamente necessario


Avaliação - C



Wednesday, January 18, 2023

RRR

 O cinema indiano foi durante anos dominador dentro de um cinema de massas que foi-se diluindo nas ultimas decadas do ultimo seculo. Agora tentando recuperar o seu esplandor, com apostas produtivas elevadas e com grande exploração comercial, teve neste RRR um regresso ao sucesso internacional quase incompreensivel que o tornou no filme internacional mais famoso e reconhecido do ano e tornou-o no mais que provavel vencedor do oscar da categoria, no regresso ao sucesso do cinema indiano, ainda que não seja neste caso Bollywood.

Sobre o filme eu confesso que é daqueles filmes que nos deixa sem palavras e nem sempre pelas melhores razões. Parece que o primeiro objetivo do realizador e fazer algo grandioso a todos os niveis, e se no plano do tempo o filme consegue resistir bem as tres horas de duração em termos esteticos e um exagero pensado de slow motion FF e acima de tudo muitos efeitos digitais explorados ate a exaustão mas que dão um filme pelo menos insistente neste registo que funciona.

Em termos narrativos e uma novela de baixa qualidade sendo que essa novela de baixa qualidade fica também presente na qualidade dos seus interpretes, que torna tudo tão mau, que ate parece deliberado para fazer sentir o filme como pensado para ser assim. Contudo em face do investimento parece que não seria o objetivo e isso do ponto de vista de comedia deu algum sucesso ao filme.

Por tudo isto fica a sensação que o filme e trabalhado, mas é amador, e isso tudo faz com que se possa odiar o filme, ou gostar, mas não e um filme de sensaçoes mistas mesmo que isto tudo organizado resulta num filme estranho, estapafurdio, esteticamente interessante, mas um festival de folclore de gosto discutivel.

A historia segue dois amigos que acabam por ter ambições diferentes em lados opostos da barricada em face do imperio ingles que leva a um confronto muito maior do que as ligações, numa batalha de dois super herois com convicções muito fortes.

Em termos de argumento o filme e vazio a todos os niveis. A historia e retirada de um pessimo filme de ação, os dialogos desenhados por uma criança e a previsibilidade esta patente do primeiro ao ultimo minuto.

EM termos de realizaçao Rajamouli tem imagens impactantes e demonstra empenho e caracter estetico para fazer um filme grandioso o que acaba por acontecer. Podemos gostar ou não do exagero que o filme adquire mas isso acaba por ser o elemento que melhor funciona e que levou ao reconhecimento do filme e do seu cineasta.

No cast um conjunto de atores locais com competencias musicais e de dança mas com poucas competencias dentro daquilo que se espera para um filme com tanto valor critico. CHega a existir momentos em que parece que a ma interpretação e deliberada.

O melhor  - A estetica unica do filme.

O pior - Pensarmos que muitas vezes tudo e demais


AValiação - C+



Sunday, January 15, 2023

Tar

 Mais de quinze anos desde o ultimo projeto de Todd Field o conceituado realizador voltou ao ativo depois de muitos projetos que ficaram pelo papel. Para o regresso um drama protagonizado e conduzido por Blanchet exigencia total do realizador. E depois de dois tiros certeiros nos seus anteriores filmes, Field conseguiu novamente cativar a critica com algumas das melhores avaliações do ano. Comercialmente Field não é tão cativamente e talvez por isso ficou muito aquem do esperado.

Sobre o filme podemos dizer que o inicio não é facil, muito lento, muito promenorizado na historia ou mesmo no processo artistico de um maestro que acaba por aos menos interessados na arte adormecer para uma intriga que depois ganha ritmo, e muito atual no tema mas que não consegue nunca arrancar convicto. mesmo que em termos de captura de imagens, realizaçao e interpretação esteja sempre a um nivel elevado.

Field tem uma forma de filmar, obsessiva ate ao ultimo detalhe, e neste particular fica a ideia que nos primeiros momentos, tenta nos dar quase tudo da forma de ver a arte do personagem. O problema e que provavelmente ninguem necessitava de tanto, e isso faz o filme detalhado mas pouco intesndo. Na segunda fase o filme ainda que novamente em lume brando cria uma intriga que e criada desde o inicio sem nos percebermos e que apenas percebemos quando a mesma esta a queimar.

Assim TAR tem elementos de clara qualidade, o mais vistoso de todos e a interpretação intensa e dedicada de BLanchet. A realizaçao e competente sempre com a procura do melhor plano. Por fim o argumento a historia e atual mas a abordagem talvez nao tenha sido aquela que melhor conseguiu dar o impacto ao que o filme queria contar.

A historia segue uma maestro obsessiva pelo controlo que prepara uma das suas obras enquanto tem que fazer escolhas sobre a composiçao da sua equipa e se debate com uma polemica passada que poderá colocar em causa a sua carreira.

