Saturday, May 09, 2026

Wuthering Heights

 Quando este filme foi divulgado, todos os ouvidos de Hollywood ficaram atentos quer pela dupla protagonista, numa carreira pelo menos comercialmente ascendente e acima de tudo por ser uma das historias mais conhecidas da literatura e cinema misturado com uma realizadora que em Saltburn conseguiu pelo menos a polemica e o mediatismo de alguém fora da linha. Com grande expetativa o filme foi lançado mas criticamente as coisas nao foram brilhantes principalmente por alguma quebra com o rigor literario do filme. Comercialmente o filme tinha tudo para ser o filme do dia dos namorados e os resultados foram consistentes embora fique a ideia que pelo par protagonista poderia valer ainda mais.

Sobre o filme podemos começar por dizer que se trata de um filme concetualmente bem montado na forma como consegue criar cenarios e pensar todas as cenas, mesmo a sua irreverencia funciona dando um toque mais recente. Parece claramente pior escolhida a banda sonora se calhar demasiado atual para o registo do filme e mesmo algum emaranhar da historia que torna o filme se calhar menos romantico do que deveria ser.

O cinema e precisamente essa mistura de escolhas dai que o resultado nao seja propriamente brilhante, é um filme com alguns momentos bem pensados, esteticamente muito criativo, mas confuso no romantismo quase doentio que quer transparecer. O cinema acaba por ser um momento em que a capacidade de transmitir emoçoes perde-se um pouco nas ideias difusas do livro.

Por tudo isto temos um filme que mesmo tendo a assinatura e se calhar uma magnitude que Farell já consegue ter, acaba por ser esses os elementos que funciona, mas o filme perde-se algo nos desvaneios e fantasias exagerados de um filme que tinha tudo para ser bonito mais que propriamente muito rebelde.

A historia segue uma relação criada desde a infancia entre a filha de um nobre perdido no alcool e no jogo e de um jovem adotado a criado, contudo as diferenças sociais nunca permitem aceitar um romance que conduz a um jogo do gato e do rato.

No que diz respeito ao argumento a historia difunde-se entre o rebelde e o bonito, o filme perde-se um pouco nessa organização do que quer ser e acaba por nao premiar nenhum dos momentos, num livro muito conhecido que valia outro tipo de abordagem mais fiel.

Ferrell e uma excelente realizadora, original, atual, com risco com muito estetico que com um argumento se calhar mais organizado tinha feito um filme mais consensual, embora me pareça que este estilo não seja propriamente o que esta procura.

No cast Robbie e uma das atrizes mais mediaticas do momento e o filme consegue encontrar os diversos elementos da mesma. Ao seu lado Elordi esta numa forma forte, mas nao me parece um ator com particular recursos interpretativos, parece mais claro funcionar nos momentos em que o filme procura espaços mais duvidos


O melhor - O lado estetico do filme.


O pior - A fantasia por vezes ultrapassar e apagar o amor


AValiação - C+