A Netflix entre Outubro e Novembro gastou todas as balas, ainda que com formas diferentes de potenciar o real valor de cada um dos seus filmes na temporada de prémios. Este pequeno filme, estreado com muito boas avaliações em Sundance, foi um dos filmes que entrou para o leque de candidato sem nunca ser uma aposta principal. No fim acabou por ser o filme mais bem avaliado criticamente de todos, mas fica a sensação que comercialmente foi sempre algo pequeno demais para altas ambições.
Sobre o filme temos um filme sobre uma personagem, contando como uma fábula sobre um homem comum e a sua importância para o desenvolvimento do mundo. Uma pessoa incognita marcada pela dor ao longo dos anos, parado no desenvolvimento. O filme é uma biografia do mundo rural, fora do olho de todos, mesmo que a sociedade se desenvolva e isso faz do filme bonito, que nos deixa desconfortável, que nos dá emoção e angustia de uma forma como poucos filmes o conseguiram fazer.
E um filme triste mas que nos deixa preso às aventuras, ou à escolha do protagonista de ser uma arvore morta, as metaforas do filme, a realização e a fotografia são interessantes, dão ao filme uma dimensão filosofica que por vezes até adormece o espetador no marasmo do personagem. Mas esse é o objetivo para o lado final, para a conclusão de um propósito, de um filme dificil mas impactante.
Numa altura em que o cinema tem dificuldade em contar historias para além das histórias, este filme consegue fazé-lo como poucos, na forma como conta uma historia comum de dor e de perda mas que tem por trás o desenvolvimento da humanidade às mãos dos seus obreiros apagados, um filme para nos fazer pensar e emocionar. Um dos grandes filmes do ano.
A historia fala de um trabalhador de estradas e linhas de comboio que após um trágico acontecimento decide ficar à espera de respostas enquanto o mundo totalmente à sua volta se desenvolve a um ritmo impressionante.
O argumento do filme é interessante, a forma da historia contada como se de um documento histórico se tratasse. E um filme que traça um paralelismo de contraste que funciona pela capacidade do filme emocionar como poucos, com muita capacidade de fazer sentir.
Na realizaçao Clint Bentley regressa à realização depois de alguns sucessos na escrita, principalmente em Sing Sing, temos uma realização bonita, ritmo baixo, em que o contexto é um dos interpretes do filme, Temos uma capacidade de transmitir que vai para alem das palavras e Bentley e um realizador de emoções como poucos conseguem ser.
No cast Edergton tem uma interpretação completa, leva o filme ao seu ritmo, no desaparecimento da sua personagem. Muitas vezes valoriza-se interpretações histéricas, quando outras em que se trabalha nos silencios são mais dificeis. Este ator consegue como poucos funcionar neste registo e mereceia mais atenção, pois é o coração do filme. Os secundários suportam sem serem muito brilhantes.
O melhor - A diferença de tudo entre a personagem e o mundo
O pior - O ritmo baixo pode esconder muitas virtudes
Avaliação - B+

No comments:
Post a Comment