No que diz respeito ao argumento a historia e interessante embora pareça que o ritmo baixo que o filme adquire acabe por não tirar o melhor partido dela. Muitos me dirão que e a obsessão pelo detalhe que faz Field uma assinatura, mas eu confesso que o filme merecia mais intensidade.

Na realização Field e um realizador de promenor, que a critica ama. Eu acho competente, com perfeita noção de como vai buscar os melhores lados das personagens, mas náo e imponente. A carreira criada e os poucos filmes criaram talvez um mito maior que a carreira.

No cast o filme e liderado por uma Blanchet ao mais alto nivel, intensidade, entrega, capacidade tudo se resume numa personagem pensada para triunfar. Nao sei se sera a melhor interpretação de sempre da atriz mas e uma das melhores, que provavelmente a conduzira a novo oscar, embora me pareça que o filme potencie muito esta vertente por vezes a custa de outras

O melhor - BLanchet

O pior - O ritmo demasiado pausado da primeira hora


Avaliação - C+



Saturday, January 14, 2023

The Fabelmans

 Desde o momento que foi anunciado o projeto a critica e o mundo do cinema ficou ansioso pela obra auto biográfica não assumida de Spilberg que iria ser uma viagem a sua infância ainda que com outros nomes. Devido ao impacto emocional que o realizador foi sempre dotando os seus filmes, rapidamente se percebeu que novamente ele tinha conseguido criar magia empatica, com criticas impressionantes que o colocou imediatamente como o filme a bater na corrida aos oscares. Comercialmente a falta de nomes de primeira linha impediram resultados muitos consistentes que poderão ser o maior senão do filme, mesmo assim a conquista do Globo de Ouro para melhor drama poderá ser o impulso comercial que o filme necessitava.

Sobre o filme podemos dizer que temos um regresso ao estilo de cinema que Spilberg foi criando ao longo dos anos, de emoçoes fortes, sejam elas positivas ou negativas, o certo é que o filme emprega a intensidade naquilo que quer transportar o espetador nesta visita ao passado. O filme não e propriamente um poço de originalidade mas faz tudo bem na magia da infância, na descoberta dos adultos e da paixão o filme leva-nos como poucos conseguem levar ate a infancia do realizador mais proeminente dos ultimos anos.

Por tudo isto Fabelmans leva-nos perfeitamente a fazer parte da familia, a aplaudir os louros e sofrer nos conflitos, e um filme riquissimo na tradição do cinema como correio de emoçoes. Nao e um filme de efeitos, não e um filme de abordagem diferenciada, mas pega numa historia convencional de sonhos e coloca-a de uma forma transparente perante o espetador que entre no filme e isso e um segredo que Spilberg sempre teve a capacidade.

Não sei se Fabelmans sera o melhor filme do ano, mas aposto que sera de longe o mais consensual, acho difícilimo que ao ver filme alguem não goste, tem a sabedoria de saber agradar a todos e acima de tudo aproveitar cada personagem para tirar o que de melhor consegue dela, numa visita guiada a emoçao.

Spilberg e um caso unico de um realizador que consegue se adaptar a todos os estilos, mas e na familia e no filme dramatico que penso que consegue os melhores momentos. Num regresso ao passado detalhado ao milimetro Spilberg tem aqui a sua homenagem a sua abertura ao publico o que lhe valerá com muita certeza o terceiro oscar como realizador.

No cast o filme demonstra tambem competencia algo que fugia em algumas escolhas mais recentes de SPilberg, Dano e Williams, levam o filme as costas no lado emocional, mas surpreende a escolha do jovem LaBelle que acaba por dar todo o lado descontraido, ansioso de SPilberg junior que merecia maior destaque. Ninguem ficara indiferente aos cinco minutos de luxo de Judd Hirch.


O melhor . A naturalidade da forma como transmite emoçoes

O pior - Nao e um poço de originalidade, mas sabe bem ser tradiçao


Avaliação . B+



Friday, January 13, 2023

The Menu

 Existem pequenos prazeres que o cinema nos trás sobre filme que inicialmente não querem ser tomados muito a sério mas que acabam por se tornar casos sérios pela sua originalidade da abordagem. Esta comedia negra acabou por surpreender ao ver-se intrometida no meio da temporada de premios, ainda que com pouca objetividade mas com o reconhecimento critico necerssário a configurar em algumas listas. Comercialmente o filme chamou alguma atenção, num ano de total altos e baixos o filme acabou por ser competente também no trajeto comercial

Sobre o filme é importante sublinhar que é uma misto de comedia e terror que não se leva muito a serio, mas que nos dá prazer. E dá-nos prazer porque é uma satira belissima e eloquencia de hoje em dia em muita coisa e na cozinha essencialmente. O filme é corrosivo, é engraçado, é critico e é unico num resultado diferente, original, detalhado e acima de tudo sustentado numa otima batalha interpretativa entre os dois protagonistas maiores.

