Linklater teve em 2026 um ano hiperativo com dois projetos sobre projetos passados e os seus intervenientes com produçoes em todos os niveis diferentes mas que ambas conseguiram algum valor critico de forma a que principalmente este Blue Moon tenha sido uma presença constante nos premios, embora sem grande favoritismo. Criticamente Linklater nunca foi um realizador de massas e este filme acabou também por não o ser tirando muito das possibilidades reais de entrar na real luta por premios.
Sobre o filme temos um daqueles filmes totalmente baseados na interpretaçao central do filme, quase como um monologo falado com uma intrepretação brutal a todos os niveis que conduz o filme para niveis muito elevados, principalmente porque o argumento de Linklater tem essa capacidade de potenciar momentos comicos, de analisar a personagem e as suas reações e principalmente exibir de uma forma clara que o que dizemos está longe de ser propriamente o que sentimos.
E um filme sobre alcoolismo, sobre fama, sobre como lidar quando ela desaparece, tudo num unico take num unico segmento apos a estreia de uma peça, e a sua festa sequente. E daqueles filmes num espaço, falado e conversado do primeiro ao ultimo minuto, parece que o filme tem que ser curto principalmente pela forma como o filme não tem muita açao visual, mas a qualidade dos dialogos acaba por levar o filme para o patamar que quer.
Por tudo iso não sendo um filme espetacular, e um filme a ver, principalmente pela construçao incrivel de Hawke, uma das melhores interpretações do ano, mas também pela qualidade do argumento intenso, constante que permite as personagens dialogos iconicos, mesmo que a base da historia e das suas personagens possa ser algo distante da maioria dos espetadores.
O filme fala da festa apos a estreia do musical Broadway!, depois de a peça que marcou a quebra da ligação de um Lorenz Hart marcado pelo alcoolismo do compositor Richard ROgers e a forma como este vive o novo sucesso do seu anterior aliado.
O argumento do filme é ambicioso ao lançar tudo o que quer lançar num unico momento. As personagens acabam por deambular por um espaço, pós estreia, mas os dialogos dão tudo que as personagens necessitam e o final uma retrospetiva muito relevante do preço da fama. Um dos melhores argumentos do ano.
Linklater e um realizador exprimental que tem alguns dos projetos mais ambiciosos dos ultimos anos, principalmente na forma como lida com as suas produçoes. Aqui temos uma realização simples apenas com a artimanha do tamanho do protagonista. Fica a sensação que o filme deixa outros vetores serem os protagonistas.
No cast Hawke num excelente momento de forma tem a sua melhor prestação da carreira, intensa, dificil, capta cada momento e cada dialogo com uma intensidade que é o coração do filme. Um daqueles papeis iconicos que valem uma carreira, que com um filme maior poderia ter outro tipo de resultado ou coroação final. Os secundarios funcionam de uma forma simples, permitindo o brilho maior do seu protagonista.
O melhor - Hawke e o guião escrito para ele.
O pior - Um filme baseado apenas em dialogo pode ter um ritmo baixo
Avaliação - B

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