O filme cedo nos introduz o que cada personagem vai dar ao filme, com exceção da central que cai de para quedas num mundo de luxuria. Quando somos introduzidos na cozinha e com a equipa rapidamente percebemos que tudo vai escalar, o que o filme faz com calma e com intensidade. Podem muitos achar que o final e algo filosófico demais, mas acaba por ser a essência moratória que o filme quer ser, e nisso o filme tem os objetivos muito bem definidos que cumpre com qualidade.

Por tudo isto parece que The Menu e uma das obras mais singulares e originais. Acaba por ser um pouco como os pratos que vão sendo servidos, estranhos, mas que dão prazer, muito por culpa de uma realização competente mas mais que tudo personagens e interpretações que nos colam ao ecrã. Não sendo um filme muito pretensioso no alcance e uma abordagem original de um formato único que junta humor negro com satira social.

A historia fala de uma serie de pessoas que pagam um balurdio para numa ilha provarem um menu exclusivo de um famoso e excentrico chef, o qual tem um plano bem diferente para aquele serão, onde apenas uma convidada de ultima hora sai do menu.

No que diz respeito ao argumento ele é detalhado, tem a satira apurada com a critica social, de uma forma forte, engraçada com personagens requintadas. Podemos achar que o final poderia ser tratado com outra objetividade e mais direcionado, mas é nesse requinte que me parece que o argumento se destaca.

Eu confesso que muitas vezes a passagem da televisão para o cinema e dificil, mas Mylod teve uma otima passagem depois de ja ter a cargo alguns dos melhores episodios das melhores series dos ultimos anos. A passagem e muito bem conseguida depois de uma experiencia pessima no passado. O filme tem detalhe, tem ritmo tem estetica e merece o destaque de uma passagem que se espera duradoura.

E no cast que o filme tem tambem um dos seus maiores brilhos. Fiennes e incrivel na sua construção. Um actor de primeira linha que por vezes parece deambular em filmes menores mas que regressa sempre ao impacto da carreira. Aqui tem um dos melhores e mais intensos papeis do ano, que é balançado por uma Taylor Joy numa forma incrivel, com carisma, com rebeldia e o balanço perfeito a um Fiennes de primeira linha. Também Leguizamo e Hoult encaixam no que o filme pede a cada um deles.

O melhor - A originalidade de todo o filme.


O pior - Podemos achar que o final merecia mais impacto


Avaliação - B+



Wednesday, January 11, 2023

Bones and All

 O provérbio em equipa que ganha não se mexe é muito usual ser repetida em formulas de cinema. Em 2022 Guadagnino e Chalamet reuniram-se para mais uma historia de amor, so que de uma aventura homossexual de verão, temos um amor em road trip de canibais. Em termos criticos as avaliações embora distantes do sucesso brutal que foi a anterior colaboração foram competentes embora sem a força para lançar o filme para altos voos. Do ponto de vista comercial o realizador italiano não e propriamente talhado para grandes explosoes comerciais sendo o resultado consistente e nada mais.

Sobre o filme podemos dizer que a historia de amor está lá, é convincente na eloquencia e singularidade das personagens e do contexto, e acompanhado por uma boa banda sonora e interessantes secundarios, mas que tudo e demasiado freak para resultar no lado emocional e impactante. Talvez seja esta mistura de emoçoes que Luca queria para o filme mas o resultado é demasiado ambiguo para ser de impacto imediato.

Não obstante disso o filme é esteticamente forte, é violento, é carnal, e isso faz com que os atores tenham espaço para brilhar, principalmente os secundarios. COnseguimos criar empatia com o casal, mesmo numa especificidade que não é propriamente a mais exuberante para o desenvolvimento de uma historia de amor. No final fica a sensação que o filme não consegue superar o peso do canibalismo, embora ficasse com a sensação que isso pudesse acontecer.

Ou seja um particular e diferente filme, bem realizador, que tem uma abordagem diferente que tenta ser original no impacto, mas cujo resultado é algo dicotómico tendo dificuldades em conciliar o lado mais bonito de uma historia de amor que é a unica esperança dos personagens com o lado completamente animalesco do canibalismo. LGuadagnino gosta de arriscar mas talvez tenha ido neste caso algo longe demais.

A historia fala de uma jovem que é abandonada pelo pai, o qual não consegue viver com o peso da sua filha ser canibal, o que a leva a um percurso pelo mundo a procura da progenitora e que a leva ao contacto com outras pessoas com o mesmo problema.

O argumento e arriscado, unindo temas que aparentemente tem muitas dificuldades em ser interligados. O filme tem bons diálogos de amor mas no final é tudo muito peculiar, principalmente porque parece totalmente impossível associar dois temas como estes e fazer que estes encaixem em algo coeso

Na realização Guadgnino é alguém que sabe tirar o melhor dos filmes com relações intensas e esta e sem sombra de duvidas a mais intensa de todas. O filme é bonito, tem impacto mas os temas também visualmente não encaixam, ainda para mais com a opção de carne viva que ele adota.

O filme tem bons atores mais são os secundários aqueles que melhor funcionam, principalmente a intensidade de Rylance, num excelente momento de forma. Ao seu lado temos um Chalamet que sabe interpretar a descontração que o realizador gosta e uma Taylor Russel a procura de um protagonismo que já lhe foi prespetivado sem nunca ser concretizado.


O melhor - Rylance

O pior - Os temas não conjugam.


Avaliação - B-



 

Tuesday, January 10, 2023

Puss in Boots: The Last Wish

 Num ano onde parece que os creativos do mundo de animação da DIsney parece terem tirado férias com uma ligeira exceção ao Turning Red do inicio do ano, a Dreamworks segunda maior patente com historia no mundo de animação não aproveitou particularmente esta brecha, acabando por fazer um ano simples, onde apostou tudo neste continuidade de um franchising conhecido. Criticamente as coisas ate correram bem, muito melhor do que a qualquer projeto da Disney, e comercialmente longe dos sucessos incomparaveis do passado o filme foi dos que melhor desempenho teve em termos de animaçao, levando a melhor no nivel anual.

Sobre o filme eu confesso que sempre gostei mais da personagem no Franchising de Shrek do que propriamente nos filmes que se seguiram, onde o paralelismo com ZOrro e banderas foi sempre por demais evidente. Este filme segue o mesmo estilo da personagem, e novamente vai buscar o lado metafisico que cada vez mais é presença constante nos filmes de animação e a qual se não for bem trabalhada acaba por tornar tudo algo estranho e aqui acontece novamente isso.

Podemos sublinhar do lado positivo alguma maior rebeldia visual, principalmente nas sequencias de combate, a aproximar-se de filmes e dos comics o que acaba por ser uma roupagem menos convencional e que funciona no espirito do filme. Em termos de mensagem o filme acaba também por ser competente, embora muito longe do que a Disney faz nos seus maiores sucessos, sendo sempre um filme mais comercial do que impacto narrativo.

Mesmo assim num ano em que tudo parecia correr mal na animaçao para crianças, este filme resiste pela simplicidade narrativa e pelo arrojo visual. COnduzira certamente a uma nomeaçao para o premio da categoria, embora com muita probabilidade o perderá para filmes mais arrojados a todos os niveis. E um filme competente sem nunca ser minimamente brilhante.

A historia segue o gato das botas, despojado de oito das suas nove vidas, decide colocar de lado a sua vida de vingador, contudo o seu passado surge novamente junto a si e vai exigir dele uma nova aventura.

Em termos de argumento a historia e simples, aproveitando o lado dos promenores que de melhor foram resultando no passado da personagem, e criando uma aventura simplista, sem grande originalidade para fazer render o peixe. No final consegue ter alguma riqueza moral, embora nada de grande dimensão.

Na realizaçao do projeto uma dupla oriunda de outros projetos da Dreamworks concretamente Croods 2. O filme é algo arrojado visualmente no que diz respeito as sequencias de luta e isso deu-lhe uma abordagem algo diferenciado. Num terreno que normalmente se limita a seguir a evolução aqui temos alguns apontamentos, ainda que curtos de creatividade estetica.

O cast de vozes e riquissimo, quer as ja conhecidas como Banderas e Hayek nas personagens que encaixam perfeitamente em ambos e nas carreiras uma serie de contratações onde sobressai Wagner Moura, como o terrivel lobo.


O melhor - O arrojo visual de algumas sequencias 

O pior - Na base não trás nada de particularmente novo


Avaliação - C+



Sunday, January 08, 2023

Lady Chatterley's Lover

 A Netflix teve um ano de hiperatividade abraçando quase todos os generos, sendo que em finais do ano surgiu este drama erotico, patrocinando uma das figuras que mais sucesso teve com uma das series da aplicação, na transposição para o cinema de um classico de H G Lawrence. Esta adaptação até conseguiu boas criticas, embora insuficientes para a lançar para a temporada de premios, sendo que comercialmente ficou um pouco aquem nos produtos maiores da aplicação.

Sobre o filme temos um tipico filme tradicionalista britanico, numa pequena vila, com a sociedade bem definida nas suas posições, com rigor, e depois temos o lado carnal do amor. E um filme que fala sobre as vertentes do amor e se calhar torna tudo muito fisico quando se calhar poderia ter outras vertentes. Apesar de tudo o filme é obvio, e cru, mas não e particularmente diferenciado, se calhar porque explora pouco a personagem do amante.

Em termos de produção e um filme de recursos simples, que tenta acima de tudo entregar a batuta ao lado mais carnal. o filme não tem medo de arriscar neste particular, mesmo que isso lhe tirasse algum valor comercial, que talvez nunca tenha sido o real objetivo do filme. Mesmo assim fica a ideia que o lado emocional e de quimica relacional central deveria ter sido mais trabalhado, principalmente para o final assumido.

Assim um mediano filme que nos tras uma adaptação literaria, que não arrisca, nem compromete, fiel ao original, com interpretaçoes satisfatorias que se entregam ao que o filme quer. Nao e propriamente um poço de originalidade ou de trabalho artistico mas permite duas horas de um cinema razoavel, que embora previsivel prefaz os requisitos minimos para o género.

A historia segue uma mulher dedicada ao seu conceituado marido ferido em guerra, contudo com as dificuldades fisicas inerentes a mesma começa a relacionar-se com um criado das terras do marido de forma a satisfazer todas as suas necessidades enquanto mulher.

Em termos de argumento a historia é parecida com muitas outras, com o lado da mulher bem sublinhado. A relação central poderia ser mais trabalhada. Isso exigiria mais tempo ou menos lado carnal o que não foi a vertente que o filme quis dispensar e a quimica central ficou pela mediania.

Na realização deste projeto da NEtflix Clermont-Tonnere é uma realizadora francesa que surpreendeu meio mundo em 2020 com o seu exercicio de estilo em Mustang. Aqui mais tradicional na abordagem arrisca nas sequencias de sexo explicito, mas isso torna o filme o que quer. Para uma realizadora ainda jovem temos margem para assumir mais destaque no futuro.

No cast eu aprecio as qualidades de Jack O'Connel que deve ser dos atores mais desaproveitados de Hollywood. Ao seu lado Corrin tem ganho mediatismo depois de The Crown em filmes ingleses mas parece uma questão de tempo a assumir outro tipo de papeis, pois tem intensidade e disponibilidade.


O melhor - A fidelidade a historia de base

O pior - A quimica do casal fica demasiado presa ao lado carnal


Avaliação - C+



The Almond and Seahorse

 Eu confesso que quando vi o trailer deste filme fiquei surpreso por ver Rebel Wilson, uma comediante de segundo plano ter um filme dramatico com Gainsbourg uma atriz dedicada ao cinema independente britanico. Rapidamente se percebe que o filme vai para o terreno da segunda numa tentativa de Wilson, agora mais magra tirar a capa de atriz de comedia e arriscar na carreira. Pese embora o esforço, o resultado ficou aquem, criticamente o filme falhou e onde nem o lançamento em cima da temporada de premios deu qualquer mediatismo e comercialmente o resultado foi péssimo.

Sobre o filme claro quem drama intenso sobre as dores de quem está à beira de um doente cerebral com problemas de memoria e sempre um filme intenso, que nos dá emoçoes fortes, mesmo que o filme tenha uma hora e meia e passe uma hora a detalhar o que de facto ocorre em cada uma das duas historias que vai contar e depois apresse o ponto de contacto na relação de escape entre as prestadoras. Isso faz com que o filme seja descritivamente aborrecido e que se torne mesmo previsivel, perdendo muito do impacto emocional que queria ter.

Alias fica a sensação que o filme tem um bom tema em mãos, mas quer ser tão detalhado para potenciar o o sofrimento das personagens que se esquece de criar realmente uma intriga para alem disso, e quando se recorda de o fazer já perdeu totalmente o ritmo do primeiro ao ultimo minuto mas acima de tudo já não tem tempo para a potenciar e tudo se torna algo chato ou mesmo repetitivo, num filme em fast foward nos minutos finais.

Por isso e que mesmo para dramas independentes e fundamental encontrar o tom que o filme quer para se fazer sentir. O filme não consegue e mais que tudo o filme torna-se previsivel depois da nebelina. Em algo tão concreto mesmo na hora inicial o filme torna-se algo difuso, repetitivo, e isso desliga o espetador, num filme sonolento e acima de tudo que da muito pouco ao espetador.

O filme fala de duas mulheres com relações distintas que vem o mundo quebrado pelas doenças cerebrais dos seus companheiros que não as deixam viver, mesmo com a ajuda medica de suporte que se preocupa pelo bem estar dos pacientes e tudo a volta.

O argumento tem uma boa premissa e honesta de ir ao sofrimento do prestador de cuidados para alem do doente, mas fica-se tão preso em descrever a dificuldade que se esquece da intriga e quando a tenta captar já não consegue.

Na realizaçao uma dupla oriunda de outras tarefas no cinema que quer dar um filme intimista, mas torna-se demasiado convencional. O filme nunca e propriamente muito ambicioso do ponto de vista estetico e isso fica patente no filme. Denota-se porque ambos fizeram carreira noutros circuitos

No cast Wilson depois de emagrecer tem tentado novos desafios, e aqui deve-se louvar o risco de sair por completo da sua zona de conforto. Contudo não nos parece ter competencias dramaticas para uma primeira ou segunda linha no genero, denota-se Gainsboug está muito mais acomodado. Sublinhar a preserverança de Jones em ir a diversos papeis no filme, onde nos parece ser mais competente e como ator.


O melhor - O tema e intenso

O pior - O filme perder dois terços a introduzir a vivencia


Avaliação - C-



Amsterdam

 Depois de um interregno de muitos anos depois de algum falhanço naquilo que foi o resultado comercial e critico de Joy, mas essencialmente depois de algumas polémicas associadas ao seu temperamento, David O. Russell regressou com aquele que talvez exibe o maior cast que existe memória num filme que tinha tudo para alimentar a expetativa de todos os fas de cinema. Logo nas primeiras exibições percebeu-se que as coisas não iam correr bem, a critica afastou-se do filme considerando-o demasiado confuso para o resultado final, e do ponto de vista comercial, nem um cast de primeira linha capturou o filme de um falhanço rotundo a todos os niveis ao qual não pode estar dissociado a pessima fama do realizador nas elites de hollywood.

O mundo do cinema altera rapidamente, e se há cerca de dez anos parecia que David O Russel tinha o toque de midas, em que tudo o que tocava se tornava imediatamente oscarizavel, a sua fama,  e acima de tudo o egocentrismo das suas abordagens acabou por conduzir a um rotundo falhanço em Joy e agora em Amsterdam. O problema esta na cabeça do criador do filme pela forma como dá uma volta rebuscada para tentar tornar o filme de uma dimensão que o mesmo nunca acaba por ser, sendo apenas um curto filme de espionagem cujas repercurssões seguintes são simples deduções, mas que nada fazem crescer um filme no minimo estranho.

Sentimos ao longo das mais de duas horas de duração que é nos pequenos apontamentos que o filme vai sobrevivendo e resgatando uma historia central sofrivel. E nas eloquências da personagem feminina, nos tiques de Burt, em alguns secundários que fornecem elementos comicos como os de Rock e Nivola, mas pouco mais, o filme tenta ser uma confusão organizada que nunca acaba por conseguir. O filme tem muitas parecenças com American Hustle com a diferença que o resultado final enquanto bloco e claramente insuficiente.

Parece-me também que não e caso para dizer que estamos perante um filme pessimo, ou mesmo fraco, pelo contrário, o filme provoca duas horas de boa realização, boa interpretação, sendo o guião e mesmo a confusa organização das imagens que torna o filme mediano. O problema e que com tanta materia prima o mediano não pode ser aceitavel.

O filme fala de três amigos que partem na investigação da morte de um ex-soldado conceituado, que poderá ter por trás um plano muito maior e que visa um dominio do globo, numa relação de três amigos ao longo de muitos anos.

E no argumento que o filme tem as suas maiores dificuldades e engraçado não ser no detalhe onde mais uma vez O Russell consegue exprimir as suas virtudes em dialogos, apontamentos e detalhes, mas no epicentro narrativo. Fica a ideia que O Russel pensou claramente que estava a escrever uma historia com maior impacto do que realmente acaba por suceder.

Na realizaçao O Russem tem risco, tem detalhe, e nisso temos de o valorizar. Não é propriamente um prodigo da estetica, mas sabe o que quer dos seus filmes, mesmo que como neste fique plasmado um ego exagerado narrativo mas que lhe da a roupagem correta nas imagens. A sua impopularidade fora do trabalho não o ajudou.

No cast, temos talvez o melhor conjunto de atores num filme que temos memoria, juntamente com Dont Look Back do ano passado. Fica a ideia que é desiquilibrado no trio de protagonistas, Bale principalmente mas também Robbie estão num nivel claramente superior a Washington Jr e isso faz com que as personagens tenham um brilho diferente. Nos secundarios os melhores momentos de Rock, igual a si proprio e um surpreendente Nivola são os detalhes maiores de um cast bem maior que o resultado.


O melhor - Os detalhes e apontamentos de algumas personagens e um bom elenco.

O pior . Ficar com a sensação que O Russel pensava que ia dar muito mais do que efetivamente resultou


Avaliação - C+



Saturday, January 07, 2023

White Noise

 Apresentado no ultimo festival de Veneza com muita expetativa principalmente depois da unanimidade critica em torno de Marriage Story do realizador e por ser a adaptação de um dos livros mais aclamados da ultima decada, marcado pela originalidade e acima de tudo pela irreverência da abordagem. Os ingredientes estavam lançados mas a critica não foi exuberante com muita dispersão, entre aqueles que entraram na toada louca do filme com aqueles que acharam tudo demais, e que negaram o filme certo é que esta disparidade mata qualquer objetivo de premios que o filme poderia ter, sendo que percebendo isso a Netflix num ano onde criticamente nao conseguiu lançar nenhum front runner aos oscares acabou por esconder um pouco esta obra de irreverência pura.

POucos ficarão indiferentes a uma abordagem tão diferente, confusa e mesmo absurda como esta. E daqueles filmes que se gosta ou que se detesta, já que o meio termo é algo que o filme do primeiro ao ultimo minuto quer fugir, e consegue. Eu confesso que o primeiro segmento do filme, de aproximadamente meia hora é demasiado confuso e sem objetivo, mas com a entrada no segundo, o filme entra num estilo que me agradou, satirico, diferente, absurdo, mas sempre filmado e interpretado de uma forma original e artistica que me foi integrando no filme, que conseguiu ir transmitindo cada vez melhores sensações, até um produto final de primeira linha.

E claramente um filme do menos ao mais, e que acaba num dos melhores momentos de simbiose entre cinema e musica com LCD Soud System, que é o epilogo ideal de um filme com muitos apontamentos satiricos sobre a forma de estar e mais que tudo sobre a forma de viver. E daqueles filmes que por vezes adota o caminho do absurdo extremo mas e a assinatura que Baumbach encontra para assinar o filme, e no meu plano consegue-o fazer.

Por tudo isto e mesmo tendo em conta a primeira meia hora que me deixou totalmente perdido terminei com a sensação que vi um dos melhores e mais originais produtos do ultimo ano, um grito contra o marasmo da simplicidade dos biopics e historias lineares ou efeitos especiais de primeira linha. Os dois ultimos capitulos são originais, com mensagem, satirico e absurdos numa forma muito unica de transmitir que a mim me agradou.

A historia segue uma familia americana irreverente, com muitas particularidades que com receio da morte, recebe a visita de uma nuvem toxica que coloca tudo em causa na sobrevivencia de todos, e acima de tudo nas dinamicas nada funcionais familiares.

A historia de base é estranha que Baumbach ainda torna mais estranha, mais absurda, mas mais creativa. As criticas os apontamentos a diferença das personagens está la. Claro que muita gente não vai gostar com justiça do ruido, das falas desconcertadas, mas se conseguir colocar o ruido de lado o filme tem mensagem, tem historia, tem critica e personagens.

Acho que e na realizaçao que Baumbach diferencia o seu dificil filme, pela cor, pela procura sempre da conjugação da historia com imagens singulares desempenha aqui um trabalho meritorio, rebelde, muito de encontro ao que foi fazendo ao longo da sua carreira com mais metodos e mais risco. Nao e o mais unanime de uma carreira ja de si bipolar mas e o mais artistico.

No cast o filme tambem funciona, Driver dá um recital de interpretação de comedia, de drama, de intensidade, com diversos momentos que fazem dele um dos atores com mais recursos nos dias de hoje. Fica a ideia que carrega um pouco o filme as costas em interpretaçao, surgindo apenas alguns apontamentos de Gerwing no final, embora seja claro que esta seja melhor realizadora do que atriz


O melhor - Um conjunto de realiação e interpretação de Driver.


O pior - a primeira meia hora pode-nos fazer desistir de tudo e com razão, sorte dos que sobreviveram.


Avaliação - B+



Friday, January 06, 2023

Emancipation

 A grande aposta da Apple + para esta temporada de premios era algo arriscada, desde logo tentar muito cedo a redenção de um Will Smith depois da polemica da sua ultima conquista e tudo que o seu comportamento acabou por suscitar. Outro ponto é que Fuqua foi sempre um realizador de ação mais do que um realizador de obras primas, longe da critica. Isso levou a que o risco não corresse bem, desde logo porque criticamente o filme falhou com avaliações medianas. No que diz respeito ao valor comercial, mesmo já com um óscar na bagagem ainda não é uma plataforma de nivel total, e isso faz com que ainda não tenha um alcance comercial elevado.

Emancipation era uma aposta de risco e podemos dizer que visualmente o filme cumpre, numa otima execução de cor, de balanço entre o preto e branco numa fotografia de eleição que juntamente com a exigencia fisica e dos limites da sobrevivencia num filme cru são os elementos sedutores do filme que funcionam do primeiro ao ultimo minuto, num filme que no plano visual cumpre por inteiro.

O grande problema do filme é ao nivel narrativo e o vazio das mais de duas horas de duração de uma corrida do gato e do rato com muitos obstaculos, muito sangue, muita violência mas pouco ou nenhum conteudo. Passamos o tempo sem perceber o que realmente e a personagem central para alem da suas vivencias, do lado do vilão igual, e por fim uma guerra apressada sem grande sentido.

Por tudo isto Emancipation e um objeto cru, visualmente bem realizado com imagens fortes mas um argumento pouco complexo, simplista e vazio que não permite que o filme consiga elevar a sua formula narrativa para grandes patamares, e isso leva a que seja um filme menor com pouco impacto junto do espetador, ainda para mais pensado para uma plataforma de streaming.

O filme segue um escravo na luta pela sobrevivencia a qualquer custo e pela liberdade em fuga pelo mato com a perseguição de um caçador de escravos letal.

E no argumento que o filme falha em toda a linha pelo seu vazio, por apostar essencialmente que o filme vendia-se pela estetica e pelo que exige fisicamente dos seus espetadores, mas isso nos dias de hoje e curto principalmente tendo em conta que já muitos filmes conseguem associar ambos os aspetos.

Fuqua e um realizador de filmes de ação que tem aqui o seu projeto maior depois de Training Day. Visualmente o filme é conseguido, e demonstra que ele sabe e que arrisca cada vez mais nos seus filmes, não conseguiu e imperar o seu estilo em historias minimanente competentes.

*Por fim no cast Smith tem um papel interessante, intenso e fisico num ator que caiu na desgraça depois da gloria, mas que aqui demonstra o bom momento de forma que supera as polemicas. Ao seu lado um Foster sempre muito intenso e com todas as virtudes que fez dele um dos mais competentes atores da geraçao.


O melhor - O lado visual

O pior - O lado narrativo


Avaliação - C



 

Tuesday, January 03, 2023

Guillermo del Toro's Pinocchio

 A grande aposta de animação da Netflix para este ano de 2022 não podia ser mais poderosa, ao unir a conhecida historia de Pinoquio que nos ultimos anos reuniu muita atenção de diversos estudios com um dos realizadores em melhor forma e com algumas colaborações com a produtora como Guillermo Del Toro. Em termos criticos o projeto funcionou com avaliações muito positivas o que conciliando com um ano onde a Disney falhou em grande parece ter conduzido o filme ao favoritismo natural no oscar de melhor animaçao. Comercialmente e com o carimbo netflix tera sempre maior probabilidade de obter o reconhecimento tido como necessário ao sucesso.

Sobre o filme podemos desde logo ficar fascinados pelo estilo de animação extremamente original e bonita que Del Toro consegue fazer do seu pinoqui, da sua aldeia mas acima de tudo uma assinatura peculiar e original que da o lado afetuoso que o filme quer ter com o lado mais adulto que quer diferenciar da historia convencional que ao longo dos anos foi sendo lançado, sendo um filme brilhante do ponto de vista produtivo.

Sobre a abordagem temos muitas diferenças sobre o que ja vimos da historia principalmente quando comparado com a historia da Disney, sobra muito pouco, talvez o grilo e a forma como o filme se apresenta onde o filme tem os melhores momentos. Quando se distancia e tenta ser politicamente contextualizado o filme parece perder algum encanto e beleza natural necessária ao cinema mais de animação para toda a familia para ser mais ideologico.

Mesmo assim talvez a melhor abordagem do Pinoquio para alem do original da Disney, um filme que não trazendo bonecos particularmente bonitos e não imiscuindo da vertente social acaba por ser adulto, maduro, bonito e com a historia epica que conhecemos, algo que so está ao alcance dos melhores e Del Toro e neste momento um dos melhores que Hollywood tem.

A historia e a conhecida de Pinoquio o boneco de madeira efetuado por um caripinteiro e a forma como vai ganhando consciencia de vida com a vontade de se tornar um menino de verdade.

O argumento e muito diferente da historia normal, de quem apenas vai buscar a base. Sendo um defensor da força da historia conhecida pela sua riqueza moral e social, esta nova abordagem perde alguns pontos da historia de base no lado metaforico. A nova roupagem é competente mas pior que a original.

Del Toro e dos melhores realizadores e cineastas que Hollywood atualmente tem, aqui demonstra mais uma vez todas estas suas virtudes pela competencia estetica e originalidade que o filme emprega. Em terrenos diversos nunca coloca de lado o seu plano estetico e provavelmente conduzira a um novo oscar.

No que diz respeito ao cast de vozes, nota-se que existiu uma vontade de Del Toro ir buscar vozes cujos atores sao parecidos com os personagens por si criados, e funciona. Nota-se um naipe de atores de primeira linha que fortalece e torna o projeto maior.


O melhor - A primeira hora de filme

O pior - Complica quando se distancia da base


Avaliação - B